Profils dialogiques de dyades mère – enfant avec et sans troubles du langage
2. Les conduites dialogiques des enfants dysphasiques
É neste contexto, e tendo como objectivo desenvolver uma aplicação de televisão interactiva que permita suportar e facilitar a comunicação entre telespectadores, que se configuram os desafios, ou questões de investigação, a que este trabalho tenta dar resposta:
Q1
Qual o modelo dessa aplicação e as funcionalidades que esta deve integrar para que, nomeadamente, seja possível:OBJECTIVO: Desenvolver uma aplicação de TV Interactiva que permita suportar e facilitar a comunicação entre
telespectadores, contribuindo para um potencial incremento da frequência comunicacional a) suscitar uma “sensação de presença” que permita dinamizar uma
estrutura gregária em torno da visualização televisiva, permitindo, por exemplo, que um conjunto de pessoas conhecidas, mas geograficamente distribuídas (na mesma cidade, em diversas partes do país ou mesmo do mundo), possam saber que estão a ver televisão “colectivamente”, eventualmente o mesmo programa, com a sensação de que o “outro está logo ali” – à distância de uma simples interacção; b) estabelecer diversas interacções típicas, em torno de temáticas
televisivas, tais como: avisar alguém sobre um programa interessante ao qual se está a assistir; comentar (de uma forma ligeira ou complexa) algo que está a passar na televisão; “recomendar” um programa televisivo a um amigo (como quem, hoje em dia, recomenda a alguém a consulta de uma página da Internet enviando o seu endereço);
c) facilitar uma nova dinâmica de sustentação de comunidades distribuídas, eventualmente mais envolvente do que a permitida pelos actuais sistemas de comunicação em tempo real, permitindo identificar pessoas com o mesmo tipo de consumo televisivo e trocar opiniões entre pessoas desconhecidas, mas que estejam a ver o mesmo programa.
No entanto, este propósito só se justifica se o desenho da aplicação for centrado no utilizador, ou seja, de pouco valerá todo o esforço de conceptualização se não se ponderar se o objecto alvo tem ou não interesse para os seus possíveis utilizadores, de que forma este será utilizado e como se pode facilitar essa utilização.
“Uncover an innovative idea, research the industry, define the target demographic, develop new technologies, and send out merchandise; these are all important phases for the development of a new technology product. But what about the user? At the end what matters is how the consumer will
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be interacting with it. If they can use it easily, a product can be a marketing success. If it is difficult to use, it could means the end of the product.”
Tavares (2004: 24).
Como se irá descrever, a estratégia que melhor se adequou para resolver esta questão centrou-se no desenvolvimento de um protótipo funcional, que traduzisse, apresentasse e permitisse, a potenciais utilizadores, a experimentação, senão de todas, de pelo menos a maior parte das funcionalidades conceptualizadas.
Esta abordagem de investigação originou uma outra questão paralela:
Q2
Que procedimento se deverá seguir para implementar um protótipo, adaptado às especificidades do design de interfaces para televisão interactiva e que “espelhe” o respectivo modelo conceptual7, deforma a que, após a avaliação da sua usabilidade8, seja possível
identificar:
a) a adequabilidade das soluções funcionais encontradas, nomeadamente no sentido de assegurarem uma base para um maior potencial relacional entre os utilizadores da aplicação, beneficiando (mesmo no actual cenário de crescente segmentação televisiva) do conteúdo televisivo como referencial comum e indutor de conversas;
b) a apetência e a receptividade dos utilizadores pelas valências conceptualizadas, compreendendo a sua possível integração nas dinâmicas sócio-cognitivas enquanto telespectadores.
É importante desde já realçar que a incorporação de qualquer funcionalidade interactiva, na televisão, e o correspondente design de interfaces enfrentam um conjunto de especificidades muito próprias deste meio, provenientes do seu contexto de utilização (Chorianopoulos, 2004) e das suas limitações técnicas, a saber:
7 Trata-se de uma exposição esquemática que permite ao autor de uma
determinada aplicação apresentar as respectivas funcionalidades aos elementos com quem tem de articular, nomeadamente aos utilizadores finais. Este termo difere de “modelo mental”, o qual está directamente relacionado com a representação interna que uma pessoa tem de um determinado sistema ou aplicação, a qual pode mudar de pessoa para pessoa e ao longo do tempo.
8 Trata-se de um vocábulo não encontrado na língua portuguesa. Admite-se que
se venha a tratar de um neologismo derivado de uma tradução directa do termo inglês usability. É usado ao longo do texto para, genericamente, referir o conjunto de características que tornam uma interface funcional e fácil de utilizar.
− O utilizador de uma aplicação de TV Interactiva é, em primeira instância, um telespectador e, como tal, o estudo do contexto específico de utilização centra-se nas suas tipologias de consumo televisivo. Este estudo torna-se fundamental pois permite identificar, por um lado, as tarefas e os processos comunicacionais em torno da televisão (que informam a conceptualização das funcionalidades e serviços da aplicação) e, por outro, os factores comportamentais do telespectador que se tornam determinantes na elaboração de princípios específicos que orientam o design de aplicações de TV Interactiva;
− Quanto às dificuldades técnicas, estas relacionam-se, nomeadamente com a baixa definição dos ecrãs dos normais televisores, com a distância e posição de visualização do utilizador e com as limitações do dispositivo de interacção (telecomando e teclado sem fios). Importa sublinhar que foi necessário transpor estas dificuldades de forma a que uma potencial rejeição de um serviço não se ficasse a dever a uma implementação técnica pouco conseguida.
As especificidades referidas, inerentes à utilização de aplicações de televisão interactiva, dão lugar a uma terceira questão de investigação:
Q3
Como se relaciona a heterogeneidade do público-alvo, nomeadamente ao nível da literacia tecnológica, com:a) a facilidade de aprendizagem e utilização do protótipo;
b) a adequabilidade da aplicação conceptualizada para suportar a comunicação entre telespectadores;
c) o nível de apetência em relação à sua utilização.
Importa, contudo, esclarecer que para além deste conjunto de questões orientadoras, o trabalho desenvolvido foi enquadrado por uma importante fase empírica de avaliação do protótipo desenvolvido, na qual foi definido um conjunto de objectivos específicos, cuja identificação e análise se encontra descrita no respectivo capítulo (capítulo 8).
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1.3 A abordagem ao problema: percurso de
investigação e estrutura do documento
«Problems cannot be solved at the same level of awareness that created them» Albert Einstein (1879 - 1955)
O processo de investigação inerente a este trabalho, quer ao nível do seu objectivo principal, quer ao nível da resolução das respectivas questões de investigação, foi organizado em diferentes etapas (sucintamente descritas abaixo) que constituíram o seu percurso operacional. Note-se que estas etapas desenrolaram-se segundo um cronograma iterativo e não forçosamente pela ordem linear com que, a seguir, aparecem descritas9.
1-INTRODUÇÃO Numa área tão abrangente como é a da televisão interactiva, a focagem
inicial desta investigação foi uma tarefa que resultou, essencialmente, do levantamento do estado da arte e da identificação da conjuntura tecno- social referida (que motiva e justifica a investigação desenvolvida). Foi, assim, possível identificar o objectivo principal deste trabalho e as correspondentes questões de investigação, em torno das quais se orientou o trabalho desenvolvido.
PARTE 1