Partie 1 Qu’est -ce que la transmission mère-enfant du VIH
5 Les modes de transmission, prévention, détection
Dentre as potências coloniais na Ásia Sueste, Portugal era uma daquelas que manteve a sua soberania em Timor-Leste mais de quatro séculos. Foi a permanência feita pela persuasão e não pelo poder das armas 135.
Relativamente a política lusa na Oceania, o governo de Lisboa manteve boas relações com a Austrália e Indonésia. Os mesmos agiam pelo entendimento, no sentido de se afirmarem mutuamente em amizades de entre Estados. Dele decorriam diálogos, trocavam missões consulares e diplomáticas a representar cada um a sua honra de nação soberana junto das capitais amigas.
Quer Austrália como Indonésia foram todas de domínio ocidental europeu, a partir das épocas em que a Europa moderna se lançava em busca de uma nova vida, nas regiões da Ásia: a primeira, na sequência da descoberta dos portugueses antes da chegada de alguns holandeses, de seguida, fora ocupada pelos britânicos sob chefia do capitão James Cook, a parte leste continental - ocupando Nova Gales do Sul, em 1770. A ocupação inglesa multiplicara colónias, mas esta opção abriu portas aos migrantes doutros países, onde o caldeirão de várias origens humanas contribuiram as colónias em desenvolvimento económico. A Nova Gales do Sul, foi o primeiro centro de milhares prisioneiros, enviados pelo governo londrino. A presença não era inútil à economia. Progrediu-se pouco a pouco até que a Austrália tornara-se de população, maioritariamente branca, governada por autoridades locais em nome da coroa britânica. A sua evolução determinou as colónias serem unidas em federação a adquirir um governo próprio e a coroa, representada por um governador-geral 136. Ao longo dos tempos, os seus cidadãos nunca tiveram convivência com os timorenses. Naturalmente, dada a estrada marítima fez com que inexistissem as proximidades. Havia ligações bilaterais, mas existia a nível dos políticos de poder colonial metropolitano; a Indonésia, igualmente vivia sob o domínio holandês desde 1602. Não foi o Estado neerlandês quem estendeu as suas influências. Foi dita ocupá-la por interesses comerciais – Companhia Holandesa das Índias Orientais/VOC 137. A partir desta posição afirmada, expulsou os portugueses e espanhóis das suas posições. Os indonésios sentiam-se privados de direito, quando a VOC. tornara-se de poder polítco colonial. O descontentamento mobilizou, captou o colectivo, e a ideia de consciência
135 Estudos em homenagem ao Professor Adriano Moreira, Vol. I, Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, 1995, p. 205.
136 Enciclopédia da História Universal, Selecções do Readers Digest, 1999, p. 55; 137 Idem, Ibidem, p. 321;
nacional gerou a elite liderança. A sociedade indonésia passara em organizações associativas em oposição ao regime holandês, a partir da existência do Partido Comunista Indonésio (PKI), em 1920138. Também a história não nos descreve as relações entre Timor dos Belos com a gigantesca Indonésia.
A diferença entre três povos pode-nos explicar a realidade existente: Timor recebe educação, cultura cristã romana e língua portuguesa; Indonésia, por sua vez, colonizada por Holanda, mas de língua jawa (bahasa indonésia) e de religião muçulmana de percentagem estrondosa, e a Austrália, de uma postura sob a influência religiosamente protestante, na maioria da população e de língua inglesa. Ligada directamente a uma nação mais evoluída no quadro de disposições técnicas e indústriais, responsáveis de uma economia em ascensão progressiva 139.
As diversas inspirações culturais e materiais faziam-se de uns poderosos que outros, chegando a ignorar a existência dos pequenos, para o caso de Timor-Leste. Nesta ordem de presença, somos forçados a perceber o andar da história, influiu repercutir no factor humano tendente a singularidade geográfica do pedaço leste da Insulíndia. Também já em séculos, que a metade ilha se construíra a pedrinha no sapato de muitos, por riquezas escondidas, a colónia, naturalmente, dispõe 140.
Internamente, as autoridades tradicionais e a nova classe letrada, não se representavam algo ameaçador que pressupusesse desmoronar o poder colonial. Timor via-se livre das políticas perturbadoras do passado, por outras palavras, a sociedade local era cada vez sensível aos projectos que o governo entendesse implementar. Também se lembrava o Timor dos Belos era o espaço de duas comunidades, exemplar de um oásis de paz no Extremo Oriente, afirmava o Presidente da Academia, Joaquim Veríssimo Serrão 141.
