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FONDEMENTS THÉORIQUES

Section 2. Les capacités

5. Les microfondations des capacités

O clima futuro, será mais ou menos alterado, dependendo das emissões de GEE no mundo. Sem mudanças drásticas nos hábitos actuais de produção e consumo de combustíveis fósseis, a tendência de subida nas emissões globais de GEE e o consequente aceleramento do aquecimento global irão continuar.

Aliás, ainda que as emissões de GEE diminuíssem e as concentrações na atmosfera estabilizassem, o aquecimento e a subida do nível médio do mar de origem antropogénica, continuariam durante séculos, devido aos tempos de resposta lentos associados a muitos processos climáticos, com realce para os que têm lugar nos Oceanos (CAC, 2009).

Para se obterem previsões do clima futuro são usados cenários climáticos, que resultam de modelos do sistema climático, que simulam quantitativamente, as interacções da atmosfera, oceanos, superfícies continentais e gelo. As projecções destes modelos, efectuadas habitualmente até 2100, baseiam-se em cenários de emissões de GEE, que, por sua vez, se obtêm a partir de cenários socioeconómicos (evolução da economia, evolução demográfica, social e tecnológica), apresentando pois incerteza. Além disso, embora simulem de forma bastante razoável o clima a nível global, tornam-se a nível regional ou local, mais imprecisos. As incertezas dos cenários climáticos encontram-se, também, relacionadas com o facto do conhecimento sobre os processos climáticos ser ainda insuficiente (IPCC, 2007).

Nos seus relatórios, o IPCC adoptou uma terminologia para classificar as suas conclusões numa escala de fiabilidade: praticamente certo (mais de 99% de probabilidade de um resultado ser verdade); muito provável (90 a 99%); provável (66 a 90%); probabilidade média (33 a 66%); improvável (10 a 33%); muito improvável (1 a 10%) e excepcionalmente improvável (menos de 1%) [IPCC, 2007].

Os cenários sócio-económicos habitualmente usados são os do Special Report on Emission Scenarios (2000) - SRES, do IPCC, que se baseiam em quatro tendências possíveis e internamente coerentes e desenvolvimento sócio-económico – A1, A2, B1, B2 - e que incluem de forma integrada, histórias do comportamento futuro de factores demográficos, sociais, económicos e tecnológicos (PECSAC, 2009).

De acordo com os cenários SRES do IPCC (2007), a Terra irá aquecer entre 1,4 e 5,8 º C ainda neste século, o que, originará, uma subida do nível dos mares entre 18 e 59 cm. Os resultados alertam para um aumento médio global das temperaturas entre 1,8ºC e 4,0º C até 2100. Esse aumento pode ser ainda maior (6,4ºC) se a população e a economia continuarem a crescer rapidamente e se for mantido o elevado consumo de combustíveis fósseis. A estimativa mais consensual refere um aumento médio de 3ºC, assumindo que, os níveis de CO2 se estabilizem em 45% acima da taxa actual.

Os aumentos de temperatura far-se-ão sentir de forma diferente consoante a localização geográfica, prevendo-se que, o maior aumento da temperatura média, se verificará no Hemisfério Norte e em particular no Pólo Norte (IPCC, 2007).

Figura 4– Projecções globais dos aumentos de temperatura à superfície e do aumento do nível médio do mar até ao final do século XXI (IPCC, 2007)

À esquerda: as linhas sólidas são médias globais multimodelo do aquecimento da superfície (relativas a 1980-1999) para os cenários SRES A2, A1B e B1, mostrados como continuação das simulações do século XX. A linha laranja é para a experiência em que as concentrações foram mantidas constantes nos valores do ano 2000. As barras no meio da figura indicam a melhor estimativa (linha sólida dentro de cada barra) e o provável alcance avaliado para os seis cenários SRES em 2090-2099 relativamente a 1980-1999. A avaliação da melhor estimativa e prováveis alcances indicados nas barras inclui os Modelos de Circulação Geral da Atmosfera-Oceano (MCGAO), no lado esquerdo da figura, assim como os resultados da hierarquia de modelos independentes e restrições de observação.

À direita: alterações da temperatura da superfície projectadas para o inicio e final do século XXI, relativamente ao período 1980-1999. As figuras mostram as projecções médias multi MCGAO para os cenários SRES A2 (em cima), A1B (no centro) e B1 (bem baixo) calculados ao longo das décadas 2020-2029 (esquerda) e 2090-2099 (direita).

Figura 5– Projecções de Temperatura à Superfície (Adaptado de IPCC, 2007)

Na Europa as projecções sugerem aumentos da temperatura superiores aos projectados para o aquecimento a nível global, com valores entre 1,0 e 5,5 º C, até ao final do século. Prevê-se, também, o aumento da frequência de precipitações intensas, em particular no Norte da Europa, e o aumento da duração e maior frequência dos períodos de seca, especialmente no Sul da Europa (EEA, 2008).

Apesar de ainda não se ter observado uma tendência clara em relação à frequência e intensidade das tempestades, as projecções indicam, a ocorrência futura de tempestades mais fortes e intensas, embora em menor frequência (EEA, 2008).

Para Portugal os cenários disponíveis sugerem um aumento significativo da temperatura média em todas as regiões que, no período de Verão, no Continente, poderá atingir os 3º C, na zona costeira e os 7 ºC no interior. Nas Ilhas estima-se um aquecimento mais moderado, na ordem dos 1 a 2 ºC nos Açores e dos 2 a 3 ºC na Madeira (SIAM II, 2006).

Todos os índices climáticos, relacionados com a temperatura, exibem também alterações do cenário climático. Prevê-se o aumento significativo do número de dias quentes (temperatura máxima superior a 35ºC) e de noites tropicais, enquanto são esperadas reduções em índices relacionados com o tempo frio (e.g. dias de geada ou dias com temperaturas mínimas inferiores a 0ºC) [SIAM II, 2006].

A incerteza do clima futuro é, substancialmente, maior no que se refere à precipitação. Contudo, quase todos os modelos analisados prevêem uma diminuição da precipitação em Portugal Continental durante a Primavera, Verão e Outono. Um dos modelos de clima prevê para o Continente diminuições da precipitação anual na ordem dos 20% a 40% (devido a uma redução da duração da estação chuvosa), com as maiores reduções a ocorrerem nas regiões do Sul. O modelo regional, com maior desagregação regional, aponta para um aumento na precipitação durante o Inverno, devido a aumentos no número de dias de precipitação forte (acima de 10mm/dia). Para a Madeira estima-se igualmente uma significativa redução da precipitação anual na ordem dos 30%, bem como alterações consideráveis na sua variabilidade inter-anual e sazonal, circunstâncias agravadas pela limitada capacidade de retenção hídrica dessa região. Nos Açores as alterações do ciclo anual da precipitação previstas não têm grande expressão nos valores anuais (SIAM II, 2006). Os diferentes cenários de mudança climática sugerem ainda um aumento do nível médio do mar, bem como um aumento da frequência e intensidade dos fenómenos climáticos e meteorológicos como ondas de calor e secas (SIAM II, 2006).

Figura 6- Projecções de anomalia da temperatura máxima no Verão em Portugal continental (SIAM, 2006)

Figura 7- Projecções de anomalia relativa à precipitação em Portugal continental (SIAM, 2006)