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Les contrôles exercés aux frontières extérieures

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A- Les conditions d’accès à l’espace commun :

1- Les contrôles exercés aux frontières extérieures

A representação do processo de projeto pode auxiliar a compreensão das ações dos projetistas (RIBA, 2010), as questões envolvidas nas diversas fases do processo (LAWSON, 2011) e até os fluxos de informações (DUTRA, 2010). Apesar de facilitar a leitura de um processo de projeto, o mapeamento é limitado, porque transforma um processo extremamente complexo em algo visual. Ele pode demonstrar mais lógica e sistematização

22 A multimodalidade nas análises que entende o discurso além do texto escrito,

81 do que o processo projetual possui na prática. Assim, deve-se ter em mente essas simplificações durante a leitura dos diagramas (LAWSON, 2011).

Diversas formas de representação se destacam na década de 60 (VRIES; WAGTER, 1990; CROSS, 2011; GOLDSCHIMIDT, 2014), e vários autores se dedicaram ao mapeamento, ainda que haja incontáveis formas de projetar (LEVIN, 1966; MARKUS; MAVER, 1970; DARKE, 1978 apud LAWSON, 2011; ASIMOW, 1962; WATTS, 1966; MESAROVIC, 1964 apud GOLDSCHMIDT, 2014). Como não há um mapeamento único de projeto, deve-se utilizar o que melhor se adequa aos objetivos a que a análise se propõe (LAWSON, 1990). Dentre os tipos de diagramas disponíveis usados para mapeamentos de projetos em contextos de baixo impacto ambiental, destacam-se o IDEFØ – Integrated DEFinition Methods (KBSI, 2020) e a criação do DICA - Diagrams of Representation for Courses of Action in the Design Process - (DUTRA, 2010).

2.3.3.1 IDEFØ

O IDEFØ – Integrated DEFinition Methods – é uma técnica capaz de apreender interdependências existentes no processo de projeto (MUJUMDAR; MAHESSWARI, 2018), a partir da representação de decisões, ações e atividades de um sistema ou organização. Ele consiste na representação de uma série de diagramas que são encadeados, permitindo uma visão geral de todo o processo (WILDE, 2004) e a decomposição hierárquica do sistema em níveis mais detalhados (KBSI, 2020).

O detalhamento do sistema ocorre por meio da representação da decomposição das atividades, denominadas “nós”, em diversos níveis. A relação entre todas as camadas é indicada na “árvore de nós” (Figura 8). O nível zero (nó: A-0) é o mais geral e representa todo o processo. Na árvore de nós, cada nó detalhado é representado por uma linha ligando o nó inicial aos que derivam dele, no exemplo, o nó A-0 está detalhado no nível 1 como os nós A-1, A-2 e A-3 (Figura 8). A numeração utilizada nos nós derivados sempre se inicia com a numeração do nó do qual derivou, no exemplo, no nível 2, os nós A-31, A-32 e A-33 são detalhamentos do nó A-3, e assim sucessivamente, até que todos os níveis de aprofundamento estejam representados na árvore de nós.

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Figura 8 - Exemplo de árvore de nós

Fonte: elaborado pela autora (2019)

No diagrama IDEF-0, uma função é um processo, atividade ou tarefa, e é representada por um retângulo. Para cada função é inserido um dado de entrada, ou seja, uma informação necessária para que esse processo ocorra. A representação é uma seta que sai da descrição do dado de entrada, à esquerda do retângulo, até ele. Como resultado do processo, tem-se um ou mais dados de saída, à direita do retângulo do processo, ligado (s) por uma seta que sai do retângulo da função até a descrição do dado de saída (KBSI, 2020). A cada camada em que se aprofunda a análise, a numeração dos retângulos deve ser atualizada (Figura 9).

Figura 9 - Representação das informações mapeadas no IDEF-0 no nível 0

83 Mecanismos são itens que permitem a execução de uma função, ou seja, são os recursos utilizados. Essa categoria abarca desde conhecimentos aplicados até times e ferramentas específicas. Na representação gráfica, os mecanismos são apresentados na parte inferior do processo, com uma seta partindo de sua descrição até o retângulo.

O controle guia, regula ou restringe uma função. Os regulamentos, a legislação, a lógica de funcionamento, a política que rege alguma atividade, a disponibilidade de materiais se enquadram nesse quesito. Os controles são representados na parte superior do processo e são ligados por setas que partem deles até o retângulo da função.

Essa representação foi criada para descrever o ciclo de vida de um sistema, permitindo a modelagem de decisões, ações e atividades de uma organização (OLIVEIRA; ROSA, 2010) e a boa comunicação sobre o processo (WILDE, 2004). O IDEF-0 tem sido empregado para diversos fins de pesquisa, tais como: a análise do desempenho de edifícios (WILDE, 2004; BAKCHAN; FAUST; LEITE, 2019; GHAFFARIANHOSEINI et al., 2019); as interações entre os membros da equipe de projeto arquitetônico que usam essa metodologia (SANVIDO; NORTON, 1994; AUSTIN et al., 1999; MUJUMDAR; MAHESSWARI, 2018); e os processos da indústria (STOYELL et al., 2001).