Todo o cenário desejado, dada a falta da vontade do poder de soberania, o país arrastava-se, assim, em pobreza. O governo local continuava a exercer o seu papel executivo segundo as possibilidades da província e mantendo o sonho de uma mudança no futuro.
Um governador que lá chegasse iniciar a sua missão, a política principal da sua agenda era tentar minimizar o atraso. Alguns começavam a cultura do café, mais intensiva, dos quais, o governador José Celestino da Silva criou uma companhia
138 Silva, Lurdes Marques, Descolonização, Nacionalismo e Separatismo no Sudeste Asiático “os casos
da Indonésia e Timor-Leste”, Lusotopie, 2000, p. 362;
139 Beauchamp, Chantal, Revolução Industrial e Crescimento Económico no séc. XIX, Edições 70, 1998, pp. 45 ss;
140 Carvalho, Manuel de Abreu Ferreira de (governador), Relatório dos acontecimentos de Timor, Lisboa – Imprensa Nacional, 1947, p. 25;
141 Bessa, Carlos, A Libertação de Timor na II Guerra Mundial (Importância dos Açores para os nteresses dos EUA), Lisboa, MCMXCII (1992), P. 7;
S.A.P.T. a promover o crescimento económico timorense. Desde 1910, a entidade empregadora empregava a força humana no total 6 mil pessoas a pôr em funcionamento as várias actividades da composição empresarial 142. A companhia teve sócios internacionais, além de admitir naturais e portugueses, havia cinco nipões: três trabalhvam no escritório da SAPT e dois eram técnicos algodoeiros. Tiveram o insucesso do projecto algodoeiro na Nova Guiné 143. Os dois percorriam vários pontos do Timor-Leste para tratar do cultivo do algodão e da produção de fibra com os indígenas, mas as suas exigências pela concessão petrolífera e mineira impressionavam as autoridades. Os seus percursos minavam muitos nativos incautos em proveito do futuro interesse japonês144.
Enquanto os governantes coloniais debatiam-se nos seus gabinetes em horas laborais, como minimizariam a longínqua colónia do analfabetismo e da vida nativa sem economia, onde os seus planos como árvore vinha sendo infrutífera, para a Lisboa, pairavam as novidades de conflito. O Salazar e seus quadrantes políticos estudavam, planeavam como dariam respostas a uma guerra que entraria pela porta da Europa, envolveria os potenciais aliados portugueses145. Por outro lado, as eleições espanholas ganhas pela Frente Popular/República, poderia abortar Guerra Civil espanhola, seria outra aposta a capacidade do governo do Estado Novo, por os opositores internos do Salazar se organizavam na fronteira à hipótese de recorrer aos apoios do vencedor republicano contra o regime salazarista146. O cenário pressionava a elite política prever como garantiria a sobrevivência e estabilidade do Estado Novo e da soberania ultramarina num contexto do pós-guerra147. A dupla crise internacional perturbava o Dr. Salazar da arena internacional. Viria assumir as pastas dos Negócios Estrangeiros e da Guerra além de ser Presidente do Conselho de Ministros 148.
O cenário ladeava as potências antagonistas, entusiasmadas na guerra mundial, militaramente modernizadas, comparativamente Portugal era difícil integrar- se no campo de contenda. O problema levará o governo do Estado Novo estudar cautelosamente de como optar política de preservar a continuidade do regime e do
142 Gunn, Geoffrey C., Timor Loro Sae: 500 anos, Livros do Oriente, 1999, p. 217;
143 Carvalho, Manuel de Abreu Ferreira de (governador), Relatório dos acontecimentos de Timor, Lisboa – Imprensa Nacional, 1947, p. 25;
144 Oliveira, Luna de, Timor na História de Portugal, Vol. IV, Fundação Oriente, 2004, pp. 30-32; 145 Telo, António José, A Neutralidade portuguesa e o ouro nazi, Quetzal Editores, Lisboa, 2000, pp. 19 ss;
146 Idem, Ibidem, p. 24;
147 Paço, António Simões de, os anos de Salazar de 1943-1945 «O Governo inglês pediu e o Governo
português concedeu», Centro Editor PDA, 2007, p. 17;
148 Teixeira, Nuno Severiano (Coord.), Portugal e a Guerra, História das Intervenções militares
império. Analisando as políticas interna e externa pareciam mais complicadas nas consequências do pós-II Guerra Mundial.
