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De acordo com Kotler (2000), os ambientes internos e externos promovem constantes oportunidades e ameaças, as quais obrigam as empresas de sucesso a terem atenção e capacidade de se adaptar aos fatores que influenciam esses ambientes.

A pandemia do novo coronavírus em 2020 é um exemplo de evento externo que demandou a adaptação de empresas ao redor de todo o mundo. De acordo com Stangherlin, João e Oliveira (2020), está se vivenciando uma enorme mudança de cultura ao redor do mundo, que provoca um momento disruptivo nas vendas por parte das empresas. Ainda segundo os autores, diversas empresas por todo o planeta tiveram que se adaptar aos ambientes virtuais em uma velocidade nunca antes vista.

Isso porque, de acordo com Rezende, Marcelino e Miyaji (2020), com a política de

lockdown ​(confinamento) em diversas regiões e o fechamento de boa parte do comércio no planeta, a escassez de produtos fez com que os indivíduos, empresas e governos modificassem o seu comportamento de consumo. Nesse sentido, a Accenture (2020) indica que a pandemia do novo coronavírus alterou completamente o mundo que se conhecia. A pandemia está configurando um processo de remodelação da indústria de bens de consumo, acelerando as tendências esperadas a longo prazo em poucos dias. Com isso, as pessoas, ou consumidores, estão vivendo, pensando e comprando de uma forma diferente da habitual, em um cenário em que esses consumidores estão enxergando os produtos e marcas por uma nova perspectiva.

Nesse sentido, de acordo com Alam (2020), o e-commerce é visto como uma ferramenta poderosa para diminuir os processos dos negócios, tempo, custos organizacionais, ficar em casa, promover o distanciamento social e se proteger do novo coronavírus. Assim, com o fechamento das lojas físicas dos varejistas, os consumidores não tiveram outro caminho a não ser mudar o seu comportamento de consumo para o meio ​online (STANGHERLIN; JOÃO; OLIVEIRA, 2020).

Os fatores relacionados ao crescimento do comércio eletrônico antes da pandemia de 2020 já promoviam o forte aumento dos usuários ​online e a adaptação às compras ​online​, lançamentos de produtos via ​internet e preços mais acessíveis - o que, aliado ao canal de distribuição direta e economia de escala, potencializou a disseminação do negócio ​online pelo mundo. Assim, é fato que os hábitos de consumo já estavam em transformação, já que os consumidores se mostram atualizados e com comportamentos voltados ao digital. Isso mostra que esses hábitos, na verdade, continuarão como realidade mesmo após o isolamento social referente à Covid-19 (STANGHERLIN; JOÃO; OLIVEIRA, 2020).

De acordo com uma pesquisa realizada pelo Retail Search (2020), as compras via

internet nos Estados Unidos já apresentavam crescimento antes mesmo da pandemia do novo coronavírus. Porém, com os consecutivos pedidos e solicitações para que a população

permanecesse em isolamento social, houve um acréscimo no número de pedidos de mantimentos domésticos ​online​.

Por outro lado, em uma pesquisa realizada pela RAND America Life Panel, Carman e Nataraj (2020) apontam que, nos mais de 2.000 norte-americanos analisados, representantes de todos os grupos demográficos, aproximadamente dois terços não mudaram os seus comportamentos de compra ​online​, um quarto aumentou o número de compras ​online e 13% diminuiu o número de compras via ​internet​. Além disso, cerca de um terço das famílias com renda acima de US $125.000,00 aumentaram o número de compras virtuais, enquanto as famílias com renda de até US $40.000,00 representam apenas 20% das que tiveram aumento do consumo ​online​. Já as famílias que trabalham em lugares que tiveram um impacto maior na disseminação da doença, 20% delas diminuíram o número de compras virtuais (CARMAN; NATARAJ, 2020).

Esses dados corroboram as afirmações de Kotler (2000), que dizem que o comportamento do consumidor tem influência direta de fatores culturais, como a classe social, que pode ser indicada por diferentes variáveis, tais como ocupação, propriedades, grau de instrução, orientação por valores e renda, nos quais o último foi evidenciado na pesquisa.

No Brasil, o comportamento do consumidor também foi afetado. De acordo com uma pesquisa realizada pela Nielsen (2020), os hábitos de compra do brasileiro apresentaram mudanças em alguns pontos distintos: a) Os produtos essenciais de saúde e segurança pública que combatem o vírus foram priorizados; b) Aumento do armazenamento de alimentos e produtos de saúde em grande quantidade; c) Aumento nas compras via ​internet e diminuição de visitas às lojas físicas; d) Aumento da restrição em viagens de compra e maior preocupação com a alta dos preços; e) Volta à rotina das pessoas com maior cautela quanto à preservação da saúde.

Segundo o E-commerce Brasil (2020) e com os dados apurados pelo índice MCC-ENET (2020), que é desenvolvido pelo Comitê de Métricas da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico, juntamente com o Movimento Compre & Confie, indica que, de abril a junho de 2020, 18,2% do consumidores realizaram pelo menos uma compra na ​internet, o que apresenta um crescimento de 5,9 pontos percentuais em relação ao primeiro trimestre do ano, e 8,1 pontos percentuais se comparado ao mesmo período de 2019.

Ainda de acordo com a pesquisa, a participação do ​e-commerce no varejo também apresentou alta. O que nos últimos 12 meses apresentava uma participação de 7,1%, o mês de

maio representou 12,6% do comércio varejista. Entre os bens de consumo mais vendidos, se destacam os materiais de escritório (39,3%) e tecidos e materiais de vestuário (13,4%).

Já de acordo com a pesquisa da Nielsen (2020), os produtos relacionados a itens de abastecimento de emergência e suprimentos de saúde que apresentaram maior alta de procura desde o primeiro caso confirmado no Brasil foram os antisséptico para mãos (+623%), softwares (+389%), filtros de ar (+100%), álcool (+85%), produtos de limpeza geral (+58%) sabão líquido (+33%) amaciantes (+30%) e curativos (+29%).

Por fim, com as referências bibliográficas citadas e referenciadas, é possível realizar o procedimento de coleta e análise de dados com sustentação científica, de modo que a estruturação do trabalho indique análises e discussões fundamentadas.

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