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Les accompagnements au service des projets individualisés

Dans le document Rapport d activité 2020 ESAT LA RIBIÈRE (Page 32-36)

5. LA CONDUITE DE L’ACCOMPAGNEMENT

5.2. Les accompagnements au service des projets individualisés

anamElia BuEno Buoro; josé almir valEnTE; marc BarrETo BoGo; maria claudia vidal

BarcElos; mariana FErraz dE alBuquErquE & paTrícia BiTTEncourT rudGE

[email protected]; [email protected]; [email protected]; [email protected]; mari_albuquerque@ hotmail.com; [email protected]

Pontifícia Universidade Católica de São Paulo Resumo

Apreender as práticas de vida que se dão tanto dentro como fora de equipamentos culturais na dinâmica da cidade de São Paulo e dos seus habitantes é o nosso objetivo. Dos mais de mil equipamentos que existem hoje no município, dezenove foram selecionados, considerando a proximidade geográfica entre eles, e foram assim agrupados em quatro “territórios de culturas”: áreas integrativas de equipamentos culturais próximos que possibilitam trajetos de visitação entre eles. Os territórios abrangem tanto os prédios e as atividades culturais que promovem quanto seus arredores e as práticas de vida dos cidadãos que por ali circulam. A observação in

loco realizada ao longo de vários meses considerou as transformações que ocorrem nos territórios ao longo dos

diferentes momentos do dia. A maneira como o espaço e os sujeitos se relacionam originou uma sistematização desses territórios, elaborada a partir do arcabouço teórico da sociossemiótica, em especial das proposições de Eric Landowski. Os territórios de culturas, enquanto configurações espaciais, mostraram-se constituídos pela convivência de grupos sociais diferentes em um mesmo espaço/tempo.

Palavras-Chave: São Paulo; território de culturas; equipamentos culturais; sociossemiótica

A cidade de São Paulo conta com mais de 1.200 equipamentos culturais espa- lhados em sua cartografia (Sempla & Dipro, 2007). Entende-se por equipamento cultural todo museu, centro cultural, teatro, cinema, casa de espetáculo, galeria de arte, arena e locais outros que permitam a apresentação ou exibição de um produto ou serviço cultural (Reis, 2007). Ainda que presentes em toda a extensão da cidade – de norte a sul, leste a oeste – algumas regiões são privilegiadas no número (e na diversidade) de equipamentos culturais em detrimento de outras.

Nota-se na megalópole São Paulo a existência de áreas integrativas de equi- pamentos culturais próximos que possibilitam trajetos de visitação entre eles, formando, pois, o que chamamos de “territórios de culturas”: verdadeiros aglome- rados de apreensões estéticas. Inseridos no contexto de uma metrópole em eterna mutação, esses territórios permitem a conciliação de diferentes atividades que esti- mulam o consumo cultural. Delimitou-se como corpus dessa pesquisa os trajetos percorridos pelo visitante em cada um desses aglomerados culturais, considerando

1 Versão atualizada e remodelada do artigo “Dinâmicas sociais nos territórios de culturas de São Paulo”, publicado no

Caderno de Discussão do Centro de Pesquisas Sociossemióticas – CPS, n. 19, vol. 1, dezembro 2013. pp. 4028 -4039

São Paulo: Territórios de culturas

Comunicação ibero-americana: os desafios da Internacionalização - Livro de Atas do II Congresso Mundial de Comunicação ibero-americana

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a apreensão pela ordem do sensível. Objetivamos analisar os percursos em cada um desses blocos culturais, os “sentidos sentidos” e aqueles construídos a partir da inte- gração desses territórios de culturas à vida na cidade e da cidade. Para tanto, adota- mos o referencial teórico da semiótica discursiva a partir do legado de A. J. Greimas e os postulados da sociossemiótica de E. Landowski, bem como as contribuições de Jean-Marie Floch, A. C. de Oliveira, F. Marsciani e tantos outros pesquisadores semio- ticistas. Ressaltamos ainda que esse estudo é parte constituinte do projeto temático de pesquisa coletiva intitulado “Práticas de vida e de produção de sentido de São Paulo e seus habitantes. Regimes de visibilidade, regimes de interação, regimes de reescritura”, realizado pelo Centro de Pesquisas Sociossemióticas (CPS) da PUC-SP do qual participamos e essa investigação é um dos eixos da abordagem.

