2.2. Eléments distinctifs de la « Résistance Socialement Responsable »
2.2.3. Les formes d’une Résistance Socialement Responsable
O APL de Confecções do Agreste é parte da cadeia produtiva têxtil pernambucana, possuindo diversos segmentos empresariais relacionados entre si, como confecções, lavanderias, estamparias e o comércio atacadista e varejista (INTG, 2009), situando-se na mesorregião do Agreste Pernambucano (na cor rosa) representada na figura 09, fazendo parte de quatro das suas seis microrregiões (IBGE, 2009), apresentadas no quadro 08 com a composição de municípios adotada pelo GTP APL do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (2008).
Figura 09: Mapa de Pernambuco e Municípios do APL de Confecções do Agreste.
Fonte: Elaborado a partir de MDIC (2008), GOVERNO DE PERNANBUCO (2009) e IBGE (2009).
Microrregião do Agreste
Pernambucano Municípios do APL
Vale do Ipojuca; Caruaru, Brejo da Madre de Deus, Belo Jardim e Pesqueira;
Alto Capibaribe; Toritama, Taquaritinga do Norte, Santa Cruz do Capibaribe e Surubim; Médio Capibaribe; Passira;
Brejo Pernambucano; Cupira.
Quadro 08: Microrregiões e Municípios do APL de Confecções do Agreste Pernambucano.
Caruaru é considerada pelo MDIC (2008) como a cidade polo desse Arranjo Produtivo Local, ao lado de Santa Cruz do Capibaribe, Toritama e a emergente Surubim, que são consideradas as cidades mais relevantes do APL. A comercialização de confecções acontece nos parques de feiras de confecções e centros de compras nas três primeiras cidades.
O APL surge na década de 1970, em função da necessidade de sobrevivência da população frente às adversidades climáticas da mesorregião do Agreste Pernambucano, tão castigado pela seca e estiagem. À revelia de políticas e ações governamentais e a partir da sua forte vocação comercial, o APL de Confecções foi uma estratégia empreendedora de sobrevivência para a população carente devido à decadência da produção de sapatos de borracha, principal atividade econômica dessa mesorregião na época (INTG, 2009).
Nesse mesmo período, após a desaceleração e falência do setor têxtil pernambucano com o fechamento de muitas fábricas de tecido, houve a necessidade de aquisição dessa matéria-prima em outros estados, o que fez com que se buscasse, inclusive, o aproveitamento de sobras de tecido. A intensificação desse fluxo comercial determinou a origem do nome das feiras - a “Sulanca” - termo que para os comerciantes da época representava os restos de malha “helanca” oriundas das indústrias sulistas do país (INTG, 2009).
As feiras surgiram inicialmente em Santa Cruz do Capibaribe, como na ilustração da figura 10, tendo uma atuação forte no mercado de produtos populares de baixo custo – como uma alternativa de renda familiar – a partir da comercialização inicial de colchas, lençóis e tapetes (MESQUITA; ANDRADE, 2006; RAMOS, 2008). Nos dizeres do INTG (2009, p.149), a feira semanal de confecções é “um comércio informal gigantesco que garante ocupação e renda a milhares de pessoas e atrai turistas e compradores de toda a região e até de outros estados”.
O segmento de confecções tornou-se a principal atividade econômica desenvolvida em Santa Cruz do Capibaribe, com especialização em confecções em malha. Aos poucos, em Toritama, a produção de calçados era substituída pela especialização em confecções em jeans, como estratégia de diferencia-se da concorrência da cidade vizinha (DIAS, 2007).
O município de Toritama merece especial destaque, pois produz 16% da produção nacional de jeans (segunda maior produção do país). Isso ocorre tendo parte da sua cadeia Figura 10: Feira da Sulanca em Santa
Cruz do Capibaribe (1981).
têxtil segmentada em fábricas e lavanderias responsáveis pela geração de mais de 15 mil empregos diretos e um faturamento anual de 453 milhões de reais (IBGE, 2007 apud Toritama-PE, 2008). Essa atividade produtiva também se expandiu para o município de Caruaru que é a maior cidade da mesorregião do Agreste e segundo maior município de Pernambuco (INTG, 2009).
Conhecida como a Capital do Agreste, Caruaru integrou o Polo de Confecções a partir da década de 1980. No entanto, o município obtém seu desenvolvimento local por meio de outras atividades econômicas como comércio, artesanato, agropecuária, calçados, produtos eletrônicos, além de confecções (LIRA, 2006; DIAS, 2007), que tem como principal canal de vendas as férias livres (IBGE, 2009). Mas é sabido que para o Vale do Ipojuca, a atividade confeccionista é de grande importância para o setor produtivo econômico (IPEA, 2006), principalmente em Caruaru.
