2.2 Le cursus d’enseignement
2.2.4 Les conditions d’apprentissage
3.7.1. A dificuldade da tomada de decisão na escolha da carreira
Segundo Carmo (2002), os sobredotados, como têm múltiplos interesses, apresentam possibilidades de sucesso em vários cursos e profissões. Para ele, a tomada de decisão de carreira é complexa, sobretudo se a opção por um determinado curso é limitadora, perdendo a oportunidade de desenvolver e explorar outras formações. Devido ao facto dos níveis de aptidões destes alunos serem elevados num número elevado de áreas, o aconselhamento de carreira deve centrar-se em escolhas profissionais desafiantes, pessoalmente recompensadoras e interessantes (cf. Wilson, 1982 cit. por Carmo, 2002). Uma variedade de escolha entre as diversas profissões
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possíveis e a probabilidade de sucesso em várias pode ser um factor destabilizador que envolve um sentimento de perda, seja qual for a escolha. O stress pode afectar a auto- -estima e o sucesso destes jovens.
Nas escolas secundárias, os alunos sobredotados mostram-se, por vezes, mais vulneráveis nas suas decisões vocacionais, adiando o planeamento de carreira até ao final do ensino secundário. Deve-se permitir que estes jovens se relacionem com outros colegas, também sobredotados de forma a discutir os seus objectivos futuros. Devem ser ajudados a reconhecer que, provavelmente, não irão encontrar uma profissão que utilize todos os seus talentos ou que exija os elevados níveis de aptidões que possuem (cf. Carmo, 2002).
A existência de diversos interesses, talentos e capacidades podem provocar indecisões na escolha de carreira. Kerr (1981 cit. por Carmo, 2002) classificou os problemas de tomada de decisões de carreira, que podem formar indecisões:
• Apesar das múltiplas capacidades, tomar uma única decisão;
• Fazer planos de carreira a longo prazo antes de ter a maturidade emocional necessária;
• Conciliar os objectivos de carreira pessoais e as expectativas sociais. Os jovens sobredotados podem sentir-se angustiados devido à abundância de escolhas que lhes são disponíveis durante a escolha da carreira. Podem atrasar a tomada de decisão ou mudem com mais frequência o curso. Sentem-se confusos, ansiosos ou frustrados, pois receiam perder algo ou tomar a decisão errada (cf. Shute, 2000 cit. por Carmo, 2002). Os indivíduos sobredotados necessitam de mais informação e ajuda no planeamento da carreira do que os outros jovens, devido ao maior número de opções e alternativas que eles podem ter em consideração (cf. Fredickson, 1986 cit. por Carmo, 2002). Por isso, deverão estar disponíveis intervenções apropriadas, tal como aconselhamento de carreira.
3.7.2. O papel dos pais no aconselhamento da carreira dos alunos sobredotados
A influência parental é importante na hora de aconselhar um jovem sobredotado sobre a escolha da sua carreira. O papel dos pais não é fazer com que a criança escolha uma vocação antes de entrar para a escola, mas sim fazer com que ela se interesse em
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aprender sobre diversas áreas. Carmo (2002) refere que muitos pais promovem experiências na área de maior sucesso e interesse do jovem sobredotado, mas corre o risco de não promover experiencias noutras áreas. Assim, os pais podem estar a contribuir para a não evolução de outras potencialidades já existentes ou a não proporcionar o seu desenvolvimento integral e harmonioso. O encorajamento para uma certa escolha de carreira pode ser encarado para o jovem como alguma forma de pressão, a qual pode interferir no momento da tomada de decisão. De facto, demasiadas expectativas são postas neles em relação às suas realizações futuras. Por isso, necessitam de toda a ajuda possível para lidar com a pressão exercida por tais expectativas.
Os pais devem motivar os filhos a seguirem as suas aspirações, desde que estejam adequados com as suas aptidões, interesses e valores. Eles são uma influência importante para os seus filhos, pois as crianças, normalmente, interessam-se por aquilo que fazem. Devem esclarecê-los sobre as características das suas profissões, transmitindo o realismo do mercado de trabalho. Devem evitar aliviar as suas próprias frustrações, induzindo o jovem a seguir a profissão que eles próprios gostariam ter exercido, ou ainda, pressioná-los a seguir o negócio da família (cf. Brumbaugh e Roshco, 1959 cit. por Carmo, 2002).
