Chapitre 3 : indexage moteur
C. Les limitations de la méthode
ESCALA PROPRIEDADE Costeiros/Alta Densidade Grande Dimensão/Integrados Estrangeira/Multinacional Dispersos/Baixa Densidade Pequena Escala/Tipo Caseiro Local/Familiar/PM Empresas MERCADO VOLUME ORIGEM SEGMENTO ACTIVIDADES SAZONALIDADE Elevado Um Mercado Dominante Psicocêntrico Água/Praia/Vida Nocturna Inverno/Estação Alta Baixo
Sem Mercado Dominante Alocêntrico Natureza/Cultura Sem Estação Dominante ECONOMIA
ESTATUTO
IMPACTO
Sector Dominante
Sector Dependente de Importações e Repatriamento de Lucros
Sector Suplementar Sector Não Dependente de Importações/Lucros Retidos no País
Fonte: VIEIRA (1997)
O turismo alternativo é geograficamente disperso podendo ser encontrado em zonas costeiras, interiores, rurais ou mesmo urbanas, caracterizando-se sempre pela baixa densidade e pela existência de impactos controlados. Os empreendimentos são de pequena escala e a propriedade familiar ou de pequenas e médias empresas, sendo o mercado e o volume de negócios considerados baixos, não se identificando mercados dominantes, fundamentando-se no meio ambiente e promovendo actividades relacionadas com a envolvente natural e cultural. Por outro lado, não se encontra dependente da sazonalidade, sendo entendido como um sector económico suplementar, fundamentado noutros sectores produtivos, que o garantem sem necessidade de recorrer a mecanismos internacionais de abastecimento.
De uma forma genérica, os benefícios económicos advindos da actividade são retidos no país, podendo vir a ser canalizados para novos investimentos internos e locais.
1.2.2.TIPOLOGIAS DE TURISMO
A prática do turismo não tem apresentado, ao longo do tempo, homegeneidade no que respeita aos traços característicos, às formas que tem revestido, às atitudes e aos comportamentos do turista em situação de férias e às comunidades locais em relação ao visitante estrangeiro. As formas turísticas podem ser distinguidas em função de critérios, como as características e as potencialidades do país de acolhimento, a viabilidade financeira interna, a origem dos turistas, o tempo de duração da viagem, entre outros aspectos. Os critérios subjacentes variam em função da perspectiva adoptada (Cunha, 1997: 11-15), podendo analisar-se tanto o turismo
emissor, “outbound tourism”, como o turismo receptor, “inbound tourism”109. Assim, como principais critérios podemos identificar:
- a origem dos visitantes: o turismo pode ser interno e nacional ou externo e internacional, - a duração de permanência: turismo de passagem, implicando períodos de escala ou de
permanência quando se trata do destino final,
- os meios de transporte utilizados: terrestre, náutico ou aéreo,
- o grau de liberdade administrativa e regulamentar: turismo dirigido quando implica a existência de controle ou ao contrário livre,
- a organização da viagem: individual, colectiva ou de grupo, podendo ser classificado como turismo de minorias ou de maiorias. O primeiro quando a organização é individual ou em pequenos grupos, implicando gastos elevados; o segundo quando se trata de turismo de massas, com custos controlados e com um maior grau de acessibilidade.
Os critérios para a classificação das formas de turismo e do turista que as pratica, podem ser diferenciados em função dos autores que os propõem, estando normalmente fundamentadas em factores de atracção, entre os quais o geográfico, o socioantropológico, o histórico, o desportivo, o religioso, a saúde, os negócios, o estudo e o lazer. O geográfico inclui as paisagens, os parques naturais, a fauna e a flora; o socioantropológico engloba os costumes, a gastronomia, o artesanato, as crenças, o folclore; o histórico respeita à arquitectura e aos monumentos; o religioso relaciona-se com as peregrinações; a saúde com o termalismo; os negócios com a realização de feiras e de convenções; o estudo com a participação em seminários e cursos; o lazer com os parques temáticos, de atracções e o entretenimento.
Assim, o turismo110 pode revestir formas diferenciadas, que procuramos sistematizar:
1. Turismo de Recreio (Bull, 1994: 25; Cunha, 1997: 23 e seg.; Vieira, 1997: 49; Pearce, 1993: 36), apresenta heterogeneidade de características, sendo associado a destinos heliotrópicos, a diversão e lazer, em que o sol e o mar desempenham um papel de relevo, sendo equacionado com o “turismo azul”.
2. Turismo de Natureza, Ecológico e Rural (Vieira, 1997: 49), privilegia o contacto com a natureza, associando o lazer e a distracção ao descanso e à aprendizagem cultural e etnográfica. É definido em função dos meios envolventes, verde (floresta, zonas rurais e campestres), branco (neve), azul (mar).
