3 Copyright, distribution, historique
9.7 Les opérateurs
As Figuras 5.13 e 5.14, mostram a superfície de rotura das diferentes amostras ensaiadas e onde é possível observar a dispersão das fibras ao longo da superfície de rotura., em função do comprimento e percentagem de fibras incorporadas, onde é bem visível a dispersão das fibras.
a) 1% b) 2%
c) 3% d) 4%
Figura 5.12: Dispersão das fibras de 1 cm de comprimento em função da percentagem de fibra incorporada
a) 1% b) 2%
c) 3% d) 4%
Figura 5.13: Dispersão das fibras de 2 cm de comprimento em função da percentagem de fibra incorporada
Em todas as amostras de argamassa reforçadas com fibras de 100% acrílico, quer com fibras de 1 cm, quer com fibras de 2 cm de comprimento, verifica-se que as fibras se encontram dispersas longo do corpo da amostra com uma forma relativamente uniforme e tendo em conta que é possível observar fibras em pontos bem distintos e dispersos ao longo da superfície de fratura do provete.
O processo de fabrico das amostras pode influenciar a dispersão desejável das fibras. De facto, o processo de mistura dos constituintes da argamassa reforçada, o processo de enchimento e de compactação dos moldes, são fatores influenciadores da obtenção de uma argamassa reforçada homogénea, onde uma boa distribuição de fibras está implícita.
Contudo, face aos resultados obtidos é possível afirmar que o fabrico das amostras parece ter sido adequado para a obtenção de uma argamassa de reboco homogénea à base de cimento reforçada com fibras têxteis 100% acrílico.
5.9. Considerações finais
Este trabalho experimental serviu para averiguar o desempenho mecânico em termos de capacidade resistente à flexão das diferentes amostras de argamassa de reboco reforçadas
com fibras têxteis 100% acrílico. A percentagem de fibra a incorporar e o comprimento da fibra foram dois parâmetros técnicos tidos em conta neste estudo. Também se analisou a evolução desta propriedade mecânica ao longo do processo de secagem das amostras.
Neste estudo, foram fabricadas um total de 108 amostras de argamassa de reboco para serem ensaiadas à flexão em três pontos. Destas, 12 amostras eram simples (sem reforço de fibras), para servirem de referência e as outras 96 amostras eram reforçadas com fibras do tipo fio de 100% acrílico que foram incorporadas com diferentes percentagens e com diferentes comprimentos.
Com os resultados obtidos, concluiu-se que a tensão de rotura à flexão aumenta com o aumento da percentagem de fibras 100% acrílico a incorporar na argamassa.
Verificou-se ainda que os valores da tensão de rotura à flexão das amostras com a mesma percentagem de fibra não apresentaram uma grande dispersão. Como tal, é possível afirmar que as amostras apresentam uma boa homogeneidade material o que inclui uma distribuição uniforme das fibras incorporadas.
Observou-se também que o comprimento das fibras 100% acrílico a incorporar influencia a capacidade resistente à flexão, porque as amostras reforçadas com fibras de 2 cm de comprimento foram mais resistentes à flexão do que as amostras reforçadas com fibras de 1 cm de comprimento, para ambas as idades de 14 dias e 28 dias.
Também foi evidente que a capacidade resistente à flexão, aumentou progressivamente ao longo do processo de cura, para todas as percentagens de fibras a incorporar e para os dois comprimentos de fibras estudados.
Em relação às amostras de referência (0% de fibras incorporadas), em termos de capacidade resistente à flexão, as amostras reforçadas com 4% de fibras 100% acrílico de 1 cm de comprimento, e aos 28 dias de idade, obtiveram ganhos de 46,6% e as amostras reforçadas com 4% de fibras 100% acrílico de 2 cm de comprimento, e também aos 28 dias de idade, obtiveram ganhos de 144%.
Quando comparados os dois tipos de fibras de reforço, 100% acrílico e as fibras de 70% algodão e 30% acrílico, os resultados obtidos, neste trabalho de investigação e em [1] são reveladores de que existe em ambos os casos uma tendência de aumento da capacidade resistente à flexão à medida que se aumenta a percentagem de fibras a incorporar. No entanto, os melhores resultados ocorreram para a argamassa reforçada com fibras do tipo fio 100% acrílico, tanto aos 14 dias como aos 28 dias. Este facto talvez possa ser
justificado porque as fibras 100% acrílico absorvem menos água do que as fibras 70% algodão e 30% acrílico. Podendo conduzir a que parte do ligante não tenha sido devidamente hidratado durante o processo de maturação da argamassa. Esta justificação poderá ser corroborada com a análise dos resultados da resistência compressão apresentado no próximo capítulo. Talvez, também possa existir uma melhor compatibilidade material em termos de aderência entre a argamassa e as fibras 100% acrílico do que a argamassa e as fibras 70% algodão e 30% acrílico. No entanto, este aspeto só poderá ser confirmado com a realização de ensaios de arrancamento das fibras.
As amostras reforçadas com fibras 100% acrílico de 2 cm de comprimento, aos 28 dias, e para a percentagem de 4% de fibras incorporadas, obtiveram ganhos de capacidade resistente à flexão de 37,6%, quando comparadas com as amostras de argamassas reforçadas com fibras 70% algodão e 30% acrílico.
Observou-se ainda, que algumas fibras 100% acrílico se destacaram da argamassa após a rotura das amostras. Esta situação foi mais visível na parte inferior da superfície de rotura, tal facto, pode provar que as fibras estiveram sujeitas a esforços de tração.
No que diz respeito ao modo de rotura à flexão, todas as amostras reforçadas com fibras 100% acrílico apresentaram uma rotura do tipo fissura vertical localizada sensivelmente a meio vão.
Verificou-se que a dispersão das fibras na argamassa foi satisfatória porque foi possível observar fibras localizadas em pontos dispersos ao longo da superfície de rotura das diferentes amostras. Este facto mostra que o processo de fabrico foi adequado e que a solução de reforço de argamassa de reboco através de fibras do tipo fio 100% acrílico parece ser possível tecnicamente.