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Les limites de l’immersion en environnement virtuel

Dans le document The DART-Europe E-theses Portal (Page 117-120)

3.2 De la capture de mouvement à l’animation des actions de tir en environnement

5.1.2 Les limites de l’immersion en environnement virtuel

Na seção anterior, foi visto que, para a obtenção de outros caminhos na sua teoria da prática, Bourdieu importou leis da linguagem, ao reconhecer a existência de uma gramática, no sentido mais próximo do de Noam Chomsky. Com a existência de uma gramática social, a teoria bourdieusiana enfatizou o papel das regras na orientação das práticas, o que não é um antecedente, mas uma consequência da formação das palavras e organização de formas do mundo (BOURDIEU, 2000, p. 310). Entretanto, ao propor o ajuste dessa noção gramatical para o mundo social, Bourdieu acabou por estendê-la sem com isso salientar a consciência, bem como sua constituição para as linguagens da arte, e mais especificamente, suas experiências e interpretações para os julgamentos estéticos / artísticos.

Como alternativa à teoria de Bourdieu, outras posições a respeito do julgamento estético, que descendem da tradição analítica da linguagem, se mostram profícuas, sobretudo, com os escritos de John Searle e suas explicações em torno da consciência. Com essas posições, é possível debater o conceito de hexis corporal, encontrado em Bourdieu e lançar críticas sobre a tentativa bourdieusiana de reduzir eventos tão complexos, como os estados mentais e os desdobramentos da racionalidade humana, às disposições de um “corpo socializado”. Ainda nas críticas a Bourdieu, deve-se ressaltar que Searle se torna indispensável por considerar a consciência segundo uma propriedade da espécie humana (mais não exclusiva a ela) e capaz de produzir estados subjetivos, qualitativos, além de orientar-se por estruturas neuronais capazes de agir sobre o corpo (SEARLE, 2007, p. 27). A partir das considerações acima, a questão mente-corpo recebe outro recorte importante para esta tese, além de relembrar que as influencias de Searle não pretendem, com isso, estabelecer uma teoria exclusivamente biológica, mas reconhecer, com maior flexibilidade, as propriedades da natureza biológica e de tomá-las como não menos importantes para a interpretação livre dos ditames que transformem a consciência em um ente segregacionista.

Um estado consciente é, antes de tudo, um estado no qual o cérebro se encontra. Assim como a água pode estar em estado líquido ou sólido, sem que a liquidez e a solidez constituam substâncias separadas, também a consciência é um estado no qual o cérebro se encontra, sem que a consciência seja uma substância separada (SEARLE, 2010, p. 69).

A teoria de Searle contribui para um afastamento das concepções dualistas do mundo (isto é, aquelas que separam os estados das coisas, segundo propriedades e substâncias) e em tal viés, não só inclui um dualismo estrito, como também uma critica sobre perspectivas do

materialismo, monismo, behaviorismo, a identidade de ocorrência, o funcionalismo, a inteligência artificial forte “e todas as outras excrescências que o dualismo produziu nos séculos XIX e XX” (SEARLE, 2010, p. 97).

69 – Admitir as condições biológicas da consciência, não significa reduzi-la a

microestruturas físicas, mas entendê-la de maneira mais complexa, pelo fato de sua ontologia não depender apenas da objetividade do mundo físico, mas também da subjetividade do mundo social.

Não se reconhece apenas a existência de um mundo físico-natural, ontologicamente

objetivo, mas também se reconhece a existência das interpretações dos indivíduos conscientes,

sobre um mundo, que implicam em experiências epistemologicamente subjetivas, que não só lidam com constatações do mundo físico-natural, mas elaboram juízos de valor, socialmente situados, sem ignorar que até mesmo o julgamento estético pode reivindicar conteúdos objetivos para sua efetivação (NAGEL, 2001, p. 35).

