3. Les laxatifs
III. LES ANTIBIOTIQUES
2. Les macrolides, Apparentes aux macrolides et Kétolide
Ilana Lowy afirma que a luta contra a febre amarela no Brasil fez com que, em torno de 1910, os especialistas brasileiros tivessem adquirido os mesmos conhecimentos sobre a transmissão da doença, que os melhores especialistas da França, Inglaterra, Alemanha ou Estados Unidos, prevaleceram-se “de uma longa experiência prática nessa doença” (2006, p. 15). As campanhas de erradicação eram bem sucedidas, pois refletia este conhecimento que circulava não somente entre os especialistas, mas também entre os médicos encarregados pelos serviços sanitários nas diferentes regiões do país.
No Brasil, temos os estudos de Adolpho Lutz que na década de 1880 já especulava sobre o papel dos insetos sugadores de sangue na transmissão de doenças.39 Enquanto diretor do Instituto Bacteriológico (1893-1908), Lutz ao
realizar pesquisas sobre a malária, começou a investigar a distribuição dos
Culex e Anopheles no país (Benchimol & Sá, 2006). Trabalhos que servirão de
referência para outros que vão enveredar pela entomologia no Brasil. Lutz e Francisco Fajardo participavam ativamente das pesquisas sobre os insetos, acompanhando e colaborando com as coleções de insetos para o Museu Britânico, que tinha uma rede mundial para a coleta de mosquitos que compunham a entomologia médica. A rede de coleta de mosquitos também se deu no país, quando Lutz contou com a colaboração de colonos alemães e suíços para procurar os insetos, e foi deste modo que encontrou as larvas de mosquitos em água de bromélias (Benchimol & Sá, 2006, p. 34).
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Em 1901, Oswaldo Cruz publicou um estudo sobre os Anopheles no Rio de Janeiro, Contribuição para o estudo dos culicidios do Rio de Janeiro. Ele estudou alguns focos de malária nos arredores da capital e encontrou um tipo não descrito por Giles em A handbook of the gnats or mosquitoes, de 1900. A suposta espécie nova que encontrou e a batizou de Anopheles lutzii, em homenagem a Lutz.
Carlos Chagas, mais conhecido pela descoberta do ciclo completo da doença designada com seu nome, também foi um dos cientistas brasileiros que se ocupou da malária. A sua tese40, defendida em 1903, traz reflexões sobre a
hematologia em malária, e para isto faz experimentos com pacientes de hospitais do Rio de Janeiro. Os seus experimentos colocam mais “areia” na discussão sobre a existência da malária na capital federal, o que as suas análises mostram é que os casos de impaludismo não eram da zona urbana, mas de áreas suburbanas ou de fora da capital. Sobre epidemiologia da doença no Brasil, diz que as formas mais graves estão na Amazônia, assim como no vale do rio São Francisco, em outras regiões do país, as formas variam entre benignas e graves41. Porém, diz que ainda falta mais investigação sobre os anopheles infectados e os tipos morfológicos da doença nas regiões endêmicas, a fim de estudar as transformações do hematozoário.
A tese de Chagas42 valoriza o laboratório como um novo instrumento para a clínica médica, sendo que um não deveria existir sem o outro. Chagas entendia que o laboratório poderia esclarecer os confusos diagnósticos das doenças tropicais: 40 = / . 0 Y ? ?3 ?=? " , NNNL 3 41 ?3 $ "# ; ' 2 ' ' ( @ 2 # "# ' 0 " ' T 3 4 6 > ' + *: 42 ? ?3 $ H 2 $ ' H ; ' C 2 - 3 2 . 6 3 I 7.' *' 9 :
A clínica recebe todos os dias do laboratório valiosíssimos subsídios na tarefa do diagnostico etiológico. Mais ainda, o laboratório representa em nossa terra uma esperança. Dele esperamos esclarecidos os inúmeros problemas de patologia tropical, que por aí prevalecem obscuros, zombando da sagacidade dos observadores e cujas incógnitas estão repletas das ilações as mais benéficas ao nosso bem-estar (1903, p. 11).
As experiências laboratoriais de Chagas representaram uma mudança no modo de entender a malária, passou de “febres palustres” para uma doença parasitária. Defendia que o critério para classificar a doença não deveria ser definido pelos sintomas das febres, e sim pela forma e tipo do parasito (Kropf, 2006). O laboratório como um importante aliado da clínica e do diagnóstico das doenças parasitárias também vai ser defendido pelo médico Alfredo da Matta, neste período, quando justificava a compra de equipamento para os laboratórios locais que dariam suporte para o combate da febre amarela e malária, duas das principais doenças que assolavam estrangeiros e nativos na cidade de Manaus.
Carlos Chagas escreveu um trabalho sobre a Profilaxia do Impaludismo, publicado em 1906, onde destaca que a teoria do culicídio “constitui uma das mais benéficas conquistas da medicina moderna” (1981, p. 784). Porém, afirma que ainda não se conhece a distribuição das anophelinas no país, destacando o estudo de Goeldi no norte e de seus próprios estudos, juntamente com Neiva, em Minas Gerais. Lamenta, ainda, a falta de conhecimento sobre a biologia e os hábitos dos mosquitos transmissores da malária, pois destes dependem a luta anti-palúdica mais eficiente. Como exemplo cita o estudo de Lutz sobre a
reprodução do mosquito43 nas bromélias, explicando a presença da doença em
regiões mais altas.