Noutro lado do fim do mundo, o pedaço português na Oceania, entalado entre as grandes ilhas de domínio neerlandês e o continente da Austrália, estava sossegada, em paz. Esquecido o conflito de Manufahi de 1911-1912, assistia um espaço de tempo de vida florescente, o mais interessante, talvez, da sua história. Multiplicaram o cultivo de café, em milhões de pés, pertenciam aos nativos; o interesse de produzir milho, arroz, feijão e de criar animais, cujos resultados ultrapassavam as necessidades da colónia; as estradas penetravam quase em todos os reinos permitiam a fácil circulação de indígenas tanto como à rede telefónica. O progresso feito pelas escolas e missões transformou os costumes bárbaros em novo rosto; novas culturas introduzidas. As povoações desertas pela guerra interna, tornaram-se povoadas 149
As tensões políticas e territórios europeias não foram resolvidas na I Guerra Mundial depois do Tratado de Versalhes agravaram-se150, praticamente sentida pela Alemanha, após a ascensão do Adolfo Hitler ao poder pela mão do Partido Nacional- Socialista. Achava-se injustiçada, humilhada e derrotada pelos aliados. Uma estratégia seguida para readquirir a sua reputação encontra-se agora garantida na recuperação da economia germânica. Rearma o exército e recruta mais jovens alemães em organizações militares sob a condução dos chefes de comando, fiéis do Hitler. O desenlace de campnaha era difícil invertê-lo. O rumo escolhido à guerra começou em campo de operacionalidade militar com todos os equipamentos modernizados da potência industrial alemã. O ataque a Polónia marcou o início da II Guerra Mundial donde à inferioridade militar do País invadido, subjugado em Setembro de 1939. Mediante o êxito, os alemães viam-se afirmados de capacidade e, no ano a seguir, triunfaram sobre a França 151.
Os primeiros episódios criaram o mito a que o Adolfo Hitler era visto a figura dominante da Europa e do mundo. Influía ultrapassar a fronteira europeia ao Extremo Oriente, conduzida pelos aliados nipónicos. A China é atacada em 1937, no contexto duma estratégia, concertada em favor do grande conflito, II Guerra Mundial (Enciclopédia H. Universal, 1999, p. 344).
Ao caso timorense, em 1941, corriam notícias pelos jornais, revelando o governo nipónico a interessar uma linha aérea a partir da ilha japonesa com a colónia portuguesa, no âmbito de interesse comercial. Formulado, engenhosamente, o pedido ao governo português com o intuito de garantir a integridade de Macau e de Timor. Os
149 Martinho, José Smões (capitão), Vida e morte do régulo timorense D. Aleixo, 1947, pp. 18-19; 150 Enciclopédia da História Universal, Selecções do Readers Digest, 1999, p. 665;
151 Zaloga, Steven J., A Invasão da Polónia: Guerra-Relâmpago, Osprey Publishing, 2009, pp. 6 a 10 e 13 ss;
autstralinos percebiam da astúcia de que os nipónicos serviriam do Timor português como porta de entrada à Austrália (F.Lima, pp. 31-33). Ao neutralizar as intensões expansionistas, ocorria-se, na Singapura, um encontro entre Austrália, Inglaterra e Portugal, e, ausentava-se o representante holandês, em tratarem um possível tampão em Timor-Leste.
Importa-nos afirmar, no decurso das épocas referidas, à bacia do Pacífico, é aí, que a Inglaterra e os Estados Unidos da América jogam a política pela ascensão económica. Nesta tangência de propósitos, o mar timorense era praticamente entregue à navegação estrangeira, e à falta de meios de comunicações, seria-lhe um perigo inevitável quando detonarem-se hostilidades152. As notícias anunciavam o avanço nipónico a desmoronar as resitências dos impérios do Sudeste Asiático. O Timor português assistira a sua primeira invasão dos aliados, australianos e holandeses, a 17 de Dezembro de 1941, no sentido de neutralizar os propósitos em eminência153. A situação do lado nipónico evoluíu, na sua operação de esfrangalhar as resistências do Pacífico, tendo seus aviões afundaram a esquadra britânica de Singapura, permitiu-lhe livremente ao controlo marítimo (L. de Oliveira, Vol. IV, p. 52). Ao saber da entrada das forças invasoras do Extremo Oriente à Timor, em eminência, os indícios apontavam os aliados para um suposto recuo ao Timor ocidental/holandês 154. O governador, Manuel de Abreu Ferreira de Carvalho (anexo 4) teve que organizar segundo as capacidades que dispunha, mantendo a ideia de um país de neutralidade em beligerância, onde transmitiria aos administrdores das circunscrições da província conforme as directrizes emitidas pelo governo da Metrópole.
