C. L’allo-immunisation fœto-maternelle Rhésus-D
I. Les points forts et faiblesses de l’étude
O Rio Pinheiros nasce na Serra do Mar e recebe água de vários afluentes em seu originalmente suave e sinuoso percurso descendente até o Rio Tietê. Em 1922, com a demanda crescente de energia elétrica em São Paulo - Capital, a empresa canadense Light & Power Co. trouxe o engenheiro estadunidense Asa White Kenney Billings para o Brasil para resolver o problema. Billings propôs a utilização dos cerca de 700 metros de diferença de nível entre o planalto paulista e a baixada santista para produção de energia hidrelétrica no pé da serra (Usina Henry Borden), em Cubatão; para isso, o modo encontrado de abastecer as represas (Guarapiranga e Billings / Rio Grande) no alto da serra foi reverter o curso do Rio Pinheiros. Ao projeto hidrelétrico juntou-se o imobiliário, com a canalização do rio e a drenagem das várzeas, criando amplas áreas que se transformaram nos bairros entre as colinas do Espigão da Paulista e o Rio Pinheiros. 102 (JNS, 1996; NOVO MILÊNIO, 2003).
A figura 155 esquematiza o sistema hídrico Pinheiros/Billings, constituído de:
Estrutura de Retiro situada na foz do rio Pinheiros, barrando a entrada de água do Rio Tietê para o Pinheiros nos períodos de cheia;
Canal do Pinheiros Inferior (CPI) desde o Retiro até a Usina Elevatória de Traição, que recalca as águas para o Canal do Pinheiros Superior (CPS) quando desejado;
Canal do Pinheiros Superior, que se estende da Traição até a Barragem de Pedreira, aonde começa o represamento;
Represas.
102 A represa de Guarapiranga (1907) transformou-se em novo polo de atração turística de São Paulo; sobre ela
os primeiros aviadores da cidade faziam suas demonstrações. Guerra e Guerra (1932) trazem vários anúncios publicitários de restaurantes, parques, clubes, loteamentos voltados ao lazer, ao descanso, à saúde, desde Villa Sophia até as represas antiga (Guarapiranga) e nova (Billings). Somente a partir dos anos 1960/1970 é que as áreas de proteção do manancial de água foram ocupadas por habitações precárias de modo desordenado e danoso.
Claudete Gebara J. Callegaro Mackenzie / PPG / Mestrado nov2014. .
A implantação do sistema foi interrompida várias vezes por crises econômicas e políticas, finalizando em 1949 com o aumento de geração de energia de 90 mil para 500 mil quilowatts. Nos anos subsequentes novas alterações e ampliações foram promovidas.
O sistema Billings/Pinheiros fez com que as bacias dos rios Pinheiros e Tietê, por natureza integradas, fossem artificialmente segregadas. O desnível criado entre os níveis inferior e superior do Canal do Rio Pinheiros impediria que os córregos Água Espraiada e do Cordeiro desaguassem diretamente nele, por suas fozes estarem em cota mais baixa do que o CPS nesses pontos; passaram, assim, a ter como intermediário o Dreno do Brooklin.
O Dreno do Brooklin foi, portanto, elemento chave para o projeto de Billings; consistia num canal construído a céu aberto, paralelo ao Rio Pinheiros, entre a Usina Elevatória da Traição e a Ponte do Morumbi. Com o avanço da urbanização, foi substituído por galerias fechadas, sobre as quais foram implantadas as avenidas Engº Luiz Carlos Berrini e Dr. Chucri Zaidan (figura 156). Além das águas do Cordeiro e Água Espraiada, o Dreno do Brooklin recebe o excesso de água da bacia da Traição, abrangendo aproximadamente 47 km² de área drenada (JNS, 1996).
Figura 155 – Sistema Billings de reversão do Rio Pinheiros para represamento e produção de energia elétrica. (NOVO MILÊNIO, 2003).
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Figura 156- Sistema do Dreno do Brooklin (pontilhado vermelho). Intervenção da autora sobre imagem
constante no Plano Diretor de Drenagem e Manejo de Águas Pluviais de São Paulo (PMAP-SP), acessível em vários sites da Prefeitura de São Paulo. (SÃO PAULO - Município, 2012). Área pontilhada em preto corresponde ao recorte desta pesquisa.
A canalização dos córregos da Traição, Água Espraiada e do Cordeiro e a urbanização das encostas das respectivas bacias hidrográficas e de suas várzeas, incluindo a implantação de avenidas, modificaram o comportamento do sistema hidrológico como um todo. O Dreno do Brooklin, calculado para outra realidade, deixou de ser suficiente para drenar aqueles córregos; em ambas as bacias, os locais em que, naturalmente, as águas se encontravam voltaram a alagar, tornando-se pontos de transtorno viário. (JNS, 1996; GEOTEC, 2009).
