La tête en ivoire de Vienne
3.4 Les autres restaurateurs de l’archéologie
O primeiro currículo mínimo estabelecido pelo MEC para abertura de cursos de turismo no país, pelo Conselho Federal de Educação (CFE), foi publicado na Resolução s/n, de 28 de janeiro de 1971, fixando a duração e conteúdo mínimo do curso superior em turismo. Esse currículo mínimo perdeu a sua validade com a aprovação das Diretrizes Curriculares aprovadas em 1997, e sua publicação e implantação obrigatória a partir de 1998.
Esse currículo, visualizado no QUADRO 9, a seguir, foi resultado de participação e propostas de mudanças sugeridas por empresários; IES, como a Escola de Comunicação e Arte da Universidade de São Paulo (ECA/USP); órgãos oficiais de turismo, como a Empresa Brasileira de Turismo, atualmente Instituto Brasileiro de Turismo (EMBRATUR); órgãos do governo, como o MEC, através da Secretaria do Ensino Superior (SESu); CFE, que passou, posteriormente, a ser considerado como Conselho Nacional de Educação (CNE); Comissão de Especialistas de Ensino de Administração (CEEAD); entidades de classe do setor, como a ABBTUR, Associação Brasileira de Dirigentes de Escolas em Turismo e Hotelaria (ABDETH); e debatidas em eventos pela Comissão de Currículos e Programas, formada no III ENBETUR, em 1981, no XV ENBETUR, em 1995. (ANSARAH, 2002, p. 48, 50, 51 e 52; MATIAS, 2002, p. 12, 13 e 19).
QUADRO 9 - Proposta do Currículo do Curso de Bacharelado em Turismo no Brasil, em 1996.
CURSO DE BACHARELADO EM TURISMO
carga horária mínima 3.000 horas/aula
tempo de duração mínima e máxima 4 a 7 anos
básica: Sociologia, Geografia, História, Administração, Economia, Direito, Estatística, Metodologia Científica, Psicologia
750 horas/aula, equivale a 25%
profissional: Planejamento e
Organização do Turismo (POT), Teoria Geral do Turismo (TGT), Marketing, Eventos, Lazer, Hospedagem, Alimentos e Bebidas (A&B), Agenciamento, Transportes, Informática, Contabilidade, Língua Estrangeira
1.350 horas/aula, equivale a 45%
matérias de formação
complementar: Antropologia, Língua Portuguesa, Matemática
600 horas/aula, equivale a 20%
estágio obrigatório 300 horas/aula, equivale a 10%
Fonte: Elaborado pela autora, baseada em Ansarah (2002, p. 50 e 51); Matias (2002, p. 18 e19).
Para melhoria das condições da oferta de cursos superiores em turismo e hotelaria, a ABBTUR/Nacional e a ABDETH, elaboraram, em 1997, a Biblioteca Básica para Cursos de Graduação em Turismo e Hotelaria, bibliografias nacionais e internacionais para cada matéria do currículo mínimo do curso de turismo. Nesse mesmo ano, foram elaboradas as Diretrizes Curriculares de Turismo e Hotelaria, e em 1998, foi elaborado o Manual de Orientação para Avaliação in loco das Condições de Autorização dos Cursos de Turismo e Hotelaria, como base para os consultores ad hoc desses cursos, e, em 1999, o Manual de Orientação para Avaliação in loco das Condições de Reconhecimento dos Cursos de Turismo e Hotelaria. Até então, vinham sendo utilizados os manuais adotados para os cursos de administração, pelo fato de os cursos de turismo e hotelaria estarem vinculados à CEEAD. Esses manuais foram revisados pela Comissão de Especialistas de Ensino de Turismo (CEETur) do MEC, criada em 16 de junho de 2000 pela Portaria nº 1.518. (ANSARAH, 2002, p. 50, 51 e 53; MATIAS, 2002, p. 21).
Essa Comissão, a CEETur, definiu o perfil, as competências e as habilidades que deve ter o bacharel em turismo, visualizadas no QUADRO 10, a seguir.
QUADRO 10 - Perfil, Competências e Habilidades do Bacharel em Turismo.
PERFIL
*internalização de valores de responsabilidade social, justiça e ética profissional.
*formação humanística e visão global que o habilite a compreender o meio social em seus aspectos políticos, econômicos e culturais onde está inserido e a tomar decisões em um mundo diversificado e interdependente.
*formação técnica e científica para atuar no planejamento e na gestão de empresas turísticas, além
de desenvolver atividades específicas na prática profissional em consonância com as demandas mundiais, nacionais e regionais.
*competência para empreender, analisando criticamente as organizações, antecipando e promovendo suas transformações.
*capacidade de compreensão da necessidade do contínuo aperfeiçoamento profissional e do desenvolvimento da autoconfiança.
