LA PERTE DU RÉFÉRENT
1. L’OPACIFICATION DU RÉEL
2.3. Les entraves du discours
Diversas pesquisas sobre as práticas pedagógicas e a formação docente têm demonstrado certos descompassos entre as demandas emergentes e os desafios colocados pela contemporaneidade à cultura escolar, sobretudo no que diz respeito ao contexto dos processos de ensino-aprendizagem e à formação de professores na cultura digital (FANTIN e RIVOLTELLA, 2012), e isso desafia ainda mais a pesquisa didática (FANTIN, 2015, p. 445).
Repensar a didática a partir do conceito de EAS (Episódio de Aprendizagem Situada) implica refletir sobre a articulação entre comunicação, planejamento e avaliação da ação didática (RIVOLTELLA, 2013). Nessa metodologia, “[...] a aprendizagem requer participação ativa do aluno a partir de uma prática docente que considere todo o contexto e ambiente dessa aprendizagem e suas relações como um sistema; de modo a superar as dicotomias entre sujeito-objeto, processo-produto, corpo-mente, etc.” (FANTIN, 2015, p. 447).
No que se refere à metodologia, trabalhar na perspectiva da EAS significa em cada aula, atuar em três níveis ou momentos: preparatório, operatório e reestruturativo.
No primeiro momento – o momento prévio e/ou preparatório -, o papel do professor é organizar o trabalho inicial lançando desafio ao aluno, a partir da ideia de Flipped Lesson, em que primeiro o estudante atua sozinho "ativando todos os recursos" (RIVOLTELLA, 2013, p. 74). Esta fase inicial prevê algumas possibilidades: framework conceitual, em que se apresenta ou se recupera alguns elementos importantes já vistos em casa a fim de retomar os trabalhados em sala; apresentar um estímulo à turma por meio de vídeos, imagens, músicas, etc., buscando introduzir uma discussão sobre o que será abordado; apresentar o plano de trabalho com as atividades propostas - individuais ou em grupo - para a classe, entre outras (RIVOLTELLA, 2013, p. 75). Aqui o objetivo é desafiar o estudante, uma vez que o problema foi lançado.
O segundo momento da metodologia EAS, é o momento operativo, em que os estudantes desenvolvem a atividade proposta no sentido de avançar em algumas hipóteses a partir da ideia do learning by doing – aprender através do fazer, levando em conta a experiência. Ao utilizar a EAS na ação didática, pode-se criar espaço para reflexão frente essas questões, procurando levar o aluno a se relacionar com conteúdo de outra forma, pois aqui a forma é também conteúdo (RIVOLTELLA, 2013, p. 81). As atividades do momento operativo precisam apresentar determinadas características para que resultem em alguma produção, e devem ocorrer em tempo breve e suficiente, promovendo o trabalho individual e em pequenos grupos, produzindo significado a partir de algum elemento que corrobore seu aprendizado. Essa fase prevê algumas possibilidades: pesquisa, maquete, fotografia, etc., em que os estudantes vão assimilando e relacionando todos os dados e informações com os quais tiveram contato no trabalho inicial, bem como socializando com o grupo maior as atividades desenvolvidas em pequenos pares. Segundo Fantin (2015, p. 454), este momento “[...] envolve uma microatividade de produção em que se solicita ao aluno resolver um problema ou produzir algum conteúdo sobre a situação- estímulo”.
No terceiro momento, o reestruturativo, o professor deve guiar os alunos a refletirem sobre suas experiências, visando transformá-las em aprendizagens e elementos de significado. Essa base é conhecida como debriefing.
O objetivo do debriefing, no caso das EAS, é duplo: do lado dos estudantes, é favorecer o desenvolvimento da sua competência crítica, promovendo a capacidade de refletir sobre
uma produção, avaliar o que falta, identificar os pontos fracos que necessitam ser retomados, reforçados ou modificados; do lado do professor permitir e avaliar os resultados alcançados pelo estudante [...] corrigir os equívocos e reportar aspectos relevantes que emergiram na discussão do
framework conceitual inicial do qual se partiu consolidando-o (RIVOLTELLA, 2013, p. 82). É importante que o conteúdo seja trabalhado de forma complexa, para que o estudante esteja apto a operar em situações desafiadoras, e, principalmente, em um curto espaço de tempo. “Este conhecimento de segundo nível está na base da competência entendida como a capacidade de orquestrar esquemas de ações (PIAGET, 2000), ou seja, como saber agir” (RIVOLTELLA, 2013, p. 84). É no momento reestruturador que se viabiliza as formas de compartilhamento, primeiramente, de forma interna ao grupo e isso pode ser feito por meio da exposição ou armazenamento. O compartilhamento externo pode ser feito a partir da decisão de socializar as informações, armazenando as produções em rede (com acesso aberto ou fechado e/ou download).
