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Les facteurs préventifs

Dans le document halshs-00007787, version 1 - 26 Jan 2006 (Page 38-44)

A partir do século XIX, estendendo-se até a primeira metade do século XX emerge um período de intenso ―pensar‖ a cidade e seus espaços, no qual os administradores públicos buscam equipar e organizar as áreas urbanas de acordo com as idéias de higiene e salubridade vigentes.

Para tal, esses administradores executaram intervenções nas áreas centrais, além de edificarem instituições de saúde e assistência com o intuito de melhorar os quadros epidêmicos7 e endêmicos8 na cidade.

As práticas urbanas, relacionadas às condições geográficas e climáticas, remetem-se à teoria de Hipócrates explicitada em sua obra “Dos ares, águas e lugares”, a qual discute as causas ambientais das doenças, relacionando a saúde dos habitantes às características do meio físico. Essa perspectiva de Hipócrates será retomada e posta em prática através de uma nova leitura feita por médicos e engenheiros, que somaram a este conhecimento prévio a descoberta

7 Chama-se epidemia, o acometimento de uma cidade ou localidade por uma doença causando grande número de

vítimas. Esse termo também pode ser usado para conceituar um surto de agravação de uma endemia. (FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário Aurélio. 3ª Edição, Editora Positivo, 2004.)

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Por endemia entende-se uma doença que existe constantemente em determinado lugar e oscila em

temporalidade e número de vítimas. (FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário Aurélio. 3ª Edição, Editora Positivo, 2004.)

da circulação sanguínea por Harvey em 1628, estreitando as relações analógicas entre a cidade e o corpo humano (SENNET, 2003).

Essa descoberta de Harvey influi no pensamento voltado às cidades e seus planos urbanísticos trazendo à superfície ideias referentes à saúde e funcionalidade urbana (idem). Assim como no corpo, o oxigênio e o sangue, os alimentos que circulavam na cidade deveriam ser aplicados ao mesmo princípio: deveriam proporcionar o fluxo das águas, dos ares e das pessoas. Para tanto são pensadas as interferências no espaço, necessárias a essa circulação, há a derrubada de morros, a canalização de rios e abertura de vias para veículos e pedestres (ANDRADE, 1992).

A teoria mesológica, ou seja, que o meio natural é determinante no que concerne à proliferação de doenças e à contaminação de seus habitantes, é o conhecimento que guia as ações executadas no meio urbano, nas cidades brasileiras até meados do século XX. Paralela a sua difusão e tida como regra a ser seguida nos campos de conhecimento que regiam a organização dos espaços urbanos e a saúde pública, a teoria mesológica tem seus princípios científicos postos em questão com a descoberta de Pasteur sobre a fermentação causada por bactérias. Posteriormente através de estudos, descobriu-se a ação dessas bactérias relacionadas à disseminação destas enfermidades. Por meio dessa informação, foi possível efetuar o isolamento do microorganismo causador das doenças e assim conhecer seus meios de ação e transmissão, permitindo que fossem criadas formas de prevenir o contágio através da vacinação (COSTA, 2001).

Estava postulada a teoria microbiana de Pasteur, que agora isentava os ares e as águas da responsabilidade pelas enfermidades e mortes. No Brasil, Oswaldo Cruz, que havia estagiado no Instituto Pasteur no fim do século XIX, e estando na direção da Diretoria Geral de Saúde Pública (1902 – 1906) será o grande divulgador da teoria microbiana e suas novas práticas, promovendo transformações nos aglomerados urbanos das cidades brasileiras.

Regressando, ele investigou um surto de peste em Santos, dirigiu o Instituto Soroterápico do Rio de Janeiro e, por fim, foi convidado para assumir a Diretoria Geral de Saúde Pública, correspondente ao atual Ministério da Saúde, no governo Rodrigues Alves (1902-06). (SCLIAR, 1995)

Nesse momento, surge um embate teórico no campo da saúde, no qual seus representantes discutirão além das teorias científicas, as aplicações das mesmas sobre a população e seu hábitat, criando uma disputa pelo poder interventor na cidade e pela

legitimidade de sua ação. Tais teorias não eram contraditórias, ambas tinham o mesmo loco de atuação, promoviam a higiene como princípio básico para uma boa saúde coletiva, mas se conflitam pela identificação do elemento causador das moléstias e pela maneira de agir sobre o espaço (COSTA, 2001).

A teoria mesológica atribuía aos miasmas e as águas paradas a responsabilidade pelo contágio e pelas doenças. A teoria microbiana, por sua vez, alçava sua visão com mais profundidade às águas e ares, os identificando como veículo de transmissão de diferentes microorganismos que em contato com as pessoas poderiam ser os causadores de determinadas doenças (Ibidem).

Segundo Costa (2001), a disputa entre a adoção de uma ou outra teoria tomou mais espaço na esfera política do que na esfera prática de aplicação. A teoria microbiana agia num campo mais restrito do ambiente, isolando os agentes do contágio e tratando de prevenir as doenças através das vacinas, agindo diretamente nas pessoas. A teoria dos miasmas que se destinava a combater e melhorar os ares, águas e demais elementos da paisagem tidos como proporcionadores para o desenvolvimento de certos males permitia aos grupos governantes uma amplitude de ações na organização, mudança e uso do espaço da cidade, fixando o seu domínio. Percebemos neste momento que não se tratava somente de uma questão de saúde pública, estava no centro da questão a disputa do poder sobre a cidade.

Apesar de serem considerados como sinônimos por Ferreira (2004), o higienismo e o sanitarismo, apresentam diferenciais em suas práticas. No período assinalado anteriormente - partindo do século XVIII e alcançando as primeiras décadas do século XX- os médicos exerciam um papel fundamental no combate às doenças inseridas no espaço urbano. Sua atuação é identificada como prática higienista. Posteriormente, somadas aos conhecimentos de engenharia, iriam concretizar nas cidades as soluções pensadas pelas autoridades médicas, constituindo a ação sanitarista, atuando no espaço da cidade numa dimensão ainda mais ampla (COSTA, 2001; MULLER, 2002).

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