LES ATOUTS DE L'ÉCONOMIE INDIENNE
C. Un État de droit
V. LES DISPARITÉS ET LES SÉPARATISMES RÉGIONAUX
Beyoncé Knowles é considerada uma celebridade em escala global. A sua música e o seu trabalho influenciam pessoas de todo o mundo. A partir do momento em que uma pessoa é tão visada, mundialmente falando, acaba por se tornar uma espécie de liderança global. E a música pop é detentora deste poder, a partir do momento em que os seus artistas começam a influenciar nações e gerações. É claro que por serem celebridades e figuras públicas, todos eles, inclusive Beyoncé, tem uma preocupação com a sua imagem perante a mídia e a repercussão que seus atos possam ter. Mas existe uma dimensão política que a música pop, representada pelos artistas e por suas imagens, passa a ter na sociedade.
Mas acho que tem uma outra dimensão do pop que é a dimensão política, que ganha tudo, se esses artistas passam a sublinhar certas questões. Porque eles na verdade são pessoas que tem muita influencia sobre a sociedade, eles são grandes lideranças mundiais. (HERSCHMANN, 2016) 48
É claro que também não podemos esquecer de citar que a música pop atualmente é vista de forma pejorativa. Na visão de Micael Herschmann (2016), por mais que eles causem muita mobilização popular em torno da própria música, composições e de sua fama, o universo pop ainda é visto por muitas pessoas como uma espécie de lixo cultural globalizado. Ainda hoje, a música pop tende a ser pensada e analisada muito do ponto de vista comercial, ou seja, é um tipo de música feita, essencialmente, para a diversão e para vender discos. Não é vista como outros estilos musicais que serviram, ao longo de
48 Trecho concedido em entrevista que Micael Hershmann concedeu à autora. Íntegra da entrevista nos adendos.
34 gerações, para defender causas sociais ou então para difundir mensagens mais profundas da sociedade. Ou até talvez para sublinhar o momento político do país, como por exemplo aconteceu aqui no Brasil na época da ditadura, com a eclosão da Tropicália, movimento cultural que serviu para denunciar os abusos da ditadura.
O pop nunca teve tal pensamento sociopolítico, e por anos, a única preocupação foi somente com a questão comercial e em trazer um universo lúdico. É claro que, ao longo dos anos, algumas celebridades do pop se preocuparam em romper com essa ideia. A cantora Madonna foi uma dessas artistas. Ela escandalizou ao fazer o Na Cama Com Madonna, documentário no qual ela mostrava um pouco mais da vida pessoal. Neste trabalho, ela, branca, simulava que transava com os dançarinos, que eram quase todos negros. Em muitas das canções e vídeos de Madonna, ela trata a questão da mulher e eventualmente a questão do negro e a do gay.
E isso acontece muito no caso específico de Beyoncé também. Ela rompe com uma ideia institucionalizada, a partir do momento em que atrela a própria imagem a causas sociais em destaque, como o feminismo e a causa racial. Através disso, ela acaba transformando a sua música pop, que em um primeiro momento é vista como algo puramente lúdico, em crítica social e em algo valorizado pela nossa sociedade atual.
Outro fator de suma importância para este processo de construção de uma celebridade de massa é o fator carisma. De acordo com Eduardo Cintra Torres (2014), o carisma, combinado com uma exposição na web, é um dos maiores motivos para a criação de celebridades globais.
E enfim chegamos a uma espécie de impasse quando estudamos o caso de Beyoncé Knowles. Por mais que a cantora seja muito carismática, ela nunca foi adepta de divulgar a sua vida pessoal através da internet. As postagens de Beyoncé nas redes sociais geralmente acontecem para mostrar ela e a família em algum prêmio ou evento, para divulgação de turnês ou novas canções, ou então para disseminar alguma preocupação ou ideal social ou político. Como, por exemplo, quando ela fez um post em que expressava abertamente apoio a então candidata à presidência dos Estados Unidos, Hillary Clinton. Inclusive a cantora é conhecida no mundo dos famosos e da internet pela discrição com a vida privada. É considerada uma pessoa bem reservada.