Como as práticas artístico-culturais do interior dos equipamentos se relacionam com as práticas de vida do seu entorno? Para responder a essa pergunta-problema, dezenove equipamentos foram selecionados, a partir do critério de proximidade geográfica, o que resultou na constituição de quatro territórios2 (fig. 1). Os territórios foram nomeados a partir das suas localidades, resultando em três bairros paulista- nos e uma via. Tem-se, respectivamente: Luz, Jardim Europa, Ibirapuera e Av. Paulista.

Figura 1. Mapa da Cidade de São Paulo e os quatro territórios de culturas a serem explorados: Luz (em azul), Jardim Europa (em roxo), Av. Paulista (em vermelho) e Ibirapuera (em verde). TerriTóriode culTurAs – luz

O primeiro território explorado na pesquisa é constituído por quatro equipa- mentos culturais: a Pinacoteca do Estado, o Museu da Língua Portuguesa, a Estação Pinacoteca e a Sala São Paulo (fig. 2). Esse território está localizado no centro histó- rico de São Paulo, mais precisamente no bairro da Luz, região que guarda a memó- ria do desenvolvimento da cidade. Seus equipamentos estão alocados em prédios centenários próximos ao também histórico Parque da Luz, que foram sendo pouco

2 Cientes de que há outros possíveis locais a serem mapeados e analisados optamos por, a priori, trabalhar com esses quatro

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a pouco recuperados e readequados para novos usos (fig. 3). No entanto, trata-se de uma área degradada física e socialmente, ocupada por prostitutas e moradores de rua, o que gera constantes debates acerca da higienização (gentrification) do local.

Figura 2. Mapa do território de culturas – Luz, composto pelos seguintes equipamentos culturais: Pinacoteca do Estado (1), Museu da Língua Portuguesa (2), Estação Pinacoteca (3) e Sala São Paulo (4).

Figura 3. O edifício centenário da Estação da Luz teve uma parte sua readequada para receber o inovador Museu da Língua Portuguesa.

TerriTóriode culTurAs – jArdim europA

No bairro do Jardim Europa estão localizados três museus que possuem grande proximidade geográfica (fig. 4): o Museu da Imagem e do Som (MIS), o Museu Brasileiro da Escultura (MuBE) e a Fundação Cultural Ema Gordon Klabin. Esse terri- tório está localizado na região dos Jardins, área nobre da cidade. Tem-se ali um bairro planejado e arborizado (fig. 5), em que os equipamentos culturais contam com alta participação dos próprios sujeitos-moradores e são frequentados por um grupo social dos interessados em arte, moda, cinema e áreas afins.

Figura 4. Mapa do território de culturas – Jardim Europa, composto pelos equipamentos culturais: Museu da Imagem e do Som (1), Museu Brasileiro da Escultura (2) e Fundação Cultural Ema Gordon Klabin (3).

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Figura 5. O grande pátio do Museu Brasileiro da Escultura não é cercado por muros e, assim, dá visibilidade ao arborizado entorno do bairro. TerriTóriode culTurAs – Av. pAulisTA

O terceiro território está posicionado em uma das mais importantes aveni- das do Brasil, e cartão-postal da cidade de São Paulo: a Avenida Paulista. É nela que estão localizados o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP), o Centro Cultural FIESP - Ruth Cardoso, o Instituto Itaú Cultural, o SESC Paulista e a Casa das Rosas (fig. 6). A via possui 2.700m de comprimento e é (juntamente com as Avenidas Faria Lima e Berrini) o coração financeiro/econômico de São Paulo. São quase três quilômetros em linha reta com ruas entrecortando-a transversalmente e um enorme paredão de edifícios margeando-a. Se a proximidade entre os equipa- mentos pode não parecer tão acentuada quanto nos demais territórios, o fato deles estarem em uma mesma avenida já é, em si, significativo (fig. 7).

Figura 6. Mapa do território de culturas – Av. Paulista, composto pelos equipamentos de cultura: MASP (1), Centro Cultural FIESP – Ruth Cardoso (2), Itaú Cultural (3), SESC (4) e Casa das Rosas (5).

Figura 7. O Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, considerado um cartão-postal da cidade, solidamente erigido frente ao fluxo intenso de veículos da Av. Paulista.

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