109
Todos os países são emissores e receptores turísticos, estando a diferença no facto de uns serem predominantemente emissores e economicamente mais desenvolvidos e outros receptores e economicamente mais dependentes.
110
Na sistematização apresentada confrontámo-nos com a ausência de referência a algumas forma de turismo que têm tido, ao longo do tempo, uma importância crescente, em função das épocas e das regiões, tais como o turismo cinegético, o turismo de neve e o turismo sexual.
3. Turismo de Repouso (Cunha, 1997: 23), sendo a principal finalidade o descanso físico e psíquico com busca do bem estar associada a ambientes tranquilos, integrados na natureza, estando relacionado com estâncias termais e a saúde.
4. Turismo de Negócios (Bull, 1994: 25; Cunha, 1997: 23), relacionado com reuniões científicas, congressos e convenções de âmbito internacional, feiras e exposições111.
5. Turismo Cultural Étnico e Histórico (Cunha, 1997: 23; Vieira, 1997: 49), em que o principal objectivo é o enriquecimento cultural e o aprofundamento dos conhecimentos sobre a História, a etnográfica e a cultura de outras regiões.
6. Turismo Desportivo e de Aventura (Cunha, 1997: 23; Vieira, 1997: 49), implicando a prática ou a assistência em encontros desportivos de natureza internacional ou actividades que envolvam risco físico e a descoberta pelo desconhecido.
7. Turismo Político (Cunha, 1997: 23), identificado pela participação em reuniões políticas ou encontros temporários.
8. Turismo Religioso (Vieira, 1997: 49), em que a deslocação se efectua por motivos religiosos, em peregrinação ou relacionada com promessas.
As formas de turismo privilegiadas dependem das motivações do turista que, segundo Pearce (1993: 36-40), podem ser caracterizadas pelo gosto pelas viagens, “wanderlust”, ou pelo gosto pelo sol, “sunlust”. Na realidade, a motivação turística é o factor que determina a decisão de um indivíduo mudar de ambiente, bem como a escolha do destino.
O gosto pelas viagens incentiva o indivíduo a deslocar-se independentemente da estação do ano, de forma sucessiva, para novos destinos em busca de traços culturais, instituições, particularidades físicas e ambientais diferentes das que caracterizam o seu local de origem. O gosto pelo sol tem um carácter sazonal pressupondo uma tipificação ideal de características naturais, requerendo um reduzido número de deslocações no interior do destino e tendo em conta que o objectivo é o usufruto dos recursos naturais heliotrópicos. Além dos factores motivacionais imediatos, relacionados com as características do local ou com a vontade de mudança de ambiente, o marketing turístico tem adquirido importância pela apresentação de programas de férias, recorrendo a medidas publicitárias assentes em estudos de mercado, que condicionam a apetência para a viagem e a escolha do destino.
Assim, os factores motivacionais podem ser denominados de endógenos ou de exógenos. Os primeiros fazendo parte do indivíduo e condicionando as suas escolhas (Cunha, 1997: 48-51)
111
Encontram-se muitas vezes associadas actividades remuneradas, podendo existir uma contradição com a definição de turista vulgarmente apresentada. As deslocações são efectuadas por motivos profissionais e, nos tempos livres, o indivíduo transforma-se em turista.
em determinado período, por exemplo os gostos pessoais, a disponibilidade financeira, o significado emocional e afectivo atribuído a um destino. Os exógenos quando, sendo exteriores ao indivíduo, exercem influência sobre a sua vontade, por exemplo o caso do marketing turístico.
No que respeita às principais particularidades do destino, o turismo pode ser classificado (García, 1997: 41) com base num critério triplo:
− As particularidades naturais, quando os principais atractivos se encontram no meio ambiente, tais como o sol, o mar e as paisagens;
− Os elementos fabricados pelo homem, quando os factores particulares respeitam a museus, edifícios históricos e monumentos, cidades e ruínas;
− A hospitalidade, quando o traço mais valorizado respeita à forma como o turista é recebido e às relações interpessoais estabelecidas com as populações autóctones.
O que distingue o turismo de outras actividades, aparentemente similares ou coincidentes, no âmbito do lazer, é a necessidade da deslocação temporária para um local diferente do de residência habitual, permitindo a descoberta de elementos particulares e novos.
