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Les circuits logiques

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1.2 Les mod`eles de calcul

1.2.2 Les circuits logiques

No momento da entrevista, diante das gravuras22, os jovens fazem uma escolha temática que parece traduzir sentidos gradativos, do mais reconhecível para o irreconhecível.

04 escolhas para a gravura A banca de revistas; 01 escolha para a gravura São Paulo;

01 escolha para a gravura Sem título; 01 escolha para a gravura Buum!;

01 escolha para a gravura Máquina humana.

Esse resultado nas escolhas vem demonstrar que as gravuras “preferidas” pelos jovens foram aquelas que se mostraram mais próximas do seu universo de percepção explícita, ou seja, referem-se preferencialmente essas escolhas a gravuras figurativas, de fácil reconhecimento, sinalizando o espaço de um universo conhecido, o imaginário urbano.

Seguindo a orientação de Martins (1997), A banca de revistas pode facilmente ser percebida como imagem recorrente no cenário da cidade. No outro pólo, a Máquina humana configura-se como uma escolha que dá ao observador maiores recursos de significação, por exigir daquele que escolhe essa gravura, recursos subjetivos para tornar explícita uma percepção implícita.

Assim, A banca de revistas, uma imagem que mostra uma cena comum das cidades, não chegou a convocar os jovens a um movimento de imaginação reflexiva. Como um olhar superficial sobre uma imagem reconhecível, não chegou a propiciar um movimento explícito de deslocamento da racionalidade, aquele que permitiria a possibilidade de uma criação subjetiva diferenciada.

Essa percepção sobre os processos envolvidos na escolha das gravuras fica mais esclarecida diante da análise detalhada da entrevista do jovem Lu. Primeiro ele escolhe a gravura São Paulo, respondendo todas as perguntas da pesquisadora. Mas ao notar que uma pessoa dessa gravura parece ter (...) um rabo, decide mudar a sua escolha, apontando então para A banca de revistas, a “predileta” da maioria dos jovens entrevistados. A mudança na escolha parece ter ocorrido em virtude do seu

estranhamento perante a imagem de “uma pessoa com rabo”. Mas seria exatamente o estranhamento a possibilitar a experiência da repercussão e, por isso, possibilidades de produção de novos sentidos subjetivos.

Nos mesmos termos, outro ponto a se destacar foi a gravura escolhida por Gr, uma imagem indicativa da arte como meio de expressão da transgressão. O artista, frente à obrigatoriedade de seguir uma direção, recusa a saída da banalidade, explodindo com o código instituído: Buum!

O contato com uma imagem guardando similaridades com cenas do cotidiano, à primeira vista parece mais confortável para esses jovens, como mostra a escolha da expressiva maioria. Por outro lado, A Máquina humana e Buum! – e também a cidade representada em São Paulo – implicam numa outra dimensão do olhar, convidando à imaginação reflexiva, à mobilidade para a tradução de significados, permitindo a desestabilização do instituído e, por tudo isso, revelando-se como imagens propícias a provocar a experiência da repercussão.

Esse é o pressuposto de Bachelard (2000) quando trata da repercussão das imagens, uma experiência transubjetiva – envolvendo um lugar invisível entre o sujeito e o mundo – acontecendo no inverso da causalidade (da racionalidade), pela explosão da imagem:

a imagem percebida e a imagem criada são duas instâncias psíquicas muito diversas e seria necessária uma palavra especial para designar a imagem

imaginada. Tudo que é dito nos manuais sobre a imaginação reprodutora deve

ser creditado à percepção e à memória. A imaginação criadora tem funções completamente diferentes da imaginação reprodutora. A ela pertence essa

função do irreal que é psiquicamente tão útil quanto a função do real,

freqüentemente evocada pelos psicólogos para caracterizar a adaptação de um espírito à realidade etiquetada por valores sociais. Essa função do irreal reencontra valores de solidão (1991:9).

O movimento possível dos jovens, nesse momento do primeiro contato com as imagens, apenas fornece os indícios sobre as suas subjetividades – principalmente sobre as ressonâncias que reconhecem as obrigações do mundo da percepção. Ainda assim, alguns desses indícios podem significar as primeiras experiências de repercussão no trabalho de OP. A partir dessas escolhas de gravuras nas entrevistas individuais, ficam delineadas algumas das características subjetivas desses jovens:

Figura 3: A banca de revistas

Figura 4: São Paulo

Figura 5: Sem título

Figura 6: Buum

Figura 7: Máquina Humana

Fr: A escolha da gravura Sem título parece indicar um movimento subjetivo endereçado àquilo que para este jovem se configura como “foco”: a sensação de liberdade e descoberta. Aliás, um movimento que se opõe ao seu discurso de dúvida, preocupação e insegurança.

Gr: Uma jovem de aparência e gestos contidos, quem sabe por questões de origem e formação: é uma garota nipo-brasileira. Mas quando escolhe a gravura Buum!, pode estar indicando um aspecto subjetivo, caracterizado por vontade e força, a darem sustentação a uma escolha que, no seu discurso, aparece com conotação de muita dúvida e indecisão.

Ju: A indecisão e a ausência de autonomia, expressadas pela hesitação evidente entre as gravuras A banca de revistas e a Máquina humana, fornecem a dimensão do seu movimento de escolha, traduzindo–se na polaridade de sentidos possíveis, contidos entre uma gravura e outra. Ao final, fica com a gravura de fácil reconhecimento, sem os riscos do estranhamento, do desconforto.

Lu: A escolha final pela gravura A banca de revistas, parece indicar uma subjetividade que se acomoda naquilo que é conhecido, habitual. O contato com o inusitado é que se revela difícil, a ponto de mudar a sua escolha. A escolha final, por isso, mostra-se compatível com o sentido conservador que esse jovem atribui a sua escolha profissional.

Mi: Para esta jovem, a escolha pela A banca de revistas sugere uma significação isenta de reflexão, compatível com o seu discurso sobre a escolha de carreira – um discurso, aliás, marcado pela influência da mãe.

Ri: A escolha da Máquina humana, uma gravura evocativa de um mergulho na imensidão íntima, revela, no jovem, uma percepção implícita sobre os conflitos pertinentes aos processos de escolha. A indicação dessa qualidade subjetiva estende-se na direção de um movimento criativo, contido em suas observações frente à gravura: uma pessoa com cabeça de pato.

Ro: O jovem associa a sua escolha, A banca de revistas, a um estado de “harmonia”, sem explicitar como surgiu essa evocação. Inquieto com a idéia de escolher uma gravura, expressando um movimento similar àquele em relação à escolha da carreira.

4.2 Da cena 1 à cena 7: o processo das escolhas na Orientação

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