Se um indivíduo vê determinado objeto e o chama pelo nome de escultura, pode assim fazê-lo, pelo fato de estar familiarizado com a linguagem que já possui a palavra “escultura”, em seu programa de racionalidade. No entanto, ao mesmo tempo em que o indivíduo chama “escultura”, também desempenha uma operação da consciência, neurológica e sináptica, assim como uma situação que envolve o ato de fala (speech act). Então:

precisamos compreender que um ato de fala é mais que apenas a expressão de uma intenção ou a expressão de uma crença. Acima de tudo, ele é um desempenho público. Eu digo algo a alguém. Mas não digo apenas a essas pessoas que tenho uma crença ou que tenho uma intenção; digo a elas algo a respeito do mundo representado por essas crenças e intenções (SEARLE, 2012, p. 45).

70 – A opinião sobre a obra de arte não constitui só uma flexão da linguagem, mas uma

atitude de julgamento, que tem na linguagem seu instrumento. Os estados de consciência são, antes de tudo, estados qualitativos e de posicionamento social (situatedness).

É certo que essas posições teóricas não são pacíficas no terreno acadêmico, pois ao reconhecê-las, traz-se uma crítica embutida sobre abordagens dualistas, fisicalistas, materialistas, monistas, behavioristas e funcionalistas, tão recorrentes em diversas tradições sociológicas. Todavia, é importante frisar e esclarecer que, a consciência, quando tratada por meio da configuração biológica não está isenta do papel de outros elementos subjetivos, mas

apenas os reconhece de modo indissociável das condições epistemológicas e ontológicas da realidade social:

Todos os meus estados não patológicos de consciência chegam a mim acompanhados de certa sensação do que poderia chamar de “posicionamento” (situatedness). Mesmo que não esteja pensando nisso e mesmo que isso não faça parte do campo de minha consciência, sei o ano em que estamos, o lugar em que me encontro, que horas são, qual é a estação do ano e, geralmente, até o mês do ano em que estamos. Tudo isso são as condições limitantes ou o posicionamento dos estados conscientes não patológicos [...]. O que quero dizer é que os estados conscientes se posicionam e são experimentados como posicionados, ainda que os detalhes da posição não façam parte do conteúdo atual dos estados conscientes (SEARLE, 2010, p. 14).

As contribuições de Searle, quando deslocadas para o debate mente-corpo, sobretudo na arte e seus componentes da estética ainda podem se articular com outras considerações, encontradas no seguinte depoimento de Arthur Danto:

O que vale para as formas vale também para as cores. O branco é uma metáfora da pureza, e “por causa de sua pureza” é uma razão para preferir o branco ao escarlate, o que conecta a escolha a imperativos arraigados no inconsciente religioso. O escarlate é a cor do pecado, se suprimimos a ideia do manto dos cardeais, sem dúvida pode ser a cor do fogo; e o fogo é, por razões que, se não óbvias, jamais serão descobertas, uma metáfora da raiva e da paixão sexual. E assim por diante. Mas há escolhas feitas por animais no seu nível operativo que devem ser explicadas esteticamente, sem que sua estética seja explicada por suas crenças: há coisas de que cães e gatos gostam, como aromas e sabores, apenas porque delas realmente gostam. Pode haver causas no material do DNA, sem que o animal tenha razões. Essas seriam, escolhas puramente estéticas. Eu espero que as façamos também (DANTO, 2014, p. 72-73).

71 – Do ponto de vista da consciência, julgar é algo mais complexo do que apenas descrever,

ou constatar, pois suas intencionalidades são diferentes, bem como são processos mais específicos.

Não por acaso, Danto já chamara atenção para o fato de que, enquanto os indivíduos veem o mundo como estão habituados a vê-lo, não o veem como um modo de ver, mas simplesmente veem o mundo. Porém, quando passam a refletir e julgar as coisas, os indivíduos passam a se dar conta dos valores lançados sobre o mundo, e assim podem imprimir “colorações” sobre os conteúdos das suas próprias consciências e dos julgamentos estéticos (DANTO, 2010, p. 240). É indispensável notar que as combinações, sobre as formas e conteúdos conscientes, diferem, através da linguagem. Em um exemplo bastante oportuno, se um indivíduo afirma que “Bourdieu era um sociólogo”, está apenas a produzir conhecimento consciente e epistemologicamente objetivo, pois a frase que acabou de enunciar

é verdadeira, independentemente de preconceitos, valores e opiniões. Todavia, se aquele indivíduo, modifica sua sentença, e diz que “Bourdieu era um grande sociólogo”, acaba de produzir conhecimento epistemologicamente subjetivo, pois nem todos indivíduos concordam que Bourdieu era grande, além de uma sentença que qualifique algo indicar muito mais, um

juízo de fato (sentença sobre aquilo que é) do que um juízo de valor (sentença sobre aquilo que deve ser39).

