8.4 Les constrictives sonores
8.4.3 Les constrictives sonores en position finale
A partir dos mapas finais de vulnerabilidade foram calculadas as diferenças a nível das culturas agrícolas (para o mesmo método), com o intuito de perceber a existência de diferenças entre a vulnerabilidade dos cereais para grão e a vulnerabilidade à seca das principais culturas agrícolas (Figura 4.25).
Os mapas de vulnerabilidade das culturas agrícolas à seca obtidos a partir do cálculo do ADVI e da PCA apresentam algumas diferenças pontuais, positivas e negativas, que se concentram nas mesmas áreas, sendo assim, de modo a compreender a concordância entre ambos os métodos, realizaram-se as diferenças entre os mapas finais de ADVI e PCA (para a mesma cultura, Figura 4.26).
Figura 4.20. – a) Mapa obtido a partir das 5 EOFs apresentadas na Figura 4.22; b) Classes de vulnerabilidade das principais culturas agrícolas à seca derivadas do mapa da Figura 4.20a).
No caso das diferenças entre culturas, em ambos os métodos, a diferença é de apenas uma classe de vulnerabilidade (Figura 4.21). No caso do ADVI (Figura 4.21a) que representa a diferença entre as Figuras 4.14b) e 4.12b), verifica-se que as zonas a azul (Principais Culturas - Cereais para grão < 0) ocorrem sobretudo no Centro e em regiões do Alentejo, sendo nestas zonas em que a vulnerabilidade das principais culturas agrícolas é inferior à vulnerabilidade calculada para os cereais para grão. Por outro lado, nas zonas a vermelho (Principais Culturas - Cereais para grão > 0), maioritariamente localizadas no norte do país, as principais culturas agrícolas têm vulnerabilidade superior aos cereais para grão. No caso da PCA, parecem existir menos diferenças entre os resultados de vulnerabilidade para as diferentes culturas. As zonas com diferenças negativas situam-se sobretudo no Centro e Alto Alentejo e as zonas com diferenças positivas situam-se no Norte.As diferenças entre as culturas podem ser devidas ao facto de o Alentejo apresentar uma maior proporção de superfície utilizada em cereais para grão face às outras regiões. Isto não se verifica no caso da proporção de superfície utilizada no total de culturas agrícolas. Neste caso, esta tem uma menor variância de região para região (Figura 4.7).
Quanto às diferenças entre os métodos a nível de culturas (Figura 4.22) não se verificam diferenças, ou seja, o padrão espacial dos valores das Figuras 4.22 a) e b) são semelhantes. Ao nível dos métodos encontram-se diferenças, diferindo no máximo de uma classe e para classes intermédias. Observando estas figuras o que se verifica é que ambos os métodos identificam as mesmas regiões de pouca e extrema vulnerabilidade, o Minho e o Alentejo, respetivamente. Nas restantes classes de vulnerabilidade verificam-se diferenças de uma classe, isto é, as regiões a azul (ADVI - PCA < 0) são regiões em que a classe de vulnerabilidade estimada pelo ADVI é menor que a estimada pela PCA; e as regiões a vermelho (ADVI - PCA > 0) , maioritariamente o norte e o Algarve são zonas em que o ADVI estima uma classe de vulnerabilidade superior à estimada pela PCA.
O facto de se utilizarem dois tipos de abordagens diferentes (ADVI e PCA), mas com resultados semelhantes significa que as zonas identificadas de vulnerabilidade coincidente muito provavelmente estão associadas a esse tipo de vulnerabilidade. Existe uma diferença notável entre os métodos: o ADVI dá uma maior importância ao mapa hidrogeológico, notando-se a dependência do mesmo no mapa de vulnerabilidade final, sobretudo na bacia do Sado. Por sua vez, a PCA não dá uma importância tão significativa a este indicador, pois não é possível identificar o contributo do mapa hidrogeológico nas 5 EOFs que explicam pelo menos 80% da variância explicada da amostra. É de notar que o mapa final realizado a partir da PCA foi repetido com mais EOFs de maneira a testar se a introdução de mais informação inicial poderia melhorar significativamente os resultados, no entanto o mapa final não apresentava diferenças notáveis.
A aplicação da PCA para o estudo e monotorização dos eventos de seca em Portugal não é inovador, no entanto apenas foi aplicado utilizando variáveis isoladas como o SPEI, SPI e PDSI (Vicente-Serrano, 2006; Santos et al., 2010; Martins et al., 2012). No presente trabalho é considerado um maior e mais diverso número de variáveis relacionadas com as componentes exposição, sensibilidade e capacidade de adaptação das culturas que permitem avaliar a vulnerabilidade das culturas à seca. No entanto, é de destacar que a PCA permite uma análise conjunta dos indicadores, não sendo possível definir individualmente os índices EI, SI e ACI. Por outro lado, tem a vantagem de não ser necessário determinar os pesos adequados a cada indicador. Por sua vez, o ADVI permite determinar estes índices (EI, SI e ACI) recorrendo ao cálculo do peso dos indicadores, não de uma forma subjetiva, mas, neste caso, dependente da variância de cada um deles.
O 24º relatório do projeto DROUGHT-R&SPI (Fostering European Drought Research and
Science-Policy Interfacing) apresenta um estudo da vulnerabilidade e do risco associado às secas, tendo
em conta as componentes exposição, sensibilidade e capacidade de adaptação, em alguns países da Europa, nomeadamente em Portugal. Este estudo mostra que para uma escala de vulnerabilidade de 1-5 (sendo 1 correspondente a pouco vulnerável e 5 correspondente a extremamente vulnerável), Portugal apresenta vulnerabilidade 4, ou seja, é um país muito vulnerável a eventos de seca. A presente abordagem, ao fazer uso de dados com maior resolução, permite identificar diferentes zonas dentro do país que apresentam diferentes vulnerabilidades. Estudos deste carácter, nomeadamente o de Guiqin et al. (2012) para a China e o de Kim et al. (2013) para a Coreia do Sul demonstraram a eficácia deste método na identificação e perceção do potencial risco de seca. Espera-se que este estudo contribua para uma melhor compreensão de como e quanto o sector agrícola é afetado em situação de seca, de modo a reduzir os danos neste sector que desempenha um papel importante no contexto nacional.