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CHAPITRE 1 – ETAT DE L’ART
2. Les nanoparticules et les plantes
2.2. Les végétaux et les nanoparticules
2.2.2. Les effets des nanoparticules chez les végétaux
O Ideal e o Real
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3.7.3 | NOVO COMPLEXO SANJOUBOUMON Após a morte de Yoshimitsu em 1408, o seu sucessor Yoshimochi, dedicou-se a destruir a herança deixada, quer do plano urbano, quer do anterior palácio.
Até 1409 d.C., este novo Xogum teve residência no palácio Muromachi e na vila Kitayama. Neste ano, terminada a construção do novo complexo
Sanjouboumon, no local onde se erguera o anterior, muda-se para lá.
Este complexo ainda que mantivesse estruturas Shinden, será o primeiro a apresentar o Kaisho, uma estrutura de habitação dedicada, ocasionalmente usada para recepções. O novo Sanjouboumon apresentará dois destes edifícios e o futuro palácio Muromachi (reconstruído em 1431 d.C. por Yoshinori) também conterá estas estruturas dedicadas.140
Estes edifícios serão a última evolução dos espaços Tsunegosho, separando-se, por fim, dos pavilhões rituais. Assim, estes retornavam à sua pureza ideal de cenário para os rituais imperiais. Os Kaisho, verdadeiros representantes do estilo Shouin, eram edifícios compactos, sem corredores, fechados sobre si, onde a luz dificilmente penetrava. Lugares sombrios que acolhiam as tarefas mundanas e confortáveis, tarefas que deviam ser escondidas e que só na sombra eram possíveis de concretizar.
3.8 | SHOUIN
Os limites impostos pelo antigo plano não determinavam apenas quem e onde se podia construir, mas também que tipo de estilo se podia usar. Ainda que os Ashikaga e os Buke (classe guerreira) tenham trespassado os limites do Rakuchuu, só o fizeram na metade austral da capital, no
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Shimogyou141 e a Norte do Kamigyou, ficando ainda os limites da zona
dos Kuge imperturbados pela influência dos militares.
Tal como indicado pelos antigos códigos da cidade só um determinado estilo podia ser usado na construção das residências: o Shindenzukuri; e, num tempo em que os aristocratas procuravam a sua legitimação também eles se submeteram a estes códigos, cumprindo mesmo com as penalizações impostas pelo código. Assim, algumas residências que não cumpriam os preceitos foram demolidas, a mando da classe dos militares.142
Ainda que o estilho Shinden fosse peremptoriamente aplicado, era notória a sua falta de praticidade e de atenção a usos diários, assim como a falta de espaços que permitissem a discussão política e militar.
Também neste ponto poderemos verificar que o conceito da luz/sombra pode ser explanatório. Enquanto o Shindenzukuri prezava o ritual aberto e exposto, com um intuito de demonstração publica, a época dos militares requeria espaços de segredo, velados do público.
Num país que tinha evoluído de apenas um poder (ainda que continuamente minado por famílias aristocratas) central e concentrado, para uma sociedade fracturada e polarizada, os grandes rituais e as acções publicas não eram exequíveis. Era agora o tempo da sombra, do segredo e da reclusão.
141 Ainda que tenham ocupado alguns quarteirões no Shimogyou, o antigo núcleo
habitacional que rodeava o mercado, não foi ocupado por guerreiros. O código Kenmu
Shikimoku, que dava protecção legal à propriedade privada, a riqueza de alguns dos
habitantes deste distrito e o facto de muitas das propriedades serem alugadas de membros dos Kuge, constituiu protecção suficiente contra a força armada dos Buke que invadiram a cidade. STAVROS, Mathew – Kyoto: An Urban History of Japan’s Premodern Capital. Honolulu: University of Hawai’i Press, 2016. pp.106-110.
142 TEIJI, Ito; NOVOGRAD, Paul – The Development of Shoin-Style Architecture. In In: HALL,
John; TAKESHI, Toyoda, ed. – Japan in the Muromachi Age. Berkeley: University of California Press, 1977. pp. 227-240
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Estas necessidades inevitavelmente reflectiram-se na forma da arquitectura. Os edifícios, ainda que mantendo o seu aspecto exterior no estilo anterior, começaram a desenvolver no seu interior espaços mais fraccionados e mais divididos. Deste modo, era possível mascarar usos mundanos num exterior de aparência ritual e pura.
As partições criavam espaços dedicados para certas funções, criando os
tsune-gosho 常 御 所 – literalmente o palácio ordinário143, de usos
mundanos. Esta profunda distinção entre aquilo que se mostra - publico, puro, brilhante e sem mácula – e aquilo que se esconde – privado, sujo e obscuro – estende-se desde o comportamento até às manifestações culturais. 144
Podemos verificar esta distinção na escolha da localização do tsune-
gosho: localizados na parte Norte do Shinden, estes espaços, mais
sombrios e separados do espaço de recepção mais luminoso e publico, eram os locais que acomodavam as tarefas mais ordinárias e vistas pelos japoneses como impuras. É importante reiterar que o espaço do Shinden teria de ser todo ele ritual, sem fazer concessão sequer aos seus habitantes.
