3. Recueil des données
5.2. Les limites de l’étude
SegundoSoares,I.O.,(2007), “A Educomunicação é um campo de estudos interdisciplinar de Comunicação e Educação e um campo de síntese dialética entre a Pedagogia e a Comunicação”. Porém, há ainda um terceiro termo proveniente da união entre educação e comunicação: a ação. A ação e a participação significam a construção da cidadania e da intervenção na área de políticas públicas. Trata-se, pois, de uma educação voltada para que as pessoas possam entender o mundo e serem ativas na construção da cidadania, como preconizou Paulo Freire (FREIRE, P., 1992). Logo, a Educomunicação também é um conjunto de ações que visam a criar “ecossistemas comunicativos”, viabilizados pelas tecnologias da comunicação e voltados para a prática da cidadania.
Portanto, “ecossistemas comunicativos” implicam planejamento, execução e realização. Implicam, também, a organização do ambiente, a disponibilização dos recursos, a forma de atuação das pessoas envolvidas e o conjunto das atividades que caracterizam o atuar comunicacional em territórios específicos. As teias de relações das pessoas desses territórios e o conjunto de ações e atividades formam um tripé, onde comunicação, educação e ação (cidadania) se unem ( SOARES, I. O., 2011, p. 37). Refletem uma meta conceitual e prática, à medida que iluminam as ações que vão sendo planejadas e revistas, envolvendo o cotidiano escolar.
Assim, a Educomunicação é baseada na pesquisa/ação ou pesquisa participativa, na qual o que é pesquisado é imediatamente inter-relacionado com as ações da sociedade, por meio de assessorias e projetos de intervenção social que se explicitam em ecossistemas
comunicativos e implicam o “desenvolvimento de ações não formais de educação, como nas emissoras de rádio e de televisão educativas, nas editoras e centros produtores de material didático, nas instituições que administram programas de educação à distância e nos centros culturais” (SOARES,I. O., 2000, p.22 - 23).
Nesse diálogo entre comunicação e educação, Paulo Freire é visto como um dos precursores dessa inter-relação no cenário latino-americano explicando que o educador coloca a comunicação como um componente do processo educativo, afastando a ótica puramente instrumental da tecnologia comunicativa e informativa. O novo campo possui, assim, uma natureza relacional por meio de áreas concretas de intervenção social. Todavia, no universo latino-americano, certa aproximação foi constatada graças à contribuição de filósofos da educação como Celestin Freinete, Paulo Freire ou filósofos da comunicação, como o próprio Jesus Martin-Barbero e Mario Kaplun.
O conflito de Xstrata Tintaya em Maio e Junho de 2012 em Espinar – Peru, que já causou várias mortes, é considerado um exemplo de falta de uso da Educomunicação que pode chegar até os lugares mais afastados de países com altas montanhas, como o Peru. O presidente Humala teve que intervir diretamente para organizar o diálogo, que é um componente importante da Educomunicação, com um referencial teórico e prático criativo para a cidadania e solidariedade. O uso das redes sociais e outras novas mídias serão a base do ensino neste novo milênio, com cifras de inversão acima dos 200 bilhões de dólares.
Estão, pois, em discussão, os papéis dos alunos e professores e o fato de a educação ultrapassar o ensino formal. Discutem-se os problemas de relacionamento dos professores- instrutores com alunos que podem não estar presentes fisicamente numa aula. Vão ganhando importância as comunidades virtuais como associações que podem criar sistemas de percepção de riscos rapidamente, influenciando grandes comunidades e regiões.
Nesse debate, comunicação é o conceito-chave que pode servir de base da convivência, da cidadania e das novas regras de governança e de governo para o futuro. Pallof, R. M. e Pratt, K.(1999) dizem:
Nós concluímos, através de nosso trabalho com a Internet, que a construção da comunidade educativa com os professores participando em igualdade de condições com seus alunos - é a chave do sucesso de todo o processo" (PALLOF, R. M.; PRATT, K.. , 1999).
Os campos da educação e da comunicação iniciaram como áreas de trabalho distantes uma da outra, no entanto, pela própria prática do dia a dia, uniram-se de tal maneira que, no futuro, os estudantes não serão somente os atuais escolares, mas toda a comunidade. A comunicação difunde as informações, o lazer, os produtos e muito mais no campo da publicidade.
Com a diminuição de preço dos equipamentos e as conquistas tecnológicas,já não se concebem os conflitos desde que os governantes possam dar bom uso a essas ferramentas, aproximando esses dois campos para capturar as “representações sociais coletivas e a massificação das aspirações e das mentalidades como forma de controle da opinião pública”. (SOARES, I. O., 2012).
Nos dias atuais, existe uma valorização social do mundo da comunicação, negando a educação tradicional, que não conseguiu gestar processos de inter-relação cultural. Assim, a educação estaria em crise se não fosse ligada à comunicação de massa mediante as novas mídias, reorganizando a forma de transmitir e adquirir conhecimentos obtidos no mundo inteiro, em qualquer recanto do planeta.
A razão ditatorial ocorrida em Espinar, Peru, de querer o governo impor sua verdade está sendo vencida por uma razão de sensibilidade e de diálogo, conseguido mediante métodos de educomunicação e de diálogo. Passa-se da individualidade ao pluralismo, adotando-se o conceito de “inteligencia sintiente” (SOARES, I. O., 2012), que pode ser apreendido por todo o mundo, sem necessidade de racionalizar significados. Dessa maneira, é possível influenciar comunidades e sociedade sem necessidade de passar pela educação formal racional como base para a posterior universalização das atitudes, inclusive na percepção de fenômenos. Assim, a educomunicação passa a ser um caminho moderno de transmissão de conceitos e ideias para comunidades que possam perceber realidades que não sempre são fáceis de compreender, como as mudanças climáticas do mundo global em relação a sua influência em fenômenos locais.
A comunicação é um componente do processo educativo pois, como diz Freire, P. , (1992), “[...] o homem é um ser de relação e não só de contatos como o animal, não está apenas no mundo, mas com o mundo” e, portanto, está permanentemente comunicado. A comunicação passa a ser um instrumento de ida e volta- não é só informação de ida, é a informação que vai e vem. Não é possível compreender o pensamento fora de sua dupla função: a cognitiva e a comunicativa. Isso nos leva ao relacionamento da comunicação com a
educação proporcionada por Kaplun, M., (1999), que propõe métodos e procedimentos para formar a competência comunicativa do educando. Segundo ele, a comunicação educativa existe para dar à educação os métodos e procedimentos para formar a competência comunicativa do educando.