ETAT DES LIEUX
B)- Les systèmes d’aide à la décision médicale
Quando comparados os resultados obtidos pelos dois grupos, em T1, não se encontraram diferenças estatisticamente significativas relativamente à capacidade cognitiva (GI: M=13,67; DP=4,84 e GC: M=14; DP=4,29), à capacidade funcional (GI: M=16,92; DP=2,27 e GC: M=18; DP=2,96), e à qualidade de vida (GI: M=23,33; DP=2,06 e GC: M=24,70; DP=1,56).
Evolução dos resultados de T1 para T2
Após a implementação do programa de intervenção, foram reavaliados os dois grupos (T2). Comparando os resultados obtidos nos dois tempos de avaliação (pré e pós intervenção), podemos afirmar que obtivemos resultados significativos nas três variáveis em estudo (capacidade cognitiva, capacidade funcional e qualidade de vida). Evolução da Capacidade Cognitiva
Os valores médios obtidos no MEEM pelos dois grupos, nos dois momentos de avaliação são apresentados no Quadro 1. Como se pode verificar, no GI a capacidade cognitiva melhora significativamente (o valor médio passou de 13,67 para 18,25) após o
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programa de intervenção (T2). No GC os resultados não apresentam diferenças significativas.
Quadro 1
Evolução dos grupos relativamente à capacidade cognitiva
Grupos M (DP) - T1 M (DP) - T2 p
GI 13,67 (4,84) 18,25 (4,47) 0,004
GC 14 (4,29) 13,80 (4,23) 1
M= Média; DP= Desvio padrão; p= probabilide
Segundo a análise do teste Wilcoxon, para amostras emparelhadas, concluímos que no GI, 83,4% dos indivíduos apresentaram resultados positivos nas pontuações do MEEM, enquanto no GC, apenas 40% melhoraram os seus resultados.
Evolução da Capacidade Funcional
No segundo momento de avaliação, de acordo com o Quadro 2, observaram-se alterações nas pontuações médias obtidas no Índice de Katz, em ambos os grupos, no entanto, apenas no GI essas diferenças foram significativas. Os resultados sugerem que apenas os idosos do GI apresentam uma maior funcionalidade (valor médio evoluiu de 16,92 para 19,25) após o programa de intervenção (T2).
Quadro 2
Evolução dos grupos relativamente à capacidade funcional
Grupos M (DP) - T1 M (DP) - T2 p
GI 16,92 (2,27) 19,25 (2,86) 0,004
GC 18,10 (2,96) 17,80 (3,32) 0,679
M= Média; DP= Desvio padrão; p= probabilide
Segundo a análise do teste Wilcoxon para amostras emparelhadas, dos 12 idosos do GI, 83,4% melhoraram as pontuações obtidas de T1 para T2 e os restantes 16,6% não sofreram alterações. No GC, 50% mantiveram as pontuações, 30% melhoraram e 20% pioraram. Uma análise mais detalhada, por actividade, sugere que no GI, 50% obtiveram resultados positivos relativamente ao “controlo de esfíncteres”, sendo essa mudança significativa (p=0,014), contrariamente ao GC em que apenas 20% melhoraram os resultados, não sendo essa mudança significativa.
No GI, a percentagem de independentes, relativamente ao “controlo de esfíncteres”, aumentou de 8,3% (T1) para 41,7% (T2). Relativamente ao “banho” e ao “usar a casa de banho” a evolução, nos 2 grupos, não teve significado estatístico. No entanto, no GI a percentagem de independentes relativamente ao “usar a casa de banho” aumentou de 8,3% (T1) para 25% (T2). Na “mobilidade”, ocorreu uma melhoria significativa (p=0,008) de T1 para T2, no GI, com 58,3% de casos positivos. No GC, apenas 10% dos indivíduos apresentaram alterações, evolução sem significado estatístico. No GI a percentagem de independentes, relativamente à “mobilidade”, aumentou de 16,7% (T1) para 66,7% (T2). Em relação ao “vestir/despir”, no GI ocorreram 5 casos positivos (41,7%), evolução com significado estatístico (p=0,02). No GC não ocorreu nenhum caso positivo. No GI, a percentagem de independentes relativamente ao “vestir/despir” aumentou de 8,3% (T1) para 33,3% (T2). Na “alimentação”, 75% de casos positivos no GI, evolução significativa (p=0,003). Já no GC não ocorreram alterações de T1 para T2. No GI, relativamente à “alimentação” a percentagem de independentes aumentou de 16,7% (T1) para 91,7% (T2).
