O espaço vertical da sala de atividades estava coberto de expositores, onde se encontravam as produções das crianças, assim como os projetos que iam desenvolvendo. Essas produções eram colocadas no expositor para que estivessem ao seu alcance e os outros trabalhos encontravam-se acima dos anteriores, espalhados pela sala.
Desta forma, verificava-se que os espaços verticais desempenhavam um papel importante e dinâmico e não serviam apenas como forma de enfeitar a sala, mas sim como objeto de exposição de todo o trabalho realizado pelas crianças.
Esta exposição das produções das crianças dá a conhecer a quem visita a sala os trabalhos realizados por estas, sejam elas em grupo ou individuais. Estes expositores ajudavam também a avaliar qualitativamente a evolução das crianças ao longo do tempo.
Tudo isto contribui para que a sala se torne um espaço mais apelativo, motivador, criativo e único, local onde a criança sente que pode dar o seu contributo para o embelezamento do espaço e onde se sente confortável. Assim, nos espaços verticais tínhamos inúmeros instrumentos para facilitar a integração das crianças na sala.
Ao entrar na sala de atividades, no lado direito da porta, cada criança tinha ao seu dispor a sua placa que continha o seu nome e a respetiva fotografia. Deste modo, sempre que as crianças tinham que colocar o nome em alguma produção e caso tivessem dúvidas em como se escrevia, recorriam sem qualquer problema à sua placa.
Outro instrumento era um cartaz com informações referentes às crianças. Este cartaz encontrava-se dividido em sete colunas, onde eram registados “quem somos”, “que idade temos”, “onde moramos”, “a nossa família”, “os nossos animais”, “profissão dos pais” e “os nossos avós” e à volta encontrava-se preenchido com as fotografias de cada criança. Este era um instrumento importante, pois permitia às crianças conhecerem-se melhor. Ainda não se encontrava totalmente preenchido, sendo por isso preenchido sempre que se achasse pertinente.
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Existia na sala um placar destinado aos projetos elaborados ou a serem elaborados pelas crianças. Neste placar eram afixados todos os projetos elaborados pelas crianças, desde o “Comenius” (projeto que era elaborado apenas pela sala em que estagiámos), “folheiro”, “As cores das árvores”, “Porque é que as estrelas só brilham à noite?” e “Os Bioindicadores”.
Havia ainda um placar onde eram colocados os textos elaborados por nós, juntamente com as crianças.
Semanalmente, às segundas-feiras aquando as novidades do fim de semana, aproveitávamos para a escrita de textos, onde as crianças relatavam o que mais lhes marcava durante o fim de semana e nós elaborávamos um pequeno texto juntamente com as crianças e transcrevíamos para uma folha.
Depois dos textos elaborados por nós, as crianças mais velhas transcreviam o mesmo, fazendo seguidamente um desenho alusivo ao texto e as crianças mais novas faziam somente o desenho. No final de cada mês todas as crianças tinham que ter textos produzidos.
Existia também um placar contendo informações sobre as histórias lidas e contadas. As crianças também desempenhavam um papel ativo em todas as histórias que eram contadas e lidas na sala. Deste modo, estas faziam uma ficha de registo de leitura, onde o adulto colocava a história e o autor e a criança assinalava com uma cruz se gostou ou não de ouvir a história, seguidamente faziam um desenho que remetesse para alguma passagem da história, faziam um comentário relativo à história e por fim, punham o nome e a data.
No placar destinado às observações relativas a experiências realizadas na sala de atividades, eram as crianças que procediam à elaboração dos resultados obtidos em cada experiência efetuada, efetuando o registo das experiências através de ilustrações.
