Les connecteurs propositionnels
2.6 Les tables de vérité
Recorrendo a Gilley e Rasheed (2000) existem dois tipos de outsourcing: o periférico e o core. O outsourcing periférico engloba as actividades non-core que não têm grande influência directa na estratégia da empresa normalmente é utilizado para tarefas de curto-prazo ao passo que o segundo consiste num processo de outsourcing relacionado com a actividade core da empresa tendo maior impacto a longo prazo. Segundo Gilley e Rasheed (2000:767): “What constitutes a core or peripheral activity is essentially a judgment by each individual firm, based on what it considers as its core competency and the strategy it intends to pursue.” Estes dois autores defendem que o conceito do outsourcing não é unidimensional e que existem dois pontos de vista sobre este processo: outsourcing em Largura e o outsourcing Profundo. Representam um conjunto de actividades que podem ser exercidas mediante o tipo de política de externalização de funções que a empresa tenha, que pode variar bastante de empresa para empresa.
Gilley e Rasheed efectuaram um estudo relacionado com efeitos que o outsourcing tem sobre o desempenho da empresa. Neste estudo o outsourcing em Largura e o Profundo juntaram-se combinaram-se num só tipo devido ao facto do grau de dependência das empresas pelo outsourcing não poder ser medido em função do número de actividades externalizadas, tendo em conta que existem actividades mais e menos core. Gilley e Rasheed (2000:768): “Only when a firm’s breadth and depth of outsourcing are combined does na accurate picture of the firm’s reliance on outsourcing emerge” A combinação do outsourcing em Largura com o Profundo origina o outsourcing intensivo.
As melhorias do desempenho de uma empresa que podem estar associadas a um cuidadoso planeamento estratégico, tendo como base o recurso ao outsourcing, têm de ter subjacente, na gestão da empresa as competências e recursos necessários para que a estratégia da mesma seja feita de modo sustentável. A empresa apesar de recorrer ao outsourcing para inúmeras tarefas deve proceder a um investimento contínuo nessas mesmas competências e recursos da sua actividade principal, deixando as demais actividades para o outsourcing. Segundo Peteraf (1993), as competências core de uma empresa são as que dão origem às bases e direcção necessárias para originar o crescimento da mesma. No que toca aos recursos, são estes que permitem às empresas atingir elevados graus de inovação que os principais rivais não conseguem obter gerando a vantagem competitiva através do desenvolvimento desses mesmos recursos e métodos que são difíceis de imitar, raros e de difícil substituição. Associado a esses recursos encontra-se inevitavelmente o factor conhecimento que pode ser depreciado com o passar do tempo se não for renovado. Uma hipótese para combater esse facto é
a possibilidade de uma empresa recorrer ao mercado de fornecedores para gerar novo conhecimento na sua estrutura, aumentando as hipóteses de manter a vantagem competitiva. O recurso ao outsourcing acarreta em si potenciais vantagens e desvantagens, permitindo por um lado uma redução de custos e um aumento de foco dos seus próprios recursos nas suas actividades principais. De outro modo se os outsoucers aos quais uma empresa recorre, possuem um grau de conhecimento gerador de pouca vantagem no que toca à inovação, certamente o valor acrescido para o nível competitivo será limitado. Posto isto, Gilles e Rasheed durante o seu estudo resolveram partir do pressuposto de que o desempenho de uma empresa é influenciado pelos processos de outsourcing periférico e core por uma única via, devido às incertezas associadas aos níveis de outsourcing intensivo que as desvantagens acarretam. Na figura 18 verifica-se então que os efeitos do outsourcing Intensivo Periférico e Core influenciam o desempenho da empresa e por sua vez, esta relação é influenciada pela estratégia e pela dinâmica existente no ambiente externo. Começando então por partes, no que toca ao outsourcing periférico definido anteriormente, este está associado a actividades non-core e este estudo indica que a sua influência no desempenho da empresa é positivo. Este manifesta-se de três formas: a redução da realização de tarefas internas permite com que os recursos da empresa se
concentrem nas actividades que sabem fazer melhor, por
consequência, esse foco nas actividades core permite que a empresa atinja patamares de inovação que a levam a atingir vantagem competitiva e a ter uma maior agilidade no que toca à dinâmica do ambiente externo. Em segundo lugar, quando é aplicado o outsourcing periférico, permite que as actividades non-core aumentem a sua qualidade pois são pessoas especializadas nas respectivas áreas, como é o caso da contabilidade, que executam as tarefas. O número restrito de funções a serem executadas pelas organizações de outsourcing permitem que a atenção direccionada para a tarefa a ser executada seja maior, aumentando a sua qualidade. Por fim, ao efectuar-se este processo os custos estruturais da empresa tendem a diminui melhorando os resultados operacionais de forma global. Desta forma, a empresa que recorre ao outsourcing periférico tem maiores probabilidades de atingir melhores resultados do que uma empresa que não externaliza os seus processos non-core. Em suma, verifica-se que os efeitos que o outsourcing periférico intensivo tem sobre o desempenho de uma empresa, são positivos.