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Concluímos que na maioria das dimensões avaliadas, “controlo de esfíncteres”, “mobilidade”, “vestir/despir” e “alimentação” a evolução de T1 para T2, no GI, teve significado estatístico. No GC não ocorreu uma evolução significativa em nenhuma das dimensões. Considerando os resultados obtidos, podemos afirmar que os idosos do GI aumentaram a sua independência nas actividades básicas da vida diária, após o programa de intervenção.
Evolução da Qualidade de Vida
De acordo com o Quadro 3, podemos verificar que apenas no GI se verificou uma melhoria significativa da perceção da qualidade de vida de T1 para T2.
Quadro 3
Evolução dos grupos face à qualidade de vida
Grupos M (DP) - T1 M (DP) - T2 p
GI 23,33 (2,06) 26,08 (2,57) 0,002
GC 24,70 (1,56) 24,60 (2,17) 0,94
M= Média; DP= Desvio padrão; p =Probabilidade
Através do teste Wilcoxon para amostras emparelhadas, observamos que 100% dos indivíduos do GI melhoraram a pontuação obtida relativamente à qualidade de vida. No GC melhoraram apenas 50% dos 10 idosos, 20% mantiveram-se sem alteração e 30% pioraram a sua qualidade de vida. Analisando em detalhe os resultados obtidos, verificamos que a melhoria da qualidade de vida percepcionada pelos idosos do GI se deve a uma percepção mais positiva da sua saúde física, da sua disposição e humor e da sua memória. Relativamente à avaliação da saúde física, no GI, temos 5 casos positivos, 7 sem alterações e nenhum negativo, ou seja 41,6% dos idosos melhoram a sua percepção de saúde física de T1 para T2, sendo essa diferença significativa (p=0,02). No GC não ocorreram alterações significativas. Em relação à disposição e humor, 83,4% dos idosos do GI melhoraram (10 casos positivos), sendo que 2 idosos se mantiveram sem alterações. A mudança positiva que ocorreu de T1 para T2, relativamente à disposição e humor foi significativa (p=0,002). No GC a maioria dos idosos manteve-se sem alterações. No que diz respeito à memória, temos 4 casos positivos, 8 sem alterações e nenhum negativo, ou seja 33,3% dos idosos melhoram a percepção que têm da sua memória, de T1 para T2, sendo essa diferença significativa (p=0,04). No GC não ocorreram alterações significativas.
Em síntese, os resultados obtidos sugerem que apenas os idosos do GI aumentaram a sua qualidade de vida, após o programa de intervenção.
Avaliação qualitativa
Ao longo dos 4 meses do programa de intervenção foram registados alguns comentários dos idosos relativos às atividades desenvolvidas. Estes comentários vão ao encontro dos resultados apresentados anteriormente. Por exemplo: “Isto é muito bom, tenho de fazer mais vezes” (sujeito 6); “Eu gosto, para me movimentar melhor” (sujeito 11); “Sinto que estou um pouco melhor” (sujeito 11); “Temos de mexer o corpo” (sujeito 10); “Já me habituei a fazer ginástica” (sujeito 4); “Eu gostei, foi muito bom e importante fazer estas coisas todas” (sujeito 12); “Sinto-me bem e tranquila a pintar” (sujeito 10); “Aqui damos muitas gargalhadas” (sujeito 1); “Sinto-me bem a fazer isto” (sujeito 12); “Estou cada vez mais novo” (sujeito 11).
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DISCUSSÃO
O presente estudo teve como objetivo elaborar um programa de intervenção, com base na estimulação cognitiva e atividade física, que permitisse melhorar a capacidade cognitiva e funcional dos idosos com demência, bem como a sua qualidade de vida. Relativamente às características sociodemográficas da amostra, a média de idades dos dois grupos é de 82,8 anos, sendo a maioria do sexo feminino (81,8%), facto que está de acordo com a literatura que sugere que mais de metade das pessoas com demência apresentam uma idade superior a 80 anos e é do sexo feminino (Gonçalves, 2003; INE, 2011).
Em relação ao primeiro objectivo – aumentar a capacidade cognitiva dos idosos com demência – os resultados obtidos permitem-nos afirmar que o programa de estimulação cognitiva e actividade física implementado levou a melhorias cognitivas significativas, avaliadas pelo MEEM, quando comparados os resultados pré e pós intervenção e quando comparados os resultados com o grupo sem intervenção. Como referem Coelho, Galduroz, Gobbi e Stella (2009), a estimulação cognitiva associada à prática regular de atividade física contribui para a preservação ou melhoria de várias funções cognitivas, em idosos com demência.
