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Les approches d’intégration up-market des EMNE

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Section II.1 Les multinationales émergentes : construction et usages d’une catégorie

II.2.2. Les approches d’intégration up-market des EMNE

A iniciação no candomblé constitui-se num complexo de rituais e num período de reclusão dentro do terreiro. Sua meta central é atingir o processo de construção da identidade do iniciado em permanente correspondência com a divindade à qual ele pertence – por isto é filho de Orixá. Esta entronização da personalidade da divindade busca estabelecer uma re- ligação simbólica do mundo dos homens, chamado em yorubá de Ayé, com o mundo dos deuses, o Orum. De todo o tempo que se vive no candomblé, o canto estabelece um

importante meio de intermediação deste processo que se inicia com o bolar no santo, conforme sugere Cossard (2006, p. 133):

O sinal imperativo da vontade do Orixá revela-se a partir do momento do primeiro transe, quando a pessoa cai no chão, o que se chama de “bolar”. Diz-se então que a pessoa “bolou”, caiu aos pés de uma divindade. Os africanos dizem que o Orixá “matou-o”, o que significa que ele a escolheu para ser seu “cavalo”.

Geralmente, uma pessoa bola no santo – literalmente ela perde a força do seu corpo e não consegue sustentá-lo em pé, por isto ela cai no chão, como uma espécie de desmaio – quando o terreiro está em plena atividade. Presenciei várias cenas tanto no Ilê Axé Oxumarê, quanto no Ilê Axé Luandeuá. Nesses episódios, a pessoa ao meu lado simplesmente ia se desmanchando até cair totalmente ao chão. Isto acontecia em plena festa pública. Com toda a avalanche sonora dos toques, cantos e os Orixás dançando ao centro do barracão que é o local onde se realiza as festas. Mesmo com os atabaques tocando e os cantos sendo executados com grande volume e sobre o acompanhamento de palmas e saudações, numa destas vezes, uma visitante que eu nunca tinha visto até então chegou a segurar no meu braço momentos antes de cair no chão, como se estivesse pedindo ajuda. Nem houve tempo para que ela pudesse ser socorrida por mim. Após cair, alguns ogãs da casa se aproximaram e a retiraram do recinto enquanto a festa continuava.

No entanto, apesar deste momento de bolar no santo ser definitivo, no sentido de significar que a iniciação é praticamente uma exigência do Orixá, a pessoa ainda não está preparada para incorporá-lo. Neste sentido, relembrando Bastide (2001), é por meio da iniciação que a incorporação no candomblé se torna mais completa e a personalidade do iniciado é transformada para ser substituída, em certa medida, pela personalidade do seu Orixá. No Ilê Axé Oxumarê, uma filha de Oxum chamada Maíra, antes de sua iniciação, disse-me que “eu sou abian, eu caio”. O que revela que para ela, de fato, ela ainda não estava pronta para a incorporação, mas, sim, cair ao chão (bolar) era um efeito natural.

Na iniciação serão 21 (vinte e um) dias de reclusão. Neste período foram realizados banhos feitos com água e ervas misturadas a certas partes de animais. Antes do recolhimento para a iniciação, um ritual chamado bori é realizado com a presença de boa parte dos membros do terreiro e mais uma vez com o acompanhamento musical. O bori é um ritual com frutas, grãos, pombos, frangos, como oferenda para os Orixás, principalmente para Oxalá, por ser este o mais velho e o pai de todos nós, e para Yemanjá, porque é ela quem cuida da cabeça do iniciado antes da feitura do seu santo. Dá-se início também a todo o aprendizado que até então não era permitido como: as rezas, também chamadas de orikis, as danças do seu Orixá e

as cantigas que não serão apenas as do seu Orixá, mas aquelas referentes a todos os outros. Na terceira semana e última semana do tempo da iniciação é feita a raspagem dos cabelos com a navalha da mãe ou do pai de santo. Este ritual se denomina oro. Mesmo quando são recolhidos vários iniciantes – o “barco” – este ritual é feito individualmente dentro do quarto do Orixá que rege o terreiro. O abian recebe em sua cabeça o oxu, uma massa preparada pelo pai de santo, que significa que o canal de comunicação entre ele e o seu Orixá foi estabelecido. Recebe também o kelê que é uma espécie de gargantilha que ficará no seu pescoço durante o tempo de resguardo; os delogun que são os colares de seu Orixá e dos outros Orixás principais da casa; o mokan, que é um colar feito de palha da costa. Em seguida, o filho de santo passa por um ritual aonde ele será preparado publicamente para o dia de sua saída e apresentação definitiva para a comunidade – agora como um elegun, ou seja, aquele que passou pela iniciação e está sujeito ao transe de incorporação; aquele que tem o Orixá assentado na cabeça. Neste ritual ele tem o seu corpo pintado com um giz chamado efun. Após a iniciação, a pessoa deixa de ser abian e passa a se chamar yao durante os sete primeiros anos. Após este período ela será um (a) ebomi – pessoa mais velha.

Embora esta fase tenha sido mais intensamente vivenciada no Ilê Axé Luandeuá, pode-se observar nos dois estudos de caso, poucas diferenças. Provavelmente a principal ocorreu no sentido de que no Oxumarê, em função da própria organização e estabilidade da casa, todos os iniciados são mais acompanhados e, portanto, mais bem preparados para a tarefa de recebe e conduzir a presença do Orixá. Isto fica expresso na forma com a qual eles se comportam durante as festas públicas: sem interrupções das cantigas e do toque dos atabaques, no desenrolar das rodas quando dos atos que os filhos devem ter como atos ritualísticos que devem ser executados por todos. Portanto, pode-se inferir que a própria estrutura da casa, que confere uma certa estabilidade aos seus membros, pode interferir de forma direta nesta re-ligação do filho de santo com a sua divindade.

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