Na sala de atividades, eram vários os armários que lá se encontravam, assim, tínhamos uma estante com dossiers, onde eram colocados vários dossiers e materiais necessários para as atividades a desenvolver na sala. Havia um armário onde estava guardado todo o material que se encontrava na sala disponível para a utilização por parte das
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crianças e encontrava-se aberto para que cada criança autonomamente retirasse o material que necessitava para a realização de uma determinada tarefa. Por outro o lado, o material que só era utilizado pelos adultos encontrava-se fechado. O armário onde eram guardados as produções das crianças encontrava-se devidamente rotulado com a fotografia e o nome de cada criança nas várias prateleiras existentes. Existia ainda um armário com o material das construções, onde se encontravam todos os materiais disponíveis para o manuseamento das crianças em gavetas quando iam para a área das construções. E por fim, existia um armário com material para a realização das experiências disponível para que as crianças pudessem realizar as suas experiências, desde lupas, balança, entre outros materiais. Em cima do armário encontravam-se duas caixas, uma referente aos trabalhos acabados pelas crianças e outra com os trabalhos que ainda faltam terminar.
Era também no espaço vertical da sala de atividades que se encontravam expostos os instrumentos de gestão do grupo.
De maneira a facilitar o processo de avaliação das crianças e ao mesmo tempo torná-las ativas no processo da avaliação, a Educadora Cooperante utilizava alguns instrumentos de gestão de grupo. Os elementos de gestão de grupo que utilizava eram: o mapa de presenças e do estado de tempo; um placar contendo as nossas planificações, os registos de saída, o plano semanal/propostas de tarefas e a avaliação das tarefas desempenhadas; o Plano Individual de Trabalho (PIT); o diário de grupo; uma lista de tarefas/responsabilidades e o calendário de aniversários.
Tanto o mapa de presenças como o do estado do tempo, encontravam-se no hall de entrada da sala. O mapa de presenças como o próprio nome indica destinava-se ao registo da assiduidade das crianças. Este mapa tratava-se de uma tabela de dupla entrada, onde na coluna vertical se encontrava o nome de cada criança (escrito por elas) e na coluna horizontal todos os dias do mês em questão.
Para envolver mais os encarregados de educação no Jardim de Infância, a Educadora implementou que a marcação das presenças fossem feitas quando as crianças chegavam ao Jardim de Infância e faziam a sua marcação com o auxílio e a supervisão de quem o fosse levar, normalmente acompanhadas pelos pais.
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Por sua vez, no que concerne ao mapa do tempo, este tratava-se também de uma tabela de dupla entrada, onde a criança responsável por fazer a marcação do tempo, tinha ao seu dispor cartões em baixo de acordo com o estado de tempo. Assim, a criança mediante o estado do tempo fazia o respetivo desenho. É de salientar que esta tarefa tinha que ser relembrada quase todos os dias por nós, pois as crianças responsáveis por vezes esqueciam-se de marcar o tempo.
Outro instrumento utilizado era um placar onde se encontrava o plano de atividades que se iriam desenvolver, as planificações que levávamos, a folha com o registo das saídas e onde era feito o plano semanal/propostas de trabalho. No plano semanal, preenchíamos juntamente com as crianças às segundas-feiras a coluna “queremos fazer” e “quem fez”, deixando a coluna da “avaliação” por preencher, pois só na semana seguinte é que as atividades eram avaliadas.
Este placar era também destinado à avaliação das tarefas desempenhadas pelas crianças, onde nesta folha era registado o nome da criança responsável, a avaliação (bola verde caso tivesse desempenhado corretamente a tarefa, bola amarela caso tivesse desempenhado parcialmente a tarefa e bola vermelha caso não tivesse cumprido a tarefa), e eram também feitos comentários referentes ao desempenho das crianças, aquando a sua avaliação.
No atinente ao Plano Individual de Trabalho (PIT), este surgiu de uma adaptação feita ao modelo seguido pela Educadora (Movimento da Escola Moderna), onde para facilitar a nossa avaliação, este era apresentado através de uma tabela de dupla entrada, onde na primeira coluna estavam as imagens de cada área que cada criança podia frequentar e na primeira linha encontravam-se os dias da semana.
