L’OUVERTURE SUR L’EXTERIEUR : FONDEMENTS THEORIQUES ET ANALYSE EMPIRIQUE
2- Les discussions actuelles de l’échange international :
Em todos os quatro filmes pesquisados, as mulheres estão inseridas em cenários que mostram símbolos da cultura amazônica: os personagens, os lugares, a linguagem. Essa escolha narrativa revela que os curtas-metragens buscaram em seus enredos aspectos que demarcam a identidade do povo amazônico.
O pesquisador Paes Loureiro, no livro “A arte como encantaria da linguagem” (2008) nos mostra de que maneira essa poética amazônica consegue ser um fator de busca pela identidade. Na contemporaneidade, a Amazônia é um ambiente também de desconstruções de identidades, em uma época em que o espaço e o tempo se redimensionam através dos meios de comunicação, das desterritorizações, da organização fragmentada da realidade, da mistura entre o real e o imaginário (LOUREIRO, 2008). Para Loureiro, a Amazônia é terra do imaginário.
Na sociedade amazônica é pelos sentidos atentos à natureza magnífica e exuberante que o homem se afirma no mundo objetivo e é por meio deles que aprofunda o conhecimento de si mesmo. Essa forma de vivência, por sua vez,
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desenvolve e ativa a sensibilidade estética. Os objetivos são percebidos na plenitude de sua forma concreto-sensível, forma de união do indivíduo com a realidade total da vida, numa experiência individual que se socializa pela mitologia, pela criação artística, pelas liturgias e pela visualidade. Experiência sensorial que é essencial a vida amazônica, pois representa a qualidade complementar de sentimentos e ideias, concorrendo para criar uma unidade cultural no seio de sua sociedade geograficamente dispersa. Esse comportamento vai satisfazendo as necessidades mais íntimas de espírito e alargando suas potencialidades, num processo em que os homens seguem evoluindo, renovando-se, transformando-se (LOREIRO, 2008, p. 155).
Figura 21 - A personagem Walquíria é a Matinta (frame do filme)
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Figura 24 - Os “cabeçudos” atormentam os personagens (frame do filme)
Figura 25 - Rosa e Deyse no Ver-o-Peso
Figura 26 - Floramor vestida de índia
Figura 27 e 28 - Rosimeire no cenário da floresta e com a bandeira do Pará De acordo com Loureiro (2008), diante dos rios e da floresta, o caboclo não só usufrui desses bens, mas também os transfigura. Isso significa dizer que existem trocas e traduções simbólicas da cultura que são regidas por um imaginário amazônico. Mesmo com um ideal de “integração”, a Amazônia se vê muitas vezes sem as grandes pressões do utilitarismo funcional da sociedade de consumo e, por isso, “o homem
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encontra o seu lugar e espaço propiciador a esse devaneio poetizante, quando ainda situado em um meio ambiente resguardados das destruições” (p. 154).
Mesmo utilizando os estudos de Paes Loureiro, entendemos que as suas intercorrências sobre o imaginário amazônico ainda estão centradas na categoria do “homem” como um ideal universal à espécie humana. Procura-se com este trabalho, ir além, e entender as narrativas amazônicas a partir de um olhar da mulher, uma vez que, como se vê nos próprios filmes, possuem práticas diferenciadas para expressar a iconicidade regional.
Deste modo, cada um dos quatro filmes analisados carrega consigo uma circulação de sentidos referente a essa busca de identidade Amazônica, como poderemos observar através da intericonicidade entre as imagens dos filmes produzidos na região. Neles há uma preocupação de demarcar o espaço de uma “cultura” amazônica, por meio de visualidades características como a floresta, os rios, a linguagem, o comportamento e os hábitos dos personagens.
É preciso perceber que a reinvindicação por uma “identidade” amazônica tem se dado, contemporaneamente, fundamentalmente, no campo da produção artística, e não em outros aspectos sociais que, tradicionalmente também abrigam questões sobre a identidade, tais como a política e a imprensa. (CASTRO, 2010, p. 48).
Com Castro (2010), entendemos que nos produtos audiovisuais existe uma preocupação em demarcar o espaço de uma “cultura” amazônica, a partir de códigos de consumo, formas de controle do discurso, comportamentos e hábitos (CASTRO, 2010). Essa fronteira da contemporaneidade permeia um fenômeno de identificação social em que os produtos audiovisuais estão presentes. Esse conjunto de enunciados, alegorias e conceitos é definido pelo termo moderna tradição amazônica, que é um processo de desvelamento de tradições, não como a ideia de “resgate” a essas tradições, mas como uma invenção ou imaginação intersubjetivos. Ou seja, a identidade é subjetiva e resulta dos processos de identificação social, pois a sociedade reconhece os grupos a partir de certas características em comum. Já a identificação é a consciência de sua temporalidade, ou melhor, de ordem alegórica das representações.
A proposição de atribuir-se e de inventar uma tradição pode ser vista como um desvelamento social. Não pode ser considerada a recuperação e a defesa de uma essência nem o resgate de tradições, na dominância de um paradigma fundamentalmente moderno, que não é capaz de conceber a identidade senão como um processo essencialista, mas uma bricolagem coletiva, uma invenção ou uma imaginação cujos processos, dispersos no corpo social, podem ser
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chamados de intersubjetividade. Esta palavra assinala a sinergia entre pensamento e sensibilidade, que leva ao reencantamento do mundo – ou melhor, à observação de que, sem as amarras do racionalismo, a sociedade, por sua natureza, tende a encantar o mundo que a abriga. (CASTRO, 2012, p. 139,140).
A linguagem também é muito característica da fala paraense, como o uso de algumas gírias e expressões locais. Em Ribeirinhos do Asfalto, por exemplo, Everaldo é chamado de “canoa” por seus colegas, quando resolve parar de jogar baralho para ir falar com Rosa, que acabou de chegar da casa de Dália. “Canoa” é um gíria popular que significa “dominado pela parceira (o)”.
Em “Pássaros Andarilhos e Bois Voadores”, Zebedeu ao propurar Floramor na sequencia final do curta fala: “Égua, cadê a Floramor?”. O “égua também é uma
expressão muito popular em Belém e que pode ter vários sentidos, nesse caso, foi dita no sentido de “exclamação que antecede uma pergunta”.
Nos filmes, o uso das gírias é tratado como uma prática do cotidiano dos personagens, e que faz parte de um linguajar coloquial próprios da região. Também podemos destacar o uso da cor verde nos curtas como simbólico das florestas e natureza da Amazônia. Assim como as chuvas, que são muito frequentes na região, mas que não aparecem necessariamente nos filmes analisados, mas vai ser encontrado em curtas como “Quando a chuva chegar” (2009), de Jorane Castro.