2.3.3.2 DICA

O DICA - Diagrams of Representation for Courses of Action in the Design Process - (2010) é um método de diagramas de representação desenvolvido para registrar o processo projetual bioclimático e auxiliar as análises e comparação entre esses processos. O DICA representa as ações do processo de projeto por meio de pontos (Figura 10, circunferência 2) ligados cronologicamente, dispostos em 7 linhas (Figura 10, circunferência 1): a) reunindo informações; b) decisões de projeto; c) síntese conceitual; d) análise; e) síntese de projeto; f) conjecturas; e g) EDST (Environmental Design Support Tools), aplicado ao uso de ferramentas para análise de desempenho ambiental. Os detalhamentos das ações de projeto estão indicados pelo retângulo pequeno (Figura 10, circunferência 2).

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Figura 10 - Diagrama DICA proposto por Dutra (2010)

Fonte: Dutra (2010, p. 86)

A primeira categoria, “reunindo informações”, contém as ações que o arquiteto realiza quando busca por dados que possam auxiliar no processo, a exemplo do brief, experiências precedentes, estudos de caso, informações sobre o clima, palestras, tutoriais e

workshops sobre o uso de ferramentas etc. A explicação sobre qual o tipo de informação a

que corresponde esse ponto deve ser indicada no texto auxiliar, acima do ponto (Figura 10, circunferência 2). Os pontos inseridos nessa linha devem representar o momento em que as informações foram inseridas no processo de projeto e que uso foi feito delas. Na linha correspondente à categoria da decisão projetual, identificam-se o momento em que os arquitetos tomam decisões, o tipo da decisão, por meio do texto auxiliar, e em qual contexto tal decisão foi tomada. Essas resoluções podem ser a escolha do terreno, de materiais, definições relacionadas ao programa, aos requisitos ambientais, ou à forma do edifício, por exemplo. As marcações podem auxiliar a visualização e a deliberação quanto à possível prematuridade de uma decisão projetual relativa às questões ambientais. A síntese conceitual acontece durante todo o processo projetual, em geral, depois de uma análise, embora também possa ocorrer sem ela. Ela pode envolver metas e alvos do projeto e representa a sua intenção antes mesmo de a forma ser desenhada. Essa categoria engloba a

85 identificação de estratégias de projeto genéricas, que visam o melhor aproveitamento do clima e das características do sítio (DUTRA, 2010).

A análise se refere à avaliação de uma característica particular ou elemento de projeto com o uso de ferramentas, e funciona como um teste sobre as informações coletadas ou sobre as soluções identificadas, de maneira a orientar as decisões de projeto e a síntese projetual. A análise pode compreender os estudos paramétricos para entender os efeitos de sistemas construtivos no uso de energia e no conforto dos ocupantes do edifício, ou simulações de insolação, ventilação, iluminação e de desempenho termoenergético, por exemplo (DUTRA, 2010).

A síntese projetual é a criação da solução projetual. Ela pode ocorrer baseada nas análises prévias ou em conjecturas, que podem ser testadas em um momento posterior ou não. Em geral, a síntese ocorre sempre que o arquiteto desenha uma ideia. Quando o processo é focado em questões ambientais, as melhores sínteses projetuais ocorrem depois de análises que avaliam o desempenho do edifício ou de um elemento. No entanto, quando a análise prévia não acontece, a síntese pode ser “balística”, ou seja, o arquiteto dispara uma solução sem vincular sua ideia a indicadores de desempenho (DUTRA, 2010).

A conjectura indica uma ideia que não foi previamente testada, como um passo inicial em direção à síntese projetual, que normalmente passa pela análise. Quando da conjectura parte-se para a síntese projetual, sem passar pela análise, tem-se o movimento “balístico”. A conjectura está relacionada ao teste de hipóteses, o que permite rejeição ou refinamento da solução testada. Ela está frequentemente ligada à intuição e criatividade, possibilitando descobertas e novos pontos de vista no processo projetual, mas, caso ocorra em excesso, traz certo nível de incertezas ao processo (DUTRA, 2010).

O EDST indica o uso de ferramentas de suporte ao projeto ambiental e normalmente está relacionado à realização de análises. Assim, o diagrama utiliza uma seta para indicar qual ponto na linha do EDST está relacionado com cada análise (Figura 10, circunferência 5). “Uma importante característica desse tipo de ação é que ela permite verificar se o projetista realmente analisou a performance ou se ele apenas disse isso” (DUTRA, 2010, p. 84). Essa categoria também ajuda a verificar se a análise climática foi realizada de maneira apropriada, por meio da comparação dos resultados com a ferramenta utilizada nessa fase, e permite a visualizar qual síntese resulta do uso de uma ferramenta.

86 Dutra (2010) realizou o preenchimento desse diagrama a partir da observação das ações do projeto, desenhos, anotações e mapeamento das leituras realizadas e entrevistas para compreender as intenções dos participantes. Também foram utilizados como fonte os relatórios produzidos pelos estudantes, com desenhos e documentos sobre os projetos, as informações visuais, as explicações detalhadas sobre o processo de concepção e os resultados alcançados pelos projetistas.

Embora os diagramas IDEF-0 e o DICA sejam aplicáveis a processos de projeto, suas especificidades levam à necessidade de verificar sua aderência aos processos projetuais que visam atendimento de metas e ocorrem no contexto da prática profissional. Também é necessário verificar a pertinência do seu preenchimento para os dados disponíveis sobre os processos e sobre uma real contribuição para o tipo de análise a ser realizada nesta pesquisa.

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