Martine Jaubert 1
5. Les outils méthodologiques et la place du langage
A aplicação da classificação nessas configurações serve para demonstrar a diversidade de olhares que podemos empregar sobre a dimensão gráfica presente nos filmes atualmente. Portanto, com os exemplos citados acima, pudemos verificar o uso da linguagem gráfica esquemática como elementos significantes nos filmes.
Em outras palavras, os elementos esquemáticos estão sendo utilizados, seja com função informacional, seja com função referencial, para ajudar os filmes a contar suas histórias, ampliando, desse modo, a função decorativa atribuída a alguns letreiros de filmes mudos. Os quadros a seguir auxiliam a visualização da presença da linguagem gráfica (em cada seqüência) à luz da classificação proposta. A classificação está dividida em categorias sintáticas (quadro 4.1) e semânticas (quadro 4.2).
Modos de simbolização Quantidade de elementos Técnica de inserção Movimentação Modo de obtenção
Singular Composta Configuração
gráfica
Verbal Pictórica Esquemática
Homo- gênea
Hetero- gênea
Sobre Entre No Estática Dinâmica Manual Mecânica
Trajetória em Magnólia (P. T. Anderson, 1999). x x x x x Partituras em Tônica dominante (Lina Chamie, 2000). x x x x x Colagem em Frida (Julie Taymor, 2002). x x x x x x x x x Anúncio em Caiu do céu (Danny Boyle, 2004). x x x x x x x x Quadro 4.1 Quadro 4.1 Quadro 4.1
Quadro 4.1 - Representação visual das categorias sintáticas aplicadas às seqüências fílmicas.
Quadro 4.2 Quadro 4.2 Quadro 4.2
Quadro 4.2 - Representação visual das categorias semânticas aplicadas às seqüências fílmicas.
A observação dos quadros acima nos possibilita verificar algumas relações entre as categorias da classificação e nos estimula a refletir sobre o uso de certas combinações de configurações gráficas ou, no mínimo, instigar alguns questionamentos.
Diegese Importância da informação Significação
Intra Configuração
gráfica
Extra Totalmente
extra Intencional Casual
Decisiva Secundária Redundante Complementar Independente
Trajetória do suicídio em Magnólia (P. T. Anderson, 1999). x x x Partituras em Tônica dominante (Lina Chamie, 2000). x x x Colagem em Frida (Julie Taymor, 2002). x x x Anúncio em Caiu do céu (Danny Boyle, 2004). x x x
Ficou estabelecido que uma configuração gráfica composta necessita conter mais de um elemento gráfico. E, para ser composta homogênea, os elementos gráficos têm que ser do mesmo modo de simbolização; e composta heterogênea, de modos de simbolização diferentes. Logo, podemos verificar uma relação direta entre utilizar vários modos de simbolização com a heterogeneidade (Frida, Julie Taymor, 2002; e Caiu do céu, Danny Boyle, 2004) e utilizar um modo de simbolização com a homogeneidade (Magnólia, P. T. Anderson, 1999; e Tônica dominante, Lina Chamie, 2000).
No quadro 4.1 poderíamos também verificar uma relação mais estreita entre os modos de simbolização e a técnica de inserção das configurações, porém não encontramos um sentido em afirmar que, se uma configuração é composta por mais de um modo de simbolização, ela será inserida em uma combinação de uma das técnicas. Por exemplo, os vários objetos gráficos filmados podem ser compostos por elementos verbais e/ou pictóricos e esquemáticos e normalmente se encontram somente no filme.
A inserção das configurações tem uma relação direta com a diegese. Portanto, as configurações intercaladas e sobrepostas às imagens filmadas são mais comumente classificadas como extradiegéticas ou totalmente extradiegéticas. Já as inseridas no filme, somente podem ser intradiegéticas. No entanto, pode existir uma configuração inserida sobre o filme ou até mesmo intercalada, que seja considerada intradiegética, se acontecer o mesmo que em Caiu do céu (Danny Boyle, 2004). Isto é, se, de alguma forma,
a configuração gráfica faz parte da diegese, e os espectadores possam perceber isso. Pode existir uma facilidade em obter a configuração das duas maneiras possíveis, manual e mecânica, se ela for composta heterogênea, como acontece em Frida (Julie Taymor, 2002). Se existem vários elementos diferentes: texto escrito, imagens, linhas, setas e círculos, então, alguns desses podem ser feitos à mão e outros não. Porém, isso não é uma constante, já que em Caiu do céu (Danny Boyle, 2004) a configuração também é composta heterogênea e obtida apenas mecanicamente.
Algo interessante nessas quatro seqüências é que todas foram consideradas dinâmicas. Diferente dos projetos de design gráfico em mídias estáticas, em que o dinamismo somente pode ser representado, por exemplo, com a utilização de repetição seqüenciada bidimensional ou com a utilização de elementos esquemáticos para indicar movimento. O cinema, uma mídia dinâmica por natureza, possibilita que os elementos gráficos da banda visual também se movimentem. Nessa perspectiva, observamos que as quatro seqüências utilizam a mobilidade do cinema de várias maneiras, para se tornarem dinâmicos.
Em relação à importância da informação contida nas configurações gráficas
e a significação, obtemos que as quatros seqüências foram consideradas secundárias, pois não traziam informações que interferissem no desenrolar da história e também foram classificadas complementares. Será que poderíamos afirmar que as configurações secundárias necessitam de outros elementos fílmicos para completar a significação? Para respondermos a essa pergunta seriam necessários outros exemplos,
É importante ressaltar que classificar as configurações em secundárias não infere que elas sejam dispensáveis ao filme. A conclusão que podemos obter é que os filmes
analisados não utilizaram elementos gráficos com mensagens decisivas nas suas histórias. Mesmo assim, os elementos gráficos estão numa relação de complementaridade com os outros elementos fílmicos, para gerar sentido. As configurações gráficas informam, porém não atuam com mensagens decisivas. Temos que levar em consideração que nem tudo num filme é decisivo, e somente poderíamos considerar as configurações gráficas como dispensáveis na mesma medida em que consideraríamos outros elementos fílmicos que também têm mensagens secundárias dispensáveis.