72 – Em situações mais específicas do julgamento estético, na arte, ser ou não considerado

grandioso, belo, genial, não apenas consiste em valores arbitrários e distintivos (previamente descritos por Bourdieu), como também implicam processos que demandam a intervenção de outros valores, epistemologicamente subjetivos, dentro dos quais a opinião pessoal se apresenta como um forte indicativo do juízo.

Tem-se aqui outros exemplos: quando um indivíduo afirma “sinto dores no pescoço”, há uma sentença epistemologicamente objetiva, pois tal enunciado marca o entendimento mínimo para muitas pessoas, através da língua portuguesa. Porém, ao mesmo tempo, a sentença “sinto dores no pescoço” é também ontologicamente subjetiva, na medida em que somente o indivíduo que a enunciou sente, deveras, as dores em seu corpo. Em outro caso, após observar o firmamento e dizer que “o céu existe”, tem-se uma sentença ontologicamente objetiva, uma vez que o céu não precisa de nós para existir, pois se tratar de um componente da própria natureza biológica. Destarte, os estados conscientes dispõem de uma ontologia de primeira pessoa, enquanto a natureza biológica apresenta uma ontologia de terceira pessoa:

Nesse sentido, todos os estados conscientes são ontologicamente subjetivos porque, para existir, têm de ser experimentados por um sujeito humano ou animal. Nesse aspecto, os estados conscientes diferem, por exemplo, das montanhas, das cachoeiras ou dos átomos de hidrogênio. Essas entidades têm um modo objetivo de existência, porque para existir, não precisam ser experimentadas por um sujeito humano ou animal (SEARLE, 2010, p. 29-30).

De que modo se pode deslocar os postulados de uma filosofia da mente, para teoria social da arte? Em primeiro lugar, a partir do argumento de que a consciência possui um dado holístico e não se separa por um dualismo mente e corpo (o que, não implica defender o cérebro como algo holisticamente situado40), guia a teoria social para o entendimento de que o

39

Utilizando aqui uma clássica distinção a partir de categorias weberianas (WEBER, 2006).

40

Sobre a mesma questão, considera Lahire: “‘Estruturas objetivas’ e ‘estruturas mentais’ não são duas realidades diferentes, sendo uma (as ‘estruturas mentais’) produto da internalização da outra (as estruturas

caráter diversificado das ações conscientes, pelas quais os indivíduos podem ter posicionamentos (situatedness) diferentes, não precisa mergulhar em procedimentos reflexivos a todo instante. Por extensão, na arte, o fato de um indivíduo se deparar com um trabalho artístico, não exige, necessariamente, que sua consciência julgue a própria arte conforme procedimentos estéticos.

73 – Se um indivíduo vê uma estampa qualquer, em uma camisa, não há necessidade

implícita de refletir sobre aquela estampa, pois a mente e a linguagem nem sempre se orientam a partir de questões epistêmicas, e sim, se orientam a partir de outros posicionamentos, biológica e socialmente, aplicados. Entretanto, se o indivíduo olha a mesma estampa, em uma camisa, e identifica sua correspondência com a gravura de um quadro, tal indivíduo assume outros níveis mais reflexivos e profundos de uma consciência estética.

