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Les sources de données

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5 Matériels et méthodes

5.1 Les sources de données

Para Nóvoa (1999), as instituições escolares adquirem uma dimensão própria, enquanto espaço organizacional onde também se tomam importantes decisões educativas, curriculares e pedagógicas. Mas em um mundo de constantes renovações científicas e de mudanças das políticas educativas, ele identifica um olhar de desconfiança do universo pedagógico. Haveria uma zona de resistência em importar para o campo educativo as categorias de análise e de ação do mundo econômico e empresarial e da adoção de uma perspectiva tecnocrática com o esvaziamento das dimensões políticas e ideológicas do ensino e da educação. Ele julga importante essa resistência como modo de dificultar uma transferência acrítica e redutora das perspectivas organizacionais para o espaço escolar. Se, por um lado, isto impede a simplificação do humano e se evita pensar a escola como fábricas ou oficinas, por outro, pode justificar um alheamento em face de novos campos de saber e intervenção, como a cultura organizacional.

A escola é uma instituição dotada de autonomia relativa, como um território intermédio de decisão no domínio educativo, que não se limita a reproduzir as normas e os valores do macro-sistema. Ela deve ser estudada em todas as suas dimensões organizacionais: mítica, social-histórica, institucional, organizacional (ou estrutural), grupal, individual e pulsional. Os valores, com a normas, as crenças compartilhadas, os símbolos e os rituais constituem os elementos da cultura de uma sociedade ou de qualquer organização. A cultura consiste de

elementos compartilhados que constituem os padrões para perceber, pensar, agir e comunicar. A organização transmite aos seus membros, através de diversos mecanismos, esses elementos compartilhados (TAMAYO, 2000).

O essencial, portanto, não são as estruturas físicas e os equipamentos utilizados pelas pessoas mas os sistemas de crenças e de valores, as interações entre seus membros, as atividades por eles executadas e o próprio funcionamento da organização. São os papéis, as normas e os valores que definem e norteiam o funcionamento de uma organização. Os papéis são elementos discriminadores, eles diferenciam os indivíduos a partir de cargos e funções; as normas e os valores são elementos integradores, já que eles são compartilhados por todos ou por boa parte dos membros de uma organização (TAMAYO, 2000).

O conceito de cultura organizacional foi transportado para a área da educação na década de setenta (NÓVOA, 1999). É possível então falar de uma cultura da organização escolar como o conjunto de valores e crenças produzidos e compartilhados pelos membros da escola.

Beare (citado por NÓVOA, 1999), apresenta um esquema com os elementos da cultura da organização escolar. Em uma zona de invisibilidade estariam as bases conceituais e pressupostos invisíveis e em uma zona de visibilidade estariam as manifestações verbais e conceituais, as manifestações visuais, simbólicas e as comportamentais.

Quadro 2. Elementos da cultura da organização escolar

BASES CONCEITUAIS E PRESSUPOSTOS INVISÍVEIS VALORES, CRENÇAS E IDEOLOGIAS ↓↑ MANIFESTAÇÕES VERBAIS E CONCEITUAIS MANIFESTAÇÕES VISUAIS E SIMBÓLICAS MANIFESTAÇÕES COMPORTAMENTAIS Fins e objetivos Arquitetura e equipamentos Rituais

Currículo Artefactos e logotipos Cerimônias

Linguagem Lemas e divisas Ensino e aprendizagem

Metáforas Uniformes Normas e regulamentos

Histórias Imagem exterior Procedimentos operacionais

Heróis Estruturas Fonte: Nóvoa, 1999

A Asceteb é uma organização muito recente. Ela foi qualificada como OS pelo Governo da Bahia em 1999. Falar de uma cultura organizacional talvez seja exagerado. Mas seus membros, ou parte deles, possuem uma origem comum, uma história de convívio de anos de trabalho conjunto na antiga Escola Áureo Filho e em outras escolas da cidade de Feira de Santana. É dessa origem comum os sinais da cultura da inércia burocrática e de crenças compartilhadas como observa a coordenadora pedagógica. Se antes não havia condições de trabalho e os salários eram aviltantes, agora são "os alunos que não estão preparados para mudanças". (Coordenadora Pedagógica, 2002) E assim a escola, em alguns aspectos, vai repetindo o passado, vai reproduzindo suas práticas pedagógicas, sua forma de planejamento e suas metodologias de ensino.

Mas, ainda assim, a descentralização operada contribui para a inovação pedagógica. As mudanças mais significativas da publicização no campo pedagógico são o currículo por competência e um sistema de avaliação da aprendizagem que se assenta também nesta concepção pedagógica. Nos planos administrativo e financeiro a escola utiliza amplamente a sua autonomia: contrata, promove e demite segundo seus próprios critérios, institui planos de cargos e salários, mantém planos de benefícios e de desenvolvimento de recursos humanos, compra e vende serviços como qualquer organização privada. As inovações no plano pedagógico, administrativo e financeiro evidenciam diferenças fundamentais dos processos anteriores de descentralização em que as escolas se limitavam a organizar e operar o caixa escolar. De fato, as experiências anteriores demonstraram um progresso maior na implantação e operação de unidades executoras de recursos repassados diretamente à escola do que com a implantação de planos ou projetos pedagógicos. Ou seja, mesmo dispondo de algum grau de autonomia e sendo estimuladas pelos órgãos centrais, as escolas pouco avançaram no plano pedagógico.

O modelo de administração gerencial contribuiu, portanto, para a adoção de inovações pedagógicas no ensino profissional. As mudanças, contudo, não estão introjetadas no corpo docente. Parece algo de fora para dentro que ainda assusta o professor. A pesquisa sobre as motivações dos professores que tiveram a oportunidade de escolher entre permanecer na escola burocrática ou transferir-se para a Asceteb já indicava que as vantagens atribuídas a um ou outro modelo (burocrático x gerencial) tocavam pouco aos professores. As questões relacionadas aos modelos de gestão e suas implicações no plano pedagógico, administrativo e

financeiro ou foram pouco percebidas pelos professores ou não foram relevantes na sua percepção.

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