Paragraphe V durée d'application
I. LES CARACTERISTIQUES DES PROGRAMMES LOCAUX DE L'HABITAT
A entrevistada 4 é uma pessoa comunicativa, o que tornou a entrevista bastante rica em detalhes e exemplos no que diz respeito às suas atividades de vida profissional e pessoal. De maneira geral, ela gosta de relacionar-se com pessoas e dedica-se a realizar suas atividades da melhor maneira possível, sempre dando o seu máximo.
Foi possível elucidar os seguintes valores pessoais por meio das falas da entrevistada: Autodireção-Ação (Abertura a Mudança); Realização (Autopromoção); e Poder-Recursos (Autopromoção).
Por meio da sua trajetória profissional, foi possível identificar que ela busca liberdade para conduzir suas ações, tendo necessidade de controle do seu dia a dia no trabalho. Ela não gosta de sentir-se presa e limitada dentro do escritório, realizando atividades impostas a ela. Essas características são relacionadas ao valor Autodireção-Ação, uma vez que pessoas orientadas por esse valor tendem a buscar liberdade, autonomia e independência:
Legenda da figura
valores pessoais
valores pessoais percebidos como não realizados para a saída voluntária
Primeiro que eu odeio ficar presa dentro de um escritório. Eu detesto ficar parada dentro de um computador. E segundo que eu gosto dessa liberdade por conta de, como que eu posso te dizer? Eu acho que me motiva, entendeu, no dia a dia eu não gosto, não gosto de pressão. Eu não gosto de horários, sabe? Você tem horário pra entrar, você tem horário pra sair, você tem horário pra isso, você tem horário pra aquilo. Não, gente é horrível você almoçar, não poder fazer digestão. Olhar as coisas, bater um papo. Você volta leve, você consegue na parte da tarde daí fazer suas coisas. Você volta mais tranquila, você atende um cliente. Atende outro, agora bater ponto pra mim acho que seria o fim.
Ainda sobre o valor Autodireção-Ação, em sua primeira experiência profissional, trabalhar muito, não ter liberdade e não poder determinar suas próprias atividades, a incomodavam. No entanto, ao pedir demissão dessa empresa e iniciar sua segunda experiência profissional, na loja do seu marido, a entrevistada expressa sua busca por independência em relação aos seus horários e maneira de conduzir seu dia a dia, características de pessoas orientadas por esse valor. Sua forte orientação a autodirecionar suas ações também fica clara com o desejo em decidir o que é melhor para ela em cada etapa de sua vida:
Trabalhar de final de semana [na 1aEP]. [...] Era muito ruim. Era muito ruim.[...] Eu não gostava de trabalhar de final de semana, não gostava, não gostava, não gostava, foi uma das coisas que me fez sair de lá. [...] Eu acho assim que enquanto eu era solteira, solteira assim, sem filhos aquela coisa toda. Pra mim não era nenhum incômodo. É que tudo na vida tem períodos né? E pra mim naquele momento era um período que pra mim não valia a pena. Você trabalha de segunda a sexta e de sábado e domingo você fica com a sua família. E eu tava em momento família. Tudo, tudo, tudo no decorrer de uma carreira tem períodos. Você tem o período de aprendizado, você tem o período de adaptação, você tem o período de dinheiro, você tem o período de tudo. E naquele momento pra mim era o período de estar com a minha família, então pra mim trabalhar de final de semana era ruim por conta disso.
A partir do momento que você tem flexibilidade é ótimo, ainda mais quando você
tem filho pequeno. Então pra mim a flexibilidade [na 2aEP] era muito boa! Eu
tinha, eu fazia os meus horários eu ia e vinha eu podia trabalhar da minha casa, da forma que fosse mais prático pra mim, pro meu dia a dia. Então pra mim lá
[na 2aEP] a flexibilidade era muito boa.
No decorrer da sua trajetória profissional também foi possível notar que a entrevistada gosta de se relacionar com outras pessoas. Ela se percebe como alguém comunicativa e, com base nessa característica, consegue controlar seus clientes, sabendo exatamente o que e como oferecer, o que ela poderia vender para eles. Com isso, é possível inferir o valor Poder- Recursos refletido na conduta da entrevistada, já que mediante esses relacionamentos e maneira de se comportar, a entrevistada controla seus clientes, em outras palavras, exerce poder social e os carrega consigo mesma para qualquer empresa que venha a trabalhar. Além disso, em uma de suas falas, ela também menciona executar atividades que não necessariamente pertencem a ela, com o objetivo de ter o controle dos recursos sociais:
Eu adoro sentar, bater papo com o cliente explicar tudo que eu to vendendo e aí a gente entra em outras conversas, fala sobre a vida pessoal, sabe, fala sobre tudo. Vai puxando ganchos de conversas, ganchos de coisas que nem tem muito a ver com, com o que eu realmente tou la fazendo, né que era a questão de eu fazer a minha venda, aquela coisa toda, mas a questão ajuda porque você acaba descobrindo coisas, conhecendo mais o perfil do cliente, no que que realmente ele esta necessitando para você poder atacar de alguma forma. Então eu acho que isso pra mim é o que me faz, é o que me motiva. [...] a partir do momento que eu trato meu cliente dessa forma, bem, que eu faço o trabalho, que eu seja solícita, eu atenda ele no algo a mais, não somente no que eu tenho que fazer. O relacionamento fica perfeito e eu levo o relacionamento pro resto da vida comigo. Se eu tiver em qualquer empresa, em qualquer segmento e eu ligar pra ele, ele vai me atender. Então eu acredito que isso seja muito válido pra minha carreira como um todo.