Deste modo, a primeira coisa que as crianças mais velhas faziam quando chegavam à sala de atividades era preencher o seu PIT, onde colocavam o nome, e assinalavam com um círculo as áreas que queriam frequentar durante o dia em questão. No final do dia, era feita a avaliação do plano, onde caso as crianças tivessem frequentado as áreas por elas assinalas, preenchiam o círculo e caso não as tivessem frequentado assinalavam com uma cruz.
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É de salientar, que cada PIT era renovado semanalmente, todas as segundas-feiras. No final de cada mês, eram analisados, dizendo às crianças quais as áreas que deveriam frequentar com mais frequência, para que desta forma houvesse uma rotatividade entre as mesmas.
No que concerne ao diário de grupo, este baseava-se na mesma ideia de um diário comum, mas adaptado a uma sala de atividades de Educação Pré-Escolar, ou seja, era constituído por todas as observações feitas pelas crianças, sendo este colocado na parede de forma a estar visível a todos.
O diário de grupo tratava-se de um instrumento mediador e operador de regulação social do grupo. Este permite influenciar os juízos de valor sobre o trabalho escolar e a sua qualidade, bem como a relação que as crianças têm umas com as outras, com a Educadora, por nós enquanto estagiárias, Assistentes Operacionais e Animadoras.
O diário de grupo encontrava-se dividido em três colunas, a primeira referente às “notícias”, a segunda alusiva ao “acho bem” e por fim a coluna respeitante ao “acho mal”. Ao longo de toda a semana, o diário era preenchido mediante o que as crianças achassem pertinente lá colocar. Desta forma, as crianças comunicavam-nos o que queriam escrever no diário de grupo, onde transcrevíamos para uma folha essa informação, seguidamente, estas faziam um desenho relativo ao que transmitiram.
No final da semana, sextas-feiras à tarde, o diário de grupo era avaliado, onde os responsáveis por avaliar o diário começavam por avaliar as notícias, seguidamente o “acho bem” e por fim o “acho mal”
Estas reuniões eram realizadas em mesa redonda, onde se encontravam todas as crianças sentadas nos respetivos lugares e a Educadora desempenhava o papel de moderadora e de chamar à atenção as crianças sempre que achasse pertinente.
É de salientar o papel ativo das crianças na realização do diário de grupo, pois estas tinham total liberdade para colocar toda a informação que achassem adequada e tinham também liberdade quando comunicavam ao grupo de justificarem as suas razões que as levaram a escrever neste instrumento.
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No que concerne à lista de tarefas/responsabilidades, esta encontrava-se dividida em cinco colunas: “tarefas”, “1ª semana”, “2ª semana”, “3ª semana” e “4ª semana”. Na primeira coluna encontravam-se as seguintes tarefas: “deitar um olho na casa de banho; organizar o material das construções; organizar o placar; avaliar o diário de grupo; ajudar a marcar as presenças; secretariar as produções; marcar o tempo e tratar dos pincéis.
Semanalmente, às segundas-feiras era feita a avaliação do desempenho das crianças ao longo da semana, onde eram marcadas com uma bola a verde, caso cumprissem na totalidade a tarefa, com uma bola amarela, caso tivessem cometido alguns esquecimentos no cumprimento da tarefa e por fim, com uma bola vermelha caso não tivessem cumprido a tarefa.
A distribuição das tarefas partia das negociações entre as crianças connosco, onde à medida que íamos lendo cada tarefa, as crianças propunham-se para o seu desempenho.
É de evidenciar o papel de verificar se as crianças que se propunham para o desempenho das tarefas se adequassem ou não à tarefa em questão. Encontrado um consenso, as crianças registavam o seu nome à frente da respetiva tarefa.
Relativamente ao calendário de aniversários, neste encontravam-se os meses do ano e no dia dos aniversários de cada criança. Os aniversários eram assinalados com bandeiras de três cores distintas, onde a azul significava que a criança fazia três anos, a vermelha significava que a criança fazia quatro anos, a verde significava que a criança fazia cinco anos e por fim a amarela significava que a criança fazia seis anos.