Note-se, no tópico acima, o seguinte: a conexão estabelecida entre a estampa e a gravura do quadro, só se faz possível no segundo momento, pois, em primeiro lugar, foi preciso que o indivíduo olhasse a estampa, e só depois, visse que aquela mesma estampa denotava a gravura de um quadro. Com isso, aparece outra questão a envolver mente e corpo e que transcende as condições situacionais da consciência: para julgar, é preciso de bases da racionalidade (que serão discutidas de modo mais amplo ainda neste mesmo capítulo da tese). Em termos da ação social e da relação mente-corpo, falar sobre arte não é o mesmo que julgá-la esteticamente. Ambas as ações diferem porque, ao falar sobre uma obra de arte, o indivíduo necessita de habilidades mínimas para orientar sua fala e construir enunciados compostos por direções minimamente inteligíveis, a ponto de outras pessoas poderem compreendê-las. Ao falar sobre arte, também se pode articular cada palavra sem se ter pensando qual foi a primeira palavra utilizada para um indivíduo iniciar sua fala.

A) As relações entre a mente e o corpo, podem tornar um indivíduo inteligível sem que ele calcule racionalmente ou se faça reflexivo, mas apenas, que ele situe sua consciência em determinadas posições;

objetivas), mas duas apreensões de uma mesma realidade social” (LAHIRE, 2002a, p. 178). Em tempo, Lahire também critica um vício da sociologia em não fazer dessas duas estruturas uma só, mas cair no equívoco de tornar uma coisa em duas.

B) Nem todos os estados conscientes, produzidos pelo indivíduo, e que envolvem arte e estética, são intencionais, assim como nem toda intencionalidade é consciente. A intenção com a qual se “age” não se alinha, a todo instante, com o percurso das ações individuais, do mesmo modo que o pensamento não necessariamente “acompanha” os tempos de uma fala, declaração e opinião.

Pensamento e intenção não são completamente articulados e nem inarticulados. Tal observação, pode ser encontrada, tanto em Searle quanto em Wittgenstein, sobretudo no embaço entre o que há de prosaico e de poético, ou entre a simples nudez dos objetos comuns e do mundo ordinário; onde se pode encontrar parte preciosa do julgamento estético que não exige, dos indivíduos, um nível profundo de reflexividade, ao mesmo tempo em que não precisa abrir mão de uma consciência ontologicamente situada. Além do mais, mesmo que, em sua aparência, a obra de arte não se distinga de meros objetos cotidianos, a consciência continua a atuar nos momentos de fruição das experiências individuais.

74 – Existem experiências estéticas conscientes sem terem intencionalidades, uma vez que a

fruição não exige a necessidade de estados intencionais. Porém, mesmo que o julgamento estético possa lidar com mais elementos além da consciência (inconsciente e racionalidade, por exemplo), o ato de julgar não dispensa uma intencionalidade quando se vincula a um intencional, por exemplo, a própria obra de arte.

Em conjunto às implicações da consciência, sobre questões mente-corpo, é importante o argumento de Searle de que não se pode negar a existência de um mundo composto por partículas materiais, bem como seus sistemas e suas consequências para a formação da vida, no sentido biológico dessa questão41. Ao mesmo tempo, o mundo dispõe de estados mentais subjetivos, capazes de incidir na produção de comportamentos humanos e animais. Grosso

modo, existe uma teoria que reivindica a consciência, a mentalidade, a linguagem e a

sociedade, como partes constituintes também do próprio mundo natural (MANSON, 2003, p. 148), e para tornar a discussão ainda mais complexa, o modelo teórico de Searle considera outras características como importantes, na medida em que o julgamento estético abrange sua

autorreferencialidade –, isto é, além de demandar representações mentais, o julgamento

41

Além de repisar o lembrete de Ian Hacking, de que tanto a história, a filosofia, quanto a sociologia da ciência não podem ignorar os avanços obtidos pelo Projeto Genoma (HACKING, 1999, p. 196).

estético conduz as experiências do mundo para um nível representacional, onde “a coisa é o que é somente se as pessoas pensarem que ela é o que é” (SEARLE, 2010, p. 225).

A consciência lida com regras constitutivas, não apenas ao regular, como também ao estimular, novas alternativas de comportamento, sentidos e direções das linguagens da arte. É certo que esses postulados estão em certa medida, na teoria de Bourdieu, principalmente a partir de seus estudos sobre as disputas no campo da arte, cultura e classe, não menos válidos indispensáveis para o julgamento estético. No entanto, as regras constitutivas da consciência, aparecem de maneira muito tímida, na teoria bourdieusiana. Assim, mesmo quando entende as disposições de cada agente como fundamentais no processo de subjetivação, percepção e apreciação da obra de arte, a sociologia de Bourdieu trata as chances objetivas muito mais à frente da fruição do indivíduo, a ponto de priorizar a explicação das linguagens da arte em uma sociedade iminentemente pautada por “‘vocações’, ‘aspirações’ e ‘expectativas’” (BOURDIEU, 1993, p. 64).

