B. COMMUNAUTÉ FRANÇAISE
II. UN EXEMPLE : LE COMITÉ DE RÉDACTION D’EL PAÌS
3. Les compétences Le comité de rédaction :
Escolhemos a pesquisa-ação como método para esta investigação devido à grande relevância que possui para a formação do professor. O sentido de a utilizarmos reside no fato de sua aplicabilidade contribuir na tentativa de melhoria da prática docente ou de investigação desta. Tripp (2005, p. 443) defende a pesquisa- ação como “uma das formas de investigação-ação definida como toda tentativa continuada, sistemática e empiricamente fundamentada de aprimorar a prática”.
Dessa forma, a escolha pela pesquisa-ação contribuiu pelo caráter qualitativo que possui, tendo o professor condições de refletir sobre sua prática e agir no sentido de aprimorá-la. Nesse contexto, utilizamos a abordagem colaborativa, por acreditarmos que esta tem condições de “criar nas escolas uma cultura de análise das práticas que são realizadas, a fim de possibilitar que os seus professores, auxiliados pelos professores da universidade, transformem suas ações e as práticas institucionais” (PIMENTA, 2005, p. 528). É o que ocorre com as pesquisas de mestrado profissional, em que os orientadores auxiliam as práticas realizadas pelos orientandos, que passam a ter condições de investigar a própria prática e, a partir dela, construir novos saberes.
Nesse sentido, para aprimorarmos a ação docente, precisamos, enquanto academia, contribuir com o professor-participante no sentido de, após descoberto o problema, situá-lo em um contexto teórico mais amplo “e assim possibilitar a ampliação da consciência dos envolvidos, com vistas a planejar as formas de transformação das ações dos sujeitos e das práticas institucionais” (PIMENTA, 2005, p. 523).
Por meio da pesquisa colaborativa, pesquisadora e participantes atuam em conjunto no sentido de contribuir com a melhoria da prática educativa. Portanto, é conveniente e justo que
esses sujeitos participem das observações do pesquisador, interfiram em suas conclusões, apropriem-se de seu olhar, partilhando e contribuindo com a qualidade do conhecimento produzido nesse processo, constituindo-se também eles como pesquisadores e autores das mudanças necessárias nas escolas (PIMENTA, 2005, p. 529).
Comumente, vemos pesquisas em que os participantes cedem o espaço, contribuem com a realização da investigação, porém não recebem o devido retorno dos pesquisadores em relação aos resultados obtidos. A partir dessa percepção, organizamos nossas atividades, apresentamos ao professor-participante e firmamos parceria no sentido de atuarmos em conjunto na realização das atividades elaboradas, assim, pesquisadora e professor poderiam ver na prática os resultados de forma mais concreta.
Através dessa atuação conjunta, foi possível verificar o que deu certo e replanejar aquilo que não foi possível, o que contribuiu para a reflexão diante das ações realizadas e para a realização de alterações dentro da proposta inicial, o que foi feito em acordo com o professor-participante. Por meio desse modelo de pesquisa, teremos condições de desenvolver “uma cultura de análise e de práticas organizacionais participativas” (PIMENTA, 2005, p. 531).
Assim, Pimenta (2005) nos apresenta quais seriam as características da pesquisa-ação na perspectiva de Thiollent (1994) e que contribuem para a construção de professores pesquisadores: “contínua intervenção no sistema pesquisado; envolvimento dos sujeitos da pesquisa na mesma; mudanças seguidas da ação, a partir da reflexão, conforme o autor” (p. 532).
Com base nessas características, apresentamos um diagrama construído por Tripp (2005), representando as quatro fases do ciclo básico de pesquisa-ação.
Figura 1: Ciclo Básico de Pesquisa-ação
Fonte: Tripp (2005, p. 446)
Diante do diagrama da Figura 1, notamos que todas as etapas encontram-se interligadas e que, a partir da investigação, temos condições de definir ações futuras. Assim, é importante que o professor-participante esteja inserido em todas essas etapas dentro da pesquisa para que de fato esta se configure como colaborativa. Infelizmente, nem sempre isso é possível, mas é necessário que haja a tentativa.
Além de colaborativa, esta pesquisa-ação ainda pode ser considerada crítica, pois, nos termos de Kincheloe (1997, p. 179), “a pesquisa-ação crítica não pretende apenas compreender ou descrever o mundo da prática, mas transformá-lo; [...] é sempre concebida em relação à prática – ela existe para melhorar a prática” (p. 179). Dessa forma, por meio da pesquisa-ação é possível provocar mudanças na prática docente, procurando solucionar os problemas detectados. Seguindo a concepção de Kincheloe (1997), podemos dizer, então, que temos uma pesquisa-ação crítico- colaborativa.
Nesse sentido, é importante observar que a construção do nosso objeto de pesquisa se dá a partir da Linguística Aplicada (LA). A justificativa para a utilização deste campo investigativo como base teórica se deve pelo seu caráter híbrido/mestiço, o que a coloca no campo da indisciplina (cf. MOITA LOPES, 2006).
Esse fato a torna condizente à vida social. Nas palavras de Moita Lopes (2006), “a pesquisa é um modo de construir a vida social ao tentar entendê-la”. (p.85). Dessa forma, para que o ensino que almejamos seja responsivo à vida social, é necessário que compreendamos a LA não como disciplina, mas como uma área localizada na INdisciplina (cf. MOITA LOPES 2006). O caráter indisciplinar da LA está presente em nossos estudos no sentido de que esta pesquisa percorre diferentes áreas do conhecimento, pois focaliza a linguagem de forma contextualizada. Essa característica da LA corresponde ao que almejamos, pois a visão de um ensino fragmentado, engavetado não nos interessa. Moita Lopes (2006, p. 98) afirma que “os limites da LA estão se alargando, assim como os limites das humanidades e das ciências sociais em geral”. Essa afirmação reitera o caráter fluido das fronteiras entre as disciplinas.
Assim, a LA nas palavras de Klein (1990, p.11) aponta o conhecimento estruturado em “campos híbridos”, com “empréstimos entre as disciplinas” e com uma “permeabilidade crescente entre as fronteiras” (MOITA LOPES, 2006, p. 98). Dessa forma, importa-nos que o conhecimento ocorra da mesma forma como as disciplinas se apresentam na vida social, ou seja, de forma integrada.