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Matériel et méthodes

Catégorie 5 : cancer infiltrant la sous-muqueuse

G. Polype festonné :

V. DYSPLASIE ET POLYPES:

1. Les polyposes adénomateuses:

Quando se trata de lembranças, não se tem um tempo cronológico definido. Essa inconstância no tempo da lembrança pode ser observada na fala das

entrevistadas, quando fazem comparações entre os tempos, entre o que é considerado por elas como presente, como “o hoje”, e o que é passado.

Essa “relação entre múltiplos tempos” é inerente ao ato de lembrar. É como realizar uma “amálgama peculiar caracterizada pelo encontro de singularidades temporais. Trata-se do encontro da História já vivida com a história pesquisada, estudada, analisada, enfim, narrada” (DELGADO, 2006, p. 34).

Nessa dinâmica da temporalidade, “o que é específico é também múltiplo. [...] Se o tempo confere singularidade a cada experiência concreta da vida humana, também a define como vivência da pluralidade” (DELGADO, 2006, p. 35). Em cada movimento da história, “entrecruzam-se tempos múltiplos, que, acoplados à experiência singular/espacial, lhe conferem originalidade e substância” (DELGADO, 2006, p. 35).

Então, diante dessa temporalidade na ação de lembrar estará contido presente e passado, pois “o sujeito ao evocar/lembrar, não conta o que aconteceu, mas a sua reelaboração, a representação do real na qual as vivências do presente interferem, em diferentes escalas, no processo de reconstituição” (FÉLIX, 2002, p. 24).

Essa linha do tempo existente no ato de lembrar é constantemente quebrada quando as idosas começam a fazer comparações sobre suas experiências com a música, confrontando o que já foi vivido com o que está sendo vivido.

D. Anita (Entrevista, dia 02/08/2010) tenta se lembrar do nome da rádio que difundia um programa em que as pessoas pediam músicas que queriam ouvir. Nessa tentativa de se lembrar, ela compara esse programa que costumava ouvir com programas, como ela diz, “de agora”: “Eles [os programadores da rádio] tocavam aquela música, tipo de agora [como agora], porque agora também tem, né... os programas que as pessoas pedem pra tocar as músicas” (p. 7). O que ela tenta explicar com essa comparação é que, no passado, existiam programas de rádio em que as pessoas podiam pedir músicas e que, ainda hoje, ela pode ouvir nos programas de rádio a mesma coisa que era feita antigamente.

As comparações ligadas ao ouvir rádio aparecem também nas lembranças de outras idosas. D. Leontina (Entrevista, dia 23/02/2010) reclama que em seu tempo havia programas de auditório nas rádios e que, hoje, nas rádios, não têm mais, apenas na televisão. Diz que, assim como tem os cantores importantes de

hoje, ela gostava de ouvir as cantoras do rádio porque era “a moda daquele tempo” (p. 5).

Sobre a programação das rádios, D. Nádia (Entrevista, dia 19/03/2010) admirava as cantoras Irmãs Freitas. Recorda que, em sua época de adolescente, a programação “não era tão misturada quanto hoje” (p. 7). Diz que, hoje, é “uma mistura de música sertaneja com música internacional, com música popular” e em sua época não era assim: “Lembro direitinho, porque eu detestava música sertaneja, e hoje em dia eu gosto” (p. 8).

D. Valéria (Entrevista, dia 30/07/2010) diz que prefere escutar aos seus “discão”, pois gosta mais das músicas antigas, porque as “músicas de hoje não estão fazendo muita emoção” (p. 1).

D. Rosalina (Entrevista, dia 28/06/2010) frequenta um lugar em que a música é tocada ao vivo, na praça da antiga rodoviária de Uberlândia35. Ela conta

que todo final de mês as pessoas vão pra lá para dançar e cantar, mas que não é mais como era em seu tempo (p. 7). Diz que “agora é tudo eletrônico” e não é mais “um lugarzinho da caixinha de fósforo e da colherzinha. Hoje, ninguém usa isso mais” (p. 7).

Essas comparações surgem porque “as nossas experiências do presente dependem, em grande medida, do conhecimento que temos do passado e [...] as nossas imagens desse passado servem normalmente para legitimar a ordem social presente” (CONNERTON, 1999, p. 4). Para Schutz (1979), essas comparações acontecem porque,

num dado momento, uma experiência “se acende” e logo “se apaga”. Enquanto isso, alguma coisa nova surge do que era alguma coisa velha e cede então lugar a alguma outra coisa ainda mais nova. Não posso distinguir entre o Agora e o Antes, entre o Agora mais recente e o Agora que acaba de passar, exceto porque sei que o que acaba de passar é diferente do que o que se passa agora. Pois eu vivencio a minha duração como uma corrente irreversível, unidirecional, e vejo que de há um momento atrás a agora mesmo eu envelheci (SCHUTZ, 1979, p. 61) (Grifos no original).

Além de recordarem os formatos dos programas de rádio, o repertório e os(as) cantores(as) que ouviam, uma das entrevistadas, D. Eleonora (Entrevista, dia 22/07/2010) traz à tona outros aspectos relacionados ao ouvir música, os quais são

importantes nas/para as possibilidades de experienciar a música, e diz que: “Agora é só CD. CD e pronto, né!? Porque naquela época não tinha esses tal de CD. Não tinha nada dessas coisas. Não tinha fita, não tinha nada. Era só o que passava no rádio e pronto, e o livrinho que lia” (p. 32).

Ainda em relação à D. Eleonora (Entrevista, dia 22/07/2010), ela acha que as coisas antigas ficavam gravadas na cabeça, de modo bem melhor do que hoje. Ainda diz: “as músicas antigas estão todas na cabeça, e é muita música que sei na cabeça assim... dos tempos passados” (D. Eleonora, entrevista dia 22/07/2010, p. 4). Além de aspectos relacionados ao próprio envelhecimento, como a diminuição da memória de curta duração, ou seja, a capacidade de se lembrar de eventos recentes, uma das hipóteses de D. Eleonora gravar melhor as coisas antigas pode ser o fato de as pessoas, na época, terem de parar para ouvir.

Acredita-se que o momento de escutar música era envolto por uma atenção maior à música em si. Com a evolução e a disseminação de novas tecnologias, a escuta muda. Usualmente, escuta-se música fazendo outras coisas, e a facilidade do repeat pode trazer alguma desatenção, pois se pode voltar e escutar novamente algum trecho da música, sempre que o ouvinte sentir necessidade, modificando assim o jeito de ouvir. Para além de modificar o jeito de ouvir, Schmitt (2004)

acredita que o telefone, o rádio, a televisão, a internet estão expandindo fronteiras, configurando novas dimensões temporais, afetivas, sociais, culturais e educacionais, sendo significativos no processo de circulação de saberes, de trocas de informações, de transmissão e apropriação de conhecimentos, de formas de viver e de se expressar, interferindo na formação dos indivíduos, reconstruindo diariamente opiniões, percepções e desejos (SCHMITT, 2004, p.16).

4.1.3 O jeito de contar as lembranças: a linguagem dos idosos durante o ato de

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