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No dicionário Aurélio da Língua Portuguesa o termo festa é definido como solenidade, comemoração, cerimônia em regozijo por qualquer fato ou data. No dicionário Priberam da Lingua Portuguesa é encontrado significados relacionados a alegria, afago, carícia, bom acolhimento e cuidados. Todos esses elementos estão presentes na grande festa do município de Amaturá.

Cada evento, cada procedimento é único e particular dentro da festa e é vivido em seu carater de unicidade. O mastro, o taiaçu, as procissões, as novenas e o arraial, todos tem sua importância nessa grande festa.

A festa de São Cristóvão de Amaturá é motivo de júbilo e de celebração para o amaturaense. Da “tiração” do mastro até sua derrubada são 10 dias que enchem de alegria e encanta moradores e visitantes. É uma grande solenidade que movimenta a cidade nos períodos em que acontece. É também um

momento de alegria, de encontros e acolhidas e de cuidados. Um orgulho para toda a cidade e para aqueles que dela participam. Em todos os momentos da festa o amaturaense deixa sempre transparecer muita alegria, dedicando-se exclusivamente durante todo o período para o festejo do padroeiro. Dia e noite pode-se se ver pessoas nas ruas e nos diversos eventos que compõem a festa. É possível ver essa alegria e dedicação desde o início até o final das festividades. Homens, mulheres, crianças, idosos, todas as pessoas trabalham e ajudam no que podem e como podem para o sucesso da festa e em favor do partido que se identifica.

Isso porque essa dedicação não se dá só por conta do trabalho na organização e preparação da festa. A dedicação também é vista também pelo que apenas compram os quitutes e participam dos bingos e leilões no arraial, e pelos que fazem doações ao santo padroeiro. Todos esperam, economizam, trabalham durante o ano para terem como participar da festa e ajudar o santo e seus partidos.

O mês de julho, ocasião da festa de São Cristóvão é tão importante para o calendário do município que se torna um marco que define a vida do amaturaense em um “antes” e um “depois” como ocorre, no ocidente, com as festas de ano novo. A festa delimita o início, o fim e a qualidade do ano do amaturaense. Assim, a festa de São Cristóvão de Amaturá define um ano de espera e um ano de preparações.

E durante o mês de julho inteiro, mês do festejo de São Cristóvão, Amatura recebe muitas pessoas e se torna uma cidade bastante movimentada, bem diferente de outros meses do ano. Pessoas de todos os municípios do Amazonas visitam e participam da festa, o pequeno porto da cidade ficam bastante movimentado com embarcações chegando e saindo a todo momento.

E, quando termina a festa e a cidade volta ao seu cotidiano, inicia-se um novo ano e tudo começa outra vez. É como se a cidade ficasse triste.

E é possível dizer isso porque além das festividades haverem terminado, os visitantes, pessoas queridas, parentes, amigos dos amaturaneses começam a ir embora de Amaturá. É um momento de despedida que, simbolizado pela despedida da festa, despedem-se também do santo e de amigos e pessoas queridas que só encontram durante as festividades.

Mas nem tudo é só tristeza e despedida. Ao terminar o festejo, o pensamento do amaturaense está no próximo festejo, no próximo ano, no próximo mês de julho, quando a cidade se encherá novamente de alegria e seus entes queridos retornarão à cidade.

E no ano seguinte, no aproximar da época do festejo do padroeiro, os amaturaenses ficam ansiosos e começar a movimentar e preparar a cidade para receber as pessoas nos dias de festa.

E não é só uma simples vontade de participar, de estar presente na festa de São Cristóvão. O amaturaense transparece uma imensa vontade de ajudar, de contribuir para a realização da festa, de fazer parte ativamente da sua cultura, da sua religião e da história de Amaturá. Na festa, ele sente que pertence àquela terra, àquela cultura e se sente útil para sua comunidade.

E sentir-se bem, sentir-se útil para a sua terra e para o seu padroeiro faz com que a pessoa sinta que todo o ano valeu a pena. Para o amaturaense, a festa de São Cristóvão não é somente uma festa de padroeiro. Estar presente, trabalhar, ajudar, contribui para valorizar seu ano e sua vida.

E até mesmo quando não consegue ir para os festejos em Amaturá, as pessoas permanecem em contato e tentam participar de outras maneiras mandando doações, dinheiro, brinquedos, procuram participar, mesmo que indiretamente, de seus partidos. Os familiares dos moradores de Amaturá, mesmo morando na capital ou em outros municípios, ajudam como podem para o festejo.

Assim, é possível dizer que a festa está enrraizada na vida dos amaturaenses, devotos de São Cristóvão. As pessoas que podem, que tem condições econômicas para pagar o alto preço das passagens de barco pelo interior do Estado do Amazonas, viajam para Amaturá todos os anos para participar ativamente e estarem presente na festa. As pessoas que não podem viajar não deixam de ser tão ativos, como se estivessem presentes na festa, e encontram maneiras de participar dela enviando doações, brinquedos e brindes para ajudar os que estão em Amaturá.

AMATURÁ

A cidade de Amaturá é uma cidade pacata, simples, de pouca movimentação e que tem como sua única atração a festa de São Cristóvão. É a festa a principal atração do município e pra ela é voltada toda a atenção e dedicação dos amaturaenses.

As pessoas mostram um grande amor e um grande orgulho de Amaturá. Sempre falam com grande carinho e satisfação da cidade onde nasceram e se criaram. O amaturaense é voltado para a sua história, para a história de sua cidade.

Tanto a pessoa como a cidade e seu padroeiro podem ser percebidos na íntima relação e construção de sua realidade. As pessoas procuram manter a tradição na festa de seu padroeiro, simbolizada não apenas nos eventos que nela ocorrem, como também na alimentação, nas músicas, nas orações e disso se orgulham.

Na festa, pude conhecer um Amaturá onde o avô, o pai, o tio e cada amaturaense construíram uma cidade de poucas casinhas, no meio do mato. Um Amaturá no qual se carregava barro em canoas e nas costas para aterrar e bater as ruas para por elas trafegar. Um Amaturá que não tinha emprego, renda, leis ou organização política.

E o mesmo trabalho visto na construção da cidade pode ser percebido na construção de uma cultura religiosa que tem como centro o padroeiro da cidade. O desenvolvimento desta tradição acompanha o desenvolvimento da cidade e de seu povo. Isso porque no início do vilarejo, Amaturá só contava com uma pequena igreja, uma capela que começou com a ajuda da população, construída para abrigar o seu santo padroeiro.

É neste sentido, no constituir e ser constituído, que se revela a importância de Amaturá e do festejo em sua vida.