4.2 DELIMITATION ET ADMINISTRATION DES DIFFERENTS TYPES DE TERRES
4.2.4 LES TERRES CLASSEES
Se o site Oaxaca Libre nasceu em pleno fervor dos acontecimentos em 2006,
Revolucionemos Oaxaca é um filho mais novo daquele processo. Surgiu em 25 de novembro de
2007 pelas mãos de duas jornalistas recém saídas da faculdade, Citlalli Mendez, com 23 anos à época, e Yésika Cruz Matines, com 22. Motivadas pelos acontecimentos de 2006, elas começaram com um blog que logo evoluiu para uma página na Internet.
O objetivo do site era (e continua a ser) proporcionar a informação jornalística alternativa dando visibilidade a conteúdos que não costumam ser difundidos nos meios comerciais e até nos meios alternativos. Além de matérias sobre política, cultura, sociedade é possível acessar uma seção sobre “formas de vida” em que são tratadas experiências de economia solidária, medicina tradicional, sexualidade, manifestações culturais, tradições e toda uma gama de temas relativos à vida cotidiana nas comunidades e nos centros urbanos de Oaxaca. As informações são apresentadas nos formatos de texto, vídeo e áudio.
Oaxaca Libre é uma forma de se contrapor às notícias que saem nos jornais. Em 2006
[o tema dos meios alternativos] era a APPO e nada mais. Agora, pela página, sabemos das lutas em diferentes partes de Oaxaca. É uma oportunidade de conhecer as pessoas, outras experiências, outras lutas. As pessoas que se interessam em outras temáticas podem ter a oportunidade de ter uma visão diferente ao que aparece em qualquer meio. (YÉSIKA CRUZ, do sítio eletrônico Revolucionemos Oaxaca, de Oaxaca de Juárez, em entrevista 2009).
O grupo que está à frente do site é formado por cinco pessoas que contam com o apoio de outros 11 colaboradores. Eles classificam a página como um meio independente e alternativo que tem o dever de ser ético e inclusivo, dando voz às pessoas simples, das comunidades ou das
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cidades, rompendo com o ciclo viciado que ouve apenas lideranças e pessoas em cargos de poder.
Revolucionemos Oaxaca hace referencia a una visión que estudia, critica, analiza y
propone alternativas a lo que acontece en el orden social establecido y busca que se genere reflexión y acción. Revolucionemos Oaxaca, también busca un cambio en el periodismo, en conceptos y reglas impuestas; y apuesta por cambiar los esquemas informativos y por ser un medio incluyente que combata la marginación de temas vetados social y culturalmente. (Sítio eletrônico Revolucionemos Oaxaca, 2010).
O grupo elegeu a Internet como meio de divulgação pela possibilidade de retroalimentação que ela tem. Assim acontece o envio de notícias de diferentes fontes situadas em quaisquer das regiões, o que oportuniza a participação de outras pessoas e os pontos de vista não ficam restritos aos que estão à frente do projeto. Para eles, essa forma está mais próxima da construção coletiva a que se propõem.
Em busca de independência em relação aos interesses que envolvem qualquer meio de comunicação, ainda que seja um meio alternativo, o grupo optou por não se vincular politicamente seja enquanto coletivo, seja enquanto indivíduos a partidos políticos, organizações e sindicatos. A página não gera recursos econômicos e os integrantes têm outros meios de vida. Yésika e Citlalli, por exemplo, tinham acabado de ingressar na carreira magisterial quando foi realizada a entrevista, em agosto de 2009.
A visão crítica das duas amigas não é restrita aos meios massivos e suas formas de produção de conteúdos. Elas, que estiveram envolvidas com o processo de mobilização ocorrido em 2006, creem que também muitos meios alternativos carregam a mão para o lado que lhes é conveniente defender.
Não vamos dizer que os movimentos sociais são uma maravilha e que não tem nada de errado, porque sabemos dos muitos erros que existem. Os meios alternativos também estão muito carregados por esse outro lado. E se tornam, assim, como os meios que criticam, pouco críveis. Por isso, procuramos buscar as informações e tratar de outros temas, nos preocupamos em tratar a notícia com maior atenção. Não é porque é
movimento social que é tudo bom. É preciso informar-se de outras temáticas, abrir-se para outras vozes, não recorrer sempre às mesmas pessoas, às mesmas fontes (CITLALLI MENDEZ, do sítio eletrônico Revolucionemos Oaxaca, de Oaxaca de Juárez, em entrevista 2009).
CAPÍTULO II
A COMUNICAÇÃO JUNTO ÀS LUTAS INDÍGENAS E POPULARES
O surgimento de meios comunitários, livres, autônomos, horizontais, independentes, populares, ou simplesmente, como estamos designando nesta pesquisa, alternativos, está intimamente ligado à atuação popular iniciada nos anos 70 e 80, no México e na América Latina. Estes meios representavam uma forma alternativa de comunicação, realizada a partir do social e buscavam alterar o injusto, o opressor, a inércia histórica que impunha dimensões sufocantes, através de uma vocação libertadora que se nutria por uma multiplicidade de experiências comunicativas (FESTA apud PERUZZO, 2006).
Em Oaxaca não foi diferente. Os meios alternativos surgiram intimamente ligados à atuação de movimentos, organizações e agrupamentos populares de toda espécie. Alguns vinculados a ideologias políticas, outros a filosofias libertárias e também a bandeiras etnopolíticas e culturais. O marco da atualidade em Oaxaca nesse sentido foi uma mobilização ocorrida em 2006 que aglutinou grande parte dos habitantes da capital e região metropolitana e impulsionou o surgimento de novos meios de comunicação (principalmente rádios e sites) não comerciais.
No estado de Oaxaca há um sem número de iniciativas que investem em meios independentes: além das já citadas cerca de 50 rádios comunitárias, há também uma inumerável quantidade de sites na Internet, experiências de TVs comunitárias e coletivos de arte e cultura, que produzem a contra-informação. Eles exaltam temas como a autonomia dos povos, as ações do movimento social, as manifestações das culturas tradicionais, os processos políticos no país e na região, o engajamento à cultura livre etc.
Nesse sentido, surge a pergunta-chave desta dissertação: o que passa em Oaxaca que é capaz de concentrar tantas iniciativas comunicacionais oriundas de setores populares?
Na busca por elucidações, este segundo capítulo irá abordar a relação entre a comunicação alternativa e a ação de setores sociais em Oaxaca em que se observa a necessidade de esclarecimento de conceitos como o de resistência e o de autodeterminação aí presentes.