CHAPITRE III : METHODES ET APPROCHES UTILISEES
III.5 L A BASE THEORIQUE DU MODELE PPNT
III.5.6 Les limites de la théorie CFT
daquilo que chamavam “folclore”) como condição para o desenvolvimento do Brasil, tal como entendiam ocorrer em países mais industrializados, na Europa, e tal como entendiam também Lina Bardi e Aloísio Magalhães.
Um dos traços da ideologia defendida por esse grupo era a contestação dos pressupostos formadores da esdi, no Rio de Janeiro, alinhados, por sua vez, à matriz pedagógica e conceitual da Escola de Ulm. Para Julio Katinsky, por exemplo, a esdi era uma escola colonizada, que teria adotado de maneira subserviente e a-histórica pressupostos de Ulm que ele considerava tecnocráticos, na medida em que representavam a subsunção do trabalho criativo aos impera- WLYRVGRPHUFDGR'HDFRUGRFRP.DWLQVN\RTXHVWLRQDPHQWRGD¿ORVR¿DXOPLDQDWDOFRPR HOHDFRPSUHHQGLDWUDWDYDGHUHD¿UPDUD³esperança no mundo contemporâneo, nas imensas
possibilidades que se abrem diante de nós e das novas gerações, para a libertação do homem da opressão’” (katinski apud pereira:: 2009, 177) por meio da técnica e da tecnologia.
A posição prevista para o arquiteto na sociedade, tal como defendiam os professores do Departamento de História da fau, era acusada, pelos seus opositores (dentro da própria fau), de manter uma ligação elitista entre arquitetura e arte, de uma tal maneira que os mantinha afastados da realidade produtiva e urbana do país, ou seja, da grande indústria e dos proble- mas urbanos advindos do crescimento populacional e da modernização/industrialização em geral. Esses opositores eram os professores do Departamento de Projetos daquela escola, que se posicionavam favoravelmente à Escola de Ulm e à esdi, adotando uma abordagem mais téc- nica, funcionalista e pragmática do desenho industrial.
Tratava-se, para esse segundo grupo, de formar o arquiteto-designer para servir às ne- FHVVLGDGHVGDLQG~VWULDHQDFRQMXQWXUDEUDVLOHLUDHVSHFt¿FDDWHQGHUDRSUREOHPDGDUHIRUPD urbana e às demandas por moradias populares que começavam então a ser alvo de políticas públicas, com a criação do Banco Nacional de Habitação (bnh) e do Serviço Federal de Ar- quitetura e Urbanismo (serfhau) em 1964. Segundo Pereira, esta segunda abordagem do de- senho industrial dentro da fau continha dois fundamentos centrais da arquitetura moderna:
O primeiro deles, a utilização de um novo meio para a sua produção, isto é, a máquina, ou a indús- WULD2VHJXQGRRVHXGLUHFLRQDPHQWRDRDWHQGLPHQWRGDVH[SHFWDWLYDVJHUDGDVSDUDDSUR¿VVmR por um novo cliente: as demandas das sociedades urbanas de massa. (pereira: 2009, 222)
De acordo com esses princípios, a aproximação entre a arquitetura e o desenho industrial era inevitável. Para esse segundo grupo da fau, o desenho industrial não era caracterizado SRU XPD HVFDOD HVSHFt¿FD ± D HVFDOD GR REMHWR HP RSRVLomR j HVFDOD GR HGLItFLR TXH VHULD própria da arquitetura. Para eles, o desenho industrial dizia respeito a um método marcado pela racionalidade e pelas ideias de modulação e de sistema, que visava obter inúmeras pos- sibilidades construtivas entre diversos módulos e elementos interconectáveis (os elementos
76
construtivos pré-fabricados). Tal método, por sua vez, não teria como foco a construção de uma identidade nacional, e sim a industrialização dos componentes da arquitetura com vistas ao atendimento da demanda concreta e objetiva por moradia das massas urbanas. Em sua tese, Pereira discute projetos de vários arquitetos58 que colocaram em prática esta abordagem de in-
dustrialização da arquitetura, tanto em termos dos seus elementos leves, quanto dos elementos pesados de sua estrutura, e que visava, entre outras coisas, que o trabalhador da construção civil pudesse manipulá-los facilmente no desenrolar da obra. Assim, a almejada industriali- ]DomRGDDUTXLWHWXUDTXHSDVVDYDDVHUHQWHQGLGDFRPRXPDTXHVWmRHVSHFt¿FDGHGHVHQKR industrial) visava atender, ao mesmo tempo, às necessidades de moradia da população, às SROtWLFDVS~EOLFDVD¿QVHjVFRQGLo}HVGHWUDEDOKRQRVFDQWHLURVGHREUDV
As divergências entre essas duas posições trazem implícita a relação de subordinação en- tre as duas competências em disputa (a arquitetura e o desenho industrial). É possível dizer que, por um lado (para os membros do Departamento de História), o arquiteto era um “ar- WHVmR´HXPLQWHOHFWXDOGDFXOWXUDYROWDGRDHODERUDURPXQGRDUWL¿FLDOFRQVWUXtGRHQTXDQWR patrimônio cultural; segundo esse paradigma, o desenho industrial seria um desdobramento da atividade criativa e criadora do arquiteto, sendo a indústria criticada por copiar modelos HVWUDQJHLURVHSRUUHMHLWDURWUDEDOKRGHVHQYROYLGRSHORVSUR¿VVLRQDLVEUDVLOHLURV3RURXWUR lado, os partidários da visão oposta (a da industrialização da arquitetura) concebiam o de- senho industrial como uma evolução inevitável da noção e da prática de arquitetura, sendo o SDSHOGRDUTXLWHWRGHVLJQHURGHHVSHFL¿FDGRUHDUWLFXODGRUWpFQLFR3DUDRSULPHLURJUXSRRV intelectuais da cultura), o principal problema da concepção defendida pelo segundo grupo (o dos técnicos) era que a pré-fabricação dos elementos arquitetônicos conduziria a prática da ar- quitetura à franca decadência, exatamente por tornar o papel do arquiteto menos importante na elaboração das obras.
Um dos pontos do debate diz respeito à importância da produção em série na determi- QDomRGRHVWDWXWRSUR¿VVLRQDOGRDUTXLWHWRGHVLJQHUIDWRUTXHHUDDVVXPLGRGHPDQHLUDLQ- delével pelos membros do Departamento de Projetos da fau, mas lamentada pelos seus oposi- tores. pereira (2009) entende que a visão industrialista tinha por trás de si a subordinação intelectual e lógica da arquitetura ao desenho industrial, pois o que se buscava era o projeto de componentes arquitetônicos modulares e intercambiáveis, que viabilizassem a construção de uma maneira mais ágil. Tratava-se da discussão sobre a natureza do trabalho do arquiteto- designer em relação à escala de produção do objeto projetado. Ao fazer a defesa da visão in- telectualista da arquitetura, Katinsky sugere, por exemplo, que mesmo os objetos únicos (um navio, um edifício público ou uma usina, por exemplo) seriam alvos do mesmo tipo de elabo- ração intelectual que os projetos destinados à produção industrial.
58. Dentre alguns projetos comentados por pereira (2010), estão o edifício da fiesp (Rino Levi), a Estação Fer- roviária de Jaú (Villanova Artigas), o Ginásio de Utinga (Artigas e Carlos Cascaldi) e o Conjunto Habitacional CeCap (Artigas, Fábio Penteado, Paulo Mendes da Rocha).