Com o enfraquecimento das estruturas de controlo imperial estas divisões vão separando-se, progressivamente, dos pavilhões originários, formando uma estrutura individual, os Kaisho 会所, literalmente locais de reunião.145
Afastados dos pavilhões de entrada, divididos destes pelos Shinden, de recepção mais formal, serão os aposentos dos seus senhores e também os cenários de discussão política preferidos, quer pela sua discrição quer
143 O uso da palavra ordinário não é casuístico, pois os japoneses viam tarefas do
quotidiano como actos impuros, banais e sujos. O carácter para Tsune, 常 , denota regularidade, hábito, coisas comuns.
144 Ver “2.5 | Luz/ Sombra - O Ideal e o Real”.
145 TEIJI, Ito; NOVOGRAD, Paul – The Development of Shoin-Style Architecture. In In: HALL,
John; TAKESHI, Toyoda, ed. – Japan in the Muromachi Age. Berkeley: University of California Press, 1977. pp. 227-240
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143 pela praticidade da falta dos rituais associados aos antigos espaços
Shinden. 146
Os grandes complexos de pavilhões individuais conectados através de corredores, passaram a formar edifícios separados e distintos. Estas estruturas não se abriam tanto ao exterior criando uma separação mais demarcada entre o interior e o exterior, sendo esta última camada mais opaca que a do estilo Shinden. O interior dos edifícios Shouin era ainda mais velado e mais escuro.
O estilo vai-se desenvolvendo a partir das antigas salas de leitura das residências dos monges – Shouin 書院 – encontradas nos mosteiros Zen. Várias características marcam estas salas, que com o tempo serão não apenas salas de leitura, mas também o local de encontro e audiência entre políticos. 147
Características comuns nesta sala são a presença de uma tokonoma 床 の 間 – uma alcova decorativa -, uma tsukeshoin – uma secretária embutida -, choudaigame – portas decoradas maciças – e chigaidana 違 い棚 – prateleiras escalonadas.148
Tatamis, pilares de secção quadrada, fusuma e shouji, portas deslizantes que separavam respectivamento o interior e o exterior. Os shouji por sua vez eram protegidos por painéis rígidos de madeira para maior protecção. Também os tectos aparecem na construção, sendo que no estilo Shinden a estrutura do telhado fica à vista para o interior. Estes tectos são trabalhados e tomam a forma de tectos artesoados. 149
146 STAVROS, Mathew – Kyoto: An Urban History of Japan’s Premodern Capital. Honolulu:
University of Hawai’i Press, 2016. pp. 115-126.
147 SADLER, Arthur L. – Japanese Architecture: A Short History. Vermont: Tuttle Publishing,
2009. pp. 73-76.
148 Ibidem.
149 TEIJI, Ito; NOVOGRAD, Paul – The Development of Shoin-Style Architecture. In In: HALL,
John; TAKESHI, Toyoda, ed. – Japan in the Muromachi Age. Berkeley: University of California Press, 1977. pp. 227-240
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Muitos destes elementos vão manter-se até à época de Tokugawa. O estilo continuou a ser usado mesmo depois desta época entrando para o conjunto de elementos componentes de um quarto tradicional japonês, os quais ainda hoje podem ser observados.150
Este estilo irá formar a base não só das futuras residências dos Xoguns e altas personalidades, mas também da arquitectura tradicional japonesa que ainda hoje podemos testemunhar.
150 NISHI, Kazuo; HOZUMI, Kazuo – What is Japanese Architecture. Tradução de de H.
Mack Horton. Nova Iorque: Kodansha USA, 2012. pp.72-77.
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3.9 | CULTURA DE KITAYAMA E OS PALÁCIOS AFASTADOS
Esta demarcação do público e do privado, assim como o exacerbar dos limites formais do Rakuchuu, levam também ao fenómeno dos palácios dos imperadores afastados atrás analisado, assim como às residências aristocráticas construídas para lá destes limites estabelecidos. Afastados da influência imperial e da imposição dos antigos códigos, estas residências permitiam-se a uma maior liberdade construtiva, incluindo templos e estruturas contrárias ao estilo oficial do Shinden.
Constituindo-se como centros de poder, agregavam todo o tipo de funções, desde as administrativas às militares e religiosas. Era comum a criação de grandes complexos religiosos associados a estes complexos, visto que a restrição dos templos falhava na sua aplicação fora da cidade. Os aristocratas e os militares viviam assim num sistema em que possuíam uma residência oficial, o Honjo 本所 (literalmente local original), e uma residência afastada, ou uma vila, o Betsugyou 別業 (literalmente outra linha de acção, forma diferente ou especial), local privilegiado, não apenas para o retiro espiritual e afastamento dos rígidos códigos de conduta, mas também da influencia imperial. A partir destes locais os senhores comandavam as suas tropas, a sua influência e emanavam o seu poder, sem os constrangimentos associados à vida na capital. À semelhança dos antigos imperadores afastados, os xoguns, ao terminarem o seu mandato à frente do destino do país retiravam-se. Apesar de não ocuparem o cargo, eram ainda eles que comandavam o poder político e o Xogum que sucedia tinha de esperar a morte do seu antecessor, para tomar o controlo total.
Um dos expoentes máximos deste sistema de residência alternativa foi a vila de Kitayama e o Xogum Yoshimitsu.
Ainda que tenha sido o responsável por criar um palácio luxuoso e de fazer renascer as artes e a cultura em Quioto, Yoshimitsu em final de vida criou para si o complexo de Kitayama
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FIGURA 39–OKINKAKUJI.INSERIDO NO COMPLEXO DE KITAYAMA, ESTE PAVILHÃO É UM DOS MARCOS DA