2. La détermination de la valeur économique d’un habitat faunique
2.2 Méthodes de détermination de la valeur économique d’un habitat
2.2.2 Les méthodes basées sur les marchés réels
Os dados e as análises que constituem este trabalho foram fundamentados no ensejo de pesquisar sobre crenças linguísticas em relação a variedades de imigração presentes no oeste catarinense, configuradas, neste cenário, como línguas minoritárias. Conforme o leitor acompanhou ao longo da discursividade deste trabalho, o enfoque foi em uma variedade de italiano presente em Coronel Freitas, e Alemão em São Carlos.
Assim, a proposta do trabalho foi descrever e analisar crenças de indivíduos bilíngues nas duas comunidades e relacioná-las, para uma maior compreensão deste fenômeno enredado de aspectos linguísticos, históricos e psico-sociais. Porém, como já apresentado em um dos objetivos que norteiam este trabalho, uma questão que buscamos investigar é crenças linguísticas sobre bilinguismo infantil entre um grupo de informantes docentes.
Este grupo foi uma célula que criamos para suprir um dos objetivos de pesquisa deste trabalho, que para tanto, buscou informantes que não sejam membros bilíngues das duas cidades alvo desta pesquisa. Houve a participação de quatro pedagogas que atuam na educação infantil. Duas informantes são colegas e têm contato com crianças haitianas, na rede pública de educação. As outras duas informantes, também colegas de trabalho, atuantes da rede privada de ensino, tiveram contato com crianças falantes de alemão.
Os dados com este grupo foram levantados através de entrevistas constituídas por cinco perguntas oriundas do questionário de crenças aplicado para os bilíngues teutos e ítalos. Enquanto que para os bilíngues as perguntas foram aplicadas nas variedades minoritárias, para os informantes docentes, aconteceram na variedade do português falado em Chapecó.
Esclarecemos, todavia, que o objetivo maior desta parte da pesquisa não é enfocar em um direcionamento cujo cunho seja a Linguística Aplicada, noção esta que poderia ser induzidamente criada ao leitor. Não nos propomos a isto, pois tal temática indubitavelmente carece de uma maior atenção e profundidade, que por questões de objetivos propostos para este trabalho, e consequente aspectos metodológicos, não cabem aqui.
Assim, esta parte do trabalho traz uma suscinta noção, descrição e análise sobre crenças deste grupo de docentes, que abordaremos como um grupo de controle na configuração deste trabalho, pois docentes são antes cidadãos e pertencentes a uma sociedade que lapida, através de convenções, valores e crenças de seus membros.
A primeira pergunta era se achavam importante que os filhos aprendessem a língua falada em casa, pelos pais. Nesta pergunta, os quatro informantes se posicionaram a favor deste processo, e dois deles realçaram os benefícios da plasticidade do cérebro da criança, noção esta já apresentada como benéfica por Ramirez e Gibbons (2004), que a mencionam como "flexibilidade cognitiva", que é um solo fértil para aquisição de mais de uma língua. Neste sentido, uma das informantes explana este posicionamento ao afirmar que:
Penso que é fundamental, é muito muito muito importante que a criança aprenda uma segunda língua sim, principalmente desde pequenininha porque a gente sabe que de acordo com estudos, é nos primeiros anos que se formam mais conexões, mais sinapeses alí que permitem com que a criança aprenda mesmo, por isso eu penso que quanto antes aconteça o contato com uma segunda língua, melhor, né porque vai ser mais fácil, é uma terra mais fértil ainda... o cérebro da criança, quanto menor, melhor. Por isso penso que além do português é muito importante que as crinanças aprendam uma outra língua, que daí a escolha dos pais, seja qual ela for, mas é uma oportunidade que não pode deixar passar. (professora A) Um segundo motivo, apontado pelas outras duas informantes participantes da pesquisa, foi a relação entre língua, cultura e identidade, como verificamos no depoimento a seguir:
É pela origem, para continuar a tradição, continuar a origem, pra ele é importante também porque ele não vai deixar de lado a cultura dele, que ele já veio com histórico, ele já veio com essa língua, que a lingua materna, a língua original. Então... se ele esquece a língua dele ele tá deixando de lado a sua cultura, deixando de lado a sua origem,a sua cultura e tradição. É importante que ele mantenha sim. (professora B)
Este aspecto foi também apresentado por Baker (2011) que enfatiza a importância da preservação da diversidade, e o quanto a língua está relacionada a questões identitárias dos grupos, por serem elas repositórios de história e cultura.
