4. LA DÉMARCHE D’ENTRETIEN
4.2. Les différents types d’entretien
Para Sousa & Baptista (2014), as técnicas têm um carácter mais prático e operativo quando comparadas com os métodos. São procedimentos rigorosos, definidos, propagáveis, adaptados ao problema, aos fenómenos e ao objetivo do trabalho. Caracterizam-se como “instrumentos de observação capazes de fornecer as informações adequadas para testar as hipóteses de partida” (Sousa & Baptista, 2014, p. 160).
Para além da pesquisa bibliográfica e documental, a qual se revela imprescindível para completar outros conhecimentos adquiridos por outras técnicas, utilizaram-se, para uma melhor compreensão da temática, outras técnicas de recolha de dados, como uma ficha de caracterização das organizações e um inquérito por questionário aplicado aos dirigentes e diretores técnicos.
Em formato de check-list, a ficha de caracterização, construída pela autora do estudo e preenchida pelos diretores técnicos das diversas organizações do estudo, permitiu recolher informações mais objetivas sobre o funcionamento e a estrutura das organizações, conseguindo-se caracterizar cada uma delas e complementar a informação recolhida pelos questionários. No Anexo I, elencamos os distintos âmbitos, com os respetivos itens, analisados a partir da ficha de caracterização. Neste instrumento de recolha de dados, foi questionado: o nome da instituição, a morada, o Código de Atividade Económica (CAE) da instituição, o ano de fundação e de início da atividade, a forma jurídica, o território de abrangência, o tipo de respostas sociais, o total de clientes das diversas respostas sociais por grupos etários e pelos acordos de cooperação do ISS, a lista de espera, o total de vagas, os serviços prestados e o quadro dos recursos humanos renumerados e voluntários (neste foram analisadas as variáveis: tipo de contrato, género, grau de escolaridade e grupos etários). A autora selecionou, como instrumento de recolha de dados, o inquérito por questionário. Como sugerido por Sousa e Baptista (2014), a aplicação do questionário fundamenta-se quando há necessidade de adquirir informação acerca de condutas, de modo a percebermos certas representações, opiniões, atitudes e preferências, com a finalidade de se obter dados sobre fenómenos que surgem numa dada sociedade e contexto. Neste sentido, a opção de
escolha pelo inquérito por questionário partiu da necessidade de se analisar as opiniões dos gestores sociais em relação às práticas empreendedoras e inovadoras das organizações. A técnica do inquérito por questionário apresenta questões baseadas em teorias abordadas no enquadramento teórico, com o intuito de se averiguar as teorias pré-existentes apresentadas no estudo, as hipóteses propostas pela investigadora e, ainda, desenvolver novos conhecimentos sobre o tema. Dentro dos diversos tipos de questionários, optou-se por um questionário de tipo misto com questões de resposta aberta e fechada, permitindo ao inquirido não só selecionar as opções adequadas à sua opinião, como também dar-lhe a oportunidade de se exprimir pelas suas próprias palavras.
Os questionários (Anexo II) foram aplicados aos dirigentes e aos diretores técnicos de cada instituição, tendo como suporte indicadores apresentados por Amaral (2013), Azevedo, Franco e Meneses (2012), Carvalho (2005) e Teixeira (2013), que integram três dimensões de gestão: gestão estratégica, gestão de recursos e gestão de recursos humanos. O questionário tem trinta e cinco questões e está organizado em cinco partes. Inicia-se com questões relativas à caracterização do inquirido, considerando-se como variáveis categóricas: o género, idade, habilitações literárias, formação académica, função desempenhada na organização, tempo de função e as formações profissionais no âmbito da Gestão de Organizações Sociais (GOS).
Na segunda parte, abordam-se itens no âmbito da dimensão da gestão estratégica: visão, missão, objetivos estratégicos, plano estratégico e de marketing, a presença e os tipos de acordos de parcerias e os objetivos das mesmas. A dimensão da gestão de recursos compõe a terceira parte do questionário, tendo-se procurado identificar os maiores custos das organizações, os financiadores das mesmas, a existência e o controlo do plano orçamental, as principais fontes de financiamento e as maiores dificuldades das organizações em relação à gestão financeira.
A quarta parte do questionário contém a dimensão de recursos humanos. Os inquiridos foram questionados sobre as tomadas de decisões das atividades de gestão diária, a periocidade das reuniões e as formas de comunicação entre o dirigente e o diretor técnico e as formações profissionais proporcionadas pela organização no ano de 2017.
Na última parte da estrutura do questionário, as questões são alusivas ao empreendedorismo e inovação social, interrogando os inquiridos sobre a implementação de novos serviços e/ou respostas sociais nos últimos dois anos e se têm ou já tiveram serviços inovadores capazes
de contribuir para a sustentabilidade da organização. Sendo o tema da investigação “As representações sociais dos gestores sociais em relação às práticas de empreendedorismo e inovação social como instrumento estratégico de sustentabilidade” apresentam-se, neste item, diversas afirmações, baseadas no enquadramento teórico, onde os inquiridos tiveram de expor a sua opinião sobre o empreendedorismo e inovação social. Para além dos pontos evidenciados, verificou-se a necessidade de se desenvolverem questões abertas que complementassem as questões de resposta fechada, de forma a reforçar o nosso conhecimento acerca da perceção tida pelos inquiridos: “Na sua opinião, o que motiva os clientes a escolherem esta organização?” e “Se a organização pudesse acrescentar valor social, que tipo de serviços e/ou respostas inovadoras acrescentaria para fazer face às necessidades com que a mesma se depara?” são as questões abertas do inquérito por questionário.
A recolha de dados ocorreu entre os meses de junho e outubro, sendo os dados obtidos em duas formas, ou seja, através do inquérito em suporte de papel ou em formato digital. Fez- se um primeiro contacto telefónico às diretoras técnicas das OES, as quais se mostraram disponíveis em participar no estudo, sendo solicitado oficialmente, por e-mail, a colaboração quer dos diretores técnicos, quer dos presidentes da direção. Numa segunda fase, o inquérito foi entregue pessoalmente e/ou por via correio eletrónico.
Um pré-teste de um questionário consiste “num conjunto de verificações feitas, de forma a confirmar que ele é realmente aplicável com êxito, no que diz respeito a dar uma resposta aos problemas” (Sousa & Baptista, 2014). Neste estudo, a investigadora não aplicou um pré- teste do questionário, dado que o mesmo foi baseado e adaptado de um instrumento, já válido e aplicado com êxito, nas dissertações de mestrado de Marques (2014), com o título “A Importância da Gestão na Sustentabilidade de Organizações Sem Fins Lucrativos Prestadoras de Serviços Sociais” e de Amaral (2013), apelidada de “Da Dependência e Vulnerabilidade à Sustentabilidade e Autonomia do Terceiro Setor? O Caso do Concelho de Santa Marta de Penaguião”. Após as organizações terem entregue os inquéritos, procedeu- se ao tratamento dos dados através do programa N. Vivo, versão 11.0 e SPSS (Statistical Package for the Social Sciences), com o objetivo de se obter conclusões e respostas aos objetivos do presente estudo.