As demais microrregiões do APL tem em suas economias locais uma maior concentração da atividade confeccionista e pouca (ou nenhuma) presença de outros setores econômicos produtivos. Assim, sua importância não está tão somente para o setor produtivo de confecções nacional, mas também, para o desenvolvimento local de cada município, conforme IPEA (2006).
O senso de organização, a mobilização criativa e a capacidade do povo do Agreste de “se reinventar” foi um diferencial na formação e consolidação do APL de Confecções, visto já na década de 1990 com a criação da moda relacionada às tendências da cultura pernambucana em se expor para o mundo, na qual o conceito de confecção simples com produção em grande quantidade abre espaço para uma moda mais exclusiva e internacional. Dessa forma, o APL trabalha com seus públicos-alvo em áreas distintas: Sulanca, moda cultural de vanguarda e produção de roupas industriais para fardamentos (INTG, 2009).
Ainda na década de 1990, o APL de Confecções do Agreste Pernambucano começou sua expansão produtiva, assumindo posição de destaque no cenário nacional como o segundo maior polo de confecções em importância econômica no segmento moda e confecção no país (tendo São Paulo como primeiro polo), devido a sua capacidade produtiva em quantidade de peças e sua agilidade na comercialização inovadora (INTG, 2009).
O APL de Confecções do Agreste é responsável por 70% da produção de confecções em Pernambuco, a qual se divide em produtos em malha, jeans e outros tecidos, sendo o quarto colocado na absorção desse material (ficando atrás de São Paulo, Fortaleza e Minas Gerais). Conforme dados da Consultoria Econômica e Planejamento (CEPLAN), dos 160
milhões de reais gerados pela indústria de confecções pernambucana, 25% vem de Santa Cruz do Capibaribe e Toritama (INTG, 2009).
Entre os desafios do APL estão a invasão dos produtos chineses e a concorrência dos baixos preços dos produtos asiáticos frente à Sulanca. Mesmo com dificuldades, como a escassez de água na região, enfrentada pelas lavanderias, principalmente em Toritama e Caruaru, sua força de trabalho é absorvida pela sua cadeia de produção (INTG, 2009).
As atividades de sua cadeia produtiva geram impactos ambientais, quer seja no processo químico de “lavagem” e tingimento do tecido a partir da emissão de efluentes industriais (carregados de soda cáustica e metais) das lavanderias nos rios Capibaribe e Ipojuca, pelo uso da lenha para o funcionamento de caldeiras, quer pelo descarte das aparas de tecidos como resíduos sólidos (LIRA, 2006; INTG, 2009), como ilustrado na figura 11.
Figura 11: Emissão de Efluentes, Uso de Lenha e Resíduos Sólidos Produtivos.
Fonte: LIMA e LIMA (2009).
Além disso, com o crescimento das cidades e do comércio desenfreado surgem impactos socioambientais nas áreas de pobreza, segurança, infra-estrutura, habitação, produção de lixo, desrespeito a legislação trabalhista, saúde e educação (LIRA, 2006), demonstrando a indissociabilidade das dimensões social e ambiental, defendida por Foladori (2005). A figura 12 mostra moradias e acumulo de lixo às margens da BR 104 km 27 no município de Toritama.
O APL de Confecções do Agreste é formado em sua maioria por empreendimentos informais de base familiar com a gestão do proprietário e grande participação dos membros da família na sua organização. Seu segmento tem a característica de apresentar um grande número de empresas informais, apesar do seu alto grau de empregabilidade (DIAS, 2007).
Figura 12: Moradias e Acúmulo de Lixo às Margens da BR 104 em Toritama.
Fonte: Dados de pesquisa.
Ainda é amplamente constituído de Micro e Pequenas Empresas com até 50 empregados, com média de 10 empregados por estabelecimento para as confecções e de 24 empregados para a fabricação de têxteis, o que indica fortemente a presença de Microempresas em sua cadeia produtiva. Devido ao alto grau de informalidade, estima-se que essas médias sejam ainda menores e que o número de pequenas unidades seja maior, uma vez que “as empresas da região são, em grande parte, arranjos domésticos que dificilmente poderiam arcar com os custos da formalização” (INTG, 2009, p.155).
A interação entre as empresas no processo produtivo de confecções ocorre conforme observado por Dias (2007) a partir da facção1 de algumas fases do processo e de relações de subcontratações; essas relações horizontais são substanciais à sua caracterização como APL, já que elas podem explorar ganhos coletivos de competitividade por meio de externalidades positivas. Sua cadeia produtiva gira em torno de um aglomerado de MPEs beneficiadoras da matéria-prima (malha e jeans) e/ou de confecção (fabricação) propriamente dita. Em sua maioria, as empresas apenas confeccionam os produtos e algumas desempenham simultaneamente essas duas atividades.