3.7.3. A possível perca das potencialidades
Winner (1996) refere que as crianças sobredotadas não se tornam forçosamente adultos criadores. A maior parte dos dons nunca se desenvolvem completamente e acabam por se desvanecer relativamente a muitas crianças sobredotadas. Esta autora refere que existem quatro relações possíveis entre a infância do sobredotado e uma vida adulta plena de criatividade:
• As crianças sobredotadas abandonam o domínio de competência. Geralmente, os pais são aquele que pressionam de modo excessivo e estão demasiado envolvidos no seu desenvolvimento.
• As crianças sobredotadas tornam-se peritos, ou seja, acabam como especialista da área em que possuem talento. Estas têm uma forte motivação, são capazes de se concentrar num objectivo e atingir um
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estado de fluência quando trabalham. Cresceram em famílias que lhes ofereceram apoio e estimulação e conheceram professores que as inspiraram, sendo modelos a seguir.
• As crianças sobredotadas tornam-se adultos criadores do mesmo domínio de competência. Estas também são motivadas, concentradas e conheceram modelos a seguir. Porém, estão dispostas a adoptar uma atitude inconformista, correm riscos e são capazes de agitar as tradições estabelecidas.
• As revelações tardias: as crianças não são identificadas numa idade precoce como sobredotadas, mas na entrada da vida adulta, descobrem um domínio no qual se tornam criativos. Geralmente, descobrem-no na universidade, onde tomam contacto como ele pela primeira vez.
Guenther (2002: 93) salienta que “há indicações de que considerável número de ‘crianças – prodígio’ tornam-se adultos normais.”
No seu estudo, Terman esperava que os seus sujeitos realizassem grandes obras criativas na idade adulta, mas acabou por constatar que outros factores deviam estar envolvidos no desempenho das crianças, para além de um QI elevado, tal como a motivação e a personalidade. Estas, durante a infância, permitem prever com maior segurança o êxito na idade adulta. Além disso, Winner (1996) refere que as crianças que se sentem alegre, fortes, entusiasmadas, abertas e bem-sucedidas enquanto trabalham no seu domínio de competência têm mais probabilidades em se manter fiéis, de não perder o interesse nem abandonar o referido domínio. Além disso, os adolescentes sobredotados que não suportam a solidão podem abandonar o seu domínio no fim do ensino secundário, apesar de possuírem uma aptidão elevada.
3.7.4. A importância do sexo e da sorte na futura carreira dos sobredotados
O sexo também é determinante quando um sobredotado deve tomar uma decisão sobre a sua carreira: os rapazes têm mais oportunidades de obterem um bom desempenho na vida adulta. As raparigas revelam uma auto-confiança mais baixa e as aspirações a uma carreira são menores relativamente aos rapazes de aptidão equivalente. De facto, estas são mais susceptíveis de esconderem os seus talentos para se integrarem
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melhor socialmente, pois as mulheres que conquistam a eminência têm quatro vezes mais probabilidades do que os homens igualmente distintos de ficarem solteiras. Por isso, segundo Winner (1996), não é de estranhar que haja mais rapazes sobredotados do que raparigas que se tornem adultos criadores. Finalmente, as raparigas sobredotadas que não possuem irmãos têm mais probabilidade de se tornarem adultos criadores do que as que os têm, pois geralmente, os irmãos sobrepõem-se às irmãs e recebem mais atenções dos pais.
Segundo Marsh (1985 cit. por Costa e Faria, 2002), a família, as instituições sociais e educativas e o mercado do trabalho favorecem o sexo masculino. Assim, apresentam uma auto-estima mais elevada do que as mulheres.
Segundo Carmo (2002), uma atenção especial dever ser dada às jovens sobredotadas, pois a escolha entre a carreira e a família é um factor a ter em atenção pelo conselheiro de orientação. Este deverá não só ajudar na escolha das suas carreira e cursos superiores, mas também explorar os temas que se relacionem com os problemas de conjugar a carreira, o casamento e a família.
O factor sorte também é importante. Winner (1996) refere que entre a ordem do nascimento, o sexo, um encontro com uma experiência cristalizadora e o tipo de família em que se nasce podem ser considerados acasos felizes ou acidentes infelizes para a criança sobredotada. Exemplifica, dizendo que existem indivíduos brilhantes, detentores de um doutoramento em Filosofia que são taxistas devido à raridade das vagas nas universidades para os filósofos.
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