CHAPITRE 2 Sciences du système Terre 19
4. Les missions spatiales et leurs spécificités
Boa tarde, Dissertação. Tive um dia normal, semana de provas na escola e uma demanda de trabalho gigantesca. Acredita que é nos momentos que chego em casa e que estou diante de ti que esqueço de todos os problemas relacionados a alunos, notas, correções...
Nunca imaginei dizer isso, que seria agradável estar fazendo um mestrado. Talvez porque esteja chegando ao fim. E quando a gente sabe que se aproxima, a sensação é de tentar se livrar e ao mesmo tempo de alívio por ter conseguido chegar até aqui de uma maneira consciente. Ontem postei nas minhas redes sociais uma foto nossa com a legenda: “Tá acabando e tá ficando linda!”, muitos comentários e curtidas. Ei, tem uma galera ansiosa para a sua defesa.
O fim, nesse caso se torna algo agradável, alívio e sensação de que consegui cumprir com os prazos e com ao que de fato me propus. Poderia ter sido melhor, claro que sim. Mas, eu sou do tipo de pessoa que entende os processos de vida, e diante dos meus, passar por esse mestrado foi algo transformador. Conheci a história de Natália, analisando minuciosamente cada documento, e trago agora as análises dos últimos momentos e acontecimentos de sua vida e como isso foi introduzido no processo criativo transformando-se em cena.
121 Nas três páginas do portfólio que foram analisadas, apresento, independente da ordem de acontecimentos, os três últimos momentos de Natália registrados por meio de fotos. Por elas serem os derradeiros registros em vida, estão carregadas de um sentimento pesado e ao mesmo tempo faz a gente refletir sobre o quanto tempo de vida nós temos e o que nós estamos fazendo para aproveitar o máximo, visto que, o amanhã é incerto demais.
Figura 43 – Portfólio 2: Última Feira de Ciências
Fonte: Arquivo pessoal do autor, 2019.
Natália ao centro, do lado esquerdo temos Janna, uma de suas melhores amigas e à direita, Valquiria. Estão vestidas com uma camisa branca com a seguinte informação “crimes do coração”. As três estão de luvas, Natália de máscara, analisando e/ou explicando algo relacionado ao coração. Foi a sua última Feira de Ciências e, como sempre, ela está no centro, liderando. Uma de suas grandes paixões foi a medicina, na qual ela tinha um sonho de se formar, no campo da cardiologia.
Lembro que ela enlouqueceu para que o pai dela conseguisse um coração de algum animal morto para que ela pudesse explicar melhor as funções e exemplificar na prática o que ela sabia na teoria.
122 Figura 44 – Portfólio 2: Último Natal
Fonte: Arquivo pessoal do autor, 2019.
O Natal sempre foi uma tradição na família Miranda Teixeira. Todos os anos nos reuníamos no que ficou conhecido em Coroatá como “Pomar dos Teixeiras”, que de pomar não tem nada. Natália e suas primas reuniam-se para elaborar os rituais de passagem dessa festa tradicional.
Na imagem podemos vê-las, próximo ao microfone com folhas nas mãos. Natália de calça preta e blusa azul. Acredito que elas foram as cerimonialistas desse Natal.
Figura 45 – Portfólio 2: Última brincadeira registrada
123 O esporte preferido de Natália era o futebol. Ela costumava dizer que era sempre a artilheira de todos os jogos. A foto registrada foi em um evento de comemoração do aniversário do comercial São João, na cidade de Codó. Natália fez três gols. Essa pode ser considerada a última brincadeira em que estavam a família e os amigos reunidos. Lembro que tinha um carro de som, fazendo o comentário da partida e a todo instante o nome dela era citado pelo locutor, principalmente quando ela fazia um gol.
As três imagens acima, além de serem projetadas nas últimas cenas do espetáculo, serviram de base para a discussão sobre a finitude da vida física. Levei- as para a sala de ensaio e discutimos sobre a morte enquanto única certeza dos seres humanos. A partir dessa discussão, nós propomos um dinâmica, utilizando o tempo ou a falta dele. Propus uma pergunta: Se você tivesse pouco tempo de vida, o que você faria?
