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7 Module 5 : Pilotage du réseau

7.4 L’organisation informatique

7.4.2 Les fonctionnalités

A metodologia Scroll Back foi criada pelos autores Brady Robards e Siân Lincoln. Estes em 2017, realizaram a publicação de um trabalho que utilizava esta metodologia como forma de explorar o papel potencial do uso sustentado de mídias sociais na pesquisa qualitativa longitudinal (QLR). O projeto de pesquisa explorava o uso sustentado (cinco ou mais anos) do site da rede social Facebook entre jovens na faixa dos vinte anos. O objetivo foi de descobrir como as histórias de "crescimento" são contadas e arquivadas online e como as práticas de divulgação (o que as pessoas dizem e compartilham nas mídias sociais) mudam através do tempo. Estes autores questionam como é possível compreender o "traço digital" inscrito na Linha do Tempo do Facebook, ou seja, da ferramenta da timeline como um texto narrativo longitudinal. Para eles, "retroceder" através do Facebook com os participantes como "co- analistas" de seus próprios traços digitais pode contribuir para a tradição de pesquisa longitudinal qualitativa (QLR). O QLR e o método Scroll Back atendem a um conjunto similar de preocupações em torno da mudança ao longo do tempo, da profundidade da investigação e da descoberta de narrativas de vida ricas e rigorosas.

De acordo com Thomson (2002) o uso sustentado (mais de 5 anos em nosso estudo), dos perfis do Facebook - ou timelines, são constituídos em grande parte por momentos cotidianos ou mundanos, pontuados por "momentos críticos" (Thomson et al., 2002). Esses momentos podem incluir desde sair de casa, abandonar a escola, entrar (e sair) de relacionamentos, aprender a dirigir, lidar com a morte de entes queridos, ir a boates pela primeira vez, e assim por diante.

Sendo assim, quando esses momentos críticos são articulados e se tornam visíveis nas mídias sociais, como o Facebook, e subsequentemente arquivados pela natureza persistente desses espaços (Marwick e Boyd, 2014), eles se tornam marcos-chave em uma história de crescimento mediada destes jovens, bem como uma forma de expressão de sua “self” no meio online.

Como espaços nos quais a identidade é encenada, editada e tornada visível, as mídias sociais, como o Facebook, podem capturar histórias em crescimento por meio de uma crônica de experiências transitórias mediadas. (Robards & Lincoln, 2017: 716)21.

Essa metodologia de retrocesso, ou seja, Scroll Back funciona por meio do envolvimento dos participantes nesse sistema como co-analistas, para compreender e interrogar esses traços digitais. A "Rolagem" é uma atividade importante para os usuários do Facebook: percorrer o Feed de notícias, os perfis de amigos ou novos amigos em potencial ou, de fato, rolar pelos próprios perfis. Rolagem define como as pessoas usam e gastam tempo no Facebook, um movimento contínuo para trás e para frente, onde os feeds parecem ser infinitos. O método de rolagem para trás foi criado para possibilitar primeiramente visualizar o conteúdo das linhas de tempo de nossos participantes entrevistados, mas crucialmente envolvê-los no processo de pesquisa como co-analistas de seus próprios rastros digitais. (Robards & Lincoln, 2017)

A escolha dos referidos procedimentos leva em conta que as temáticas tratadas devem ser compreendidas como “delicadas” no contexto atual destes entrevistados com necessidade de um entendimento mais amplo e profundo. Logo, através destes métodos acredita-se que será possível obter uma melhor compreensão das questões relativas a construção de identidade no meio virtual, especificamente no Facebook, deste grupo social de acadêmicos que vive em situação de minoria em Lisboa.

De acordo com os autores Ragin e Griffin (1994) a investigação qualitativa proporciona: “tentar ver o mundo através dos olhos deles para percebermos os seus mundos sociais como eles percebem”. (Ragin e Griffin, 1994: 31-54). Para Quivy e Campenhoudt (1995) ao utilizar este método de análise qualitativa “instaura-se, em princípio, uma verdadeira troca durante a qual o interlocutor exprime as suas percepções de um acontecimento ou uma situação, a suas interpretações ou a suas experiências” (Quivy e Campenhoudt, 1995: 191).

Após a realização das entrevistas em profundidade, a análise de conteúdo das redes sociais dos indivíduos entrevistados ocorrerá novamente com objetivo de confirmação, análise e recolha dados. Para isso a investigadora solicitará que os entrevistados possibilitem a visualização de suas redes. Tendo em vista que o método Scroll Back é recente, não existe ainda um modelo de análise específico e estruturado a ser adotado, logo não haverá a apresentação de uma grelha de análise baseada nesta metodologia. Sendo assim, o modelo de análise de conteúdo será estruturado com base na teoria de Bardin (2006).

De acordo com Bardin (2006):

21 Livre tradução

A análise de conteúdo consiste em um conjunto de técnicas de análise das comunicações, que utiliza procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens. (...) A intenção da análise de conteúdo é a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção (ou eventualmente, de recepção), inferência esta que recorre a indicadores (quantitativos ou não)22. (Bardin, 2006: 38)

O autor organiza a análise de conteúdo em três fases: 1) pré-análise, 2) exploração do material e 3) tratamento dos resultados, inferência e interpretação. (Bardin, 2006)

Logo, essas fases acontecem respectivamente da seguinte forma:

1) Pré-análise: análise das redes sociais dos entrevistados antes da realização das entrevistas; 2) Exploração do material: análise das redes sociais após realização das entrevistas;

3) Tratamento dos resultados, inferência e interpretação: análise das redes sociais após a realização das entrevistas.

A partir do segundo item acontecerá a definição dos sistemas de codificação, estas que estarão presentes através das diferentes conteúdos e expressões presentes na timeline do Facebook desses indivíduos. E na sequência no item 3, as inferências geradas a partir do momento da exploração, juntamente com as reflexões/interpretações e a análise dos resultados.

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