*capacidade para a resolução de problemas micros e macros pertinentes à prestação de serviços turísticos. *capacidade para planejar, organizar, implantar e gerir programas de desenvolvimento turístico de destinações e empreendimentos turísticos.
*capacidade de atuação nos diversos setores do mercado turístico e em todas as áreas concernentes à profissão.
*competência para implantar resoluções alternativas e inovadoras, bem como capacidade crítica, reflexiva e criativa.
*interesse e estímulo para o desenvolvimento na área da docência e pesquisa.
COMPETÊNCIAS
*colaborar na elaboração e na implantação da política nacional de turismo.
*elaborar e operacionalizar inventários turísticos utilizando metodologia adequada para a confecção de diagnósticos turísticos.
*elaborar o planejamento do espaço turístico.
*aplicar a metodologia do planejamento turístico em projetos, programas e planos. *elaborar planos municipais, estaduais e federais de turismo.
*planejar e operacionalizar o inventário turístico para detectar áreas de novos negócios.
*planejar e operacionalizar estudos de viabilidade econômico-financeira de empreendimentos e projetos turísticos.
*planejar e acompanhar as atividades do Programa Nacional de Municipalização do Turismo (PNMT). *interpretar legislação pertinente.
*planejar e programar os produtos e serviços a serem oferecidos.
*planejar e executar projetos e programas estratégicos em empreendimentos turísticos.
*identificar, analisar e avaliar os possíveis efeitos positivos e negativos provocados pelas atividades turísticas em determinados espaços e comunidades.
* elaborar estudos do mercado turístico.
*selecionar os locais de mercado emissor onde deverão centralizar-se as promoções do país. *estabelecer normas, detectar, aplicar e gerenciar a qualidade de serviços turísticos.
*estabelecer normas e critérios de categorização e hierarquização dos prestadores de serviços turísticos. *estabelecer as pautas para as análises do grau de modernização e da rentabilidade dos serviços turísticos. *apoiar ações voltadas à formação, treinamento e capacitação dos recursos humanos de turismo em nível técnico e superior.
*planejar e ministrar cursos e treinamentos nos vários segmentos de mercado.
*pesquisar para formatação de produto turístico com relação ao dimensionamento da oferta, criar um banco de dados, detectar o perfil do turista, entre outros.
*elaborar programas de desenvolvimento, de oportunidade de negócios, de capacitação de recursos humanos.
* fazer estudos de mercados turísticos prioritários.
*gerenciar campanhas de promoção de mercado interno e externo de conscientização, briefings prévios dos mercados.
*interpretar, avaliar e selecionar informações geográficas, históricas, artísticas, esportivas, recreativas e de entretenimento, folclóricas, artesanais, gastronômicas, religiosas.
*gerir empreendimentos turísticos.
*utilizar a metodologia científica no desenvolvimento de estudos e pesquisas básicas e aplicadas.
HABILIDADES
*de comunicação interpessoal, intercultural e expressão correta nos documentos técnicos específicos e de interpretação da realidade das organizações.
*de ser um profissional atuante, responsável e plenamente qualificado para o exercício do turismo, utilizando- se dos recursos turísticos como forma de educar, orientar, assessorar, planejar e administrar a satisfação das necessidades dos turistas e das empresas e instituições públicas e privadas, e da população residente. *de utilização de raciocínio lógico, crítico e analítico, operando com valores e estabelecendo relações formais e causais entre fenômenos.
*de se expressar em seu idioma e em idiomas estrangeiros, principalmente inglês e espanhol. *de manejo com informática e outros recursos tecnológicos.
*de perceber a necessidade constante de aperfeiçoamento profissional, acompanhando a evolução científica e tecnológica.
*de atuação em todas as áreas concernentes à profissão, tanto na organização, no planejamento, na administração, na assessoria e na consultoria, nos vários níveis de empresas públicas, ou privadas relacionadas com o setor turístico, quanto nas atividades de lazer e recreação, de modo integrado, sistêmico e estratégico, bem como de suas relações com o ambiente externo.
*de integrar-se e contribuir para a ação de equipes interdisciplinares e multidisciplinares e de interagir criativamente em face dos diferentes contextos organizacionais e sociais, bem como de resolver situações com flexibilidade e adaptabilidade diante de problemas e desafios organizacionais.
*de cultivar uma personalidade íntegra, dignificante da profissão através de uma postura com equilíbrio moral e ético.
*de selecionar procedimentos que privilegiem formas de atuação em prol de objetivos comuns. *de lidar com modelo de gestão inovadora.
*para gerenciar projetos e referenciar o estudo de viabilidade para a sua execução.
*em técnicas de leitura e interpretação de estudos, pesquisas, sondagens e indicadores socioeconômicos. *para avaliar e analisar projetos.
*para compreender a complexidade do mundo globalizado e das sociedades pós-industriais, onde os setores de turismo e entretenimento na atualidade encontram ambientes propícios para se desenvolver.