Tínhamos que responder essa questão de uma maneira poética, então construímos cenas individuais e/ou diálogos. Usamos como estímulo sonoro dois temporizadores de cozinha, serviu também como um estímulo de tempo. Estipulamos que as cenas deveriam parar assim que o temporizador parasse, e houvesse uma suspensão do tempo. Essa dinâmica foi se estruturando, e fomos inserindo os útimos acontecimentos da vida de Natália descritos no seu último diário.
Figura 46 – O último diário
124 Diário no tamanho de 10cm, capa com desenhos coloridos e com uma tranca. Foi o primeiro diário que li, e a partir dele é que surge o primeiro impulso para contar essa história por meio do teatro. A cada página lida, eu pensava em como estruturá- la ou transformá-la em cena, e muitas ideias desde o início do processo surgiram, porém, levar as páginas de forma original sempre foi uma certeza, pois ao ler cada palavra, muitas sensações relacionadas com o tempo surgiram.
Esses documentos, que são os últimos registros dela, tem uma carga emocional gigantesca. Por exemplo, o último dia em que Natália escreveu nesse diário é 08/01/1999. Cinco dias depois, aconteceria o trágico acidente que mudaria completamente a vida de todos.
É inevitável, diante de uma pesquisa dessas, que tem a memória como base das discussões atreladas ao processo criativo, que não se pense sobre o tempo. O tempo que falo aqui está relacionado à vida, ao tempo de vida dos seres humanos, a um tempo cronológico, relógio, dos minutos, do passado presente e futuro. A cada página lida, um dia a menos, e quanto mais as datas, marcadas nas páginas desse diário, ia se aproximando do dia do acidente, mais o meu corpo ia reagindo de uma maneira estranha, pois eu sabia o que iria acontecer no dia 13/01/1999.
Quando me deparei com o restante das páginas não escritas do diário me questionei: O que ela fez nos seus últimos cinco dias de vida? Por meio de cálculos matemáticos, fazendo um trocadilho com sua paixão por professores de matemática, demos mais tempo de vida à Natália, e projetamos em cena, um futuro que nunca existiu.
Sabe, Dissertação. Eu tenho muito medo da solidão, bem mais, tenho da morte. Já me questionei inúmeras vezes para onde vamos quando morremos. Se existe céu, inferno ou purgatório. Se existe Deus e Diabo. Acredito em uma força superior, que está acima de nós. Acredito nas bençãos e no universo conspirando para que a gente viva um dia de cada vez. Acredito na energia de Natália que está lado a lado comigo sempre!
Parafraseando-a, construímos uma cena em que sentados em cima dos dois oratórios e falamos a frase que dá título ao espetáculo “Quando eu não mais existir...”. Acrescentando após as reticências onde podem nos encontrar quando não mais estivermos neste plano, nesta dimensão.
125 ...procure-me nessa escrita e descubra que uma dissertação de mestrado pode nos transformar enquanto seres humanos.
Quando eu não mais existir, procure-me no amor e em todas as suas manifestações.
Quando eu não mais existir, procure-me entre vida e morte, e perceba que todo ser humano passa por processos que podem ser criativos.
Quando eu não mais existir, procure-me nas memórias de um menino abençoado por uma santa e guiado pelo universo.
Quando eu não mais existir procure-me nas flores, pois elas preenchem o meu corpo e a minha alma.
Esta dissertação é para a posteridade, ou para quando eu não mais existir! NATAL-RN, 03/07/2019.