Vários estudos têm mostrado que a atividade física e a estimulação cognitiva, contribuem para manter e/ou melhorar a capacidade cognitiva. Kemoun et al. (2010) procuraram estudar os efeitos de um programa de treino físico (caminhadas, equilíbrio e resistência) na função cognitiva e física em 16 idosos com demência. Os resultados sugeriram que apenas os idosos que participaram no programa de actividade física melhoraram a sua função cognitiva, comparativamente à avaliação inicial.
Yágüez, Shaw, Morris e Matthews (2011) realizaram um estudo com o objetivo de avaliar o efeito de um programa de exercício anaeróbico (durante 6 semanas) na atividade cognitiva, de doentes de Alzheimer. A amostra foi constituída por 27 indivíduos, dos quais 15 participaram no programa. Os autores concluíram que ocorreram significativas melhorias na memória e na atenção do grupo que participou nos exercícios anaeróbicos, em relação ao grupo que não participou.
Winchester et al. (2013) investigaram as alterações na cognição, na capacidade funcional e/ou estados de humor, que ocorreram em indivíduos que praticaram atividade física (por exemplo, trabalho doméstico, jardinagem, caminhar, dançar), comparando-os com aqueles que foram mais sedentários. Participaram no estudo 104 idosos diagnosticados com doença de Alzheimer, com nível leve a moderado e idade igual ou superior a 60 anos. Concluíram que a atividade física melhora a função cognitiva dos doentes de Alzheimer. Apóstolo, Cardoso, Marta e Amaral (2011) implementaram um programa de estimulação cognitiva com pré e pós-teste, numa amostra de 23 idosos, com uma idade média de 78 anos. Os autores concluíram que apenas os idosos submetidos às sessões melhoraram o estado cognitivo.
No que diz respeito ao segundo objetivo – aumentar a capacidade funcional dos idosos com demência – os resultados sugerem que apenas o GI aumentou, de forma estatisticamente significativa, a média das pontuações obtidas no Índice de Katz. Tendo em conta os resultados por actividade, dos seis parâmetros avaliados obtiveram-se melhorias significativas no controlo de esfíncteres, na mobilidade, no vestir/despir e na alimentação, no GI. Após o programa de intervenção o número de idosos independentes, nestas dimensões, aumentou significativamente.
Segundo Schmitz (2011), o exercício físico em idosos com demência pode levar a uma melhoria da sua condição física, o que promove a sua funcionalidade. Costa (2009) salienta que a prática regular de atividade física promove a autonomia funcional do idoso e, consequentemente, aumenta a independência nas atividades de vida diária. Um
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estudo realizado por Winchester et al. (2013) conclui que a actividade física diminui a fadiga e promove a capacidade funcional.
No que respeita ao terceiro objetivo – melhorar a qualidade de vida dos idosos com demência – os resultados sugerem que o programa implementado aumentou significativamente a qualidade de vida, no GI. Os resultados foram significativos em quatro situações que consideramos fundamentais para o bem-estar dos idosos, a saúde física, a disposição e o humor, e a memória. Segundo Sequeira (2010), um envelhecimento bem-sucedido, com qualidade de vida, está dependente da saúde, nomeadamente da autonomia que o idoso dispõe. De acordo com Costa (2009), a atividade física é um fator determinante na qualidade de vida, independência e autonomia do idoso. Também Garuffi et al. (2011) afirmam que sessões regulares de atividade física têm resultados positivos na qualidade de vida do idoso. A nível psicossocial, o exercício físico regular proporciona aos idosos um melhor desempenho cognitivo, diminuição da ansiedade e por conseguinte diminuição do consumo de medicamentos, atuando também na melhoria da auto-estima e socialização (Matsudo, 2009), o que resulta numa melhoria da qualidade de vida. Em síntese, o programa de intervenção delineado, com base na estimulação cognitiva e na atividade física, permitiu melhorias significativas nas competências cognitivas, na independência e na qualidade de vida dos idosos com demência, o que vai ao encontro da literatura, nomeadamente do que é referido por Spector, Orell e Woods (2010), que defendem a implementação articulada das duas áreas mencionadas.
No que diz respeito às limitações do estudo, consideramos que as diferenças entre os grupos de intervenção e de comparação, relativamente à idade e ao sexo, terão sido as mais significativas. No entanto, a constituição de dois grupos permitiu comparar resultados e tendo em conta as dificuldades na acessibilidade deste tipo de amostras o balanço é positivo. Apesar de a demência ser uma questão cada vez mais preocupante e consequentemente abordada, a implementação de programas de intervenção em Portugal necessita de um maior investimento No nosso entender, a replicação de estudos direccionados para a melhoria da independência, qualidade de vida e capacidade cognitiva do idoso é essencial, com amostras de maiores dimensões e estudos de follow- up.
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PROGRAMA DE INTERVENÇÃO PRECOCE