Fonte: Elaborado pela autora, baseada no Modelo de Enquadramento das Propostas de Diretrizes Curriculares. Brasília: SESu/MEC, 2000.
Tendo em vista esse perfil, a CEETur (SESu/MEC, 17/01/2001), determinou que o curso de bacharelado em turismo deve ter as seguintes características: formação abrangente, com profundidade, na área teórica do turismo; formação geral na área humanística, abordando aspectos relativos à complexidade do turismo e às particularidades de cada um dos seus componentes; formação complementar abrangente e em profundidade nas áreas de desenvolvimento integrado e planejamento turístico, meio ambiente, formas de turismo, hotelaria, agenciamento, transportes, eventos, gestão de empreendimentos turísticos, marketing turístico, entre outras; formação complementar abrangente e aplicada ao turismo nas áreas de geografia, história, administração, economia, psicologia, sociologia, estatística, direito e outras especialidades, dependendo das ênfases de cada curso; carga horária total mínima de 3.000 horas, e duração média de 4 anos; corpo docente com formação em turismo e em hotelaria, experiência
profissional e de docência na área; realização de estágios, atividades laboratoriais e práticas na área; voltado tanto para o mercado de trabalho imediato, quanto para intervir, alavancar e transformar o turismo, através da produção e geração de novos projetos, processos e procedimentos; participação de alunos em projetos de iniciação científica e de pesquisa; e docentes engajados na pesquisa científica e tecnológica.
Assim sendo, para as IES, divididas em Universidades, Centros Universitários, Faculdades Integradas, Faculdades, Institutos Superiores e Escolas Superiores, oferecerem o curso de graduação em turismo e hotelaria, devem apresentar à SESu/MEC uma proposta e solicitar autorização e, no ano de conclusão do curso da primeira turma, o reconhecimento. Essa proposta será avaliada pelos consultores ad hoc, que fazem parte da CEETur para a verificação in loco das condições de autorização do curso de graduação em turismo. Baseados nos parâmetros estabelecidos pelo MEC, eles fazem um relatório e o encaminham para o CNE dar o parecer final. O reconhecimento, desde 2001, já vem sendo feito pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP). Vale lembrar que as universidades e os centros universitários passam apenas pelo processo de reconhecimento do MEC. (ANSARAH, 2002, p. 56, 57 e 75).
No processo de avaliação dos cursos serão observados vários itens, conforme os padrões de qualidade estabelecidos pela comissão, como: a) identificação do relatório (mantenedora, mantida, coordenador do curso); b) dados básicos dos dirigentes principais (experiência acadêmica e profissional); c) dados básicos da IES/Curso (histórico); d) principais áreas de atuação/curso (habilitação, ênfase); e) curso, objeto de pedido de reconhecimento (vagas, tamanho das turmas, turnos de funcionamento, gestão acadêmica); f) currículo pleno do curso (grade curricular, ementários e bibliografia adotada); g) corpo docente (disciplina, titulação, experiência); h) infra-estrutura tecnológica (equipamentos, softwares); i) biblioteca (exemplares de livros-textos); j) infra-estrutura física e de materiais (dependências); e l) documentação relativa à regularidade fiscal e parafiscal, como
Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), entre outros.
Ainda em 2001, foi aprovado o Projeto de Resolução pelo Parecer CNE/CES nº 1.366, que dispõe sobre o credenciamento, autorização, reconhecimento e renovação de cursos de graduação, normas e critérios para supervisão do ensino superior do Sistema Federal de Educação Superior e institui os Comitês Assessores da SESu/MEC. (ANSARAH, 2002, p. 57 e 58).
Após essas considerações, podemos observar que a estrutura dos cursos passou por mudanças pouco significativas ao longo desses anos. As alterações propostas não foram alicerçadas em bases epistemológicas, nem em teorias do conhecimento, nem em pesquisas sistemáticas, considerando as tendências mundiais associadas às características predominantes e diferenciadas do turismo no Brasil e seus problemas relacionados a etnia, demografia, gênero, biodiversidade, bens culturais e outros aspectos importantes para a formatação da oferta de cursos.
Como o objetivo principal desta pesquisa é estudar a educação superior em turismo numa perspectiva da sustentabilidade, centramos a atenção na ênfase ao meio ambiente e à sustentabilidade nessa área do conhecimento. Concordamos com João Luiz Hoeffel, Almerinda B. Fadini e Cristiane Ferraz S. Suarez (2002, p. 416) que a responsabilidade acadêmica é pertinente em todas as áreas de estudo, na científica e empresarial, mas é especialmente importante nas áreas que envolvem a sociedade e o meio ambiente, como é o caso do turismo.
Verificamos, a seguir, que, de algum modo, estão sendo adicionadas nos programas dos cursos de graduação em turismo algumas considerações sobre impactos negativos do turismo e as maneiras de modificá-los.
3.4 A Inserção de Estudos sobre o Meio Ambiente nos Currículos dos