A relação entre os momentos sugere que:
Nessa metodologia os elementos estão organicamente articulados – o momento prévio solicita a preparação de uma atividade a ser posteriormente compartilhada com o grupo no momento operativo, que será refletida no momento de sistematização – e necessariamente envolve os contextos das aprendizagens informais e formais. O estímulo parte de uma escolha individual motivada pela experiência, e quando compartilhada, discutida, sistematizada e refletida no grupo significa a possibilidade de viabilizar a passagem do implícito ao explícito, articulando as aprendizagens informais e formais (FANTIN, 2015, p. 454).
Para Rivoltella (2013), essa metodologia favorece a didática por competência:
(...) tecnicamente um EAS é atividade com que, ao mesmo tempo, o professor favorece o estudante ou a turma a trabalhar sobre um ou mais indicadores de competência, e através deste trabalho, se oferece também um instrumento para avaliar sua presença ou não. A EAS é contemporaneamente espaço de desenvolvimento e de verificação das competências (p. 159).
Segundo o autor, tal proposta tem como base as experiências dos alunos, que no momento antecipatório vão em busca das informações, e no operatório devem resolver um problema através de uma atividade de produção e socializá-las com o grupo, por exemplo. Desse modo, ao buscar informações, selecioná-las e resolver os desafios propostos socializando no grupo, os estudantes desenvolvem competências na dimensão de Produção/difusão, de Interação, de Tecnologias e de Linguagem, nos níveis de Análise e de Expressão indicados por Ferrés (2007). E ao mesmo tempo em que fazem isso, o professor pode avaliar como elas se constroem através dos indicadores contidos nas diferentes atividades solicitadas.
Apesar disso, muitas escolas trabalham com métodos tradicionais de ensino e avaliação, a partir de um planejamento que prioriza o conteúdo. Trabalhar por lógicas de competência implica mudar radicalmente a forma de aplicar e avaliar. Mas como avaliar se o aluno tem ou não criticidade frente o bombardeio de conteúdos veiculados? Analisar as mensagens, o próprio consumo e refletir sobre as formas de veiculação e reprodução podem constituir alguns critérios (RIVOLTELLA, 2013, p. 163). E pode-se verificar se esses objetivos foram alcançados a partir do próprio desempenho dos estudantes.
Os EAS não são atividades isoladas e episódicas; eles se colocam dentro de uma lógica de planejamento por competência e sua coerência se verifica em relação ao fato que cada um deles pode ser referido a indicadores precisos; o quadro das competências em que estes indicadores fazem parte é também a moldura de planejamento sobre a qual os específicos EAS adquirem sentido [...] (RIVOLTELLA, 2013, p. 165).
Assim, a proposta de EAS se apresenta como atividade didática e avaliação, pois quando se trabalha por competência, o conteúdo por si só não é o elemento central, pois o que conta é o processo, os percursos e escolhas feitas diante desse conteúdo. Desse modo, a perspectiva de trabalhar as competências nos EAS significa considerar uma concepção de avaliação contínua e formativa, em que
Tão importante quanto elucidar aprendizagens coerentes com o modo com que nosso cérebro aprende (pela experiência, imitação e
repetição) é perceber como essas aprendizagens ocorrem nos espaços da educação formal e informal. Se a aprendizagem informal é intuitiva e falta sistematização para transformar a informação em conhecimento, é função da escola trabalhar a relação do informal para o formal e retomar o que se aprende, como e por que. Essa passagem do implícito ao explícito é função da escola e do professor, e se configura como momento necessário de explicitar o
conhecimento construído e seus processos desenvolvidos como possibilidade de metacognição e reflexão (FANTIN, 2015, p. 452).
Foi pautando-se nessa compreensão da metodologia EAS que realizamos a intervenção didática a fim de identificar, desenvolver e verificar as competências dos estudantes. Reforçamos que os EAS foi a metodologia usada para a intervenção didática, e nesse momento ela não será nosso foco de análise.
4.3 EXPERIMENTAÇÃO DIDÁTICA COM A METODOLOGIA EAS