Eu acho que você buscar, é, eu aprendi muito nessa minha trajetória que o cliente é muito importante, tá, pra área comercial. Que você tem que ouvir ele, sentir a dor dele. A partir do momento que você sente a dor dele você sabe o que você vai vender pra ele. E a partir do momento que você sente a dor dele você consegue tirar do cliente muito mais do que você esperava. E desse muito mais que você esperava, se você souber administrar mesmo não sendo da sua área sendo da área do seu vizinho. Você não perde esse cliente nunca, pra onde você for ele vai com você.
O valor Poder-Recursos também foi elucidado por meio da aplicação do método
laddering com preferências de vida pessoal da entrevistada. Ao ser questionada se preferia
dormir ou fazer compras (preferências de vida pessoal mencionadas pela própria entrevistada), ela disse preferir fazer compras, pois a sensação de ter o dinheiro para adquirir o que tiver vontade, mesmo que não venha a utilizar o que comprou, a deixa muito feliz. Nessa fala a entrevistada deixa clara a necessidade de controlar recursos materiais, caracteríticas do valor Poder-Recuros:
Ter dinheiro pra comprar o que eu quero, é tudo maravilhoso. [...] ai é uma sensação de entusiasmo, de aí, delícia, você nem vai usar o que você comprou. Mas ta alí, comprei, gastei, parece que é algo que, ai. Acho que é melhor que qualquer coisa nesse mundo, sério. Pra mulher é muito bom, eu amo, eu sou muito gastona, muito, muito. [...] Ai porque eu sou muito consumista. A justificativa maior é isso, que eu sou muito consumista, porque, foi o que eu falei. Tem coisas que eu compro que não vai ter utilidade pra nada. Mas eu compro. [...] É só pelo fato de poder comprar, isso.
Retomando questões em relação a ser solícita e tratar bem seus clientes, criando uma boa relação entre ela e esses clientes, a entrevistada também demonstrou ter esse tipo de comportamento visando ser reconhecida por eles. Característica de pessoas direcionadas pelo valor Realização:
Adoro falar, então eu gosto de estar com o cliente eu gostava de atender, eu gostava de ser solícita e as vezes você atendia uma pessoa idosa e às vezes, ele não tinha tanto tato para aquilo. Você acabava, é, é, estendendo sua negociação você acabava, é, sendo mais solícita do que ele precisava e era muito legal porque você acabava recebendo elogios do cliente, então eu gostava muito de estar no dia a dia com o cliente.
A busca da entrevistada pelo reconhecimento não é limitada apenas ao reconhecimento social, mas também pelo reconhecimento institucional. Ela sentia-se incomodada em ser tratada apenas como um número dentro das organizações. O que realmente gostaria era de ser reconhecida e que os líderes percebessem o seu diferencial:
É porque esse mercado é isso. É quantidade e eu não quero ser só um número na minha vida. [...] Ah eu quero ser alguém que tenha o seu valor dentro da empresa. [...] E essa questão de ser um número me irrita muito, as pessoas te verem como quantidade, como quantitativo, não qualitativo, entendeu?
Ao ser contratada pela empresa onde vivenciou sua quarta experiência profissional, a entrevistada diz ter se sentido importante ao conquistar o que realmente queria. Segundo ela, todo o seu esforço estaria sendo reconhecido através da contratação. Novamente o valor Realização pode ser inferido em sua fala:
Sinceridade, coisa boba, eu me sentia mais importante. Quando eu fui efetivada eu me senti tão importante, eu falei assim: ‘Gente, eu não acredito que eu estou sendo efetivada. A empresa está me efetivando!’ Trabalhei quase dois anos, ralando, ralando, ralando, ralando. Pra me mostrar e eu consegui. Então aquele momento pra mim era o momento de mais vitória da minha vida.
Ainda sobre o valor Realização, a entrevistada demonstra seu direcionamento em ser influente, ambiciosa e reconhecida, quando contou sobre fazer parte do setor corporate do banco, na sua sexta experiência profissional: “Ah, era muito bom, muito bom, trabalhar e se relacionar com o banco no corporate do [banco dententor da 6aEP]. Eu tinha reunião as
vezes na torre, então era. A visibilidade que você tinha dentro do Banco era muito boa”.
Ademais, em uma das falas da entrevistada em relação à sua sexta experiência profissional, os valores Realização e Poder-Recursos estão imbricados, já que, além das características mencionadas anteriormente relacionadas ao valor Realização, também são destacados os benefícios em fazer parte dessa divisão, dando a ela controle de recursos:
Eu tinha clientes de potencial muito alto. Clientes que faturavam R$1Bi, R$2Bi/ano. E são clientes que tinham 30, 40 estabelecimentos. Atacadistas. A região de Guarulhos é uma região muito rica. A parceria com o Banco era muito
boa, tá. E isso fazia com que você conseguisse ótimas negociações, ótima visibilidade e você trazia um relacionamento pra dentro da casa.
Uma vez apresentados os valores pessoais elucidados por meio da trajetória profissional e preferências de vida pessoal da entrevistada 4, a seguir são apresentados os valores pessoais percebidos como não realizados para suas saídas voluntárias.