Não havendo resistência naval ou aérea a impedir o rumo decidido pelos nipões, em 20 Fevereiro de 1942, a invasão preconizada é confirmada em Timor-Leste 155. Toda a costa do Território, é ocupada pelas forças invasoras, pequenos números australianos que ficaram, evacuados às montanhas a optarem pela guerra de guerrilha, com os nativos e portugueses. A partir do fim de Maio do mesmo ano, o governador perde o contacto com o poder central de Lisboa. Torna-se prisioneiro da sua residência 156.
Como já citado, na véspera de domínio japonês, o cônsul inglês David Ross, no dia 17/12/1941, logo de manhã, muito cedo, informou ao governador receber o oficial
152 Oliveira, Luna de, Timor na História de Portugal, Vol. IV, Fundação Oriente, 2004, p.37; 153 Idem, Ibidem, p. 57;
154 Bessa, Carlos, A Libertação de Timor na II Guerra Mundial. Importância dos Açores para os
interesses dos Estados Unidos, Liboa, MCMXCII (1992), p. 79;
155 Cf. o último e ex-governador do então Timor português: Pires, Mário Lemos, Descolonização de
Timor, Missão impossível? Lisboa, Publicações D. Quixote, 1994, pp. 21 ss;
156 Lima, Fernando, Timor da Guerra do Pacífico à desanexação, Instituto Internacional Macau, 2002, pp. 37-39;
holandês tenente-coronel Van Strattenn, comandante das forças aliadas. Única oportunidade de transmitir o desembarque das forças em Díli, segundo as ordens superiormente, recebidas.
A capital timorense testemunha a entrada de 380 oficiais e soldados australianos, imediatamente conduzidos instalar-se, na montanha Na Suta, 15 km para o interior; 1200 soldados holandeses quase todos javaneses, enquadrados por oficiais europeus. Lançavam-se, imediatamente, na construção de abrigos e trincheiras ao longo da praia para metralhadora anti-aéreas. As ruas, estradas eram vedadas por arames farapados. Em poucos dias, o mesmo comandante aliado impôs ao governador que a Companhia de Caçadores de Timor fosse transferida para longe da cidade, suspeitá-la preparar-se atacar a força aliada. Perante a situação em evolução crítica, o governador não conseguiu dissuadir o tal oficial, resolveu a mudança da Companhia para Maubisse, comandada por capitão Freire da Costa e tenente Liberato 157.
Ainda que assistisse a presença numerosa dos aliados, a capital via-se insegura e o pânico de ver a segunda invasão, estava a ser ponderada qual seria o efeito. A seguir da entrada da força aliada, a população civil retirou-se viver no interior, distante da capital. Ficaram os funcionários em pequenos grupos, dada a ausência dos familiares. Uns eram acolhidos na Missão de Lahane por padre Jaime, futuro bispo da província 158.
Enquanto Díli, corria notícias da força portuguesa concentrada em Moçambique, recebera já ordens, a caminho por João Belo, comboiado pelo aviso Gonçalo Velho com destino à Timor para substituir os aliados. A chegada prevista para 21 ou 22 de Fevereiro de 1942, em Baucau para evitar possíveis complicações com os aliados na capital. A ânsia de ver o desembarque português era eminente para os dias já informados. Porém, a notícia tornou-se em acontecimento infeliz, por concretizar a chegada dos invsores japoneses. De facto, um dia antes, três dezenas de aviões nipónicos sobrevoaram Baucau com destino para Port Darwin, afundavam navios na baia militar e tornar os edifícios em escombros. Uma actuação que visava assegurar o tranquilo desembarque das forças nipónicas na colónia portuguesa159.
Assim, começou a guerra no Oriente. No dia dois de Janeiro de 1942, Filipinas fora tomada. Dias seguintes, os Estados Malaios federados, Birmânia, ilhas Bisrmarck, Salomão, Bornéu e Indias Orientais holandesas, foram totalmente silenciados. O general americano, Mac Artur nos mares de Manila, com seu chefe Estado-Maior teve
157 Carvalho, José dos Santos, Vida e morte em Timor durante a II Guerra Mundial, Composto e Impresso na Gráfica de Lamego, 1972, pp. 31-32;
158 Idem, Ibidem, p. 33; 159 Idem, Ibidem, p. 34;
uma operação de manobra com destino a Austrália, visava reunir uma nova resistência com forças australianas.
