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Les plans en carr´es latins et gr´eco-latins

O avanço tecnológico trouxe um importante impacto nas relações humanas, destacando-se que, a cada geração, a infância se encontra mais familiarizada com os diversos aspectos da tecnologia, inclusive cada vez mais cedo e durante longos períodos de tempo. Assim, baseando-se na quantidade de telas dos aparelhos eletrônicos disponíveis na sociedade contemporânea tem-se a reconfiguração do olhar: cada vez mais os olhos da criança observam um mundo composto de uma realidade virtual que a acompanha durante a sua rotina diária. Levando-se em consideração que a infância está inserida em um contexto social e histórico, evidenciam-se as influências que a criança recebe em uma determinada sociedade conforme Wiggers afirma:

O processo de interação social da criança tem características amplas e complexas. Desde seus primeiros meses de vida, as crianças são entronizadas num mundo histórico e cultural. [...] O mundo mediado pelas relações sociais é o grande universo de aprendizado pelas crianças. (WIGGERS, 2008, p. 75)

Desse modo, esse mundo de aprendizado para as crianças vem sendo modificado, sendo que os “chamados ‘meios de comunicação de massa’ adquirem espaço destacado no processo de interação social, notadamente por serem os principais difusores de informações e de imagens em nossos dias“ (WIGGERS, 2008, p. 76). Portanto, a tecnologia, principalmente os meios de comunicação de massa, fazem parte da construção do processo de interação social das crianças desde o seu nascimento. Segundo Kellner:

Em nossa época, a cultura de mídia tomou o lugar das instituições tradicionais como instrumentos principais de socialização e os jovens recebem muitas vezes das corporações de mídia papéis e elementos formadores de identidade, em vez de recebê-los de seus pais ou professores. [...] Além disso, uma cultura juvenil produzida e dominada comercialmente tomou o lugar dos artefatos tradicionais da cultura infantil. (KELLNER, 1995, p. 135)

Portanto, verifica-se que o impacto da tecnologia da informação e dos meios de comunicação de massa trouxe um rompimento com a tradição cultural de formação

de identidades na infância e adolescência. Dessa forma, os meios eletrônicos se inserem como mais um processo de socialização e interação entre as gerações que crescem em um mundo repleto de aparelhos eletrônicos, trazendo um universo de possibilidades de comunicação e informação.

Considerando questões econômicas para o acesso às tecnologias da informação, há um abismo entre as classes sociais, ou seja, nem todas as crianças e adolescentes têm contato diário com os computadores e com a internet. Contudo, conforme o avanço tecnológico segue, acaba ocupando cada vez mais um papel de destaque para o bem-estar social e amplia o alcance em um número maior de lares3.

Até mesmo quando há dificuldades financeiras para a aquisição de um computador, outros aparelhos, como o celular, acabam permitindo o contato com a realidade virtual. Além disso, é a televisão o aparelho tecnológico mais democratizado na sociedade e que traz uma programação extensa, dentre os programas infantis e juvenis. Desse modo, para o estudioso Alegria, as crianças conseguem reconhecer a relevância da televisão como meio de comunicação através dos seus olhares inocentes,

A televisão é importante. As crianças estão certas da importância da televisão como meio de comunicação de massa. Têm noção da dimensão planetária do sistema de comunicação televisiva, reconhecem a relevância desse meio de comunicação. (ALEGRIA, 2008, p. 88, grifo do autor)

Nesse sentido, Alegria faz um reverencial sobre as características da televisão a partir do olhar infantil, em que se destaca questões como a democratização, universalização, lazer, criatividade. Contudo, como “nem tudo são flores, a televisão vicia, mente, manipula e é violenta ” (ALEGRIA, 2008, p. 89). Nesse sentido, percebe- se que o impacto da televisão na infância pode se apresentar ainda mais perversamente na provocação precoce de desejos de consumo, desempenhando importante papel no capitalismo, sendo que a criança também deseja e tende a convencer os adultos da necessidade de aquisição exaustiva de produtos. Assim, verifica-se como ocorre um círculo vicioso do fetiche em torno da programação infantil na televisão: conquista-se a criança para obter ganhos financeiros, utilizando da fantasia e inocência infantil. Acrescenta-se ainda que, no olhar da criança, segundo

3 Segundo a pesquisa TIC Domicílios, realizada em 2009 pelo Centro de Estudos sobre as Tecnologias

de Informação e Comunicação (CETIC.br) do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), 78% da população possui telefone celular, 30% possui computador de mesa e 5% tem computador portátil. (Pesquisa sobre o uso das tecnologias da informação e da comunicação no Brasil: 2005-2009, 2010, p. 37)

Alegria (2008, p. 89-90), pode-se perceber que as crianças reconhecem pontos positivos e negativos no contato com uma mídia de comunicação de massa, realizando um julgamento de valor da diversidade de programação na televisão, inclusive fazendo a diferenciação entre os programas infantis e juvenis e a programação para adultos.

O que talvez não fique muito claro é o impacto do consumo das tecnologias da informação na formação infantil. Além disso, destaca-se também a problemática da influência das mídias nos desejos de consumo na infância e adolescência, pois está clara a criação de “necessidades” de objetos e desejos estereotipados em torno da infância a partir de uma cultura do consumo. Vasconcellos denuncia o caráter perverso que a mídia televisiva pode apresentar, analisando os programas de auditório infantil a partir da década de 1980, sendo que, a “TV investe na genitalização prematura das crianças sob o regime da promiscuidade social alucinada” (VASCONCELLOS, 1998, p. 18). Assim, o autor vai demonstrando como os programas de auditório infantil se relacionam com a adultilização da infância e a pedofilia, bem como o papel de substituição que a mídia tem em relação à maternidade e à educação:

As duas principais vítimas da indústria cultural televisiva são a mulher e a criança, que já foram suporte transmissor da cultura popular ou do folclore: a narrativa da mulher e da criança. Então, o programa de auditório é o modelo pedagógico antiescola e refratário à mãe. (VASCONCELLOS, 1998, p. 20) Assim, em contraposição ao contato entre mães e filhos, a televisão assume a visão de mundo da criança a partir da tela,com a mistura entre a ficção e a realidade. Portanto, o que a criança assiste será refletido na sua visão de mundo, construindo uma materialidade presente na realidade, no convívio com a família e a escola. Assim sendo, também se apresenta a perversidade na construção do desejo pelo consumo na criança e no adolescente, pois o mundo de fantasia apresentado demonstra a possibilidade de materializar o prazer de transportar para a realidade os mais diversos produtos com as personagens dos desenhos animados, com os objetos utilizados pelos ídolos da televisão. Mas as crianças não possuem o capital para comprar esses produtos, então, evidentemente, “há um círculo vicioso na relação familiar: sem seduzir a criançada não se faz a cabeça dos pais” (VASCONCELLOS, 1998, p. 27). Em consequência, busca-se alcançar os adultos a partir das crianças, pois o importante é obter o acesso ao capital e os pais se sacrificam para que os filhos

possam consumir, contudo nem sempre conseguem acompanhar o ritmo frenético de ofertas tentadoras. Assim, para “quem quiser ser feliz, o caminho é a sedução para alcançar o sucesso público” (VASCONCELLOS, 1998, p. 51). Destarte, seduzindo a criança, consegue-se o sucesso do capital em uma cultura baseada no consumo. Dessa forma, as crianças são estimuladas frequentemente pelos meios de comunicação e informação e, dependendo da classe social, obtém o acesso aos brinquedos, roupas e acessórios produzidos a partir das produções midiáticas destinadas à infância.