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Les constituants de la paroi cellulaire du bois

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Partie I : Le bois, la lignine et les xylanes : Etat de la question

Chapitre 1 : Le bois : constitution et constituants

II. Les constituants de la paroi cellulaire du bois

As mudanças e transformações anunciadas pela Revolução de 1930, liderada por Getúlio Vargas, foi, como bem ilustra Rubim (2007b, p. 14) ―uma transição pelo alto,

76 com rupturas e continuidades controladas‖. Atento à emergência de novos grupos sociais de expressão (as classes médias, o proletariado e a burguesia que disputava espaço político com as velhas e decaídas oligarquias), Vargas assimila e se apropria das demandas modernistas por uma política cultural estatal, quando institui o Ministério da Educação e Saúde em 1934, mantendo à frente do Ministério Gustavo Capanema, que teria uma permanência longeva no cargo, só saindo dele com a deposição de Getúlio em 1945.

O Ministério dirigido por Capanema, para o qual se constrói prédio monumental e exemplar da arquitetura e artes modernistas, onde simbolicamente se encontram pensadores e artistas de esquerda e de direita, em anos de forte polarização ideológica, vai expressar essa busca pelo estabelecimento de uma gestão da cultura, que desta forma nasce e ficará associada a momentos de exceção e autoritarismo politico no país. (MUNIZ, 2007, p.68-69)

A noção de cultura brasileira mestiça, própria, mais distanciada de uma matriz europeia, é marcadamente defendida em obras como Casa Grande e Senzala, de Gilberto Freyre, Raízes do Brasil, Sérgio Buarque de Holanda, Vaqueiros e Cantadores, de Luis da Câmara Cascudo e Formação do Brasil Contemporâneo, de Caio Prado Junior‖ (MUNIZ, 2007b, p.69), que foram apropriadas de forma contraditória pela Revolução de 1930 e o Estado Novo que lhe seguiu. Vargas e seus revolucionários buscaram nestes estudos, hoje clássicos da etnografia, da sociologia e da antropologia brasileira, a vinculação paramétrica que, à época, ajudou a legitimar a intervenção engendrada pela Revolução na maior atenção dada às manifestações culturais populares. A conversão do processo revolucionário em ditadura por Getúlio Vargas explicita as razões para a adoção de uma política autoritária de caráter nacional-popular, na qual foram valorizados traços do folclore e das culturas populares, mas, exercendo sobre seus criadores um forte controle, inclusive através da ação violenta da censura e da polícia política na perseguição a artistas que manifestassem divergência em relação à ação e à ideologia do Governo. Nesse contexto, o rádio, que surge e logo se estabelece como esfera de poder midiático sobre a sociedade brasileira, teve um papel fundamental na veiculação de signos que representassem a ideologia dominante e, por essa razão, esteve rigidamente submetido ao controle ideológico do Estado. É nesse cenário que o

77 samba e o carnaval são convertidos de expressões marginais à condição de símbolos nacionais.

[...] as letras dos sambas que elogiam o malandro e a malandragem são censuradas pelo DIP e a polícia passa a fiscalizar e a definir até o tipo de fantasias que podiam ser usadas e os temas que as escolas de samba, recém-criadas, podiam levar para a avenida, recebendo patrocínio do Estado (grifo nosso) desde que abordassem temas patrióticos, de afirmação da ética do trabalho e que exaltassem o regime. (MUNIZ, 2007b, p.69)

A afirmação de Muniz leva em conta textos de diferentes autores como As Escolas de Samba do Rio de Janeiro, de Sérgio Cabral, História Social da Música Popular Brasileira, de José Ramos Tinhorão, Brasil: rio e ritmo, de Leonel Kaz, e Passarinhada do Brasil, de Arnaldo Contier, obras nas quais está caracterizado, segundo a interpretação de Muniz, o papel do Estado atuando no fomento do circuito da música e exercendo sobre este forte controle ideológico.

