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LES PRINCIPES

Dans le document Viticulture et Urbanisme (Page 24-30)

A identificação das origens da ARS é consensual, diferindo apenas a maior ou menor importância que os diferentes autores conferem às distintas influências. O conceito de “rede social” foi pela primeira vez utilizado em 1954, por Barnes (Scott, 1991; Wasserman e Faust, 1994). A origem da teoria de redes deve-se, no entanto, à confluência de diferentes correntes do saber e, como tal, é “inherently an interdisciplinary endeavor” (Wasserman e Faust, 1994:10).

Em concreto, o nascimento da ARS deve-se à confluência de três tradições de investigação social (ver Figura 3.2): a sociometria e a teoria de grafos, as investigações realizadas pela Universidade de Harvard desde os anos 30 e as ideias dos antropólogos ingleses reunidos em torno da designada Escola de Manchester. Cada uma destas tradições contribuiu conceptual e tecnicamente para o

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desenvolvimento da abordagem de ARS, embora sem uma visão integrada (Scott, 1991; Wasserman e Faust, 1994).

O início da sociometria está associada à figura de Jacob Moreno, psicólogo que recorrendo à sua “invenção”22– o sociograma - estudou as relações interpessoais dentro de pequenos grupos, provando que estes podiam ser úteis no estudo da estrutura social. A par deste autor, também Kurt Lewin, que trabalhou questões relacionadas com o ambiente em que se movem os grupos e o conceito de distância social, e Fritz Heider, que desenvolveu o conceito de relações sociais equilibradas (ou em equilíbrio) tiveram um papel importante no desenvolvimento de algumas teorias da ARS a partir dos anos 60 (Scott, 1991).

A segunda linha de investigação associa-se a autores como Elton Mayo, Lloyd Warner e Homans, investigadores da Escola de Harvard. Entre as principais contribuições destes autores para o que viria a ser a ARS destacam-se: a identificação de cliques e a representação das relações sociais em matrizes de afiliação e, especialmente, o desenvolvimento de uma técnica que viria a dar origem à modelação de blocos (blockmodel), importante para o estudo das posições e dos papéis nas redes (Scott, 1991).

Para além da influência do campo da psicologia social e da sociologia (correspondentes às duas influências apresentadas anteriormente), a terceira corrente que influenciou a emergência da ARS provem do campo da antropologia. A John Barnes, Clyde Mitchell e Elizabeth Bott deve-se a introdução do conceito de redes sociais para explicar relações em sociedades complexas (Scott, 1991). A estes três investigadores da Escola de Manchester deve-se ainda a introdução de um conjunto de conceitos para denominar fenómenos e relações até ao momento não considerados, e que estão na base teórica da ARS: redes egocêntricas, conectividade, acessibilidade, densidade, durabilidade, entre outros (Scott, 1991; Wasserman e Faust, 1994).

O desenvolvimento teórico e metodológico para o entendimento das redes sociais por parte destas correntes estava, no entanto, muito centrado nas suas próprias preocupações e pressupostos, globalmente muito diferenciados. Foi nos anos 60 que,

22 Esta ferramenta analítica foi apresentada publicamente num congresso médico em Abril de 1933.

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desde a Escola de Harvard, se produz uma tentativa de integração das três correntes que viriam a fundar a ARS, tal como é actualmente concebida (Scott, 1991).

Figura 3.2: Correntes que contribuíram para a origem da ARS. Fonte: Elaboração própria.

A investigação realizada na fase inicial da ARS esteve intimamente relacionada com a descrição e análise das consequências dos laços relacionais entre indivíduos em grupos pequenos (amigos, organizações, comunidades rurais, entre outros) e com fronteiras bem definidas (Barnes, 1954; Bott, 1955; Moreno, 1951).

Com a introdução de desenvolvimentos matemáticos no estudo das relações sociais, ao longo da década de 60, a investigação feita no âmbito da ARS foi atingindo

A n á li s e d e r e d e s so c ia is Antropologia (Anos 50) Psicologia Social (Anos 40 e 50) Sociometria (Anos 30) Mayo, E. Warner, L. Homans.

-existência de grupos informais e sua articulação com o

sistema social;

-inovações metodológicas e teóricas (blockmodelling e

matrizes de afiliação, entre outras). Moreno, J.L. Heider, F. Lewin, K. Mitchell, J.C. Barnes, J. A. Bott, E.

-desenvolvimento de técnicas de recolha de dados (questionários) e ferramentas de representação gráfica (sociogramas);

- proposições sobre as propriedades formais das redes de

relações sociais

-estudo de sociedades complexas;

- introdução de conceitos para descrever propriedades das estruturas sociais e ambientes sociais individuais

(densidade, conexão, entre outros).

Autores Contributos A n á li s e d e r e d e s so c ia is Antropologia (Anos 50) Psicologia Social (Anos 40 e 50) Sociometria (Anos 30) Mayo, E. Warner, L. Homans.

-existência de grupos informais e sua articulação com o

sistema social;

-inovações metodológicas e teóricas (blockmodelling e

matrizes de afiliação, entre outras). Moreno, J.L. Heider, F. Lewin, K. Mitchell, J.C. Barnes, J. A. Bott, E.

-desenvolvimento de técnicas de recolha de dados (questionários) e ferramentas de representação gráfica (sociogramas);

- proposições sobre as propriedades formais das redes de

relações sociais

-estudo de sociedades complexas;

- introdução de conceitos para descrever propriedades das estruturas sociais e ambientes sociais individuais

(densidade, conexão, entre outros).

Autores

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crescentes níveis de complexidade. Autores como Harrison White, Wellman e Berkowitz, introduziram modelos matemáticos para realizar análises estruturais de todo o tipo de relações, nomeadamente relacionados com modelos algébricos baseados na teoria de grafos, permitindo estudar diferentes papéis de cada uma das posições dos actores de uma rede (Wasserman e Faust, 1994). Esta inovação metodológica está relacionada com a técnica de blockmodel. É também na década de 60 que se introduz o escalado multidimensional para o estudo das distâncias sociais e da representação das distâncias sociais e o conceito de equivalência estrutural (instrumentalizado através da técnica de blockmodel) (Molina, 2001).

A análise histórica dos desenvolvimentos empíricos, teóricos e matemáticos, desenvolvidos a partir da segunda metade do século XX, é a garantia de que a ARS está longe de ser uma “apelativa metáfora” (Wasserman e Faust, 1994). É a integração de técnicas matemáticas ao estudo das relações e a concepção fundamentalmente metodológica (fruto das contribuições dos novos investigadores de Harvard) que confere aos conceitos e técnicas da ARS a legitimidade para analisar qualquer fenómeno social e que a diferenciam de outras abordagens de investigação.

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