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4 ATESTADO DE ÓBITO – UM POSSÍVEL FIM PARA A CONTINUIDADE DA
VIDA
“Eu tinha acabado de trazer minha moto para Natal e eu só sabia andar pelo mesmo caminho dos onibus. Um dia fiz um percusso diferente, quando percebi estava na rua do centro espírita onde minha orientadora (Larissa) frequenta. Há dias ela dizia para eu ir lá conversar e conhecer a doutrina que ela faz parte. Resolvi enconstar e ficar um pouco por lá. Quando estava estacionando a moto, uma mulher que tinha acabado de estacionar o seu carro, saiu de dentro e gritou: “Socorro! Ladrão... ladrão!”. Eu tirei o capacete e tentei acalmar a mulher que gritava explicando que eu só estava indo ao centro espírita. Um carro que passava na hora, para no meio da rua na minha frente, desce um homem armado e aponta a arma para mim. Nelinha, a médium do centro, saí e diz: “Ele é daqui! Ele é daqui. Não se preocupe, meu filho, nada vai acontecer com você!”. Eu entrei, a mulher parou de gritar e o homem foi embora. Tentando me alcamar, Nelinha, vira-se para mim e diz: “Meu filho, era para acontecer isso que acabou de acontecer. Mas nada ia atingir você, nenhuma bala daquele revolver, porque existe uma luz que te guia e te abençoa. Eu pude ver essa luz e é algo muito bom. Acredite nela!”. (Quarta Permissão)
127 E foi assim que me permiti chegar até aqui, percebendo em cada situação, desde de criança, onde encontrar a permissão de Natália, que já havia sido me concedida há muito tempo! Eu só não conseguia enxergar. Talvez, Dissertação, um dia eu tenha a permissão dela da maneira que eu quero, por enquanto esta sensação de felicidade basta!
Figura 47 – Atestado de óbito
Fonte: Arquivo pessoal do autor, 2019.
Óbito nº 20.477. Certifico que as folhas 273 do livro numero 18-c de registro de óbitos foi lavrado o assentamento de Natália Cecília Miranda de Sousa Teixeira falecida aos 23 dias de janeiro de 1999 às 16:20horas, em Hospital São Luis – Maranhão, de sexo feminino, cor parda, profissão estudante, natural de Caxias- maranhão, estado civil solteiro com 14 anos de idade, domiciliado em travessa da mangueira nº380-coroatá – MA. Filha de Hanilton Miranda de Sousa Teixeira e de Josineide de Sousa Teixeira. Foi declarante Cenidalva Miranda de Sousa Teixeira, sendo o atestado de Óbito firmado pelo Dr. Jonas Ferreira Santos, que declarou como causa da morte Endema Cerebral, Hemorragia Intra Craneana, Traumatismo Craneo Encefálico, o sepultamento foi feito no cemitério de Coroatá-Maranhão. O referido é verdade e dou fé, São Luis, 25 de Janeiro de 1999.
128 O carro era modelo caminhonete cabine dupla. Vinham 7 pessoas: o motorista, Júnior (Primo) na frente e atrás as primas Juliana, Luana, Carol, Camila e Natália. Só havia cinco cintos de segurança.
Eles estavam passando as férias de janeiro de 1999 na cidade de Codó-MA, e retornavam a Coroatá-MA. Poucos minutos após sairem de casa, Carol esqueceu algo e pediu que voltassem até sua casa para buscar. Nesse primeiro momento quem vinha sem o cinto de segurança era Carol e Camila, porém na volta Natália pediu para vir na janela, ou seja, sem o cinto. Em uma curva, quase chegando à cidade de Timbiras- MA, a caminhonete estourou o pneu e capotou 3 vezes.
As duas meninas que vinham sem o cinto sacaram pela janela. Os moradores próximos à estrada, que viram o acidente, relatam que as meninas que foram lançadas para fora do carro, pareciam duas toalhas molhadas voando. A Camila, ficou com a cabeça presa entre duas pedras, os olhos sacaram do globo ocular, ela quebrou o pescoço, morreu na hora.
A Natália, bateu a cabeça em um sinalizador de estrada. Com tanta dor, urinou- se. As pessoas correram para ajudar, chamaram a ambulância, mas não chegou nenhuma. Elas foram levadas até o hospital em um carro com uma carroceria. Demorou bastante tempo até Natália ser hospitalizada. Os outros passageiros tiveram alguns ferimentos. Estavam de cinto. O motorista fugiu, abandonando o local do acidente e só apareceu após 24horas.