Fig.18 - Esquema de Gilley e Rasheed - outsourcing com o desempenho da empresa
Fonte: Gilley e Rasheed (2000)
Por outro lado o desempenho das empresas pode também ser influenciado pela intensidade com que o outsourcing core afecta a realização de tarefas relacionadas mais directamente com a actividade da empresa. Kotabe (1990) e Teece (1987) defendem que este tipo de externalização tem um impacto negativo sobre o nível de inovação, podendo conduzir a um decréscimo dos níveis de desempenho pondo em causa a vantagem competitiva. No entanto, Gilley e Rasheed acrescentam ainda que a transferência intensiva de conhecimento especializado para as actividades próximas do core business podem colocar em perigo o desempenho futuro da empresa. Perante este cenário, destaca-se a importância das empresas em manterem de forma interna a execução de actividades próximas do core business, pois no caso de recorrerem ao outsourcing core de modo intensivo, poderá causar perturbações no desempenho da empresa. Em suma, os efeitos do outsourcing core de modo intensivo nem sempre são positivos.
No que toca à relação entre o outsourcing intensivo, o desempenho pode gerar uma onda de incertezas quanto à estratégia a adoptar pela empresa. Quando a mesma opta pela utilização do outsourcing periférico é certo que o efeito que este tem sobre os custos estruturais é o de reduzir o seu peso sobre a estrutura de gastos da empresa. Contudo, existe um outro ponto de vista quando se opta pelo outsourcing, nomeadamente no que toca à melhoria do foco sobre o core-business. A utilização do periférico não garante automaticamente que haja tal melhoria; apenas dá uma maior margem para a empresa obter teoricamente melhores resultados operacionais.
Quando a empresa externaliza funções non-core, tem maior capacidade de foco sobre a actividade, que pode ser manifestada por uma melhoria do seu desempenho. No entanto, este efeito positivo do outsourcing periférico que se encontra na fig.18 pode ser reduzido a partir de uma diferenciação estratégica. A mesma apesar de permitir que haja uma maior incidência sobre as actividades principais e a respectiva redução de custos estruturais, sempre que ocorre uma diferenciação o impacto sobre essa redução tende a ser cada vez menor. Esta diferenciação está associada o aumento dos custos variáveis inerentes à produção ou serviços prestados, dos quais este tipo de outsourcing tem pouco ou nenhum impacto. Daí é possível concluir que pelo facto de existir uma diferenciação estratégica, o efeito que o outsourcing periférico tem sobre a performance da empresa será menor. Quanto ao outsourcing core o cenário torna-se diferente, já que empresas que utilizam este tipo de outsourcing encontram-se em panoramas de mudança estratégica, apresentando níveis baixos de performance, sendo que os efeitos negativos afectam tanto os custos estruturais como nos custos variáveis. Para os custos fixos, as desvantagens do outsourcing core são compensadas de forma parcial pela melhoria dos custos de competitivos, resultantes da constante procura por preços baixos provenientes de cada actividade principal. Posto isto, uma política de custos competitivos leva a uma redução dos efeitos negativos (ou um aumento dos efeitos positivos) do outsourcing Core no desempenho de uma empresa.
Por fim, no que toca à Dinâmica do ambiente externo, também existe a produção de efeitos sobre a relação entre os tipos de outsourcing intensivos e no nível de desempenho da empresa. O ambiente externo consiste numa barreira ao qual as empresas têm que ser capazes de se adaptar tendo em conta o seu grau de incerteza que lhe esta incutido; no que toca ao outsourcing intensivo os efeitos manifestados sobre as empresas pode ser diferente para cada tipo. Os efeitos que o outsourcing tem sobre o desempenho de uma empresa são directamente proporcionais à dinâmica que o ambiente externo impõe. Ao recorrer-se ao outsourcing periférico e core para a execução de certas actividades num ambiente onde existem mudanças (entre as quais enquadra-se os avanços tecnológicos), as empresas fornecedoras podem tirar partido dessas mesmas mudanças adquirindo equipamento que possa ser útil para uma prestação de serviço eficiente e eficaz, e ainda aproveitar para explorar sempre que possível uma potencial redução de custos. Daí o dinamismo que existe em ambiente externo poder beneficiar o outsourcing quando, consequentemente gera efeitos positivos sobre as empresas clientes, promovendo a melhoria do seu desempenho. No que toca a ambientes estáveis, os efeitos positivos do outsourcing intensivo tendem a decrescer, devido principalmente a duas ordens de razão:
A primeira está relacionada com as vantagens associadas aos recursos tecnológicos que cada fornecedor possui, uma empresa facilmente pode optar pelo fornecedor que tem melhores recursos para satisfazer as suas necessidades.
Num ambiente estático os avanços tecnológicos não existem com tanta frequência como num ambiente dinâmico e por consequência não trazem benefícios para o desempenho das empresas principalmente no que toca às áreas de produção e serviços. O segundo está associado à dificuldade das empresas inseridas em ambientes estáticos resistirem à externalização relacionada com a transferência de conhecimento. Por um lado a troca de conhecimento é positiva podendo elevar os níveis de inovação, contudo essa troca pode dar margem para que se dê a perda da “receita chave” que está associada à vantagem competitiva. Em suma verifica-se que em cenários onde existe um ambiente dinâmico o efeito do outsourcing intensivo sobre o desempenho de uma empresa tende a ser positivo, podendo ser vantajoso no que toca à redução de custos. Em cenários de ambiente estático, os efeitos positivos tendem a decrescer e os custos tendem a aumentar.