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Chapitre 2 : Le dispositif expérimental

7 Les granulomètres

O professor-investigador leciona a disciplina de Análise Matemática há mais de treze anos. Iniciou a sua trajetória profissional, fazendo o curso médio de Formação de Professores para o primeiro ciclo do ensino secundário e trabalhou como professor do ensino primário durante três anos. Fez o curso superior de Ciências da Educação, na opção de Matemática, e desde então passou a lecionar Matemática e Metodologia de Ensino da Matemática no curso de formação de professores para o ensino primário.

Um ano após ter concluído a licenciatura, passou a trabalhar no ensino superior, lecionando várias disciplinas integradas em diversos cursos, numa instituição pública. Conhece bem o currículo de Matemática no ensino médio e pré-universitário e leciona no ensino superior há dez anos como professor.

Apesar de uma prática consideravelmente já consolidada em muitos aspetos, é aberto à introdução das novas tecnologias no ensino da Matemática, por influência de um mestrado em Novas Tecnologias Aplicadas à Educação. Nos últimos cinco anos trabalhou com turmas dos cursos de licenciaturas em Engenharia Mecânica e Elétrica, lecionando as unidades curriculares inerentes a Análise Matemática e Álgebra Linear. A vontade de efetuar um estudo baseado nas perspetivas teóricas e pedagógicas de Modelos e Modelação levaram o professor-

investigador a trabalhar ainda com uma turma de Engenharia do Ambiente. Intermitentemente, experimentou alguns softwares para o ensino da matemática, com maior destaque para o GrafMath. Não cursou disciplinas específicas sobre a utilização do Excel na aula de Matemática, unicamente recorreu ao uso do Excel durante a resolução de alguns problemas durante o seu curso de Doutoramento. Não realizou, portanto, estudos sistemáticos, teóricos ou práticos, sobre a utilização de Excel no ensino antes da realização do presente estudo.

O trabalho com estudantes do curso de Engenharia do Ambiente constituiu um desafio considerável, pois no geral as turmas são constituídas por estudantes provenientes de cursos pré-universitários com pouca carga horária e currículos de matemática relativamente pobres. Tal facto, de alguma maneira, contribui para algum desinteresse pela Matemática por parte dos alunos que ingressam no curso.

Um ano antes de desenvolver a presente investigação, o professor-investigador adotou a metodologia de ensino-aprendizagem de Matemática através da resolução de problemas. A frequência do Doutoramento em Didática da Matemática garantiu um bom alicerce teórico sobre a resolução de problemas e sobre as atividades propulsoras de modelos enquanto tarefas ricas e interessantes como contexto de aprendizagem. Outro aspeto desafiador vivenciado pelo professor-investigador prende-se com a grande diferença entre as turmas de Engenharia Mecânica e Elétrica, geralmente compostas por estudantes com melhor domínio e gosto pela matemática, e os alunos da turma de Engenharia do Ambiente que chegam ao ensino superior sem muita preparação em termos de conteúdos matemáticos. Por isso, uma das preocupações, ao conceber as atividades propulsoras de modelos, foi a de que o nível exigido fosse compatível com o conhecimento matemático da média da turma, ou seja, com os conhecimentos matemáticos trazidos pelos alunos da sua formação pré-universitária.

Os alunos

Os alunos foram os principais sujeitos do presente estudo. A turma onde foi feita a coleta de dados era constituída de 45 alunos, dos quais 18 eram repetentes, pelo que no presente estudo foi considerado o grupo dos 27 novos alunos. Recorrendo a um questionário aplicado semanas antes do inicio da experiencia didática, foi possível delinear o perfil geral da turma. O questionário era constituído de questões estruturadas, relacionadas com a vida escolar dos alunos, a sua relação com a Matemática, as experiencias provavelmente vivenciadas com a utilização de computadores no ensino, bem como a sua opção de estudos académicos profissional (Anexo I).

Á data da aplicação do questionário, a maior parte dos alunos eram jovens, com idades compreendidas entre 19 e 29 anos; mais de metade dos quais além de estudarem já tinham tido ou estavam a desempenhar uma atividade laboral com uma jornada de pelo menos 3

horas diárias de trabalho. A maior parte dos elementos da turma são provenientes de escolas públicas, onde frequentaram cursos médios ou pré-universitários, predominantemente nas áreas de ciências humanas, línguas, geografia-história e biologia-química. Isto sugere uma categoria de alunos com um histórico relativamente desfavorável no que tange ao seu desempenho em matemática, visto que nos currículos desses cursos de ensino médio e pré- universitário a matemática aparece como uma disciplina complementar, com poucas horas semanais e apenas no primeiro ano, quanto muito até ao segundo ano, aliado a uma visão errada de que a matemática não será muito importante na vida académica e profissional destes jovens.

Para ingressar no curso superior, os alunos do curso de Engenharia Ambiental na ESPtN fazem um exame de acesso constituído pelas disciplinas de Língua Portuguesa, Matemática, Biologia e Química, em que a Matemática tem um peso de 11% na média ponderada para o acesso. Importa referir que, quando se pronunciaram relativamente às razões que estavam na base da sua escolha do curso, as afirmações mais frequentes dos alunos foram: "porque a instituição que administra o curso é perto de casa", "porque não fui admitido em outros cursos", "pareceu-me que tem pouca matemática", "em princípio, é um curso com poucos cálculos". Os poucos estudantes que realmente fazem o curso como primeira opção apresentam como justificação da sua escolha a pequena "carga matemática" do curso, ao passo que quase todos os que frequentam o curso como alternativa consideram que este curso é profissionalmente promissor.

Os estudantes assumiram saber que o curso teria alguma Matemática no seu plano curricular e consideraram-na relevante para sua formação profissional. Alegaram também que gostariam de ter um bom domínio dessa disciplina e confessaram ter tido um desempenho pouco satisfatório nas disciplinas de Matemática no ensino pré-universitário, algo que os levava a adivinhar algumas dificuldades associadas a uma fraca preparação em Matemática.

Grande parte destes alunos ficaram alguns anos sem estudar entre o final do ensino médio e o início do curso superior e neste período dedicaram-se a algumas atividades laborais. Importa salientar o fato de que a grande maioria dos alunos tinha alguma experiência de utilização do computador sobretudo no meio laboral e durante as aulas de Informática. O MS-Word destaca- se de entre os programas mais explorados, mas os estudantes assumem igualmente ter conhecimentos sobre as funcionalidades básicas do MS-Excel. De igual modo, os alunos mostraram muito entusiasmo com a ideia de utilizar computadores, como ferramenta auxiliar para a resolução de problemas, enquanto estudam Matemática.