O cientista brasileiro defendia a profilaxia a partir de dois princípios: “impedir que o homem doente contamine o culicídio transmissor, evitar que o
culicídio parasitado infecte o homem são”. A partir disto, a profilaxia seria anti- culicídica, quando se refere ao mosquito e germicida, quando se refere ao
hematozoário (grifos do autor, Chagas, 1981, p. 805). Argumenta, a partir disto,
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que antes de tudo é necessário que um especialista realize estudos sobre os
anophelinas, procurando identificar as espécies e buscar informações sobre a
sua biologia44. Para o estudo das larvas é necessário, argumenta o cientista, que se tenha conhecimento de hidrografia. Do mesmo modo, deve-se realizar o estudo dos hematozoários em reservatórios possíveis como em crianças e
antigos impaludados. Ainda sugere que os exames de esplenomegalia45
colaboram para a determinação do caráter endêmico de uma região, possibilitando o isolamento dos casos “perigosos”. Defende ainda um estudo sobre os hábitos de trabalho e moradia da população, pois isto determina as formas de proteção contra o mosquito. As recomendações, porém, alertam para a generalização nas ações de profilaxia porque cada região buscará a sua forma específica de agir.
Em relação à profilaxia anti-larvária, Chagas observou que esta somente pode ser aplicada em um campo limitado, onde se pode ter o controle das águas, por isso, uma campanha anti-palúdica não deve se limitar apenas ao combate das larvas. Sugeriu o controle natural através do peixe barrigudinho que come as larvas, método que já tinha sido experimentado no combate à febre amarela no Rio de Janeiro. Com relação à destruição dos culicídios alados, Chagas defende que a fumigação deve ser realizada somente no interior das casas, pois é onde o mosquito vai buscar o seu alimento, podendo permanecer vários dias esperando a maturação dos ovos. Esta observação sobre os hábitos do mosquito era importante, pois definia a estratégia profilática em termos práticos.
Arthur Neiva deu uma importante contribuição à profilaxia química contra a malária que foi a hipótese sobre a resistência do parasito à quinina. A idéia surgiu a partir das observações realizadas em Xerém, em 1906, no Rio de
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Janeiro, quando foi responsável pela profilaxia da obra de captação de água que se realizava naquela localidade. Observou que as doses que eram aplicadas frequentemente já não eram mais suficientes para combater o impaludismo; também observou que as pessoas contraíam a doença quando cessavam de tomar as doses de quinina quando retornavam á cidade (1941, p. 39). A partir destas observações, Oswaldo Cruz também descreveu o mesmo fenômeno na sua viagem à Madeira-Mamoré.
Neiva explicou como chegou a estas conclusões da seguinte forma:
Ao começar a profilaxia, o número de infectados era grande; e iniciada a quininização, facilmente se debelou o parasito entre a população operária. Com o correr do tempo e com a chegada das famílias dos trabalhadores que se iam infectando aos poucos, porquanto não estavam submetidas á quininização, as anofelinas transmissoras, alimentando-se, ora nos habitantes que representavam os depositários dos vírus, ou nos reconchegados não quinizados ou ainda, nos operários quinizados de 3 em 3 dias, e que por isso possuíam, o sangue em variável grau de riqueza quínica, dependente das horas decorridas da ingestão do alcalóide, criaram para os hematozoários uma oportunidade de adaptação, que terminou por lhes dar a resistência que os capacitou, através de gerações, a se diferenciarem claramente em raças resistentes á quinina.” (1941, p. 43).
Em texto de 1940, Neiva faz uma leitura retrospectiva sobre a experiência de Xerém, concluindo que aquele trabalho representou um “vasto campo de observações e de experiências”. Trabalhos como o de Xerém e de outras obras em que se executaram trabalhos de profilaxia, serviram para que o Instituto Oswaldo Cruz colocasse em prática os conhecimentos teóricos, experimentassem medicamentos, e também procurar espécies novas que tivessem relação com as endemias nacionais (Thielen et all, 2002; Lima, 1999). Foi em um destes trabalhos de profilaxia em um canteiro de obras da Estrada de Ferro Central do Brasil que Chagas identificou o inseto “barbeiro” como transmissor de uma nova doença.46
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Doenças como malária e febre amarela estavam estabelecidas como doenças parasitárias, nos primeiros anos do século XX, trazendo como conseqüência a necessidade em se conhecer os hábitos e a biologia dos mosquitos e uma necessidade prática que foi a profilaxia direcionada ao combate dos insetos. A Amazônia, palco privilegiado das doenças tropicais, serviu de campo de estudos e de experimentação para entomologistas, parasitologistas e médicos que buscavam compreender os aspectos ambiental- ecológicos, etiológicos e terapêuticos destas doenças.
1.6 A Malária e a febre amarela como questões locais – a ciência nos