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CHAPITRE V : Analyse transversale et interprétation de l identitaire à travers le foyer des femmes

V.1. Les regroupements d’objets

V.1.4. Les objets qui soutiennent des pratiques traditionnelles

Com relação à educação da pessoa com Autismo e com outros TEAs, apesar da direção atual do debate relativo à educabilidade dos sujeitos com tais transtornos, ainda há certo desconhecimento sobre o assunto e uma resistência com relação aos debates e investigações sobre novas perspectivas de atendimento. É importante esclarecer que as propostas pedagógicas para os indivíduos com TEA ainda se prendem às abordagens de origem comportamental o que pode significar uma limitação nas possibilidades desses indivíduos, apesar da afirmação de Cunha (2011, p. 13) de que “tais abordagens não visam aprisioná-los a condicionamentos específicos, antes, tentam livrá-los das limitações comportamentais que lhes trazem dano”.

Portanto, não se trata de tecer críticas à respeito de abordagens que são utilizadas no atendimento educacional aos Autistas, mas de descrever e analisar uma alternativa de atendimento pedagógico a esses indivíduos por meio de uma metodologia de abordagem corporal e, nesse tópico do trabalho, apresentar as abordagens mais conhecidas para o atendimento pedagógico ao aluno com Autismo.

No que se refere às abordagens comportamentais, alguns métodos foram desenvolvidos e vêm apresentando resultados significativos no atendimento a alunos com Autismo. Entre eles podemos citar o TEACCH - Treatment and Education of Autistic and Related Communication Handicapped Children, método criado no início da década de 1970 por Eric Schopler e que utiliza uma avaliação denominada PEP-R (Perfil Psicoeducacional Revisado) para avaliar a criança e determinar seus pontos fortes e de maior interesse, e suas dificuldades, e, a partir desses pontos, montar um programa individualizado (TEACCH, 2011). Na definição de Rodrigues e Spencer (2010, p. 71):

O PEP-R é uma proposta de avaliação que consiste no teste do coeficiente de desenvolvimento do aluno Autista, evidenciando a idade cronológica adequada ao nível de desenvolvimento. A aplicação deste método avaliativo enfatiza a comunicação visual, pois considera que a dificuldade de compreensão do aluno interfere na eficácia dos resultados. São sete áreas de desenvolvimento avaliadas pelo PEP-R – imitação, performance cognitiva, cognitiva verbal, coordenação olho- mão, coordenação motora ampla, coordenação motora fina e percepção.

Segundo Marques e Mello (2005, p. 2), o objetivo máximo do TEACCH “é apoiar o portador de Autismo em seu desenvolvimento para ajudá-lo a conseguir chegar à idade adulta com o máximo de autonomia possível”.

Segundo Cunha (2011, p. 73) a base do TEACCH é a “organização do ambiente físico por meio de rotinas organizadas em quadros, painéis ou agendas. O objetivo é adaptar o ambiente para o Autista mais facilmente compreendê-lo e compreender o que se espera dele”.

Com relação à sua metodologia, há “uma intensa observação comportamental das crianças autistas, em variadas situações e diante de diferentes estímulos” (RODRIGUES e SPENCER, 2011, p. 79), pois considera-se que “os distúrbios de comportamento do Autista podem ser modificados à proporção que ele consegue entender o êxito de suas expressões verbal ou gestual no ambiente, bem como o que se espera dele em certas circunstâncias” (idem, p. 80).

Dentro do método TEACCH, leva-se em consideração o fato de que o Autista responde melhor aos estímulos dentro de um ambiente estruturado e, por isso, há uma organização das atividades, considerando-se o tempo, a duração e os materiais a serem utilizados, para que haja, por parte do Autista, uma previsibilidade quanto ao que vai acontecer, sendo que tais acontecimentos são organizados, por meio de agendas, em rotinas a serem seguidas, de forma a não desestruturar o aluno.

Segundo Rodrigues e Spencer (2011, p. 08), as sequências de trabalho são organizadas em local recomendado:

Espaços para a realização de atividades individuais com a presença do terapeuta, para as atividades em grupo, outro local destinado ao momento do lanche; e mais um local delimitado chamado de tempo livre, onde são selecionados materiais e atividades direcionados aos interesses das crianças.

