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Les algorithmes classiques

1.3 Calcul de dose

1.3.2 Les algorithmes classiques

Sendo o cyberbullying um fenómeno que pode atingir grandes proporções e envolver várias pessoas, compete-nos, enquanto Enfermeiros, refletir um pouco sobre as consequências deste fenómeno e sobre o papel que o Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediatria pode desempenhar perante estas situações. São escassos os estudos em Portugal acerca da violência em contexto escolar e mais escassos ainda os estudos acerca do cyberbullying, talvez porque os meios tecnológicos que são usados pelas nossas crianças e jovens sejam ainda muito recentes mas também porque estes meios estão em constante desenvolvimento, surgindo a cada dia que passa um novo meio tecnológico que nos permite estar em constante ligação com o mundo, surgindo novos ambientes de interação, embora apenas com presença virtual.

E é neste contexto que se destaca o cyberbullying, em que o ambiente em que este se desenrola é um ambiente virtual, onde as interações podem ocorrer tanto com pares conhecidos, como com estranhos, em que os agressores nem sequer tomam consciência dos seus atos. A grande disponibilidade das TIC que se verifica actualmente, faz com que haja uma grande dificuldade em identificar o agressor, bem como o local onde as agressões tiveram origem, traduzindo-se assim na

dificuldade que os pais e outros adultos têm em monitorizar os comportamentos das crianças e adolescentes.

Um estudo realizado por Ferreira, Martins e Gonçalves (2012) em que o principal objetivo prendia-se com a avaliação da eficácia das estratégias de supervisão parental na diminuição dos riscos online, veio concluir que as estratégias de supervisão parental relacionadas com software de protecção não se revelam como as mais eficazes na diminuição da exposição dos jovens aos riscos online, sobretudo nas atividades que detém um efeito de socialização e de exploração de papéis sociais. Para além deste aspecto importa ainda, definirem-se intervenções apropriadas de modo a promover boas práticas de monitorização online, assim como encontrar um meio termo entre a supervisão parental e a privacidade do adolescente.

Porém, é fundamental perceber quando uma criança ou adolescente está a ser vítima de cyberbullying. Normalmente, estas tornam-se pessoas mais fechadas, mais caladas, menos sociáveis, apresentam mais queixas para não irem à escola, demonstrando também sinais de depressão que pode levar ao suicídio. Existem casos recentes, divulgados através da comunicação social, em que jovens decidem pôr termo à vida, anunciando através das redes sociais que o vão fazer. Compete-nos a todos, enquanto sociedade, refletir sobre estas questões, sobre o uso das TIC enquanto meio para expor tudo o que sentimos e enquanto meio para podermos também alertar a família acerca de problemáticas como esta. E é neste sentido que o papel do Enfermeiro se torna pertinente, nomeadamente, no que respeita à prevenção e à identificação precoce destas situações.

O Enfermeiro, em conjunto com a escola, tem que ter a capacidade de estar alerta para estas situações, assim como os professores e a família. Importa pois, que as escolas implementem políticas de prevenção e de denúncia de situações por parte dos seus pares. E é neste âmbito que o Enfermeiro pode ter um papel fundamental, no sentido em que pode desenvolver com a escola programas de prevenção de cyberbullying.

Para González-Pérez e Pozo (2007, cit. por Oliveira, 2012), a prevenção através da educação para uma cultura de não-violência significa mediar, criar pontes que tentem evitar o aparecimento de problemas e dificuldades, através da sua prévia identificação e da rápida intervenção, ensinando capacidades e competências aos alunos, no sentido de melhorar as suas relações interpessoais. Nos programas de prevenção de cyberbullying devem ser incentivadas, as vítimas, a contar à família, a contar aos professores, a contar aos colegas, a procurar apoio psicológico e em última instância a pedir transferência de escola. Porém, não podemos deixar de parte os agressores, pois muitas das vezes estes também precisam de ajuda, pois não sabem como parar para deixar de fazer mal a outros. E é deste modo que a escola se destaca em primeira linha, dado que, para além de ser um lugar de aprendizagem académica, é também um lugar de aprendizagem cívica.

A escola, em conjunto com o Enfermeiro tem assim um papel fundamental no que respeita à prevenção e à denúncia de situações de cyberbullying. Muitas vezes, perante uma denúncia, nem se sabe bem o que se há-de fazer, e é aqui que o processo de tomada de decisão “entra em cena”. Após se ter conhecimento de situações de cyberbullying, compete averiguar os factos, perceber como se proporcionou esta situação, prestar o apoio necessário à vítima e se possível identificar o agressor. É também muito importante envolver as famílias (da vítima e do agressor), uma vez que quer a vítima, quer o agressor, precisam de ajuda.

decisão e decidir tendo em conta o melhor para todos. Os intervenientes do cyberbullying precisam todos de ajuda, de apoio, de modo a que todos sejam capazes de ultrapassar este fenómeno e não praticá-lo em prejuízo dos outros.

CONCLUSÃO

Enquanto Enfermeiros que desenvolvem a sua atividade nas escolas junto das crianças e jovens, devemos estar alerta para captar todo e qualquer sinal que a criança/jovem, enquanto vítima de cyberbullying, nos possa demonstrar. A implementação de políticas de prevenção e de denúncia destes casos, pode ser uma das medidas a implementar, em conjunto com toda a comunidade escolar e suas famílias.

De acordo com a bioética, o modelo principalista fornece-nos uma base para a nossa actuação e reflexão face a este fenómeno, reportando-nos para os princípios que sustentam este modelo. A tomada de decisão nesta problemática nem sempre será fácil, uma vez que estamos a lidar com pessoas e que muitas delas atravessam uma fase complicada da sua vida, a adolescência. Porém, compete-nos a nós, Enfermeiros, mas também à sociedade em geral, estar alerta para estas situações, assim como para a denúncia das mesmas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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