A manutenção do sistema em geral é complexa, frente à enorme quantidade de sedimentos carregados para o Dreno, com outras agravantes. Segundo o EIA de 1996, o assoreamento do córrego ocorria mais por lixo e entulho do que pela participação de sedimentos da própria bacia. Em 1992, a poluição das águas do Rio Pinheiros e afluentes com esgoto doméstico e industrial levou à suspensão do bombeamento das mesmas para a Represa Billings, por comprometerem a qualidade das águas provindas das nascentes destinadas ao abastecimento. Hoje (2014), a reversão do Rio Pinheiros somente é feita em eventos de chuva intensa, evitando enchentes nas áreas urbanizadas. (JNS, 1996; EMAE, s/ data).
Elevatória da Traição Ponte do Morumbi Bacia Água Espraiada Dreno do Brooklin
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E àfa eàdisso,à segu a àeà filt a àasà guasàplu iaisà aàp p iaà a iaàga haria ainda maior sentido, porém aqui não. Embora nos anos 1990, pelo mundo, já se praticasse o desenho com a natureza, inclusive para fins de drenagem urbana, a solução adotada pelos governantes e seus técnicos foi de engenharia pesada.
5.5.2 RESERVATÓRIO DE RETENÇÃO (OU PISCINÃO DO JABAQUARA)
A proposta original da Via Expressa e Operação Urbana Água Espraiada, com EIA/RIMA de 1996, incluía um sistema de macrodrenagem para um período de retorno de 50 anos, o que, segundo o relatório, significava um risco médio de 2% de ocorrência de enchentes. Isso foi feito com soluções da engenharia pesada, que incluíram construção de Reservatório de Retenção a montante, para amortecimento da vazão para o Dreno do Brooklin (figura 157), e Estação de Bombeamento, para elevação das águas do Córrego do Cordeiro para deságue direto no Rio Pinheiros, aliviando o Dreno do Brooklin. (JNS, 1996; GEOTEC, 2009).
Figura 157 – Perfil hidráulico ao longo da Avenida Jornalista Roberto Marinho. Esquema creditado a Canholi (2005), encontrado em Geotec (2009).
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O Reservatório de Retenção e controle de vazão, ou piscinão do Jabaquara, é do tipo seco, construído em concreto armado e concebido para ficar a céu aberto. Foi inaugurado no ano 2000, gestão Celso Pitta, tendo por referência modelo dos anos 1970, como já exposto. Incluía em seu projeto canal para o córrego e vários níveis de extravazão, sendo que o mais alto deles abrigaria quadras esportivas e outros equipamentos de lazer ativo sobre piso pavimentado, passíveis de uso em épocas de estiagem (figuras 158 e 159).
Figura 158 – Esquema original do Reservatório de Retenção do Jabaquara. (JNS, 1996).
O piscinão funcionou com essa configuração até 2012, passando por reforma a partir de 2013 para compatibilizar a função de drenagem com a de pátio de obras da Linha 17 – Ouro do Metrô (monotrilho) (figura 160). Está agora coberto por grande laje e se prevê que, a partir de 2016, com a inauguração do monotrilho, da Estação Jardim Aeroporto e do pátio de manutenção permanente da Linha Ouro, retornem alguns dos equipamentos de recreio sobre a área remanescente.
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Figura 159 – Reservatório de Retenção do Jabaquara em 2011, com área de recreio. (SÃO PAULO – Município, SECRETARIA MUNICIPAL DE COORDENAÇÃO DAS SUBPREFEITURAS, 2011).
Figura 160 – Reservatório de Retenção do Jabaquara em 2014, abrigando pátio de obras do Metrô, estruturas do monotrilho e da Estação Jardim Aeroporto. Foto da autora tomada em 22/07/2014, entre 10 e 11:30h.
À semelhança das operações urbanas e outros programas de intervenção, também os melhoramentos em drenagem podem resultar em valorização ou desvalorização do entorno. Se trabalhados em conjunto com o paisagismo, são vistos positivamente naquele meio; é intuitivo que as redes azul, verde e vermelha ali se harmonizam. O inverso também ocorre.
Anos já se passaram desde que o novo modelo de drenagem começou a ser implantado pelo mundo. Em São Paulo, hoje, parte da sociedade civil se esmera em recuperar as margens do Rio Pinheiros, com canteiros floridos que dão alento aos que por ali passam nos automóveis, trens e ônibus; na contramão, o poder público continua ampliando avenidas no território maior das águas e as pessoas pavimentando seus jardins. O desastre não cessa.
Claudete Gebara J. Callegaro Mackenzie / PPG / Mestrado nov2014. .