A. LA TRANSFORMATION DES SECTEURS ÉCONOMIQUES
3. Les secteurs qui seront bientôt bouleversés
A análise dos dados concretamente às opiniões produzidas pelos pais e encarregados
de educação, relativamente aos resultados esperados, deixam antever alguma confusão e desconhecimento da realidade ensino articulado. Tal como se verificou na apresentação dos dados as várias respostas contraditórias e ambíguas colocam em causa as verdadeiras intenções quanto ao futuro e expectativas depositadas. Não obstante tal condicionamento, a opinião dos pais e encarregados de educação no que concerne à conclusão do Curso Básico de Música é, na sua maioria, bastante positiva, reinando um certo optimismo geral. Quanto à possibilidade de seguir a via vocacional da música, de igual modo, as ideias centram-se numa perspectiva animadora, embora em menor número comparativamente com a conclusão do Curso Básico, relegando para um lugar secundário esta possível opção. A opção supletivo é compartilhada de forma homogénea, se bem que padeça das ambiguidades referidas. Da mesma forma, a possibilidade de prosseguimento de estudos ao nível superior através do acesso ensino
articulado e a carreira profissional, apesar dos registos contraditórios, pouco
esclarecedores, assentam também numa perspectiva positiva. A par das contrariedades evidenciadas, ressalta uma clara e manifesta opinião objectiva de uma procura de formação geral distinta do âmbito especializado da música sem fins de prosseguimentos de estudos.
Contrariamente à opinião dos pais e encarregados de educação situa-se a opinião dos alunos, que manifestam um grande pesar negativo através de um categórico não, ou de uma grande indeterminação quanto à possível conclusão do Curso Básico de Música. A possibilidade de seguir a via vocacional é ainda mais comprometedora. Manifestamente não é opção directa para mais de 50% dos alunos que pretendem abandonar o regime de frequência e para 31% reina a indefinição quanto ao futuro (cf. gráfico 55, p.137). A
opção supletivo não coincide, igualmente, com a opinião dos pais e encarregados de
educação. A maioria dos alunos mostra-se indiferente a esta possibilidade. A carreira profissional no âmbito da música é praticamente uma miragem, está longe das intenções da maioria dos alunos, não faz parte dos seus planos, comprometendo a taxa oficial de sucesso deste tipo de ensino, contrariando, de certa forma, a falsa opinião dos seus pais. Não sendo tão predominantes, não são, contudo, excluídas as contradições e ambiguidades das respostas dos alunos que, tal como os pais, manifestam
desconhecimento do funcionamento do ensino da música em regime articulado segundo os parâmetros oficiais.
A função do ensino da música em regime articulado representa o problema central
deste trabalho de investigação e à qual se pretende dar resposta. Não é fácil, porém, encontrar uma solução para o problema equacionado e desenvolvido no âmbito do quadro teórico traçado, na medida em que as opiniões produzidas apontam para uma multiplicidade de respostas, devido à polivalência deste tipo de escola e à sua posição no sistema de ensino no contexto educativo. Assim, sob o prisma da Direcção Administrativa, encontram-se conjugadas várias funções, nomeadamente, a função vocacional, a genérica e a função recreativa. Relativamente à primeira, esta serve um número muito limitado de indivíduos, contudo, é ideia generalizada que esta tendência vocacional se acentuará no futuro. As aulas de música nas escolas do 1º ciclo do ensino básico desempenham um papel muito importante, não só para a formação geral, como também na possível seriação vocacional.
A função genérica é sem dúvida a que ocupa um lugar central e de destaque na escola, tanto mais que é ideia comum que a música é muito importante na formação global do indivíduo, independentemente do seu futuro profissional, na construção de uma sociedade mais responsável e tolerante e que a educação artística no âmbito da música no ensino genérico, não responde com satisfação às reais necessidades de formação dos nossos dias, justificando plenamente a existência deste tipo de escola. Neste contexto, a ideia centrada na dupla função vocacional/genérica, assume, também, grande representatividade como forma de contornar as dificuldades sentidas por uma população socio-económica desfavorecida, criar igualdade de oportunidades no acesso ao ensino da música e responder desta forma às solicitações do meio social. Assim sendo, é bom que a oferta da escola assente nas duas vertentes sob pena de não servir os interesses da região. A exclusividade vocacional condicionaria o processo democrático do ensino da música e comprometeria a escola com sentido social. Por último, a função recreativa e de apoio à família também é uma realidade, embora menor, como forma de ocupação de tempo livre.
A perspectiva do pessoal docente não é tão heterogénea como a da Direcção Administrativa e centra-se na função vocacional e na função genérica. Embora não havendo consenso, a opinião dos docentes aponta, claramente, para um predomínio da função vocacional, mais consentânea com a legislação, sobre a função genérica, contrariando certas perspectivas de opinião manifestadas em determinados tópicos
anteriores, nomeadamente, a procura condicionada pelo factor económico, a justificação
articulado pela importância da música em torno da formação/educação geral, o facto
dos alunos não pretenderem seguir a via vocacional, a não revelação de talentos específicos, o não compromisso com a área vocacional, o lugar desprestigiado ocupado pela área vocacional no plano de estudos e a descredibilização do sistema, parecem-me indicadores que contradizem a função essencialmente vocacional manifestada.
A posição dos pais e encarregados de educação, no que concerne à função essencial, é completamente oposta à dos professores. Pela apresentação e análise dos dados, relativos à razão, motivação e vantagem principais, verificou-se que a procura deste tipo de ensino se deve à importância da música na formação/educação geral, independentemente da área vocacional futura. Apesar de um certo optimismo patente quanto aos resultados esperados, estes ficam, contudo, comprometidos e mergulhados nas ambiguidades e contradições demonstradas, favorecendo o desconhecimento dos objectivos do funcionamento deste regime de frequência.
De opinião similar partilham os alunos que elegeram a mesma razão, motivação e vantagem que os pais e encarregados de educação. Por outro lado, o carácter muito negativo manifestado quanto aos resultados esperados, conclusão do Curso Básico de Música e uma possível opção vocacional, a par das ambiguidades e contradições, afastam qualquer hipótese de um cumprimento essencialmente vocacional, o que sugere a necessidade duma reforma artística e a renovação da oferta.