Quando decidi que ia analisar os documentos que comprovam a existência e a ausência de Natália, logo pensei na certidão de nascimento e no atestado de Óbito. Pensando na comprovação material e física de vida e morte, ambos os documentos se fazem importantes enquanto registro. Porém, a morte física não é a grande questão. Até porque, sinto que estou gerando uma vida, estou mantendo viva mais uma vez Natália, agora enquanto memória.
Mas quando penso na morte física e sobre as informações que não estão contidas neste documento oficial, senti a necessidade de ir mais a fundo sobre o acontecimento trágico. Não para dar um peso a esse ponto, mas para entendermos que as informações contidas nos documentos oficiais não são completas, e que por trás existem outras informações, que para essa pesquisa se tornam importantes, pois podem se transformar em material poético.
129 O que eu acabo de recontar é uma história oral que me foi contada por partes. E que no processo criativo, assim como na cena, também é apresentada dessa maneira. Logo no início do espetáculo, nós dançamos o primeiro relato do acidente, da maneira que eu ouvi a minha vida inteira, sem muito detalhe. No final, retornamos a essa cena tentando dançar os detalhes que eu só consegui saber quando fui até o local do acidente atrás de mais informações.
Dona Maria foi uma das socorristas que na época morava próximo ao local do acidente. Foi ela quem retirou a cabeça de Camila dentre as pedras, e empurrou os dois globos oculares para dentro do rosto, quem ajudou a colocar Natália na carroceria de um carro qualquer, quem amarrou os ferimentos da cabeça de Júnior com sua blusa branca e quem ficou para prestar depoimento à polícia na época do acidente. Dez dias após o acidente, ela descobre que Natália havia morrido.
A Dona Maria me contou essa história, quase a vivenciando novamente. Em alguns momentos, fechou os olhos na tentantiva, alcançada com sucesso, de lembrar de cada detalhe. Eu a entrevistei em junho de 2018, tirei fotos, gravei o depoimento. Mas ele se perdeu. Voltei em dezembro do mesmo ano, mas ela havia ido embora da cidade de Timbiras. Acredito que nunca mais irei encontrar aquele sorriso humilde e honesto, a força e a coragem daquela mulher negra. Onde você estiver, Dona Maria: Gratidão!
Volto do Maranhão com os detalhes dessa parte trágica, entro em sala de ensaio com duas toalhas, dois baldes cheios de água e pedi para que usássemos pouca roupa. Retomamos as partituras coreográficas já criadas, só que agora tínhamos duas toalhas molhadas e todas as sensações já vivenciadas foram duplicadas. A sala gelada por conta do ar-condicionado, a água fria molhando nossos corpos, a história contada e recontada foram o impulso para adentrarmos completamente em sensações jamais vivenciadas e tão fortes.
Nós narrávamos a história e todos os detalhes descobertos. À medida que íamos dançando, as partituras modificavam-se, pois, as sensações e as toalhas molhadas levaram o nosso corpo a um lugar novo e pouco vivenciado no processo. De todos os documentos que transformamos em cena, muitos deles, de uma maneira direta, esse foi diferente. Talvez por conta da carga emocional que está atrelada ao documento, talvez pelos detalhes e a maneira como o acidente tenha acontecido,
130 talvez porque esse seja o final da vida física de Natália, e contá-lo foi e sempre será um desafio para nós que fazemos e para quem assistir.
Caro leitor, agora converso diretamente com você. Eu e as minhas manias de sempre estar conversando com alguém. Assim, engano um pouco a solidão que invade o meu ser em momentos poéticos e afetuosos. Mesmo não o conhecendo, quero dizer que se você chegou até aqui é porque essa história que acabo de te contar fez e faz algum sentido para você.
