3. ANALYSE DU CORPUS
3.2. Analyse Morphosémantique
3.2.1. La variation par modalisation
3.2.1.3. Les modifications induites par les types de phrases (la phrase interrogative)
Figura 37 - Detalhes do folder da Galeria Elizabeth Nasser. Assinatura da marchand e logomarca da galeria, 1999.
Fonte: AA - Elizabeth Nasser.
A galeria administrada pela uberlandense Elizabeth Daher Nasser (ver figura 37) funcionou inicialmente no Center Shopping em 1992. Descendente de libaneses Elizabeth Nasser é colecionadora e pesquisadora, formou-se em Artes Plásticas pela UFU em 1986. Realizou cursos de aperfeiçoamento e viagens para Europa, América do Norte, América Latina, Ásia Ocidental e África a fim de ampliar sua relação com artistas e galeristas. Foi professora universitária de História da Arte na Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação (ESAMC) em 2008 e suas galerias estiveram presentes em três endereços em Uberlândia. Esteve nas lojas 49 e 52 do
Center Shopping, logo após abriu um espaço adaptado para mostras em sua residência, para depois inaugurar uma galeria com estrutura projetada para tal em 1999, onde está localizada desde então no bairro Lídice (ver figura 38).
Figura 38 - Galeria Elizabeth Nasser, sede atual no bairro Lídice.
Fonte: AA - Elizabeth Nasser.
Naquela ocasião foi produzido um folder de apresentação da galeria com as capas dos catálogos das exposições que já havia promovido até então desde 1992: Mieko Ukeseki e Mário Konishi, Konstantin Christoff, Nilton Zanotti, Antônio Carelli, Vladimir Machado, Maciej Babinksi, Sandra Mendes, Gianni Parziale, Henrique Lemes (uberlandense), Kenji Fukuda, Carlos Bracher, Antônio Hélio Cabral, Hélio Siqueira, Cláudio Tozzi, Martins de Porangaba e Ermelindo Nardin.
Nasser foi a única galerista que nos anos 1990 e 2000 se dispôs a organizar e publicar catálogos das exposições (ver figura 39) com textos de críticos de arte especializados, configurando um conjunto especial de arquivos perante nosso recorte histórico. Nestes catálogos e convites de exposições constava, em sua maioria, um breve currículo dos artistas, com nomes de galerias e salões de arte por eles percorridos, a fim de consolidar e legitimar sua atuação no meio artístico. As reproduções das obras em exibição eram feitas com excelente impressão gráfica, demonstrando a seriedade e
envolvimento desta agente perante os artistas e o mercado.
A própria marchand escrevia, mas também convidava outros artistas ou utilizava-se de publicações de especialistas sobre os artistas em exposição para compor os textos dos catálogos. Dentre os artistas que escreveram sobre outros artistas destacamos textos com autorias de Maciej Babinski, José Moraes, Carlos Scliar, Quirino Campofiorino, Hélio siqueira e Antonio Vitor. Os críticos de arte citados foram Jacob Klintowitz, Enock Sacramento, Roberto Pontual, Radha Abramo e Antonio Bento. O conservador-chefe do MASP, Fábio Magalhães, o filósofo e cineasta Afranio Vital, o curador da V Bienal Nacional de Santos, Roberto Peres e a professora do Departamento de Artes Visuais da Universidade de Brasília, Grace Maria Machado de Freitas, foram outros colaboradores na produção dos textos críticos.
Figura 39 - Catálogos das exposições em detalhe do folder da Galeria Elizabeth Nasser, 1999.
Fonte: AA - Elizabeth Nasser.
A marchand também incentivou os artistas a escreverem sobre suas próprias produções, o que demonstrou uma preocupação de Nasser com o aprimoramento crítico sobre as obras que circulavam em seus espaços. Sabemos da importância da crítica de arte especializada na legitimação dos artistas, como ressaltado por Anne Cauquelin:
Quando a existência e a consistência de um mercado independente estão devidamente estabelecidas, a partir dos anos 1980, o poder da crítica de arte é dominante sobre todos os outros planos e substitui progressivamente o poder do reconhecimento oficial. Ela se torna - além de sua destinação comercial - uma tentativa de decifrar e teorizar as novas formas plásticas. (CAUQUELIN, 2005, p. 41)
Nesse sentido os artistas foram sendo pouco a pouco identificados pelo público e demais agentes do circuito local. Uma das peculiaridades em relação ao campo de atuação no caso da Galeria Elizabeth Nasser é que ela trouxe mais artistas de fora para expor em Uberlândia do que os próprios artistas locais para ocupar sua galeria. De certa forma, ainda que movimentando o cenário cultural, Nasser não privilegiou a construção de uma identidade cultural em Uberlândia por este motivo.