Alguns autores consideram que o turismo e as viagens são, não apenas o resultado motivacional mas também, a satisfação de um conjunto de necessidades sentidas pelo indivíduo112. Krippendorf (1987: 33) identifica três tipos de necessidades turísticas, em que a satisfação passa por rupturas com a vida quotidiana, tornando mais explícita a razão motivacional da escolha do destino:
- Distensão e repouso, cuja satisfação requer quebra física e intelectual na rotina quotidiana113;
- Mudança e compensação, com alteração de hábitos monótonos e repetitivos, muitas vezes identificados com a actividade profissional114;
- Fuga aos constrangimentos, em que o factor privilegiado é o prazer e o bem estar115.
112
Tendo uma função atribuída de satisfação de necessidades, o turismo é facilmente objecto de estudo económico – as necessidades são múltiplas e o produto turístico é um bem escasso.
113 As necessidades de distensão e de repouso surgem através da identificação dos opostos – trabalho-repouso; vela-sono. 114
As necessidades de mudança e de compensação são evidenciadas pelos opostos esforço-descontracção, segurança-risco. 115
As necessidades de fuga aos constrangimentos traduzem opostos: receitas-despesas; profissão-família; liberdade- obrigações.
De forma complementar, Laurent apresenta uma tipologia de necessidades turísticas (Cunha, 1997: 120) equacionando os factores social, cultural e ambiental:
- A necessidade de natureza, sendo explícito o desejo de contactar com o meio ambiente natural, fauna ou flora, em ambientes terrestres ou marinhos;
- A necessidade comunicacional, evidenciando a apetência para o conhecimento interpessoal, a descoberta cultural e etnográfica de costumes e hábitos diferenciados;
- A necessidade de mudança de meio natural e paisagístico ou de meio social e cultural; - A necessidade de jogo, traduzindo a receptividade para a alternância de papéis e de
funções sociais ou profissionais, assim como para a diversão e a recreação.
De forma consequente, e interligando as principais formas de turismo enunciadas, os factores motivacionais e as necessidades identificadas, traduzindo no conjunto a mudança, podem identificar-se turistas-tipo (Bull; 1994: 27–33) com base em traços característicos:
- O hedonismo quando o turista selecciona um destino em função da comodidade que espera encontrar e do prazer que lhe está intrinsecamente associado;
- A audácia se o destino ou as actividades desenvolvidas têm implícita a mudança através do factor risco e aventura;
- O intelectualismo quando os aspectos privilegiados se relacionam com o enriquecimento cultural, científico e etnográfico.
Urry e Crawshaw (1995: 56) identificam e distinguem o turista com base numa tipologia classificatória constituída por cinco níveis diferentes:
1. O turista romântico, por natureza solitário, que procura uma estadia prolongada;
2. O turista colectivo, que valoriza as actividades desenvolvidas em grupo e fundamentadas na ideia da visita a locais anteriormente explorados e conhecidos;
3. O turista espectador, que, valorizando a visita em grupo, não ultrapassa a impressão superficial obtida através de encontros de curta duração;
4. O ambientalista, que procura retirar da visita um sentido didáctico e pedagógico adoptando uma postura e uma atenção pormenorizada e atenta;
5. O antropológico, que coincide, muitas vezes, com o viajante solitário por procurar uma viagem prolongada no tempo em que a convivência e o contacto directo com os grupos visitados adquirem uma importância determinante.
De acordo com as tipologias enunciadas pelos diferentes autores, podemos classificar o turista a partir de um triplo critério (Pearce, 1993: 25; Ruschmann, 1997: 94):
1. Psicocêntrico, autocentrado (“Psyche”) – quando procura ambientes familiares, onde seja possível a prática de actividades habituais, associando as características dos destinos heliotrópicos à diversão, com possibilidade de repouso e de descontracção, favorecidos pela mudança de ambiente e recorrendo a padrões de conforto ocidentais.
2. Mesocêntrico (“Meso”) – quando o aspecto valorizado é o meio, sendo praticado o turismo de massas com viagens organizadas e desenvolvendo actividades previamente programadas, recorrendo a infraestruturas e a empreendimentos hoteleiros de larga escala. 3. Alocêntrico, de formas variadas (“Allo”) – quando valoriza destinos pouco conhecidos,
possibilitando a sensação da descoberta e da exploração, pelo prazer da novidade, da diferença e da aventura, com elevados índices de actividade e de contacto com a natureza, com as populações e com as culturas, sendo o alojamento de pequena ou média dimensão, de exploração local, de qualidade satisfatória, a organização de carácter elementar e perfazendo os requisitos mínimos para que a viagem seja possível.
Assim, são identificados tipos categoriais de turistas, tais como os sistematizados no quadro 4:
Quadro 4 – Tipologia de Turistas com base na selecção dos destinos turísticos
TURISTA RECURSOS
NATURAIS
CLIMA DISTRACÇÃO EQUIPAMENTOS