Na perspectiva do TEACCH, considera-se a importância do ensino estruturado que segue “um modelo de pensamento absoluto no qual a sala de aula é organizada em espaços divididos, visando atender ao ensino individual” (RODRIGUES e SPENCER, 2011, p. 71). Nesse contexto a sala de aula é organizada com espaços divididos, inclusive para descanso e atividades livres, porém com atitudes adequadas por parte do aluno.

Schopler, et. al. (1986, p. 27), considerando a importância do ensino estruturado, afirmaram:

É bom ter em mente que, normalmente, as crianças, à medida que vão se desenvolvendo, vão aprendendo a estruturar seu ambiente enquanto que as crianças autistas e com distúrbios difusos do desenvolvimento necessitam de uma estrutura externa para otimizar uma situação de aprendizagem.

Já o método ABA (Applied Behavior Analysis, em português, Análise Comportamental Aplicada), foi usado em Autistas, inicialmente, pelo psicólogo norueguês Ivar Lovaas no início da década de 1970. Lovaas (1987) demonstrou que os tratamentos intensivos de comportamento em Autistas trazem bons resultados e devem ser implementados no período de dois a oito anos de idade, sendo que seus estudos são base para tratamento de Autistas em todo mundo desde então.

Segundo Orrú (2009, p. 94), o método ABA tem sua base nas teorias de Burrhus Frederic Skinner (1904-1990), “psicólogo e pesquisador norte americano, que definiu o comportamento como a relação entre eventos antecedentes, as próprias ações dos indivíduos e os eventos conseqüentes”. A partir dessa perspectiva, estabeleceu-se como comportamento operante, as questões referentes à ação do indivíduo no meio e a resposta deste ao indivíduo.

Para Braga-Kenyon, Kenyon e Miguel (2005), “uma das propostas da análise do comportamento é a de identificar relações funcionais entre comportamentos problemáticos e eventos ambientais específicos”, contribuindo assim para o desenvolvimento da pessoa com Autismo.

Segundo Cunha (2011, p. 73):

O método ABA, que á uma técnica proveniente do campo científico do behaviorismo, tem por objetivo observar, analisar e explicar a associação entre o ambiente, o comportamento humano e a aprendizagem, visando a mais uma mudança de comportamento específico do que de comportamentos globais.

O autor afirma ainda que o método ABA procura ensinar habilidades, apresentando-as por meio de etapas cuidadosamente registradas e sempre associadas a uma indicação ou instrução. “Dentro dos padrões da intervenção comportamental, a repetição é importante na abordagem ABA, bem como o registro exaustivo de todas as tentativas e dos resultados alcançados” (CUNHA 2011, p. 74).

No método ABA são consideradas sete dimensões definidas por Baer, Wolf e Risley (1968) como necessárias para garantir a cientificidade e a qualidade do método que são: a) definir a classe de respostas a serem instaladas, mantidas ou minimizadas; b) observar e registrar o comportamento a ser estudado; c) estabelecer a linha de base, ou seja, avaliar o comportamento apresentado pela criança antes da intervenção; d) estabelecer as metas comportamentais a serem cumpridas; e) definir os procedimentos a serem aplicados; f) programar a generalização; e g) avaliar constantemente a intervenção proposta.

Com relação ao atendimento aos Autistas, segundo Orrú (2009, p. 95):

O analista do comportamento precisa investigar funcionalmente os comportamentos- alvo e atuar em duas grandes frentes: (1) a ampliação e a aquisição de comportamentos que se apresentam deficitários ou inexistentes no repertório (em diferentes áreas: verbal, acadêmica e pré-acadêmica, social, de brincar, profissional, de atividade física, artística); (2) a diminuição de comportamentos em excesso e que são inadaptativos (restrição de interesses e de motivação, comportamentos auto estimulatórios, como estereotipias motoras e vocais, “birras”, comportamentos agressivos em relação ao outro e a si mesmo). Essas análises devem caminhar em conjunto, concomitantemente. O objetivo último e maior delas é a generalização, ou seja, a construção de um repertório comportamental que se sustente em diferentes ambientes, com diferentes pessoas, gerando uma inclusão, escolar e profissional para o Autista.

