Chapitre 4 : L‘analyse et la présentation de résultats
4.5 Les stratégies d‘acculturation psychologique et d‘insertion socioprofessionnelle des femmes
4.5.3 Les stratégies d‘insertion socioprofessionnelle
Os calcogênios são os elementos químicos situados no grupo 16 da tabela periódica, a família do oxigênio. A nomenclatura provêm da palavra grega para o cobre, χαλκ´oς, também usada para designar as rochas ricas em cobre ou os óxidos de cobre. Esses elementos, oxigênio, enxofre, selênio, telúrio, polônio e o artificial livermório, podem ligar-se com elementos metálicos dando origem aos calcógenos metálicos, ou óxidos metálicos no caso do oxigênio. Doravante será utilizada a abreviação X para designar qualquer um dos calcogênios. A característica comum a todos os calcogênios é que os mesmos possuem seis elétrons na camada de valência, de forma que a tendência desses materiais é a de receber dois elétrons, completando suas camadas de valência de acordo com a regra do octeto.
O európio, Eu, pertence aos elementos metálicos chamados de terras-raras, aqueles que compõem a série dos lantanídeos na tabela periódica, ou seja, os elementos de número atômico de 57 a 71, e ainda os elementos escândio (Z=21) e ítrio (Z=39), considerados terras-raras por possuírem propriedades similares às dos elementos da série dos lantanídeos. Com número atômico 63, o Eu possui uma distribuição eletrônica [Xe]4 f76s2 e pode ligar-se ionicamente com um calcogênio, formando os compostos
binários conhecidos como calcógenos de európio, EuX.
Os EuX são alvo de grande interesse em pesquisa básica e aplicada, sendo poten- ciais candidatos a aplicações tecnológicas envolvendo magnetismo, em virtude das propriedades magnéticas associadas aos íons de európio, Eu2+, os quais apresentam
um momento magnético atômico bastante elevado (µ ≃ 7µB). Os cristais iônicos de
EuX são intrinsecamente magnéticos e possuem uma alta densidade de íons Eu2+ na
rede, conferindo a esses materiais um dos maiores momentos magnéticos encontrados em um semicondutor.
As diversas propriedades dos EuX estão relacionadas com sua estrutura molecular e níveis de energia eletrônicos. Entender essa relação é um objetivo que vem atraindo a
atenção de pesquisadores desde os anos 60, quando foram estudadas a ordem magné- tica [7,52], o calor específico [53] e a absorção de luz [54] EuX. Os trabalhos dessa época foram realizados com amostras amorfas ou cristalinas de baixa pureza. Em meados da década de 70, o espectro de absorção óptica foi obtido em monocristais de EuX [55, 21, 56], apresentando uma janela de transparência na região visível do espectro eletromagnético. O modelo teórico até então utilizado para a absorção consiste da transição de um elétron de um nível de valência 4 f bem localizado para uma banda de condução 5d construída a partir de níveis atômicos do Eu, separados por um campo cristalino de simetria octaédrica [9]. Os experimentos da época não mostraram total concordância com esse modelo, pois no mesmo não fora incluída a formação de domí- nios magnéticos, que só foi levada em conta numa recente re-examinação do modelo, que mostrou boa concordância com resultados experimentais [26].
A seguir, a estrutura eletrônica dos EuX será apresentada e a partir disso será demonstrado como essa estrutura origina o magnetismo nesses materiais. Nos EuX, a ligação química é do tipo iônica e dá-se quando o par de elétrons de valência 6s2
do átomo de európio migra para a órbita do calcogênio, de forma que esses átomos ficam ionizados e mantêm-se unidos pelo potencial atrativo entre as cargas positivas do Eu2+ e negativas do X2−. A agregação desses dois materiais num composto binário
iônico pode dar origem a um sólido cristalino, de estrutura cúbica de face centrada (fcc), idêntica à estrutura do NaCl, como ilustrado na figura2.3.
A distribuição eletrônica do cátion Eu2+ é [Xe]4 f7, onde [Xe] representa a distribui-
ção em camadas eletrônicas completas, equivalentes à distribuição eletrônica de um átomo de xenônio neutro. Os sete elétrons restantes distribuem-se no orbital f , que pode ser aproximado como o nível fundamental de um átomo com um núcleo efetivo, que inclui o núcleo atômico e as camadas eletrônicas completas. No estado fundamen- tal, os sete elétrons da camada f distribuem-se de acordo com as regras de Hund. A primeira regra diz que os spins individuais, si, são distribuídos de forma a maximizar
a multiplicidade de spin, 2S + 1, onde S =
7
X
i=1
2.3. MAGNETISMO NOS CALCÓGENOS DE EURÓPIO 55
Figura 2.3: A cúbica de face centrada, também conhecida como estrutura rocksalt, por ser a estrutura química do sal de cozinha, o mais comum dos cristais iônicos.
é o spin total do átomo. A maior multiplicidade é obtida quando os sete spins possuem a mesma projeção, ms = +12 totalizando S = 72. O momento angular orbital, L, de um
subnível de número quântico ℓ é dado por L =
ℓ
X
−ℓ
mℓ (2.132)
onde mℓ é a projeção no eixo z do momento angular orbital de cada elétron. Como o
subnível f comporta 14 elétrons, o mesmo encontra-se semi-preenchido. Pela primeira regra de Hund, todos os sete elétrons tem a mesma projeção de spin e portanto cada elétron tem uma projeção mℓ diferente, de maneira que a soma em (2.132) se anula. O
momento angular total, J = L + S, é dado simplesmente pelo termo de spin, sendo a primeira regra de Hund suficiente para determinar o estado fundamental do Eu2+, o
qual na notação espectroscópica2S+1(S, P, D, F)
J é descrito por um termo8S7 2.
O fato de todos os spins da camada possuírem a mesma projeção ms, implica numa
elevada magnitude do momento magnético atômico do íon Eu2+, o qual classicamente
é dado por µ = gµBS = 7µB e do ponto de vista quântico por µ = gµB
p
S(S + 1) ∼ 8µB.
O ânion X2− por outro lado, tem sua camada de valência completa com oito elétrons,
de modo que os íons dos calcogênios não contribuem para o magnetismo dos EuX. Os íons Eu2+ num cristal EuX interagem por exchange e quando a energia de exchange é
magnéticos dos spins dos íons Eu2+. Esses ordenamentos serão analisados através do
formalismo do campo médio, o qual foi descrito na seção2.2.