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Les mod`eles de perturbation

O presente estudo pretende contribuir para a área de pesquisa no âmbito da obesidade e suas comorbidades associadas que predispõe indivíduos obesos a um maior risco de desenvolvimento de doenças crônicas e de mortalidade. Acreditamos que a melhor caracterização da população obesa, principalmente, nos permitirá intervir de forma mais efetiva em tais componentes para prevenção de complicações metabólicas e cardiovasculares futuras de maior magnitude.

Nossos achados nos permitem concluir que adultos jovens obesos com perfil metabólico desfavorável, quando comparados a indivíduos obesos saudáveis, apresentam preservadas aptidão cardiorrespiratória e função muscular. Mas sugere que estes, com o acúmulo das alterações ao longo dos anos (RI, desregulação dos ajustes autonômicos e aumento da miostatina com consequente influência na hipotrofia muscular, já observados neste estudo), tenderão a desenvolver prejuízos mais expressivos na ACR e na função muscular, com consequente declínio da funcionalidade. Estas alterações podem ser, na fase adulta jovem e meia idade, ainda “invisíveis” pelo efeito protetor da idade, que consiste no fato de os indivíduos serem mais ativos nas suas atividades cotidianas, terem uma maior quantidade de massa muscular e ACR mais preservada, os quais parecem prevenir ou atenuar potenciais prejuízos fisiológicos advindos de disfunções metabólicas já instaladas.

Achados até o presente são ainda escassos e contraditórios, sobretudo os oriundos de estudos longitudinais acompanhando desfechos-chave em populações apresentando ou não o fenótipo saudável. Assim, dada a relavância da temática de prevenção e tratamento da obesidade em âmbito mundial, estudos de longo prazo se fazem necessários para investigar se individuos obesos com perfil metabólico menos favorável, apresentariam mais incapacidades físicas, doenças crônicas e taxas de mortalidade, sendo extremamente relevante para identificarmos apropriadamente aqueles com maior risco à saúde bem como realizar o adequado acompanhamento quando da implementação de intervenções físicas, nutricionais e/ou farmacológicas. Acreditamos, entretanto, que as análises de caracterização transversal do presente estudo tenham contribuído para um melhor entendimento, a partir de uma ampla visão fisiológica (cardiometabólica, ventilatória, muscular e funcional), das alterações já presentes na fase adulta e das prováveis e potenciais consequências de tais

alterações em longo prazo. Além disso, contribuiu com a compreensão da relação entre biomarcadores e aspectos clínicos relacionados à obesidade.

Adicionalmente, o estudo visou ressaltar a importante aplicabilidade clínica dos testes funcionais, a saber o TD6 e o TC6, para fins de avaliação, prescrição e/ou acompanhamento da evolução durante protocolos de intervenção que visem o controle ou tratamento da obesidade, melhora da ACR e da MAC, assim como da função muscular na população obesa, mais especificamente adultos jovens obesos.

Em nosso primeiro estudo, demonstramos que as respostas cardiovasculares e metabólicas no TD6 apresentaram elevada concordância com as respostas obtidas no TECP, apesar de terem padrões (i.e., carga constante vs incremental e tempo- limitado vs não limitado) e intensidades distintas. Isto nos possibilita sugerir a aplicação do TD6 com maior frequência na prática clínica, sem a necessidade de equipe e intrumentação altamente qualificados, pois o mesmo é capaz de predizer a capacidade aeróbia máxima com elevada acurácia a partir de variáveis de fácil obtenção (i.e., desempenho no TD6, IMC e idade). Além disso, o desempenho neste teste demonstrou estar fortemente relacionado à força e potência musculares, tanto em mulheres eutróficas quanto obesas. Tal constatação nos permite inferir que não somente treinamentos aeróbios, mas também aqueles que visem o aumento da força, resistência e potência musculares poderiam, certamente, influenciar na melhora da capacidade funcional e aeróbia máxima de indivíduos obesos. No entanto, é preciso que estudos futuros avaliem se haveria uma equivalência entre a melhora na função muscular e na capacidade aeróbico-funcional e de que magnitude ela seria, a fim de termos uma medida mais objetiva da avaliação e acompanhamento durante intervenções físicas e estabelecermos uma melhora clinicamente relevante, como já foi previamente determinado para o TC6, por exemplo.

No segundo estudo, demonstramos que o TD6, em comparação com o teste de caminhada de equivalente duração, pode ser igualmente aplicável, senão superior, para avaliação da modulação autonômica durante testes de exercício de “carga constante”, visto que o estresse cardiovascular no TD6 é maior do que no TC6. Além disso, nos permite afirmar que indivíduos obesos com distúrbios metabólicos possuem uma alterada MAC em repouso e durante o esforço, apesar de esta alteração não ser refletida pelas respostas metábolo-ventilatórias. Na mesma linha de raciocício, o terceiro estudo também nos permite afirmar que o fenótipo metabolicamente não- saudável parece não ter influência na função muscular e capacidade aeróbia, mas

associações encontradas indicam que a manutenção ou piora do quadro inflamatório sistêmico e da desregulação da homeostase metabólica, incluindo o desbalanço na secreção de biomarcadores da obesidade, cursam com redução da massa e função musculares, além da capacidade aeróbia.

Nossos achados sugerem ainda que a inibição da Miostatina pode ser considerada uma terapia promissora para impedir ou revertar o desenvolvimento do fenótipo não saudável em indivíduos obesos, porém futuras investigações merecem contemplar os potenciais efeitos adversos não tradicionais desta terapia em outros órgãos e sistemas assim como verificar o custo-benefício da implementação de tal terapia para a prevenção de distúrbios metabólicos na obesidade

Finalmente, seria interessante a investigação de outros potenciais fatores que sabidamente influenciam as variáveis-desfecho de nosso estudo, tais como a função endotelial; estresse oxidativo; composição, tipagem e distribuição de fibras musculares; arquitetura muscular; infiltração de tecido adiposo muscular por tomografia computadorizada e/ou ressonância magnética; entre outros. Ademais, é de fundamental importância que outros estudos investiguem os benefícios da terapia de inibição de miostatina, em longo prazo, nos desfechos clínicos abordados neste estudo.

Novas pesquisas também se fazem necessárias para verificar se os achados de nossos estudos são válidos para a população idosa e/ou fisicamente ativa. Além disso, seria altamente relevante e desejável que ensaios futuros investiguem tais associações em resposta a treinamentos aeróbios e resistidos especialmente delineados para a população obesa e, sobretudo, naqueles com distúrbios metabólicos associados.

ANEXO I

ANEXO III