Para Figueira (2011, p. 73) um dos pontos mais conflitantes com relação ao método ABA é o fato de que muitos pais vêem o mesmo como o único meio de ver progressos nos seus filhos. Segundo o autor, ativistas dos movimentos em prol do respeito e inclusão dos Autistas na sociedade de forma geral, consideram esse método, uma terapia que “reprime a forma de expressão natural dos Autistas”.

Um método oriundo dos princípios do ABA é o PECS – Picture Exchange Communcation System (em português: Sistema de Comunicação mediante a troca de figuras), que foi desenvolvido em 1985 por And Bondy e Lori Frost, com base na investigação e na prática dos princípios do método ABA e que, segundo Vieira (2012) “consiste em um método para ensinar pessoas com distúrbios de comunicação e/ou com Autismo, a comunicarem-se de forma funcional por intermédio da troca de figuras”.

Para Cunha (2011, p. 75), os Autistas com baixa eficiência na comunicação podem ser estimulados para a aprendizagem e para a comunicação por meio da utilização de figuras.

Segundo o autor, o PECS pode ser aplicado apenas com cartões e sua praticidade é grande porque “não demanda materiais muito caros e pode ser aplicado em qualquer lugar na organização da linguagem não verbal com crianças ou adolescentes que não falam”.

Outra proposta para o atendimento pedagógico a alunos autistas é o Projeto Portage que, segundo Aiello (2005) é um projeto amplo de treinamento domiciliar aos pais e dirigidos à educação pré-escolar, que teve início em 1969 e nele trabalha-se com a Escala Portage de desenvolvimento descrita por Bluma et. al. (1976) que conta com 580 comportamentos da criança.

Há também o Currículo Funcional Natural, que é um método desenvolvido por LeBlanc (1982) com o objetivo de estimular habilidades que possam ajudar as crianças com Autismo a se adaptar o mais possível no seu ambiente, buscando tornar o aluno independente e produtivo. Para Suplino (2007), este método deve, entre outros objetivos, aumentar as respostas adaptativas e diminuir os comportamentos que tornam a criança autista menos integrada.

Cita-se ainda o Método Ecológico, desenvolvido no Brasil por Maria Cecília Cardoso, que vê o indivíduo como parte de ecossistemas onde devem ser apresentadas propostas para o desenvolvimento do Autista, visando sempre sua adaptação a cada um desses ecossistemas. Para Cardoso (1997, p. 17), a proposta ecológica em educação deve ser “comunitário- participativa, culturalmente adaptada e apoiada no conhecimento do educando, de seu meio, e das relações recíprocas entre os mesmos”.

Esses métodos têm apresentado bons resultados em vários casos, além terem grande importância na história da Educação dos alunos autistas, mas se sustentam dentro de abordagens comportamentalistas. É evidente que os esforços empreendidos no sentido de garantir a educação da pessoa com Autismo são justos e necessários, porém não podem apenas propor estratégias comportamentais além de garantir a matrícula dos alunos na escola comum como propõe a recém-promulgada lei 12.764/2012, que instituiu a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro do Autismo (BRASIL, 2012). Essa legislação, que certamente é um avanço significativo na educação das pessoas com TEA, impõe a inclusão do Autista na escola comum, garantindo sua matrícula e permanência na mesma.

Apesar de se reconhecer a importância da inclusão dos Autistas na escola comum vislumbrando dados apresentados por pesquisadores como Calder, Hill e Pellicano (2012) e Nahmias, Kase e Mandell (2012), que apresentam experiências exitosas de inclusão de alunos com Autismo no ensino regular e a importância da interação desses com alunos sem

deficiência, é importante lembrar as palavras de Sacks (1995, p. 06) quando afirmou que “descrever (conhecer) o Autismo implica em ser um antropólogo em Marte”, o que, em palavras mais claras, significa que o Espectro Autista requer uma análise individual a fim de perspectivar um atendimento educacional adequado ao caso em questão. Isso quer dizer que, ao mesmo tempo em que alguns alunos com Autismo podem e devem ser incluídos em escolas regulares, outros carecem e têm o direito de receber ensino individualizado em espaço segregativo para buscar as condições necessárias para, quando possível, serem incluídos no ensino regular e na comunidade de forma geral.

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