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1.4 Manipulation de particules par ondes ´ evanescentes

1.4.2 Les nanostructures plasmoniques

A espiritualidade cristã não se confunde com vida espiritual enquanto

spiritualitas, termo desconhecido nos autores do primeiro milénio, mas antes se define

enquanto “vida segundo o Espírito” que, em S. Paulo, se opõe à vida segundo a carne, baseada no egoísmo. Na perspectiva cristã, “é espiritual, tudo o que vem do Espírito Santo e não de um outro qualquer espírito; tudo o que vem do Espírito Santo, por outro lado é dom para o Homem”88

, no entender do jesuíta Luís Rocha e Melo. Tudo o que torna o Homem mais espiritual também é designado com essa mesma palavra. Assim S. Paulo amplia o adjetivo espiritual para qualificar, por exemplo, os dons (cf. 1Cor. 12, 1), a linguagem (cf. 1Cor. 2, 13), a inteligência ou a sabedoria (cf. Cl. 1, 9), o alimento (cf. 1Cor. 10, 3), a lei (Rm. 7, 14), etc. Este Homo spiritualis é chamado a despojar-se do homem velho e a revestir-se do homem novo (cf. Ef. 4, 23-24), ou seja,

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Cf. CONSELHO PONTIFÍCIO DA CULTURA e CONSELHO PONTIFÍCIO PARA O DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO, Jesus Cristo, portadora da água viva. Uma reflexão cristã sobre a «Nova Era» …, p. 10.

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LUÍS ROCHA E MELO, O vento sopra onde quer: notas de Espiritualidade, Editorial A.O., Braga, 2001, p. 69.

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simbolicamente é convidado a fazer uma transformação profunda (Nova Criação) do próprio ser, o que comporta um crescimento. Formar Cristo em nós só pode ser obra do Espírito Santo e não do próprio Homem; daí que o Homem transformado ou recriado pelo Espírito Santo deva ser chamado de Homem Espiritual. Esta afirmação tem uma dimensão claramente escatológica; mas o que há-de vir, vive-se no presente, em esperança. Nesta passagem do corpo natural ao corpo espiritual há uma noção de transfiguração que se vive desde já; na ressurreição a passagem da morte à vida será definitiva.

Tudo isto acontece ao nível da consciência e da liberdade. Deus vem ao encontro do Homem no seu desígnio de amor e o Homem é convidado a responder em medida semelhante. A vida espiritual é vida teologal, relação do amor com Deus em Jesus Cristo na energia criadora do Espírito Santo e na plena responsabilidade do Homem adulto89; A vida espiritual não é outra vida senão aquela que vivemos no nosso corpo. Esta vida leva à plena humanização do homem no seu corpo90. Mas afinal será que temos o direito de falar de vida interior? Devemos fazê-lo a partir da vida interior humana. Devemos recuperar a unidade e unicidade da vida espiritual cristã. O mesmo Espírito que nos habita chama-nos a cumprir funções diversas no Corpo de Cristo, mas não se deve falar em diferentes espiritualidades nas suas aplicações exteriores, devendo a espiritualidade cristã manter-se inalterável91.

A vida espiritual cristã tem uma forma cristocêntrica, pois encontra o seu ponto

ómega92 em Cristo. Ele é o Narrador e a Revelação do Deus Trinitário, é a imagem de

Deus invisível. Sabemos qualquer coisa de Deus a partir daquilo que Jesus narrou e

89 Cf. K. RAHNER, Escritos de Teologia, II, BAC, Madrid, 1961-1967, p. 76. 90 Cf. K. RAHNER, Escritos de Teologia, II …, p. 76.

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Cf. L. BOUYER, Introducción à la vie spirituelle, Cerf, Paris, 1992, p. 152.

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disse (cf. Jo 1, 18). Procurar Deus significa seguir Cristo. Mas se o Espírito Santo é o invisível de Deus que se torna visível nos seus frutos, então o Espírito Santo torna-se visível na humanidade de Jesus Cristo (nos Seus gestos, no Seu falar, na Sua relação com a natureza e os pobres, etc), e não apenas no momento inicial da vida de Jesus93. A Sua vida é gerada e guiada pelo Espírito Santo. Se Paulo fala do Homem que se deixa guiar pelo Espírito, e por isso é filho de Deus, então Jesus é aquele filho do Homem que mais se deixou guiar totalmente pelo Espírito de Deus. A vida segundo o Espírito tem, portanto, uma forma cristológica. Jesus vive a sua vida espiritual na dinâmica de relação com o Pai, que é Abba. À luz de Cristo, verdadeiro centro focal que ilumina a nossa vida espiritual, a vida espiritual cristã aparece como cura / cuidado do humano.

No cristianismo, o Homem aparece como (re) criado em Cristo. O corpo humano é templo do Espírito Santo. Então a vida espiritual cristã é chamada a colocar em prática a vida espiritual de Cristo, afirmando o primado da pessoa94. Pessoa que se realiza no encontro com os outros e no amor. Devemos realizar em nós o nome e o rosto de Cristo. A vida espiritual cristã tende a construir plenamente o Homem, e não um tipo de Homem, certo de que em Cristo está a revelação do Homem como Deus o quer. Se não há o Homem, não há o padre, o monge, nem sequer o cristão.

O cristão, sendo um discípulo da revolução feita pela Encarnação de Deus em Jesus Cristo, deve aceitá-l’O como Mediador, Salvador pessoal e universal. Ele convida todos a partilharem a vida com Deus (cf. Jo.10,10). A relação com Ele na e pela fé deve tornar-se uma relação dialogal, confiante, fiel e coerente entre o crer e o viver a vida concreta. A autêntica fé traduz-se na qualidade de vida competente, honesta e solidária

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Cf. K. RAHNER, Aimer Jésus, Desclée, Paris, 1985, p. 22. 94 Cf. K. RAHNER, Aimer Jésus …, p. 22.

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na vida familiar, profissional e eclesial95. A razão e o bom senso nunca devem ficar à margem da fé que não sendo racional é razoável.

O Homem deve viver como Cristo viveu pois é Ele que deverá ser o critério de vida espiritual. O que é humano autenticamente segundo Cristo é autenticamente espiritual; e o que é autenticamente espiritual segundo Cristo é autenticamente humano96. Autores antigos falavam de deificação (Theosis) não no sentido ontológico, mas no sentido personalístico. Mas como poderemos ser “deus” se ainda não somos homens? Precisamos primeiro de ser homens segundo Cristo, isto é, pessoas que amam como Cristo amou.