A cantora parece usar outras estratégias que não a ideia de usar o carisma combinado com exposição nas redes sociais para atrair o público para o seu trabalho. Como ela mesma já disse em diversas oportunidades, todos os álbuns de Beyoncé são muito
35 pessoais, ela compõe e produz todas as canções, ela é quem tem a ideia de todos os videoclipes (isso se intensificou em seus últimos dois discos Beyoncé e Lemonade). Ela pensa em absolutamente tudo que envolve a gravação dos cds, videoclipes e os concertos, incluindo figurino, maquiagem, cabelo, cenário, coreografia e tudo necessário para um evento icônico. Com essa relação tão estreita com o próprio trabalho, Beyoncé acaba usando este fator a seu favor, a partir do momento em que usa o fascínio do ser humano por pessoas públicas para vender discos.
Sabendo que toda a sua obra é autoral e autêntica, ela acaba por instigar as pessoas a conhecerem o seu trabalho e através disso, saberem mais também da vida particular de Beyoncé. É o que podemos perceber em Lemonade. Basicamente, a cantora conta a história da traição de seu marido, Jay-Z, outra pessoa que atrai interesse público, e como eles superaram tais adversidades. Ao invés de se expor em redes sociais como o facebook, instagram e snapchat, ela se expõe em seus discos e consegue lucrar com a venda de suas histórias pessoais através da música.
Além disso, ela expõe situações cotidianas, como por exemplo uma traição, para o público. Então as pessoas começam a criar uma identificação também com o ser humano Beyoncé Knowles-Carter e esse é um fator primordial para que uma celebridade consiga se manter em uma posição estável de sucesso na indústria da música. Ao se identificar com a cantora, as pessoas começam a pensar “A Beyoncé foi traída. Se isso acontece com ela, pode acontecer com qualquer uma.”. E então a artista passa a ser vista também com um ser vulnerável e próximo a seus fãs, fortalecendo tal identidade já criada e fazendo com que a cantora se consolide como uma artista de sucesso.
A partir do momento em que ela cria e estabiliza tal identidade com os fãs, Beyoncé começa a chamar a atenção para causas sociais com as quais ela diz se identificar, como por exemplo o feminismo (mais especificamente feminismo negro) e a causa racial nos Estados Unidos.
Outra razão muito contundente para a popularização da cantora vem do momento atual que vivemos. Está um pouco na moda, principalmente entre jovens, ter e lutar por uma causa, seja ela LGBT ou feminista ou contra o racismo. Então no momento em que Beyoncé aparece com uma música lúdica, com mensagens sociais de impacto, é um tanto quanto sedutor para o público.
Por outro lado também, quer dizer, um discurso libertário minoritário é um lugar de mercado, a gente não pode ser ingênuo. Ser rebelde, defender
36 as minorias é, obviamente, construir um lugar de mercado especialmente pra um público jovem que se identifica com um discurso marcado pela rebeldia. Então tem essa ambiguidade, agora onde começa a dimensão comercial e onde começa a dimensão política é muito difícil precisar porque essas coisas estão misturadas e embaralhadas. (HERSCHMANN, 2016) 49
Chegamos até aqui em um cenário que o ativismo de Beyoncé é visto somente por uma ótica positiva, sendo um fator a mais para agregar sucesso à carreira da cantora e na imagem pessoal da artista. Até aqui, o feminismo de Beyoncé é um lugar de mercado e pode ajudá-la a se destacar.
Mas defender uma causa também pode ser extremamente maléfico para uma celebridade, e pode sim, ter um efeito negativo na imagem da cantora, principalmente no momento atual. Existe uma onda conservadora, principalmente nos Estados Unidos, que defende que a música pop deve ter uma finalidade puramente lúdica e que não deve interferir em questões sóciopolíticas. Um desses exemplos aconteceu quando Beyoncé foi duramente criticada50 por sua performance da canção Formation no Super Bowl 2016. Como citado anteriormente, a música faz alusão ao movimento de libertação racial do Partido Pantera Negra e faz denúncias contra a violência policial contra negros. Com isso, fica claro dizer que por mais que defender causas sociais possa ser um fator de popularização e de criar um marketing pessoal em torno da figura pública da cantora, isso também pode ser muito maléfico para Beyoncé.
Tal visão conservadora é cada vez mais comum em um mundo que está muito mais polarizado quanto a questões políticas, e que tem o politicamente correto cada vez mais contestado. Mesmo com a polêmica, a cantora pareceu não se importar com as críticas e continuou a fazer apresentações com conteúdo social relacionado às causas que ela defende.