I. 1.2.6.2 La gouvernance du CINTERFOR
IV.2 Plaidoyer pour le développement de fonds nationaux
Neste capítulo pretende-se expor como a metodologia adotada se articula com a fundamentação teórica tratada no capítulo anterior.
Inicialmente, é possível dizer que se trata de uma pesquisa, por um lado, fundamentada no construcionismo e no configuracionismo social, e, por outro, de uma pesquisa que emprega as estratégias propostas pela teoria das representações sociais, no sentido de reconhecer ao final, após o tratamento e a análise dos dados coletados, o que há de representação socialmente construída nos discursos dos informantes que dela participaram.
Em se tratando do construcionismo social, pode-se dizer que, uma vez ligado à sociologia do conhecimento, investiga como a realidade é construída, como o conhecimento dirige a conduta da vida cotidiana, preocupado com os atos dos “homens comuns” e o relacionamento do indivíduo com o mundo (BERGER; LUCKMANN, 1997).
A visão construcionista caracteriza-se pela abordagem qualitativa, fundamentada nas Ciências Humanas e Sociais. Implica a noção de que um indivíduo, neste caso, um pesquisador, atenta em perceber o outro. Por exemplo, o informante, por meio da experiência dos sentidos e da observação, é a tentativa de “[...] ver o mundo através dos olhos dos atores sociais e dos sentidos que eles atribuem aos objetos e às ações sociais que desenvolvem” (GOLDENBERG, 2011, p. 32).
A pesquisa qualitativa busca a compreensão efetiva de peculiaridades com um nível de realidade que não pode ser mensurado. Detém-se em processos e fenômenos relacionados com os desejos, crenças, valores e atitudes dos indivíduos, ou seja, preocupa-se com as pluralizações ocorridas na vida, refletindo acerca das relações sociais (DESLANDES, 2002). Por isso, diferentemente das pesquisas que envolvem contextos especializados, como laboratórios, a pesquisa qualitativa aborda o mundo “externo”, procurando esmiuçar as experiências das pessoas ou dos grupos, examinando interações e comunicações, além de investigar documentos que retratam o que tem sido feito ou vem acontecendo para que as pessoas construam o mundo à sua volta (GIBBS, 2009).
O ponto de partida para a pesquisa das Ciências Sociais são as ideias dos eventos ou experiências e atividades sociais da vida diária, isto é, a forma como estas se comunicam umas com as outras. Assim, a partir dessas construções, as experiências cotidianas são traduzidas em conhecimento, transparecendo as relações pressupostas (FLICK, 2004).
O objeto da pesquisa qualitativa é a ação interpretativa, o sentido que uma ação da sociedade adquire na vida e nos comportamentos das pessoas, sentido da ação individual que traduz em ação coletiva. Porém, a pesquisa qualitativa não se reduz a descrever ações e fenômenos observáveis, mas privilegia o vivido dos atores sociais, permanecendo cética quanto a concepções que impõem uma realidade social unívoca (DESLAURIERS; KÉRISIT, 2012).
A subjetividade exerce um papel importante no entendimento e na interpretação científica das condutas humanas, ligadas aos valores do pesquisador. Trata-se de identificar o ponto de vista do entrevistado, e confrontá-lo com outros fatos, contextualizando-os e abordando-os de maneira crítica (LAPERRIÈRE, 2012). E para que se tenha um resultado considerável de pesquisa em Ciências Humanas e Sociais é preciso se aproximar do objeto, buscando entender o seu interior e não apenas os estereótipos. Como as pessoas tendem a se comportar de modo específico, dependendo da unidade social em que vivem, convém observar a imagem que o outro constitui e não apenas considerá-la normal dentro do contexto em que se vive (ELIAS, 1994b).
Seguindo o viés da sociologia do conhecimento, em que os seres humanos interagem entre si, fazendo parte da realidade da vida cotidiana, é preciso ficar face a face com o outro para que ele se torne real ao pesquisador a fim de que ele consiga efetivamente investigá-lo (BERGER; LUCKMANN, 1997).
Na análise construtivista é indispensável a interação das construções do pesquisador com o entrevistado, tendo em vista que tudo aquilo que se diz e que se vive é resultado de ideais e construções sociais, até mesmo a ideia de realidade faz parte da construção humana. O pesquisador precisa estar sensível às perspectivas de seus participantes, pois sua análise consiste em interpretações, logo, construções do mundo (GIBBS, 2009).
No intuito de explicar, justificar e questionar a realidade e a dinâmica das relações sociais é preciso investigar as pessoas que habitam a sociedade, procurando abstrair seus pensamentos, ações e sentimentos (GOMES, 2002). Portanto, buscando compreender determinado fenômeno, em que os membros de um grupo estão
inseridos, validando comportamentos, atitudes, crenças e valores, este trabalho apoia-se na teoria das representações sociais.
Essa teoria engloba o processo de objetivação, cuja intenção é esclarecer como se estrutura o conhecimento do objeto, que se constitui em três (3) etapas. Na primeira, o indivíduo escolhe e descontextualiza os elementos daquilo que vai representar, filtrando as informações. Essas se dividem com base no conhecimento precedente acerca do objeto, na experiência e em seus próprios valores. Na segunda etapa se reconstituem os fragmentos de informação, sendo o centro figurativo das representações. Essas fases conduzem ao núcleo da representação, ou seja, o objeto tido como um enigma foi esmiuçado e reconstituído, tornando-se palpável, além de adquirir um sentido natural, completando, assim, um ciclo, que compreende a terceira etapa e denomina-se naturalização (MOSCOVICI, 2009).
O processo de ancoragem visa também dar sentido ao objeto, na tentativa de elucidar como o conhecimento se consolida no social e retorna a ele, pois é através desse meio que se dá sentido ao objeto (MOSCOVICI, 2009).
Essa configuração das representações sociais aponta para a sua busca que, nesta pesquisa, dar-se-á pelo uso dos recursos dispostos por meio da técnica do Discurso do Sujeito Coletivo (DSC), a ser detalhada no próximo capítulo.
De acordo com a técnica do DSC, o processo de ancoragem “[...] é a manifestação de uma teoria, ideologia ou crença que os autores do discurso professam e acreditam” (DUARTE; MAMEDE; ANDRADE, 2009, p. 624). Entendida como uma afirmação genérica do enunciador do discurso para harmonizar-se a uma situação específica, torna perceptíveis os valores tidos como significativos pelo grupo, conforme presentes nos discursos.
Durante a comunicação, constituem-se as representações e as observações da consciência humana. Nesse momento, partindo para uma visão social de circulação do conhecimento e da linguagem, identifica-se a informação transmitida e transformada, intensificando o papel característico da conversação em sua origem, partilhando das mesmas representações comuns. Conforme Moscovici (2009, p. 331), a paixão por conhecer e por se comunicar caminha de mãos dadas, e por isso o autor afirma que “[...] nós pensamos com nossas bocas”.
Portanto, percebendo as ideias-chave presentes na fala dos entrevistados, identificam-se as representações sociais, isto é, “[...] o que está contido no senso comum sobre aquilo que está sob estudo” (DUARTE; MAMEDE; ANDRADE, 2009, p. 624).