Desde quando entrei no mestrado, eu queria tornar esta escrita diferente. Na verdade eu tinha medo de seguir as regras tradicionais da escrita e não saber construí- las da maneira correta. Pode ser que eu não saiba ainda, mas está sendo da minha maneira, com o meu coração e toda a minha honestidade. Eu só não quero que esta dissertação seja mais um trabalho depositado nos arquivos da pós-graduação ou que irá preencher as prateleiras da biblioteca do departamento de Artes da UFRN. E mesmo que ela tenha esse destino, quero que as pessoas a peguem, não somente para fins acadêmicos, mas para sorrir, chorar, se arrepiar, se surpreender, conhecer o meu processo criativo e todos os resultados dessa jornada, que não tem um fim.
Por todas as questões inerentes a esta escrita e a esta história, esta dissertação não se finda nestas páginas. O processo de construção poética do trabalho “Quando eu não mais existir...” não se encerra nas cenas até então configuradas, mas irá se desdobrar em algumas outras cenas a serem experienciadas. Quero que você entenda que este momento da escrita se faz necessário, pois todo trabalho científico precisa concluir uma ideia. Entretanto, quero entender este momento como possíveis sínteses inconclusas.
O fim da escrita está registrado aqui, assim como a nossa morte é registrada em um atestado de óbito, entretanto, esta pesquisa é apenas um começo para futuros aprofundamentos. Por isso, caro leitor, entendamos esta parte como possíveis considerações finais ou a últimas páginas ainda a serem escritas.
Nossa pesquisa iniciou pelo nascimento. A “santa” Natália, nasce enquanto ideia, religiosidade e adoração. Mesmo não sendo considerada pelos orgãos religiosos com tal título, os moradores da cidade a nomearam assim, pois relatos de muitas pessoas comprovam que seus pedidos sempre são atendidos. Falo do nascimento após a morte, da ideia de renascer, de dar vida e voz a essa história escrita em sua grande parte pela própria Natália.
131 O meu nascimento enquanto artista foi importante para chegarmos até aqui. Nele coseguimos identificar de onde surge toda a vontade e impulso para contar histórias, no mundo das Artes Cênicas, utilizando-se de histórias reais documentadas. Toda a minha bagagem de conhecimentos e as minhas vivências nos processos dentro e fora da universidade me ajudam a chegar a possíveis resultados, alguns diferentes dos já vivenciados em outros momentos.
Eu acredito que o artista acaba por assumir características nos seus trabalhos, que o torna reconhecido e autêntico. Trabalhar com a história real não é somente um impulso, torna-se uma necessidade, pois encontrar no outro a minha história move a mim enquanto artista. E, quando esse encontro está atrelado às memórias, é somente a cereja que faltava por todo o bolo.
Pegue uma foto antiga, de preferência que você esteja nela. Melhor, tire uma foto, caro leitor, guarde-a por um tempo. Faça isso agora! No momento em que você lê isso aqui. Veja, guarde-a por um tempo e depois reveja. Entenda um ponto da sua memória na prática. Recordar, lembrar. A fotografia é só um artifício para pensarmos na memória de uma maneira mais direta e mais clara. É o momento congelado, o tempo interrompido, fixado quimicamente em uma superfície fotossensível. É somente um papel que pode ser rasgada ou uma tela digital em que pode ser apagada. Mas acima de tudo é memória, é vida, mesmo parada no tempo.
Quando abri o baú, muitas sensações invadiam o meu corpo. Eu me arrepiava a todo instante em cada leitura, cada descoberta, só pelo simples fato de ter sido escrita por alguém que já morreu. Eu lia e a imaginava escrevendo. Eu olhava e imaginava o momento em que ela estava tirando suas fotos. As páginas estavam repletas de sentimentos, bons, ruins. As cartas denunciavam os momentos vividos em cada linha escrita. Mesmo não a conhecendo e nem vivenciando muitos dos momentos com ela, eu conseguia sentir e imaginar o que possivelmente ela estava sentindo.
Entender a pontência de todos esses documentos rememorando-os nos dias atuais, procurando relações, transformações, discussões foi e é o combustível para a minha criação cênica. Nem tudo foi transformado em cena, mas muito foi posto da