Os holandeses, na praia de Díli foram surpreendidos por bombardeamentos de dois aviões nipónicos. Em poucas semanas, até 20 de Fevereiro do mesmo ano, Kupang e Díli pertenceriam aos novos senhores de Japão 160. Os seus submarinos apareceram perto da baía de Díli e os navios movimentavam-se esconder atrás das montanhas de Comoro. A capital tornara-se o seu mundo de movimento de tom dominante.
Às quatro horas de manhã do referido dia até as nove, os aliados, em Díli, respondiam em tiros aos bombardeamentos nipónicos em direcção a residência onde estavam as forças luso-australianas. Dos primeiros cruzamentos de fogo e ferro de ambos os lados, em hostilidade, os javaneses desapareciam, ficando o material abandonado ao longo das estradas. Os últimos soldados foram vistos sair de automóvel pela estrada de Dare, rumo ao centro sul, donde desviarão o caminho a fronteira oeste, destino a Kupang, lado ocidental holandês.
Pela obra descritiva do governador Ferreira, Relatório dos Acontecimentos
de Timor, 1942-45, revela-nos a vontade deste solicitar conferência com o
comandante aliado. Enviou os seus oficiais a procura do chefe das forças, na capital, das seis horas de manhã, e regressaram à residência oficial do governador às oito e tal a informá-lo sem ter visto a autoridade pretendida e nem soldados de ambos os países, por eles serem vistos 161.
A verdade dos aliados na questão da situação timorense no quadro de uma coordenação dos respectivos governos a respeito da neutralidade portuguesa em beligerância, à qual Timor era abrangido. Mas, as primeiras entradas no território eram uma violência; igualmente do Japão teria o mesmo comportamento cruel. Os diplomatas declaravam respeitar a província, o que se notava no terreno se acontecia tudo por ignorar os compromissos assumidos. Desrespeitaram a pessoa do governador de uma nação de neutralidade, ainda para mais aliada britânica.
Puniam os suspeitos de fornecer alimentos e informações aos aliados e os fiéis dos portugueses. Os australianos foram desalojados do seu acampamento da montanha de Na Suta. Aos amarelos, muitos deles tiveram que comer o pó da terra ultrajada, antes de continuar a perseguição aos grupos de guerrilha em resistência, dispersa.
160 Idem, Ibidem, pp. 34-36;
161 Carvalho, Manuel de Abreu Ferreira de (governador), Relatório dos acontecimentos de Timor, Lisboa, Imprensa Nacional, 1947, pp 173 ss;
Durante a ocupação estrangeira, a nobreza tradicional não causara nenhum embaraço a autoridade colonial. Tivera os pensamentos no mesmo objectivo defendido pelos governantes da província. Em defesa da soberania lusa, os régulos organizavam os seus homens em resistência contra o avanço japonês ao interior. Protegiam os portugueses nas montanhas de perseguição ocupacionista. Apoiavam- os em alimentos, conduzidos aos sítios de refúgio que podiam.
Na comparticipação contra a presença estrangeira, emerge-se a figura do régulo de Ainaro D. Aleixo Corte Real. No seu refúgio na alta montanha, através das suas forças de guerrilha, fornecia ao comando australiano sedeado no Suro/Ainaro, géneros alimentícios as suas tropas. Na região controlada pelo régulo e seu filho Alexandre, aí se encontravam dois missionários Norberto de Barros e Manuel Pires. Estes, assistiam a população civil sofrera impiedosamente pelos actos das colunas negras, sem descanso, resolveram ir ao encontro dos comandantes invasores, numa tentativa de demovê-los face as represálias. A desumanidade nipónica tornou-os em resposta fatal com o deportado Luís Ferreira da Costa e outros mais, em companhia 162.
O régulo de Ainaro manteve os seus homens de companhia em disciplinamento, tanto que de Aileu lhe solicitou a ajuda desmantelar a revolta de Maubisse, dirigida por um dos timorenses. Surgiu por influência nipónica, prometendo- lhes um vasto regulado quando acabar a guerra e exterminar os resistentes e portugueses. De imediato, D. Aleixo enviou 350 homens ao seu amigo 1.º sargento que o telefonou de Aileu. Antes de os enviar o régulo disse ao amigo:
- «Aleixo Corte Real cumpre sempre quanto os Portugueses lhe ordenam. Com os Mátan-búbu (olhos inchados, nome que o Timorense dá aos Nipões), não queremos».
Ele percebia que a fidelidade a autoridade lusa lhe sairia cara, pagaria com a própria vida e dos muitos por ele dirigidos163. Afirmava-se aos seus homens em não esquecer-se de dar contas aos portugueses do esforço demosntrado em honra da