75 – A relação entre consciência e julgamento estético possui intencionalidade, o que, ao

mesmo tempo, não significa que toda ação consciente seja intencional.

Pelo fato de uma experiência estética estar voltada para o objeto intencional (seja ele uma pincelada em uma tela, ou um acorde em um instrumento musical), o julgamento sobre esse mesmo objeto demanda o uso da intencionalidade, pois julgar é também uma forma da intencionalidade posta na ação. De modo extensivo, não é preciso considerar apenas as ações entre os indivíduos e os trabalhos artísticos, através de intencionalidades individuais, mas conforme intencionalidades coletivas em que os indivíduos não só assumem engenhosamente e promovem ações isoladamente. Muitas ações envolvem outros indivíduos e objetos, por meio de uma proposta mais coletivista e organizacional, bem como movem diferentes interesses, intenções e benefícios. Isso pode ser referendado na seguinte passagem: “não somente eu faço alguma coisa e você faz alguma coisa, mas nós fazemos alguma coisa juntos” (SEARLE, 2010, p. 226). Portanto, o caráter coletivo da intencionalidade difere do seu nível individual, quando ao agir, um indivíduo tem, na sua ação, uma carga de propósitos e motivações agregadoras para com outrem, levando em conta a existência de linguagens compartilhadas, assim como a presença das inter-relações de vários fatos sociais, que conduzem julgamentos e decisões, em situações específicas da consciência.

Em conjunto com a intencionalidade coletiva, boa parte do mundo biológico-social é constituída por objetos intencionais, que mesmo se pondo entre as interações individuais não

dependem de intervenção dos indivíduos para existirem. Além de muitos fenômenos naturais e criaturas que existem, objetivamente, no mundo sem as interferências do indivíduo, vários objetos artificialmente criados existirem sem a existência desses mesmos indivíduos.

A) Obras de arte possuem vida própria, porque além de criadas antes, durante e depois, da vida de vários indivíduos, se descolam dos controles individuais e sociais.

B) Obras de arte consistem em objetos intencionais, pois embora possam fugir do controle dos indivíduos, suas referências linguísticas podem continuar a exercer papel fundamental para a consciência e para a formação do julgamento estético;

C) Sob uma perspectiva sociohistórica, existem obras de arte que ajudam a consciência a formar “pontos sobre os quais nos apoiamos para nos distanciar de um presente insuportável” (STALLYBRASS, 2012, p. 33).

Apresentadas algumas características dos objetos intencionais, suas relações com a consciência, bem como suas questões mente-corpo, para com o julgamento estético, é possível sistematizar diferenças entre estados de ação e de intenção, promovidos no contato entre os objetos e os indivíduos. Para tanto, quatro exemplos de atos foram destacados, o que não implica apenas a presença de conteúdos intencionais, mas também depreende a satisfação desses mesmos conteúdos.

76 – O desempenho de gestos e atitudes, envolvendo experiências estéticas se relaciona com

a presença de um estado de coisas para além do simples gesto de agir.

Para referendar as posições anteriores, há um quadro mais analítico sobre o julgamento estético, baseado em operações mais complexas, demonstradas a seguir (TAB. 7):

TABELA 7 – Características formais da intencionalidade, entre ver, ouvir, crer e julgar:

Ver Ouvir Crer Julgar

Natureza do componente intencional Apresentação ou representação Causalmente auto- referente Direção de ajuste

Direção de causação tal como determinada pelo conteúdo intencional Experiência visual Apresentação Experiência acústica Apresentação Desejo Moral Representação Representação

Sim Sim Não Não

Mente-mundo Mente-mundo Mundo-mente Mundo-mente

Mundo-mente Mundo-mente Nenhuma Mente-mundo

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