Outro fato importante em relação aos catálogos da Galeria Elizabeth Nasser foi a efetivação do polo industrial e tecnológico trazido à cidade pelo Grupo Algar com a fundação da CTBC e os apoios financeiros concedidos à galeria por meio de incentivo fiscal. Desde os anos 1960 este grupo é uma grande corporação que detém os meios de comunicação mais difundidos na região21 através das telecomunicações, jornais e revistas, além atuar em outras áreas22 e cidades: São Paulo, Belo Horizonte e na Colômbia. Desde a criação da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Uberlândia, o Instituto Algar vem investindo sistematicamente neste mecanismo por meio de seu programa de patrocínios. Entre 2004 e 2015 foram apoiados 61 projetos, totalizando um montante de R$1.702.670,00 (um milhão, setecentos e dois mil, seiscentos e setenta reais). Ou seja, aproximadamente R$154.000,00 (cento e cinquenta e quatro mil reais) são investidos anualmente pelo Instituto Algar na área de cultura em Uberlândia.
A recorrência de agentes do meio cultural nos escritos dos catálogos revelou a necessidade de “legitimação pelos pares” (DINIZ, 2008) no contexto de Uberlândia. Assim como Maciej Babinski escreveu sobre a exposição de José Moraes em 1977, José Moraes escreveu sobre o artista Wladimir Machado em 1994 e o artista Hélio Siqueira sobre Babinski em 2008 (ver figuras 40, 41 e 42). Esse processo de reconhecimento e 21 CTBC (Algar Mídia), CTBC Celular (Algar Telecom), Image TV (tv a cabo), Netsabe (lista telefônica),
Jornal O Correio, Revista Alm anaque U berlândia de Ontem e Sem pre, e Programa Uberlândia de Ontem
e Sempre.
22 Brasil Central Táxi Aéreo e ABC Táxi Aéreo (Algar Aviation), ABC (Algar Agro), Rio Quente Resorts, ACS serviços de contact center (Algar Tecnologia), Space (Algar Segurança), Tecnologia da Informação (Algar Tech).
legitimação não é, na maioria das vezes, forçoso e sim naturalmente pautado em relações pessoais, que se estabelecem pelas redes de confiança, conhecimento mútuo e admiração profissional.
Figura 40 - Detalhes do convite da exposição “José Moraes 22 anos Uberlândia”, 1977. Texto de Maciej Babiski.
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Urberlândia 1 977
Fonte: AA - Fernanda Queiroz.
Transcrição do texto de Babinski:
José Moraes sempre procurou fundamentar o seu trabalho em bases sólidas, e enfrentou desde o início da década dos 40, as contradições comuns à maioria dos artistas brasileiros. Procurou a ponte entre a tradição pictórica europeia e o nosso presente aqui. Escolheu a figuração como ponto de partida, e se manteve fiel à ela até hoje, apesar de ter sido exposto à toda a informação referente aos principais movimentos das últimas décadas.Me confessou, que esteve em certo momento, prestes a desistir. Não desistiu. Hoje, ele continua a sua caminhada com um sentido novo: a busca do auto- conhecimento, do seu espaço interior, da consciência do seu próprio processo evolutivo.Esta consciência lhe é revelada aos poucos, por etapas dolorosas. Nas suas paisagens recentes, percebe-se uma transformação.Da visão fechada de uma parede intransponível de vegetação, surgem as clareiras, circula o ar, e articula-se um espaço, como uma promessa de uma abertura maior para além da mata escura.O caminho da vida não está fechado. A esperança do próximo espaço a conquistar está presente. M. Babinski 22/06/1977
Figura 41 - Detalhes do catálogo da exposição “Ricordo di Pompei” de Vladimir Machado na Galeria Elizabeth Nasser, 1994. Texto de José Moraes.