A segunda pergunta era a respeito da língua estrangeira trabalhada nas escolas. Perguntamos às docentes o que pensavam sobre ter o ensino de outras línguas, além do inglês, e as respostas foram diversificadas: Uma delas disse que pensa que deveria haver sim diversidade de ensino de línguas, especialmente por haver na região descendentes
principalmente de alemães e italianos. Duas docentes, que têm contato com alunos haitianos, pensam que seria bom haver na escola o ensino de francês, para que as crianças brasileiras pudessem ter uma maior compreensão sobre a língua e cultura "do outro". E, referente a esta questão, uma das informantes manifestou que pensa não haver necessidade, de na educação infantil haver ensino de outros idiomas, além do inglês e do espanhol, pois "iria confundir muito as crianças".
A terceira pergunta foi a respeito de Code-mixing. Perguntamos se os alunos misturavam as línguas, e as informantes responderam que se recordam de situações em que isso ocorreu, mas não demosntraram nenhuma preocupação neste sentido, vendo este fenômeno como "prejudicial", ou negativo. Declararam pensar ser esse um processo natural do desenvolvimento das habilidades da nova língua que está sendo aprendida: "As vezes misturam, mas quando forem adquirindo mais maturidade, automaticamente vão diferenciando uma da outra."
Na quarta questão, perguntamos o que pensam sobre os jovens que vivem no Brasil, que possuem pais bilíngues, mas que não aprenderam a língua de casa, e hoje sabem e usam exclusivamente o português. Duas das docentes pensam que isso ocorreu por falta de interesse destes jovens, somado a falta de incentivo dos pais, e as outras duas informantes docentes pensam que seria uma grande perda se estes alunos deixassem de falar o crioulo haitiano, pois isso restringiria suas relações com os membros de seu grupo étnico, principalmente com os que não moram no Brasil.
A quinta pergunta era para que relatassem sobre a experiência de contatos linguísticos na escola, e todas descreveram a experiência como algo estimulante.
A experiência na escola, com um aluno pequeno, que só falava alemão até então, foi uma experiência muito rica, pra mim como docente, pois eu aprendi muito. Eu vejo que esta experiência na escola foi de muita aprendizagem, foi uma rica experiência que oportunizou muitas vivências felizes. Assim, muito aprendizado pra todos, e este uso da língua que não a portuguesa na escola, foi muito tranquilo, porque nunca a falta de conhecimento sobre a língua impediu o convívio das crianças com a professora, com as professoras, nunca foi impecilho...a gente sabe como é criança, criança mesmo sem falar já se comunica, então.... eles dão um jeito, e para nós como docente também. [...] foi muito rica e muito tranquila. Quando trabalhei com esta criança que falava alemão, vinham visitas na nossa sala, de outras turmas, porque as crianças queriam aprender, a língua que eles tinham contato na escola era uma outra língua, era diferente. Palavras que eles conheciam no português, no inglês, no alemão eles viam que era ainda uma outra forma de falar, então esta experiência foi muito feliz, muito rica em aprendizagem. (professora A)
Esta tranquilidade na comunicação entre as crianças durante aquisição de uma nova língua em contexto escolar, e especialmente o interesse voluntário dos colegas em
observar, compreender e vivenciar esta diferença linguística, foi marcante no depoimento das informantes. Observamos este aspecto neste último depoimento que transcrevemos, em que houve a experiência, na escola, de uma criança que falava exclusivamente alemão ao iniciar sua vida escolar, e também no depoimento das docentes que têm experiências com crianças que falam o creoulo haitiano. Elas destacaram que esta curiosidade infantil não foi em relação à diferença física (a cor, por exemplo, diferente dos afro-descendentes com quem elas têm contato no Brasil), mas que as crianças ficavam intrigadas e curiosas com esta maneira diferente de falar, "queriam falar com ele, ver como era."
Como esta célula não foi integrante do objetivo principal deste trabalho, mas complementar a ele, trazemos aqui algumas breves noções das opiniões manifestadas por este grupo de informantes.
Observamos a partir das respostas durante a entrevista, que há neste grupo uma receptividade ao trabalho com alunos que apresentam diversidade linguística, e que perceberam, através de suas experiências, como estes eventos são estimulantes às crianças através do contato com o novo, com o diferente. Um aspecto central nessas vivências, são que além de oportunizar às crianças contato e conhecimento de um novo sistema linguístico, é a criação de um contexto propício para que o docente trabalhe sobre diversidade linguística com as crianças e fenômenos que nela estão entrelaçados, respeitando, claro, a linguagem e o universo de cada faixa etária. Pois, a escola também é um espaço de formação cidadã e "crenças são construídas através das interações sociais das quais os seres humanos participam ao longo da vida". (Woods 2003 apud Barcellos 2004).