No âmbito institucional, outra ação marcante da Era Vargas foi a criação, em 1937, do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - SPHAN, hoje IPHAN, a mais longeva instituição pública de cultura do Brasil em atividade contínua, que, apesar de várias alterações em sua denominação, jamais mudou de finalidade: proteger, cuidar e zelar pelo conjunto de monumentos, relíquias, bens e cidades históricas que ajudaram a formar simbolicamente a memória e a identidade da nação, através do pressuposto de que a propriedade sobre um conjunto de valor artístico e histórico forma o patrimônio no qual a sociedade se espelha e se identifica. O enfoque dado ao patrimônio de pedra e cal, monumental, composto de representações estéticas da cultura barroca e branca, como igrejas, fortes e palácios, foi também considerado por Mário de Andrade, a quem o ministro Capanema ―encomendou‖ os estudos para criação do SPHAN, mas quem definiu tal categoria como foca da ação do órgão foi o pensamento daquele que se tornaria seu ―eterno dirigente‖, o também ―modernista‖ Rodrigo Melo Franco de Andrade, que assumiu a instituição desde sua criação só se desligando em razão de sua morte em 1969. Rubim (2007b, p.17) afirma, a partir de sua interpretação de Intelectuais à brasileira de Sérgio Miceli, que

[...] o SPHAN circunscreve a área de atuação, dilui possíveis polêmicas, desenvolve sua competência técnica qualificada e

78 profissionaliza seu pessoal. Tais atitudes, em conjunto com seu ―insulamento institucional‖, irão garantir a independência e a impressionante continuidade organizacional e administrativa da entidade e de seu dirigente (MICELI, 2001, p.362) e transforma o SPHAN em algo exemplar para as políticas culturais no Brasil e em muitos países.

Ainda de acordo com Rubim (2007b, p.18), a gestão Vargas/Capanema firma ainda outra tradição no Brasil: ―a forte relação entre governos autoritários e políticas culturais‖, relação que poderia ter seu contraponto na arrojada concepção estabelecida por Mário de Andrade, quando cria e dirige o Departamento de Cultura da Prefeitura de São Paulo a partir de 1935. Lá, ele implantou uma rede de bibliotecas públicas além de outras ações pioneiras no Brasil, como a ―biblioteca circulante‖, as ―Casas de Cultura‖ e as ―Missões de Pesquisa Folclórica‖, com as quais suas equipes de pesquisadores incursionaram nas profundezas das regiões Norte e Nordeste do Brasil.

O atual Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular, ligado à estrutura do Ministério da Cultura através do IPHAN, é uma herança institucional importante desse período. Cumpre salientar que o empreendimento da Prefeitura da capital paulista tinha, nesta perspectiva de ação de abrangência nacional, o interesse subjacente de contribuir para o projeto paulista de retomar o poder central perdido para Getúlio na Revolução de 1930.

Infelizmente, com o golpe do Estado Novo e a intervenção de ditadura getulista em todas as unidades da Federação e seus níveis institucionais de poder, a experiência de Mário de Andrade foi interrompida em novembro de 1937, não podendo florescer a ponto de firmar um legado político e intelectual efetivo e duradouro, mas se tornando o objeto mais analisado pelos estudiosos de políticas culturais. Possivelmente, toda essa atenção decorre do que, para Isaura Botelho (2007, p.112) ―foi uma experiência inovadora na época‖ e ―segue sendo um exemplo interessantíssimo de uma ambiciosa gestão cultural na esfera do município‖. Tamanho destaque decorre do fato de que, segundo Botelho, a política cultural encetada por Mário de Andrade era abrangente no conteúdo (ia desde culinária a design) e na extensão (todas as camadas da população, sobretudo, as mais humildes, tradicionalmente excluídas ou pouco consideradas em importância efetiva nas ações governamentais).

Até o final da ditadura Vargas, o governo federal manteria sua política de estímulo ao meio cultural mediante alinhamento e subordinação, acionando os mecanismos de repressão e censura quando eram contestados. A expansão do rádio

79 como veículo de comunicação de massa, submetido ao controle da ditadura, permitiu que o mapa da brasilidade fosse pintado segundo os matizes ideológicos de interesse dos governantes. Por outro lado, a ambigüidade tão característica das ações getulistas, deram voz e vez para que o Brasil revelasse a si mesmo para além das concepções europeizadas, no teatro, na música, na dança, nas artes plásticas, havia chegado a hora ―dessa gente bronzeada mostrar seu valor‖11

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